\\ Pesquise no Blog

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Depoimentos

Olá, Você

Este espaço do blog é destinado aos que assistiram ao espetáculo COMO CAVALGAR UM DRAGÃO e que desejam deixar por escrito suas impressões sobre a peça. Teatro Inominável é desde já grato pela sua opinião aqui deixada e afirma o quanto ela nos é de extrema importância, justamente, por ser capaz de nos devolver um pouco de nós e, sobretudo, também um pouco sobre você, que nos assiste.


\\
Como deixar seu depoimento
Basta escrevê-lo no espaço logo abaixo à inscrição "Postar um comentário" e em seguida clicar em "Postar Comentário". Para isso é preciso deixar seu nome e, se possível, seu contato e/ou endereço virtual. Caso tenha cadastro no Blogger, você pode efetuar seu login e fazer seu comentário já dentro do seu perfil.

11 comentários:

Céli disse...

Sincero, singelo e tocante. Parabéns a todos.

Patrícia Teles disse...

Vocês já viram "Queridos Amigos"? Inevitavelmente assistindo o Dragão fiquei pensando na minissérie, mas em Queridos Amigos é o contrário, eles se encontram depois de muito tempo antes da morte, a "divisão dos bens" acontece antes, enfim... pode não ser bobagem essa referência mas quis dividir com vocês. Acho que o motor de tudo é o afeto, não me sensibiliza os “depoimentos”, mas percebo o grande afeto que existe na relação daquelas cinco pessoas trancadas em um apartamento “suas vidas tornaram outros rumos, mas ainda preservam a cumplicidade e as diferenças inevitáveis entre aqueles que se amam e se conhecem demais” (tirei do verso do box de Queridos Amigos, rs posso emprestar pra vocês assistirem, Fernanda Montenegro está maravilhosa! rs). Por fim, também quero o Allstar, desejei partilhar tudo aquilo. Parabéns pelo texto, parabéns pelo trabalho! Bisou

Tat Alvim disse...

Nao consigo pensar em outra sensaçao que defina melhor o que foi assistir esse espetáculo pra mim do que "um soco na boca do estômago e um cafuné na alma, ao mesmo tempo".
Nem eu mesma conseguiria expressar meus sentimentos em relaçao a tudo aquilo que já foi, nao foi e ainda é.
Incrível...!

Mari Blue disse...

Amei a peça, tem um tema delicado que poderia deixá-la pesada mas isso não acontece, ri muitas vezes e me emocionei também. Parabéns! = ) ...

Carlos Oliveira disse...

Ótima dinâmica e energia no palco, ótimos atores talentosos e excelente texto!!

Evângelo Gasos disse...

Querido Diogo,

De cara, digo que esta foi a peça de sua produção que vejo finalmente um encontro entre o já desenvolvido apuro estético que você realiza com o tema que se propõe. Acho que "Não Dois" e "Miranda" instauravam a cena, mas sempre me faltou alcançar a questão.
Saudável para jovens artistas como nós. Sinto que só agora me vejo também atingindo uma questão....
Portanto, dragão vem com o desafio de ser cavalgado, missão quase impossível. Mas você (e a Flávia, claro!) conseguem traçar um percurso para esse voo.
Acho que essa é minha principal observação para a peça. O resto serão pontuações, algo que flutua entre gosto pessoal e crítica de chato....Mas vamos lá:

Achei o cenário ótimo. Adoro quando a transformação do espaço acompanha a mudança da cena.. o desvelar das paredes amplia a sensação de que o mundo é maior do que quatro paredes... Show!

Direção dos atores com proposta atual, aberta e fechada (se é que isso é possível!!) Adorei os jogos e a cena final com o lenço é linda.

Acho o figurino um pouco equivocado se comparado à pretenção global do espetáculo. Explico: por que tentar envelhecer personagens que, com as idades reais que os atores tem, poderiam muito bem estar passando pela mesma experiência vivida pelos personagens? Por isso, achei desnecessária a tentativa de dar mais idade aos personagens que não precisam de um semblante adulto para encarar uma questão que não tem idade para ser encarada. A morte encontra jovens e adultos, sempre despreparados! Esta é minha única ressalva para o espetáculo.

Outra coisa que queria comentar, e aqui divido com você uma questão que carrego comigo, é em relação à sua pergunta no final: "se divertiu"? - você perguntou.Eu digo: Não. E era pra isso? Temos que parar com essa ideia de que a celebração está acima de tudo. Saí dali com muitas angústias a serem digeridas e não seria capaz de ter me divertido diante desse encontro.

A vida deve ser celebrada, sim, e a perspectiva da fatalidade pode ser um fator que valoriza a vida, mas que não necessariamente nos diverte de imediato.
Difícil entender isso vivendo na Cidade Maravilhosa....

De qualquer forma, é a cidade que viemos e vivemos. E nela tentaremos encarar nossos fantasmas e purgar nossas angústias...

Beijo

EVG

LuCais disse...

A peça foi muito mais simples e delicada do que eu esperava. Eu esperava ver uma peça do Diogo muito fragmentada e com partituras "à mostra", o trabalho do ator exposto. Eu conversava sempre com Fred e Vitor, eles me contavam sobre os ensaios. Sei que foi um longo processo, árduo. E fui surpreendido pela simplicidade do resultado. Acho que trabalhar com a simplicidade é difícil mesmo. Porque há muitas camadas sob aquelas figuras, com nomes de pessoas, que vivem uma história. Muitas histórias no olhar de cada ator. Muitos segredos, que bom, muitos segredos não compartilhados, que às vezes ficam no ar. Delírios do ator que se envolve com a história, ou segredos "técnicos". Uma infinidade de detalhes que eu sei que existem, mas que não posso captar - sinto pela vida que a peça transmite. É um trabalho leve, apesar de tudo. Pesam muito mais a culpa das personagens, os conflitos entre eles, do que a morte da personagem invisível, que parece sorrir longe da tristeza das personagens em cena. Pesa tudo o que não é dito.
Saí da peça com os personagens na cabeça, era difícil pra mim pensar nos atores e no que tinha funcionado ou não funcionada, se tinha achado legal ou não. Eu vi uma história e me identifiquei com ela em alguns momentos, o que me fazia rir ou ficar angustiado. É cada personagem tem tanta história além da morte que eu era obrigado a prestar atenção em outras coisas.
Me lembro muito da personagem da Marilia no chão, as pessoas tentando parar o choro dela, e da angústia que é você querer chorar e as pessoas te interrompendo. Ela ao telefone, a incompreensão dos outros em relação ao suicídio. As culpas. A personagem da Nina tentando organizar as coisas. Tudo isso suscitou lembranças dolorosas. E era muito bom ser surpreendido pela leveza.

Gostei do cenário, e se eu tivesse visto num lugar privilegiado talvez não tivesse gostado tanto. Assisti à peça de lado, vendo sempre os dois "cômodos". De repente um dos cômodos (o fundo da cena) ficava vazio. Me dava a impressão de casa mesmo.

A fragmentação está presente, é claro, mesmo numa história fechada, com personagens definidos, etc. A peça oferecia muitas possibilidade pro público, muita coisa pra olhar e se perder, e eu gostei muito disso.

Do enorme talento de vocês, nem preciso falar...

Beijos do Luquinhas

Dani disse...

Um grupo de amigos se reune apos a morte de um deles. Crise, conflitos e revelacoes.

Esse ponto de partida da pano pra manga, mas eh um tanto recorrente.

Eh a dramaturgia da cena, o excelente jogo dos atores entre si e com o espaco, que traz uma possibilidade de leitura surpreendente, um sentido que se constitui a partir do dialogo entre nossa percepcao corporal e a manipulacao de objetos e deslocamentos que nos conduzem a uma dimensao onde os conflitos ultrapassam fronteiras idiossincraticas para afirmar desejos que apontam para o infinito.

De cara, as diversas costrucoes imaginarias para um mesmo comodo. Por fim, barreiras concretas e subjetivas postas abaixo.

Foi esse o jogo que me cativou imensamente. Vida longa ao Dragao e seus cavaleiros!

kellyezaki disse...

viajei pro RJ especialmente para assistir ao espetáculo.
3 dias concorridos, ingressos disputados.
o meu tava garantido e ainda galguei para conseguir + 1 p/ outro querido.
fui acompanhada de um grande amigo.
assisti a peça com um sorriso no rosto;
mas me emocionei também.
é muito "Diogo".
e ainda teve a parceria com a Flavinha............
dois fofos.
sou suspeita, pois acho o trabalho de Diogo bastante curioso, interessante, provocativo e cabeção.
tenho orgulho desse pequeno grande coração!
sou louca para ver os trabalhos do Inominável nos palcos paulistas, meo!

<>

Rúbia Rodrigues disse...

COMO CAVALGAR UM DRAGÃO, apresentar uma narrativa linear sobre a história de cinco pessoas que tentam reerguer seus vínculos de amizade após o suididio de um sexto integrante deste grupo ocorrido antes do desenrolar da peça.
Tendo como foco da história uma DR entre esses amigos após este suicídio e não o suicídio em si, a peça discorre sobre como os relacionamentos de amizade são erguidos e baseados. Durante seu desenrolar podemos entrar em contato com o valor e a importância que cada personagem dá a este vínculo emocional tão peculiar e inexplicável que é a amizade. Neste sentido, acredito que a peça tem grande êxito porque consegue fazer com que o público reflita sobre o relacionamento humano em geral, com suas dificuldades de comunicação e com a distorção de entendimentos entre indivíduos tão diferentes. Colocando em cena cinco personagem de diferentes estereótipos, mas ligados por um passado que é rememorado pelo evento do suicídio, o público, a meu ver, tende a se questionar resolvemos questões pessoais e de grupo considerando as diferenças: nossas identificações e nossos conflitos.
Tendo assistido a peça em três momentos diferentes pude observar que o ponto forte deste drama é o entrosamento entre os atores. Destaco neste ponto a evolução individual dos atores, Vitor Peres, Nina Balbi e Dominique Arantes. Nestes três observei um maior domínio textual o que os levaram a uma maior variação de intenções e de pontuações em suas falas, ajudando a interpretação e o entendimento textual. Sobre os dois outros atores, Fred Araújo e Marília Misailidis, percebi um excesso de pausas e de repetições de intensões que enfraqueciam tanto o texto quanto suas atuações, alongando em demasiado falas e intensões já percebidas pelo público.
Os figurinos deixam a desejar. Além de não dialogarem entre si desfavorecem os atores em seus trabalhos.
Outro ponto que acredito não ajudar na peça são os monólogos feitos à parte para o público. Falados com pausas exageradas pelos atores (neste ponto incluo todos os cinco) tornam-se cansativos para o público e sublinham o que já está implícito no resto da dramaturgia. Chegam a ser em determinado momento um ponto de contagem regressiva para o fim da peça.
Recomendo a peça pois acredito que ela toca no que diz respeito a comunicação e ao relacionamento humano, assunto sempre interessante! Entretanto, não posso deixar de dizer que acredito que ainda é necessário um amadurecimento por parte da direção e dos atores de saberem o que realmente é essencial e merece estar em cena. Resolvendo esses pequenos detalhes acredito que a peça pode se tornar um grande sucesso não apenas de público mas atingindo seu verdadeiro potencial artístico.

Antonio Guedes disse...

Acompanho o trabalho do Teatro Inominável desde o espetáculo Vazio é o que não falta, Miranda. Já nesse trabalho se percebia com muita clareza uma inquietação, um desejo de encontrar uma dicção própria para falar dessa inquietação. Com uma narrativa extremamente fragmentada e utilizando o recurso da repetição com o objetivo de apontar para a possibilidade de haver, ali, algum sentido, o Miranda despertava no mínimo curiosidade pelo que viria a partir dali.
Eis que em Como cavalgar um dragão encontro uma outra estrutura narrativa. Um conto... uma história sobre jovens que lidam com o suicídio. Mas um conto totalmente construído a partir de uma estrutura explicitamente teatral.
Do ponto de vista da dramaturgia, o Dragão trabalha com personagens muito bem construídos. Contando com a parceria de ótimos atores, esses personagens, pelo contraste de temperamentos, nos apresentam um rico mosaico de reações possíveis diante do tema central: o suicídio. Mas do ponto de vista da encenação, esse conto não se deixa transformar numa narrativa simplista, realista, mero relato de uma história. Como plateia, experimentei a descoberta de cada modo de se colocar diante desse limite imposto sobre a vida. O cenário revela, aos poucos, a estrutura do palco que, sem se transformar em outro lugar senão o próprio teatro, nos oferece muitas possibilidades de lugares. Um quarto, espaço ao ar livre, um quintal (?)... as cenas por trás da estrutura podem estar acontecendo onde quisermos que elas estejam.
Pensando em duas estruturas dramaturgicas tão diferentes como o Miranda e o Dragão, só posso ficar ainda mais curioso com o que virá a partir daí. Há um material que, se a princípio pode parecer contraditório, para qualquer um que já construiu um pensamento sobre a narrativa ao longo do tempo sabe que os diversos espetáculos são como cartas que vão sendo lançadas sobre a mesa... a aposta é que em algum momento a configuração dessas cartas poderá se constituir numa bela mão, num royal street flash. Mas isso não é garantido... é preciso continuar trabalhando. E isso é o que importa.