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sábado, 30 de abril de 2011

sobre Ódi:


Onde andará dulce veiga? :
http://www.youtube.com/watch?v=1FewyVdsgNM

"Howl":
http://www.youtube.com/watch?v=tIZeJmGpKeg&feature=related
ou
http://www.youtube.com/watch?v=ytEORri27xE&feature=fvst

até os 19 anos.

e eu morava bem aqui. na verdade, eu só morava aqui sábado e domingo porque de segunda à sexta eu dormia lá na escola com a minha mãe. Eu morava aqui. Na Avenida São Paulo. Quase esquina com a Rua Cuba e atrás da Rua Montevideu. Eu sempre fui internacional.



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Descoberta

descobri uma coisa.....Inácio é primo da Letícia....

Inácio tem aquafobia pois quando criança quase morreu afogado na primeira vez que foi à piscina de um clube. em Vilar dos Teles.


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ensaio 19

Vítor asssitiu a uma palestra no CCBB sobre comunicação e subjetividade. Ele falou algo como a necessidade que hoje temos de ter que fazer alguma coisa. Completei que a questão não é só fazer alguma coisa mas ser o melhor no que você faz, ter status, nome, fama, dinheiro. É a busca de quase todos...a subjetividade aliada ao sistema capitalista gera indivíduos individualistas, narcisistas e compulsivos.

Conversa depois do exercício do agrupamento pulado. O que me incomoda de fato é quando vejo que perdemos algo que já havíamos conquistado. Isso é duro de ver. Segunda-feira estamos juntos e muito ligados.

HIPOGLÓS

VOCÊ JÁ ENFRENTOU O SEU ÍNTIMO?
Rita: imagina!!

Odilon, o que me incomoda em você é esse seu pessimismo

Improvisação dos meninos:

"AS FEIAS QUE ME DESCULPEM MAS BELEZA É FUNDAMENTAL"

Bom momento de Inácio e Odilon discutindo sobre o conceito de beleza, sinto como se eles tivessem sendo sinceros ao falar das meninas mesmo que a sinceridade por vezes esbarrasse na grosseria...ou na crueldade. Bom ver os dois meninos juntos conversando sobre coisas que meninos conversam...
questão para pensar: os dois ali eram Heteros...
Inácio lendo o jornal sobre o suicídio da filha do Vinícius de Moraes começa baixinho a cantar "olha que coisa mais linda mais cheia de graça...." momento simples e de intensa poeticidade.

Improvisação das meninas:

Inácio chegou na festa de 15 anos todo arrumadinho a gente nem podia tocar nele.

Cecília: olha a Rita, ela está chorando! (Rita no entanto não chorava)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

ensaio 19

29/04, unirio, sala 301
diogo, flávia, fred, dominique, marília, nina, vítor e gustavo.

STOP UM A UM. START UM A UM.

AGRUPAMENTO PULADO. que não funcionou muito bem. então flávia juntou todos eles e numa roda apertadinha, falou alguma coisa que resultou numa costura linda entre eles. então eu pude ver seus sorrisos. a manhã nascendo de novo por causa do bom grade com que se permitiram jogar e receber (tudo de novo, como se fosse inédito).

Aquecimento de uso precisa voltar. Mas como dar um start no corpo por outras vias que não essa?

PANO (COM E SEM PANO – AO SOM DE BRITNEY)

SISTEMAS

Frase Feita

Tema \\ Explodir memória(s)

CECÍLIA - O que me incomoda em você é…
RITA - Não é a primeira vez que você…
INÁCIO - Você se lembra o que você…?
ANDRÉIA - Uma vez eu te pedi…
ODILON - Você não devia…

>>>

o que me incomoda no caco é que ele não fala as coisas. ele olha.

rita, você merecia coisa melhor.

o que me incomoda no hipoglós é que ele faz trabalho escravo.

vocês não deviam falar isso, se vocês não se lembram.

você não devia nem ter pedido pra eu comprar hipoglós.

o que me incomoda no homem é essa preguiça.

você é muito preguiçoso, odilon.

você sabia que amigo não tem hora pra servir amigo?

você não devia raspar tão baixo assim o cabelo?

o que tá me incomodando no cabelo do inácio é que fica um cabeção.

você sabia que vendem perucas aqui em copacabana.

você sabia que dizem que o vinicius de morais e o tom jobim ó…

você não devia dizer isso…

o que me incomoda em boate gay é que não tem assedio.

ah, odilon isso ai a gente resolve no quarto.

você não devia dizer isso.

vocês lembra né, quando a rita entrou pro grupo?

a gente tava onde, gente?

no apartamento do oscar, amigo da lilla. que morava em copacabana.

o que me incomoda em você, rita, é que você esquece o seu passado.

o que me incomoda em você, rita, é que você muda de assunto.

enfim, mas lembra dessa festa. a gente entrou. a lilla também não conhecia ninguém. ai eu pedi pra dar bebida pra rita, porque ela tava toda travada.

a primeira frase da rita foi “não posso beber porque quando eu bebo eu tenho vontade de tirar a roupa”.

<<<

COMPOSIÇÕES

Composição Um (Fred e Vítor)

UMA RELATIVIZAÇÃO
UM FILME
UMA CITAÇÃO
UM ENCONTRO
UMA REVOLUÇÃO
UMA RESPIRAÇÃO DO DRAGÃO

>>>

Jornal e Garrafa com água. Inácio vê TV e Odilon tenta ler o jornal.

Você gostou?
Muito. Muito mesmo.
Você tá falando sério?
Tô. Você não gostou?
Não vi

Beleza é fundamental.

A Andréia, eu super entendo. Tem tudo ali menos beleza. Tipo: ela cozinha bem, ela é legal…
Ah, tem sim.
Eu acho a Rita linda. Agora a Andréia, mora sozinha, cozinha… Mas eu entendo você gostar dela. A Rita, por exemplo, que tem um potencial de beleza muito grande. Mas é apagada.
Eu já não sei. A Rita eu não sei…
Mas a Cecília tem um quê de macho. Eu acho que ela tem piru.
Você já ficou com ela?
Já.

Você pode ver, ela não é bonita a filha do Vinicius.
Eu fico bobo, cara. Ela se suicidou e eles escrevem essa coisa.

Cantam Olha que coisa mais linda mais cheia de graça… E parece que se lembram de Lilla.

É eu concordo contigo.
Mas eu agora concordo contigo.
Beleza é fundamental.
A gente pode talvez se apaixonar por outras coisas.
A Andréia é linda sim, é linda, é, claro que é. Ela é linda.
Tem uma pizza que ela faz… Tomate seco com manjericão.
Mas às vezes você quer comer uma portuguesa.
Eh…

<<<

Composição Dois (Dominique, Marília e Nina)

UM GRITO
UMA COREOGRAFIA
UM CULPADO
UMA MEMÓRIA
UMA REVELAÇÃO DE ESPAÇO
UM MEXER DE ASAS DO DRAGÃO

>>>

Casa da Andréia.

Festa de quinze anos. Fiquei encarregada do bolo e dos docinhos.
Onde é que é a festa?
No Alto da Boa Vista.
Você se lembra daquela festa?
Da sobrinha do Odilon.
A gente teve que dançar.
Odilon eu te odeio pra sempre.
Cecília catou um menininho pra dançar, super fofinho.
19 anos.
Ih, gente, pedofilia tá super em voga.
Inácio é muito fofo, mas não podia encostar na roupa que fazia assim…
O Inácio tava quase melhor vestido do que a princesa da festa.
Odilon usava um brinquinho trash.

Gente, não! Gente, eles comeram o bolo!
Oi, queria encomendar um bolo de três andares.
Alguém tem 140 reais?
Inácio.

Gente, eu tô desempregada.

<<>

quinta-feira, 28 de abril de 2011

ensaio 18

IMPROVISAÇÃO- SISTEMA
Situação limite
Frederico, Marília e Dominique

1- Aniversário da mãe do Odilon. Ele não convidou a Rita. Rita nervosa não para de amassar o cabelo atrás da orelha. Ela queria ajudar, ela queria estar lá ajudando a preparar a festa, ajudando a enrolar os docinhos e a encher os balões, mas o Odilon não a convidou pra festa de aniversário dele. Espera aí, a festa de aniversário é do Odilon ou da mãe do Odilon? Na verdade Odilon faz aniversário no mesmo dia que a mãe. Ele te convidou Andréia? Pergunta Rita. Sim convidou. E você Inácio? È, convidou. Porque ele não me convidou? Porque? Porque...... a Cecília........ bateu de moto, é isso.

Especulações:
Cecília anda de moto. Rita é contra Cecília andar de moto. Todos sabem disso.

2- Rita atordoada diz que menstruou. Isso não poderia ter acontecido, ela esperava estar grávida, mas agora viu que não está, deve ter sido por causa dos remédios. Inácio diz que vai ajudá-la a engravidar e parte pra cima da Rita como se quisesse forçá-la a uma relação sexual. Andréia irritada tentar impedir Inácio até que desiste e com muita calma diz:
“O que é isso gente. Olha a chuva lá fora. Olha essa árvore, o que está acontecendo? Gente, essa folha, olha, já parou de chover, mas naquela folha tem uma gota que não cai ela tá ali, ela não seca, ela não faz nada. Espera aí Inácio. Secou. A gota secou... Rita a gente adota uma criança...francesa, uma criança francesa. Vai ficar tudo bem.”

3- Rita diz que foi usar o banheiro e a descarga emperrou, não para de sair água, é muita água, muita água.
Inácio desesperado diz ter águafobia.
Andréia nervosa repete várias vezes que já havia falado para eles não usarem o banheiro mas ninguém a escuta, ninguém dá bola para o que ela diz. Andréia reclama, ninguém a escuta, ela havia falado para não usarem o banheiro, para não abrirem a torneira, repete várias vezes esse discurso enquanto pega um café.

4- Andréia diz que não trouxe comida e que é assim mesmo, ela não tem obrigação de trazer comida pra eles. Inácio vai tentar cozinhar e acaba deixando pegar fogo na cozinha, na tentativa desesperada de conter o fogo eles tiram suas blusas e começam a abanar o fogo. No meio do desespero, batem uns nos outros com as blusas. (momento impagável)

IMPROVISAÇÃO-COMPOSIÇÃO
Duplas

Marília e Fred
No elevador da Unirio

Nina e Andréia
Na sala 301

IMPROVISAÇÃO- COMPOSIÇÃO
Nina, Frederico, Dominique e Marília
No espaço delimitado pela fita crepe estão os meninos e a garrafa Minalba.

Acerto de contas com Odilon. Andréia discute com a garrafa Minalba como se esta fosse o Odilon.

Serenata que o Odilon junto com os outros amigos preparou para a Andréia

Meninos cantam música dos Beatles “She loves you”e dançam uma coreografia (que bom que temos isso filmado)

Agrupamento no fundo da sala.

CONVERSA

conversamos sobre a intimidade desses amigos, sobre a necessidade de os sentirmos mais íntimos. Diogo falou de LUGARES ACOSTUMADOS, no melhor dos sentidos.

Marília falou de uma possível pesquisa corporal das personagens.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

ensaio 18

27/04, unirio, sala 301
diogo, flávia, fred, dominique, marília e nina.

PANO ao som de Antony and the Johnsons, Kid Abelha e Nina Simone.

SISTEMA (Dominique, Fred e Marília) SITUAÇÃO LIMITE.

Primeira Tentativa

O gestual de Marília arrumando o cabelo.

Toda a cerimônia de Inácio e Andréia para contar algo grave à Rita.

Segunda Tentativa

Eu tô muito preocupada com o Odilon. Você quer me dizer alguma coisa que você não tá me dizendo?

A Cecília tava voltando de Minas. Na estrada, na madrugada. Ela tava de moto.

Uma moto velha, essas coisas, que ela pegou na fazenda.

Ela não veio no Petulante?

Mas tá tudo bem, ela tá em coma normal, não induzido. A gente só vai esperar um pouco a chuva passar e…

Terceira Tentativa

Eu fiquei menstruada mas não era pra ficar. Eu achei que eu tivesse grávida. Mas o Caco tava achando que eu tava grávida. Por causa do remédio. Se ele ficar sabendo disso ele vai achar que eu não posso ter filho. Eu tinha que tá grávida mas eu não tô.

Rita, você quer um absorvente?

Gente, olha isso aquela gota.

Quarta Tentativa

Olha, gente. A coisa da água.

Quinta Tentativa

Não tem comida, eu não trouxe comida, eu trouxe um. QUal o nome daquele negócio que faz assim? Eu trouxe um não é não é coisa da boca… A gente sempre fala que eu cozinho. Não tinha macarrão. Era a minha vez. Gente, não tem fogão. Um panetone. Não cospe na cozinha. Páta de cuspir. Que vai embora, EU NÃO TROUXE A COMIDA!

COMPOSIÇÕES.

Dominique e Nina > sobre o término do namoro de Andréia e Odilon.

UM PEDIDO DE DESCULPAS
UM SUSTO
UM DRAGÃO QUE POUSA NO MEIO DA SALA
UM ABRAÇO
UM SILÊNCIO LONGO

O que foi, Andréia? Eu sei que você tava lá. Você não é culpada. Você não quer me dar um abraço?

Você tinha como saber.

Eu tinha como saber?

Tá todo mundo me perguntando. Eu quero saber que tipo de afinidade a gente tem.

Você tá maluca, você tá muito doida.

Silêncio.

Desculpa.

Por você ter me acusado?

Não, porque eu tô chorando. Ele tava bêbado no dia do enterro. A gente tá faz dois meses sem se ver.

Você tá com saudade dele? Foi você que terminou?

Ei terminei porque… Eu terminei… Ele tava numa vida estranho. Não dá pra ficar com alguém que te carrega pra baixo o tempo todo. Eu não sei se ele tá com outra pessoa.

Você não sabe nada? Se ele tá com alguém?

Não. Você falou com ele?

Eu acho que você tá confundindo as coisas. Você tá confusa. Não, ele não tá com ninugém. Ele não tinha um posicionamente correto. Você não quer mais ficar com ele. Você não quer mais saber do Odilon, não é verdade?

Acho que tem isso tudo, mas eu não sei, eu quero ficar com ele, eu não sei se alguma coisa de fato mudou.

Ai… Você ouviu? Que coisa estranha…

Cadê a Rita?

Era alguma coisa querendo dizer alguma coisa a gente não sabe que coisa tava querendo dizer essa coisa. Passou, já disse.

 

Fred e Marília > sobre a relação entre Inácio e Rita.

UMA CULPA
UMA DESISTÊNCIA
UM COPO QUASE QUEBRANDO
UMA SOLUÇÃO
UMA RISADA

No elevador – Rita diz a Inácio que perdeu a hora ao acordar e que isso afeta a sua relação com Caco. Inácio se ofereceu para ligar para ela toda manhã.

 

Todos.

Uma garrafa.

Cadê o Odilon?

Tá aqui: garrafa de minalba.

Odilon, você que tá ai, que não é transparente não embora pareça. Que é tudo mentira, que fica com esse chapeuzinho azul, não é inocente, que fica calado esse tempo todo. Olha pra mim, na minha cara, fala agora o que de fato a gente tem ou a gente não tem. Vou ficar aqui esperando a resposta.

Odilon esse silêncio tá constrangedor.

Ele nunca fez nada, Andréia?

Eu vou beber o Odilon.

Odilon, você vai ficar chateado se a gente contar?

Ahm gente, ele fez o quê?

Então, Andréia, a gente quer te contar uma coisa.

Ele não pode saber que a gente vai te contar um negócio que a gente vai te contar.

Então, Odilon preparou uma surpresa pra você.

Antes de a gente terminar?

Mas o Odilon chamou a gente pra fazer um serenata. A gente ficou escondido atrás do carro. A gente ensaiou. Caixa de chocolate. E ele fez a barba. Ele tava do jeito que você realmente gosta. Ele tocou a campanhia e você não tava lá.

COREOGRAFIA.

Que merda, pára! Então… Eu tava lá e não abri a porta. Desculpa, gente.

Muito bom, senhorita Andréia. É bem a sua cara.

Você sempre se faz de sonsa. Lembra aquele dia?

Todo mundo com fome. Não tem comida, não tem ingrediente. Tinha tudo. Você ficou prometendo e deixou todo mundo na mão. Você fingiu que não tinha comida. Tinha tudo.

E por que não cortou a cebola e picou o alho?

Além de sonsa desvia o assunto.

Olha, tá fazendo a Rita chorar.

Ah, vocês são muito cruéis. Por causa de um macarrão.

O HOMEM E O GRITO

"O homem que abriu uma brecha na cidade ao gritar do viaduto e da janela do edifício estará em condições de começar a falar se ele não esquecer e não suprimir o grito ao voltar para o seu quarto, mas se, ao contrário, permanecendo no elemento do grito, começar a ser apenas e tão-somente a partir do elemento do grito, de tal modo que já não é a cidade e o edifício que assistem ao grito, mas é o grito quem olha o edifício e a cidade."


trecho do livro "Certeza do agora" de Juliano Garcia Pessanha

PALAVRA

...e é por isso que desde aquele dia, há exatamente dois meses atrás, eu me tornei uma palavra que não para, que não me deixa dormir, que não me deixa cagar, e que é uma palavra intrinsecamente totalitária e excessiva, eu preciso dela, eu preciso dela porque despois daquele dia operou-se uma revelação e, nessa revelação, eu percebi em mim mesmo a presentificação total da minha vida, e nessa a-pro-pria-ção que me possuiu, nessa anamnese gigante de todos os agoras, essa instanteação presente de tudo o que me foi me percorre dia e noite sem parar, revificando tudo e encarnando tudo...

trecho do livro "Certeza do agora" de Juliano Garcia Pessanha

terça-feira, 26 de abril de 2011

COMO ELES SE CONHECERAM?

ensaio 17

25/04, unirio, sala 301
flávia, fred, dominique, vítor, marília e nina.

PRÓLOGO

Eles se desentendem no momento em que começam a repartir as coisas da Lilla

Discussões mesquinhas, bobas, pequenas perto do que aconteceu e que abriu um buraco entre eles.

Odilon insiste em levar o quadro verde. Inácio quer o quadro verde.

Rita desiste de levar muitas coisas. Cecília fica chateada com Rita, diz que eles demoraram a fazer a divisão e que agora ela vai ter que refazer tudo. Inácio diz que não tem problema e que ele leva todas as coisas da Rita.
Cecília listando as coisas do Inácio: Inácio, leva todas as coisas da Rita mais a poltrona branca e etc.
Inácio pede o all star de zebra. Cecília diz que não, que o all star de zebra é dela.

Sentados no chão encostados na parede Inácio começa a provocar os amigos .
Rita diz que está com fome. Andréia diz que não trouxe nada para comer mas trouxe um vinho. Inácio acha aquilo o cúmulo, não trazer nada pra comer mas trazer um vinho, começa então a provocar Odilon:
Inácio: A Andréia trouxe uma ótima proposta, um vinho pro Odilon beber e dar o showzinho igual no dia do enterro.
Odilon: eu bebi, no dia do enterro eu bebi sim mas não foi vinho não, foi whisky
Inácio: Ah! Não foi vinho foi whisky e desde quando você tem dinheiro pra comprar Whisky?
Odilon: Porque você ta tão irritado com isso cara? Eu bebi mas fiquei na minha não fiz nada, eu te incomodei por acaso? Eu fiz alguma coisa de errado?
Inácio: Não não, imagina, foi muito bonito você interromper a tia Anita pra ler aquele textinho que vc escreveu no blog e depois cair debruçado no caixão dando o maior vexame.

Inácio imita o abajur que a Rita vai levar. Eles tiram o lenço do pescoço da Andréia e Rita cobre Inácio com o lenço como se cobrisse o abajur

Inácio com o lenço cobrindo o rosto começa a andar pelo espaço como se fosse um fantasma. Ele diz ser o fantasma da Lilla, ele diz ser a Lilla e nessa brincadeira estúpida e infantil ele provoca ainda mais os amigos

Depois da briga entre Inácio e Odilon, Rita pega o lenço e o ajeita no pescoço de Odilon

Depois da briga(diversas tentativas)
- Cecília não para de rir, o riso contagia a todos
- Eles se abraçam em duplas como no jogo do aquecimento de uso
- Ficam em silêncio. Inácio então dispara a falar sobre tudo o que está engasgado nele. - Fala da dor, da solidão, do desamparo, da saudade.
- Ficam em silêncio. Inácio revela que Lilla deixou uma carta para cada um deles. Diz que as cartas tem uma seqüência, que a carta dele começa no meio e que ele gostaria de ver a carta dos outros. Ele diz que as cartas estão em algum lugarr e que eles devem procurar.
Cecília se irrita com isso. Se irrita com essa atitude da Lilla, se pergunta o porque dessa atitude, dessa espécie de “gincana” que ela colocou ao grupo.

LEMBRANÇAS

Recordaram da viagem à praia que fizeram juntos, os cinco que ali estão e a Letícia. Se recordaram do momento em que comiam casquinha de siri, Lilla e Odilon disputavam quem comia mais e Odilon passou mal de tanto comer. Recordaram que ficaram na cada da praia da tia de terceiro grau da Cecília. A casa ainda existe. Recordaram que Lilla tinha frescuras, se dizia moça de família e que não iria dormir no mesmo quarto com dois rapazes (provavelmente primas da Cecília). Recordaram o dia em que foram na boate que se chamava Ubalu e que eles beberam muito e que a Lilla sempre que bebia tinha a mania terrível de falar inglês. Inácio recorda que tentava faze-la parar dizendo stop, mas mesmo assim ela não parava.Tentaram se lembrar da expressão que ela sempre usava e que eles achavam engraçada, com um certo esforço conseguiram se lembrar a expressão era: bateu o olho!

Curioso Odilon pergunta para Inácio qual foi a última vez que ele encontrou com Lilla. Ele diz que recentemente o contato que eles tinham era mais intenso através da internet.
Em seguida Odilon faz a mesma pergunta pra Cecília. Ela diz que acha que foi no Saara, as duas se encontraram no Saara e foram tomar um café.
Odilon primeiro se desculpa para em seguida perguntar à Andréia se por acaso a Lilla havia falado alguma coisa sobre o que ela iria fazer na noite anterior ao acontecimento, noite em que elas, Andréia e Lilla se encontraram. Andréia acha a pergunta desnecessária e não quer responder.
Rita se recorda de quando ia com Lilla pra fazenda e que ela tinha aquele cavalo, qual era mesmo o nome? Petulante, eles se recordam. A Lilla amava aquele cavalo: Petulante.

Inácio quer saber qual foi a última vez em que eles estiveram juntos. Todos juntos, os cinco e a Lilla. Aos poucos eles se recordam: foi na maternidade, no dia em que nasceu o filho da Marcinha. Eles saíram de lá e foram para um café. Ali foi a última vez em que estiveram os seis juntos.

Se recordam também do dia em que Andréia ofereceu um jantar pra eles no restaurante em que ela trabalhava. Andréia fechou o restaurante e cozinhou especialmente pra eles.

Andréia confessa que anda salgando tudo ultimamente, ela não sabe bem porque, mas isso está acontecendo.

DEPOIMENTOS, CONFISSÕES E DESABAFOS

Odilon, o que aconteceu entre você e a Andréia?
Odilon diz que entre eles começou a rolar uma distância, eles preferiam não estar junto quando estavam com o grupo, para Odilon era constrangedor ficar com Andréia na frente do grupo, tinha a Rita que estava sempre com o Caco...e depois aconteceu dele se apaixonar pela Lilla. Ela, a Andréia se adiantou e terminou com ela.

Andréia porque você terminou com o Odilon?
Porque ele não podia estar comigo junto dos outros amigos, tinha sempre essa coisa de querer esconder, não sei o que era...

Fala de verdade porque você terminou com o Odilon?
Na verdade terminei porque a gente não tinha afinidade sexual, não rolava legal, na cama. E isso é muito importante

Odilon porque você é ainda tão apaixonado pela Andréia?
Não sei porque, não sei..mas eu sou. Acho ela misteriosa, ela me desconcerta, não é racional, eu já fui muito escroto, isso é foda e eu tenho medo de todo os foras que ela me dá, as vezes acho ela fria, as vezes escrota, as vezes eu acho ela calada demias e me dá vontade de dar um tapa na cara dela e dizer acorda. Quando eu estou ela não está, quando ela está eu não estou. Eu amo tanto ela...

Rita fala da sua relação com o Inácio....
Acho o Inácio muito carismático, acho que ele vai achar uma mulher ótima, eu quero arrumar o casamento dele.Eu gosto muito dele.

Inácio fala da sua relação com a Rita
A Rita é a pessoa que eu mais me identifico, ela tem uma diferença de idade e ela ocupa na minha vida um lugar de mãe que eu não tive. Ela se preocupa comigo. O Caco tem ciúmes de mim, ele não entende a nossa relação, ele não entende quando a gente se abraça, ele deixa claro a distância...nunca foi simpático comigo.

Cecília fala da sua relação com a Rita
Eu gosto muito dela, ela é uma pessoa frágil mas ao mesmo tempo traz uma segurança. Uma segurança em relação a amizade. Ela me irrita quando ela não consegue assumir as coisas, a Rita é uma corrupta porque ela tende pra onde tem força porque ela precisa se apoiar, se agarra nas pessoas que estão próximas e nunca diz de fato o que está sentindo.

Rita, o que você acha de tudo que a Cecília disse?
A Cecília sempre me tratou como o maior carinho, as vezes ela fala coisas que eu não entendo, ela fala que eu sou corrupta, eu não sei, não faço nada, o Caco que mexe nas coisas e me ajuda, eu só peço umas dicas pra Cecília e ela acha que isso é corrupção..eu não entendo.

O que é a Rita pra você Andréia?
Gosto muito dela, a Rita só me irrita quando quer se meter na cozinha, coisas de dona de casa e que não dá.

O que é a Rita pra você Odilon?
A Rita é uma fofa não tem quem não goste dela, só que eu acho que o buraco dela é mais embaixo. Ela quer sempre agradar a todo mundo, isso é fofo, mas eu as vezes tenho necessidade de ver a mulher que ela é, porque ela é mulher pra caralho.

Inácio quer saber como os amigos lidam com a questão do dinheiro, se eles tem dificuldade de ver o Inácio com dinheiro, ganhando um bom dinheiro.
Cecília não se incomoda
Rita acha maravilhoso ele ter conquistado esse lugar
Andréia acha ótimo o lugar do Inácio e adora o momento em que ela se encontra, ela tem a independência dela e isso é o mais importante
Odilon não se incomoda com o fato do Inácio ganhar dinheiro, ele se incomoda com a maneira como Inácio lida com o dinheiro. Odilon recorda do dia em que Inácio disse que estava vendendo celulares de uma loja que era dele e depois Odilon veio a saber que Inácio mentiu, a loja não era dele ele, ele apenas trabalhava na loja.

Inácio diz que não foi uma questão de mentira, a loja não era dele no papel, mas era ele quem comandava tudo ali, era apenas uma questão jurídica que ainda não tinha se acertado. Inácio aproveita para dizer que não gosta da forma como Odilon vive, Inácio se incomoda porque Odilon diz que não liga pra dinheiro mas na verdade isso é mentira, Inácio acha que Odilon devia ganhar dinheiro no blog e se chateia ao ver o amigo com camisa rasgada.

Daniela Mercury - Swing da Cor

25/04

Cheguei na sala 301 as 8:20  e Vitor já estava lá se aquecendo.Logo chegaram Flavinha(com um delicioso e providencial café com bolachinhas salgadas),Fred,Nina e Dodô.A moça da faxina já parece acostumada ao nosso horário e nossa presença,pois a sala já estava varrida.

Acho que nunca passamos tanto tempo sem nos vermos depois que os ensaios em sala começaram,assim,natural que segunda 25/04,assim que nos encontramos começamos a conversar uns com os outros contando as novidades e mostrando as saudades.Ao invés de um simples bom dia,deixar as coisas sobre as cadeiras vazias e ir para o espaço,ganhá-lo,aquecer o corpo,para também ganhá-lo uma vez mais,todos nos pegamos num papo de comadres.E nos perguntavamos:e Diogo?

-Esta no ônibus.A viagem atrasou.O trânsito está horrível.Volta de feriado....

Voltavamos ao papo comadres.Telefone toca.

-Diogo está chegando na rodoviária.

Voltamos ao papo mais um momento.Paramos para alongar.Começamos aquecimento de uso.Telefone toca,Flávia atende:

-Ahã...fkfdkhasdkhdviuefd....ahã...beijo.Bom gente,vamos começar no espaço demarcado a improvisar sobre nosso prólogo.

Nina foi colocar um sapato preto de salto alto,pegou seu caderno de notas.Todos se posicionaram.Quando ia começar,Marília lembrou que trouxera vestido preto p Rita.Saiu da sua posição e foi colocar.Voltou e começaram.Flavinha gravando:

1a vez:sinto que os personagens começam processo de decantação.Começam a surgir características dessas pessoas/personagens;
2a vez;
3a vez;
4a vez.

Acho que foram 4 x que repetimos.Toda vez experimentando algo novo.Rita experimentou sua criança,ser mais histérica e menos histérica.Briga de Odilon e Inácio por horas é mais tranquila,por outras pega fogo.Andréia posiciona-se.

Gostaria de ter a mesma energia em todos os improvisos.Impossível.Ela vai caindo.

2a etapa:sentamos todos na parede em que costumamos escorrer e Flavinha grava e faz perguntas aos personagens e logo eles se perguntam entre si,coisas como:

-O que Andréia sente por Odilon?Por que não rolou?
Lembro que Andréia gostava de Odilon,mas o sexo não foi legal.

-O que Odilon sente por Andréia?Por que não rolou?
Odilon estava curtindo Andréia,rolaram uns beijos,mas aí ele se apaixonou por Lilla e ficou distante de Andréia.

-Quais são as pessoas mais próximas ali?
Acho que Rita se dá muito bem com Inácio e Andréia.Admira muito a independência de Odilon e Cecília.

-O que cada um tem de gostoso e o que cada um tem de chato?

Não sabia que Rita era tão querida.Não sei se responderam mesmo sobre Rita ou sobre Marília,de todo modo,muito gostoso receber o carinho.

Odilon estava falando quando a acabou a fita da câmera.

Fizemos esse ensaio sem o Di.

A noite,pude ouvir Diogo em sua casa escutando Daniela Mercury cantar o Swingue da Cor.Comovida e como não poderia deixar de ser,aqui estou.Sem perder a piada,jamais; )

Marília


  

domingo, 24 de abril de 2011

A melhor cena de Friends




Caso não consigam ver procurem em  http://www.youtube.com/watch?v=WirSljaOKtw&NR=1
Volto a perguntar:O que cada personagem faz de irritante para os outros amigos?O que só ele traz de encantador?

Odilon apagando a luz pra caçar seu dragão.

Existe a distorção dos fatos, a preocupação com ibope, descompromisso com as origens, análises pontuais, lucro excessivo, estatísticas oficiais...e. Essa é a tentativa de afundar o mundo. Minha pequena contribuição é tentar mostrar um lado mais humano, investigar algumas experiências que me deparo por aí. Não, minha contribuição é talvez buscar espaço pra comunicação de fato como deveria ser.

Friends - Chandler (Hello... Hurh hurh Hello...) [Legendado]



se não conseguirem ver, procurem no  http://www.youtube.com/watch?v=hHNgBausBOc

Atena dorme profundamente dentro de Maria Rita

Segundo a mitologia,Atena é filha de Zeus,rei dos deuses,e Métis,deusa da prudência,sua primeira mulher.Quando Métis ainda estava grávida,Urano previu que aquela criança seria mais poderosa que o pai.Para impedir que a profecia se cumprisse,Zeus engoliu a mulher antes da criança nascer.Logo depois foi acometido de uma dor de cabeça tão forte que quase enlouqueceu.Para curá-lo,Hefesto, o deus-ferreiro,abriu-lhe a cabeça com um machado de bronze.Para espanto de todos,da ferida aberta saltou,vestida e armada,dançando uma dança de guerra,Atena,que soltou um grito triunfante.

A inclinação guerreira de Atena foi reconhecida a partir do seu nascimento;entretanto,a deusa era diferente de Ares, o deus da Guerra,em muitos aspectos.As artes que Atena cultivava não tinham como base o amor à batalha sangrenta.Na verdade, toda a sua postura devia-se a seus altos princípios e a sua frieza de ponderação sobre a necessidade de lutar para preservar e manter a verdade.Atena era uma estrategista e não uma simples guerreira,equilibrando a força bruta de Ares com sua lógica,diplomacia e sagacidade.Protegia os valentes e corajosos e tornou-se a guardiã de muitos heróis, entre eles Perseu e Ulisses.Entretanto, a proteção que Atena oferecia a todos esses famosos guerreiros consistia em armas que deveriam ser usadas com inteligência,mestria e planejamento.

Atena deixou importante legado à humanidade ao ensinar os homens como domar cavalos, e às mulheres ensinou a arte de tecer e bordar.As atividades de Atena não estavam apenas ligadas às coisas práticas e úteis da vida cotidiana,mas também as artes e à criação de um modo geral.

Especulando a Andréia

Andréia Teixeira tem 24 anos. Mora sozinha no Bairro de Fátima desde que entrou na faculdade, quando numa briga com a mãe decidiu sair de casa. Decidiu cursar gastronomia pelo simples prazer de comer. Na verdade, desde criança achava que podia tampar a sensação de vazio no estomago comendo, pensando ser fome quando, às vezes, era agonia.  Brigou com a mãe por causa dessa escolha. Saiu de Copacabana e foi morar no Bairro de Fátima. A mãe enlouqueceu. Teve poucos amores. Tem mania de solidão e independência. Criou uma independência da família, apesar de manter uma relação amigável e amá-los e visitá-los sempre. Conheceu a Lilla nas aula de Ballet que faziam quando pequenas em num curso em Copacabana, ficaram amigas, assim como suas mães. E cresceram juntas, apesar das escolhas diferentes. A Lilla sabia tudo da vida dela, essas coisas que meninas compartilham, o primeiro beijo, o primeiro amor, a primeira transa, e os segundos e terceiros e afins. Fizeram o mesmo segundo grau. Lá conheceu o Cecilia e o Inácio. Se aproximou da Cecilia, não porque realmente tinha algo a ver com ela, mas porque a Lilla queria estar com a Cecilia, então juntou-se à ela também. Com o Inácio foi amor à primeira vista, tornaram-se grande amigos. Eram aquela dupla que quer comandar a turma, que fala alto e faz piada com tudo. Criaram uma espécie de grupo, essas coisas que os adolescente fazem para se proteger. A Rita, foi conhecer numa festa da faculdade da Lilla, festa de galera de arte. Enquanto Andréia cortava pepino em rodelas, a Lilla gritava com as tintas. Conheceu Odilon, nem lembra quando, num desses encontros, em que os amigos ficam amigos dos amigos dos amigos. Criaram uma vontade louca de se beijar. E beijaram-se, quase um ano depois. Logo em seguida, brigaram e não falaram mais sobre isso, apesar de continuarem amigos e freqüentarem o mesmo grupo. Achava-o exótico. Espécie de jornalista fracassado que ela curtia. Ao longo da faculdade foi vendo suas preferências, já foi mandada muitas vezes por outros chefes. Teve que cozinhar pratos que não concordava. Percebeu que além de tampar o buraco do estomago, cozinhar era propor experiência. Agora é chefe de um restaurante, e sua especialidade é comida natural. Porque está em alta, e ela não pode escolher muito porque precisa se sustentar. Comanda e manda em 8 homens e 2 mulheres em sua cozinha. Fala o tempo todo para que nada saia do controle. Fora do trabalho só cozinha em ocasiões especiais, como um jantar romântico, ou encontro dos amigos. E sempre ela que cozinha, e detesta quando a Rita tenta se meter. Sua geladeira quase sempre é vazia, mora sozinha e cultiva sua independência e solidão, seu livro preferido é “O velho e o mar” de Hemingway, que fala sobre um pescador, no mar, sozinho, solto, talvez sinta-se como esse homem. Dentre as bebidas, prefere vinho. Pensa nesse vínculo de alimentação com a saúde, não gosta mais de cozinhar frango pela quantidade de hormônios hoje injetados nos bichos, e nem carne bovina, pelo peso que ela faz no estômago. E pensa que a alimentação (ou a má alimentação) acaba sendo uma das responsáveis de grande parte das doenças. Tem acreditado na medicina natural. Leu, recentemente, um Best-seller do Kevin Trudeau chamado “curas naturais que “eles” não querem que você saiba”, é um livro horroroso, mas à fez pensar sobre todo esse sistema. Ela tem dado cursos de gastronomia em comunidades, cada mês em uma.   

Simonal, Ninguém sabe o duro que dei

Comer para mudar o mundo

Pensando em como driblar os agrotóxicos e os hormônios injetados nos alimentos.  Mudando seus cardápios, tornando-os mais leves.  Na verdade, eu estou tentando usar a alimentação como prevenção de possíveis doenças, então propondo uma alimentação mais saudável, dando cursos em lugares onde os acessos à informações são menores, e fazendo junto à essas pessoas jantares para arrecadar para a comunidade. Estou vinculando gastronomia, à nutrição e a medicação. Não que eu consiga, mas a idéia é que as pessoas saibam mais a origem dos alimentos e o que estão consumindo e consigam prestar mais atenção no que estão consumindo, e produzindo. No meu restaurante carnes são raras, mas não é um restaurante vegetariano, é só porque as aves que vem da fazenda que pedimos são só uma vez ao mês, são aquelas galinhas caipiras, que não passam pela industrialização, logo não estão injetadas de hormônios.  Na verdade a questão toda com a alimentação, saúde está vinculada a saber o que se está consumindo e poder escolher. Coisa que acabamos por não fazer. É preciso saber a origem dos alimentos, e de todos os demais produtos. Mas sobretudo dos alimentos, porque eles que deixam nossos corpos de pé, e nos dá saúde e sanidade para viver, ou você acha que é possível mudar o mundo de barriga vazia? 

Suicídio Menino Gay Profissão Repórter

http://www.youtube.com/watch?v=E4sPwhPJBi0&feature=related

Dragon (1952) ESCHER

dragon 1952 escher

'O capitalismo veio para dizer que Deus estava errado.'

"- O Lula afirma que a erradicação da pobreza é uma das metas do Governo Dilma. O senhor crê que isto seja possível ?

- Não há possibilidade de erradicação da pobreza. Alguém só lucra porque alguém gasta. Alguém só ganha dinheiro porque outro alguém perde. O lucro não é o dinheiro a mais na sua conta, mas sim o dinheiro a menos na conta de um outro. Deus um dia disse que somos todos iguais. O capitalismo veio depois para dizer que Deus estava errado. Se todo mundo tivesse dinheiro e formação, quem iria trabalhar na nossa casa ? Quem tomaria conta dos nossos filhos ? Quem limparia as ruas e manobraria os nossos carros ? Quem construiria os estádios para a Copa, se não existissem os nordestinos ? A massa miserável é combustível para o progresso individual. E o progresso individual não é para todo mundo.

- E como o senhor explicaria então o seu progresso individual ? Porque o senhor não é de origem abasta..

-(cortando) Não, não sou. Toda a minha formação foi com bolsa integral no colégio em que minha mãe era copeira. Eu só consegui chegar aonde cheguei por causa da educação que tive. E neste caso, a educação a que me refiro, é o estudo acadêmico. É matemática, português, língua estrangeira.. isto é o mínimo que cada um precisa para galgar posições melhores no mercado de trabalho. A escola é o arroz com feijão do cidadão. Mas aqui no Brasil, não há interesse em dar arroz com feijão para toda população. Aqui no Brasil, não é interessante criar uma política de inclusão eficiente. Porque é este mesmo cidadão que não teve o arroz com feijão na infância que vai vender seu voto mais tarde por um par de chinelos. Eu só não faço parte desta estimativa porque tive sorte. Sou uma zebra. E mesmo hoje, em outra posição, me vejo dando continuidade a este sistema exploratório. É bom a gente não ser romântico e ter consciência da posição que assumimos na vida. Se a empregada que trabalha na sua casa há anos pedisse o dobro do salário que ela ganha (e ela com certeza mereceria um salário maior), será que você daria ? Ou correria atrás de uma doméstica mais jovem que varresse a casa em tempo recorde e que, sabendo da dificuldade do mercado de trabalho atual, cobrasse a metade da anterior ?

- E como mudamos esta realidade ?

- Vendendo tudo que a gente tem e dividindo pelo número de pessoas no planeta. A gente podia talvez morar em ocas e pescar a comida do almoço. A gente queima todas as nossas roupas e usa tangas. E seria legal também voltar a pensar no esperanto, não ? Começa por você ?"


(trecho da entrevista de Inácio Romano para a seção jovens empreendedores da revista Carta Capital.)

Inácio.

sábado, 23 de abril de 2011

O choro da felicidade seca

image001[1]

Eu me emociono
Em pensar que posso levantar os braços e estender as mãos no ar
Deixar que se sentissem
beijadas por algo capaz de envolvê-las através do tempo

Eu me emociono e não busco entender
Apenas sinto como o sentir é também compreender
Correr daqui, buscar outro se estabelecer
E a isso chamar viver

O que eu quero neste momento
É tão presente nele mesmo
Que não vale dizer o que penso
Se não desejo perder o instante
Se não quero deixar de me sentir
Vivo
Eterno
E repleto de inquietudes

Neste momento,

Em que uma lágrima morre
E uma das minhas dores se converte em cor
Em choque,
em conflito:

Os cânceres morrem-se em alegria
Evaporam-se
Convertem-se na pureza de viver-se
O cada dia.

Eu me emociono!

Faço-me perceber quando há em mim
Algo que não sei entender
Entendo-me completamente quando estou nu

Desboroado

Reflito-me no chão, o meu amigo
E contemplo a queda como resultado
Que logo vira o jogo
E teto!
Lanço ao alto através das pernas
O que permite de si sair sorrindo
A outra etapa
que sempre a diante
provoca todo o semblante irritado

As mãos no alto
Eu conservo neste momento
Sentindo a brisa que caminha em meio ao tempo
Trançando as pernas e braços e cabelos e pêlos

Eu me sou todo eu

Eu me sinto a todo, me faço a mim

Eu me contorno de letras e baladas e dores e me descubro vivo

Assim

preciso do que mais?

Somente do nada.
Em nada há mais.

 

Fonte: http://lendoarvoreseescrevendofilhos.blogspot.com/2009/02/o-choro-da-felicidade-seca.html

ensaio 16

20/04, unirio, sala 301
diogo, flávia, fred, dominique, vítor, marília e nina.

verbetes. construção dessa ficção. sobre as personagens. sobre aceitar em si o diferente. sobre saber estar inseguro e mesmo assim operante. sobre somar para si o outro, aquilo que não somos, mas aquilo que por sermos atores temos todo a condição de ser. amar a diferença. não pré-julgar. não anteceder dentes. ir. agregar. somar.

ensaio daqueles que você começa via conversa e nunca mais consegue dali sair. porque era preciso conversar, entender e desbravar. aos meninos, peço que sigam adiante, sem medo de apostar no imprevisível.

no mais, é seguir.

Momento Rita

Este é um momento realmente particular.Lembro-me que quando escolhi cursar Design de Interiores,não imaginava o mundo que encontraria na universidade.Nunca conheci tanta gente nova e dentre todas as pessoas que conheci,nunca houve ninguém como Lilla.Eramos diferentes em tantas coisas,mas ela me ouvia e eu também a ouvia,era tão bom.Eu era sua confidente.Ela me mostrou a Arte de uma maneira que eu nunca imaginei que pudesse existir.Esses detalhes todos juntos sempre me deram a sensação de que meu mundo era maior com Lilla.
Depois da graduação eu e Caco casamos e foi difícil seguir atuando na área de Design.Eu tinha que cuidar do Caco,ele estava começando na Cia. Marítma e precisava muito do meu apoio.
De certo modo,o diálogo constante com Lilla(por e-mail,skipe,telefone), sempre alimentou as coisas que eu gostava.Eu cuidava do Caco,dela e eles cuidavam de mim.Era perfeito.Com o tempo comecei a sonhar em montar um café.Um lugar todo decorado por mim,onde eu pudesse servir as pessoas.Sei lá.Tinha esse sonho e Lilla dava a maior força.Dava sim.

Agora que ela não está mais aqui só tem o Caco.Outro dia,já não tinha mais a Lilla, contei a história do Café para ele mas ele disse que era besteira.Realmente, ele ganha bem,nunca faltou nada em casa.Acho que talvez o Café fosse muito puxado para mim agora.Quase não tenho tempo para mim.Imagina com o Café!Caco não ia ter tempo de me ajudar a mexer no dinheiro e eu não entendo nada disso.Ele sempre disse que dinheiro vira fumaça na minha mão.E nem me passa pela cabeça fazer as coisas que ele não gosta.Ainda outro dia ele inventou de ir para Miami nas férias de julho,tenho que pensar nas malas,pesquisar que roupas levar.Nem sei o que se usa lá agora.Vai ser uma trabalheira.Se tiverem dicas de passeios na Disney,mandem-me por e-mail.Estamos precisando muito.

Lilla ia rir muito da minha afobação,ela achava uma graça.Achava que eu me preocupava à toa,maluquinha...Que saudades da nossa lindinha...

obs:No momento em que todos estão ali escorridos,sentados no chão da casa desmontada de Lilla,Rita percebe que o rádio do som está ligado.Ela ouve alguém que lê um trecho do texto "Na Floresta do Alheamento"de Fernando Pessoa que diz:

"O nosso sonho de viver ia adiante de nós,alado,e nós tínhamos para ele um sorriso igual e alheio,combinado nas almas,sem nos olharmos,sem sabermos um do outro mais do que a presença apoiada de um braço contra a atenção entregue do outro braço que sentia.A nossa vida não tinha dentro.Eramos fora e outros.Desconheciamo-nos,como se houvessemos aparecido às nossas almas depois de uma viagem através de sonhos.
Tinhamo-nos esquecido do tempo, e o espaço imenso empequenara-se-nos na atenção.Fora daquelas árvores próximas,daquelas latadas afastadas,daqueles montes últimos no horizonte haveria alguma coisa de real,de merecedor do olhar aberto que se dá as coisas que existem?
Na clepsidra da nossa imperfeição gotas regulares de sonho marcavam horas irreais...Nada vale a pena,ó meu amor longínquo,senão o saber como é suave saber que nada vale a pena..."

Rita ouviu e teve vontade de fugir.Algo nessas palavras ou dessas palavras naquele lugar cutucara questões que dormiam dentro dela:Você existe?Você pode existir?O que é ser mulher?Haveria alguma coisa de real,de merecedor do olhar aberto que se dá as coisas que existem?

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Ensaio 20 de abril

Diogo insiste: NÃO ESTÁ NA HORA DE NOS SENTIRMOS CONFORTÁVEIS.

Lenço sendo jogado ao som de ADELE.

Conversamos sobre arte, ficção e artifício.
Nina falou em atritos. Fricção para chegar na cor que se deseja.
Penso na diferença entre fingimento, mentira -e Fred completa- sinceridade. Então penso um pouco mais e me vem a questão: podemos fingir uma mentira e podemos fingir uma verdade. questão de escolha....como diz Marília.

Rememoro que talvez uma das proesas do ator seja conseguir não ser RENDIDO pelo susto. Lembram? Diogo disse isso em algum passado recente.

Conversa sobre os personagens:

Dominique (Andréia)
- Mãos
- Cora Coralina
- Experiência
- Propositiva
- Servir

Vítor (Odilon)
- Poder do discurso, oratória
- Blogs de jornalistas nacionais e internacionais.
- Curioso
- Objetivo

Frederico (Inácio)
- filho da copeira
- estudou com bolsa
- tem uma questão com os números
- carinhoso

Nina (Cecília)
- Trabalho social em comunidade
- olhar o passado para ver o presente e modificar o futuro
- jogo de poderes
- a história dos vencidos
- registro (arquivo)
- poesia que se manifesta de forma prática e concreta.
- pai preso político
- defende a liberdade. Lilla e o suicídio, questão de escolha.

Marília (Rita)
- organização ensaiada e clássica da coisa
- inflexibilidade do Caco com relação ao suicídio da amiga Letícia.
- revendedora da Natura.
- cursou design de interiores
- filme "A pele"

PESQUISA DE CAMPO. INTENSIFICAR E EXPLORAR.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

PRÓXIMAS TAREFAS

Amados,
segue uma pequena lista com pequenas grandes tarefas:

1. postar fluxos textuais;
2. postar lista de objetos da letícia (e aqueles dela que ficaram com seu personagem);
3. postar o nome e o autor do livro preferido de seu personagem;
4. montar uma questão na qual seu personagem se encontro neste momento de agora. o que, dentro do universo profissional de seu personagem, está sendo questionado por ele, está sendo pensado e repensado, o que está sendo problematizado, quais questões, qual questão? em outras palavras, o que ele empreende a partir de seu universo pessoal que é capaz de ser sua assinatura neste mundo? quais ações ele está tomando para intervir na sua história, no seu redor, na sua vida e na dos outros? resumo (de um prolixo): como eu mudo o mundo?

Tenham uma páscoa suculenta.

Lista Odilon

Vinil do John Lennon, do The Strokes, da Rita Lee
Cd da Piaf, da Nina Simone, Los Hermanos ( CD 1 e Bloco do eu sozinho); Cd do Caetano ( Circuladô ao vivo), Cd da Céu.
O par de meias que ela deixou na cama
O lençol dos cavalinho de corrida, na cama
As almofadas, vermelha amarela e azul
O perfume que nao me lembro o nome. (lembram?)
Aquela garrafa de café que ela levava quando nos encontravamos naquele parque em Copacabana.
Uma misteira.
Reprodução da Noite estrelada, Van Gogh
Reprodução de Victima em Barandilla, de Simeon Saiz
Reprodução colorida do KandinsKy
8 telas abstratas pintadas por ela
Uma tela verde inacabada
Foto de Frida Kahlo
Livro Macunaima
Livro Ariel de Sylvia Plath
Morrer de Guilherme Zarvos
Pra se viver com poesia, Mario de Andrade
Búfalo, Botika Botikay
A teus pés, Ana Cristina César
Livro do Vik Muniz
Coleção Genios da Pintura
Mil Platôs, Deleuze
Escritos sobre arte e artista, Gil Vicente
Dvd Romeu e Julieta, Grupo Galpão
livro o Caçador de Pipas
Tv 14 polegadas
Aparelho dvd
Notebook
Computador com gabinete, monitor...
Velha coleça de enciclopedia Barsa
Feliz ano velho
Diario de um Cucaracha, Henfil
A gaivota de Tchekov
Um sopro de vida, Clarice
Livro dos Gemeos grafiteiros
Casaco vermelho sem marca
óculos
livro de pintura de Kokoschka
Celular vermelho

Fluxo pedido.

Eu perguntei se o jornalismo era viável. eu perguntei porque nem sofrer diante do computador gerava escrita. Eu perguntei porque não cortar os pulsos. Eu perguntei porque vi a Lila naquela bailarina. Eu perguntei porque saí com vigor depois disso. Eu perguntei porque a Andréa não fez nada para impedí-la. Eu perguntei porque tanto egoísmo. Eu perguntei porque minha mãe e a Lila viraram o mesmo lugar. Eu perguntei o porquê daqueles dois insetos no meu sonho. Eu perguntei porque era um esforço estar junto das pessoas que amava. Eu perguntei porque ouvir Pete Doherty era um consolo. Eu perguntei porque levava um corpo que já não mais aguentava. Eu perguntei sinceramente, acompanhado pela lua, por que não me matar?Perguntei também que barreira existia entre Rita e eu. E perguera aquilo que essa gente huntei porque a Cecília criticava a política britânica se não conhecia a brasileira. Perguntei o que era Fome Zero e ela pediu desculpas e não respondeu. Perguntei porque o Inácio disse que pobre não era gente. E perguntei porque os garis de madrugada me diziam tanto. E perguntei o que aquela gente tão humilde ao pé da serra me remetia. E perguntei porque minha vida tinha na infância sua melhor matéria. E perguntei se era fraco. E perguntei se era alegre. E perguntei da dor. E perguntei qual era a esperança. E perguntei porque não levar uma vida beatnik se ninguém lia a porra daquele Blog. E perguntei, como última pergunta, porque não escrever um livro. Tudo mentira. Perguntei de novo: porque a Lila sempre está em algum lugar sentada esperando o fim da balsa enquanto na casinha o bule de café apita acompanhado pela voz da Billie Holiday na radiouol gritando amor e dor solenemente com conhecimento de causa.

A Lilla levou meu sorriso.

Eu queria dizer que dói todo esse engano. Que doem os sorrisos, e os abraços. Que olhar para a sapatilha de ballet ainda me doem os dedos. Não porque apertam, até porque nem cabem mais. Mas porque me lembram, guardadas na parte de cima do guarda-roupa, como a gente começou. E que não sei mais onde há graça. Que eu to procurando o porquinho rosa. Porque talvez ele explique, talvez ele diga algo que faça sentido.  Algo que faça mover. Tenho certeza que ele sabe como agir nisso tudo. Afinal ele é um porquinho rosa, andando no meio da multidão de Copacabana. Eu queria falar, gritar, bater em todo mundo. Não faz sentido essa ausência. Desculpa, não vou aceitar. Não tem sorriso mais que me caiba.Estou exagerando. Mas é verdade. Se o porquinho tivesse feito aquele barulho, como se chama? Ruído, grunido, grunhido.Minha bicicleta nem está lá. Nem sei destrancar o cadeado. Vou deixá-la, apodrecendo por causa da maresia. Então, se o porquinho tivesse falado, a gente tivesse perseguido, seguido, sei lá. Como faz? Como para de doer? Ai, to parecendo criança. Vou ficar grunhindo, para ver se a Lilla volta. Será que alguém entende? Se eu ficar aqui grunhindo? Acho que talvez alguma coisa aconteça. Vamos beber a terceira garrafa de vinho. Porque eu não trouxe comida de propósito, não por esquecimento. Porque quero toda essa embriaguez, para ver se a gente sai do lugar. Só vou falar quando eu conseguir gritar minha dor. Desculpa Rita, o Chico errou o nome, não foi você quem levou meu sorriso, foi a Lilla.    

terça-feira, 19 de abril de 2011

Coisas da Lilla

-Sapatilha de ballet ( numero 34)   X
-Três almofadas X
-Três livros do pollock ( um em inglês) X
-Livros do Becket
-Livro "A história da arte" do Gombrich
-Álbum de fotos de 1994 à 1999  ( fotos ainda reveladas em filmes de maquina analógica) X
-Quadro de ímã cinza
-Patins preto com rodas roxas número 37 X
-Vestido quadriculado
-Caixa de giz de cera óleo pastel
- Sapato boneca vermelho
- Blusa do Brasil da Copa do Mundo da promoção do Guaraná Antártica X
- Coleção de DVD
- Coleção de VHS
- Caixa com calendários da Caixa Econômica Federal desde 1999
- Walkman
- Puff Amarelo quadrado de rodinhas
- All star de zebra cano alto,
- All star branco básico,
- All star vermelho X
- Guarda chuva colorido
- Baralho da pacheco.
- Poster colado na parede da reprodução de " Alegria de viver" do Matisse.
- Quadro em tinta óleo tentativa de reprodução de " Alegria de viver" , riscado. X



Marquei um X nas coisas que quero
Beijos
Andréia

A Rita - Chico Buarque de Hollanda - 1972

Meio que...

Talvez eu meio que tenha me casado cedo.

Caco foi meu primeiro e único namorado.Eu meio que casei com o primeiro cara que transei.Ele arranjou um emprego em Santos e eu,recém formada, meio que larguei minha possível profissão para estar com ele.

Sempre gostei muito de carnaval.Aquele ano eu fiz a fantasia para a Lilla,vim sem Caco para o Rio,meio que pra entregar a fantasia,visitar todos e espairecer.Conheci o Bernardo no meio do bloco.Sim,eu meio que me apaixonei por ele.A Lilla disse que era pura fantasia da minha cabeça.Eu disse que não.Talvez.Não importa,não rolou nada na prática.Meio que fui encontrá-lo aqueles dias,andamos no calçadão do Leblon e foi isso.

A Rita Levou

A Rita levou o que coube em sua mochila:

-o cinzeiro;
-a caixa de aquarela;
-1 diário em branco;
-Ray-ban estilo aviador;
-DVD "Elas cantam Roberto";
-o mapa astral da Lilla (com o cartãozinho da astróloga);
-a foto do dia do Jardim botânico;
-o quadro com a foto da formatura;
-as fotos 3x4;
-as cartas do Maurício;
-os gnomos e duendes;
-a camiseta de Trancoso que eu trouxe pra ela;
-os poemas;
-a imagem de são jorge matando o dragão;
-meu prato;
-o retrato de são francisco;


Acho que deveriamos doar para o orfanato:

-guru do Gugu;
-pense bem;
-a casa da barbie;
-os tamagoshis;
-master system;
-os pincéis;
-os lápis;
-o giz de cera;
-a bola de volley.

Você sabia ?

Você sabia que esse quadro, hoje em dia, vale muito lá fora ? Quando ela comprou isso daí para mim, eu tinha acabado de sair do meu primeiro estágio para começar a montar a empresa. Foi na época que aquele Carlinhos sofreu aquele acidente grave com aquele carro novinho novinho... Ela falou que era o último dia dela na Irlanda, tava andando numa rua tranquila, quando bateu o olho (você sabia que ela sempre usava essa expressão: 'bateu o olho' ?). Ela bateu o olho nesse quadro e disse que era eu. Ela jura que sou eu. Jurava. Jurava que era\sou eu. Aí ela comprou e mandou entregar. Aí hoje, alguns anos depois, descubro que este tal de Rostand vale ouro. Você sabia que isto aí vale ouro ? Que a boa hoje em dia é colecionar Arte ? Eu posso dizer que tenho Arte na minha vida e ganho muito bem por isso. Você sabia que eu quase larguei tudo para viver só de Arte ? Você sabia que o que mais me identificava com ela era o olhar sobre a Arte ? Eu olhava e falava o que dava para vender, ela olhava e falava o que arrepiava. Nem sempre o que arrepia vende. Você sabia que eu quase já vendi ? Só não vendi porque sonhei com ela na véspera. Era um sonho lindo em que ela falava que lá onde ela tava tinha muita zebra mas que nenhuma era mais linda que eu. Nenhuma era mais linda que a zebra do quadro. Você sabia que ela me chamava de zebra ? Falava assim: "Inácio, você é uma zebra !". Quando eu vi a zebra pela primeira vez, eu sabia que ia dar certo. Tava começando a ficar na moda essas coisas abstratas. E ela, quando viu, disse que perdeu o chão. Quase vendi a zebra. Ia dar até para comprar uma lojinha igual àquela da Irlanda e botar no Alto Leblon. Você sabia que ela se jogou, né ? Sabia que ela sempre morou no Alto ? Às vezes fico pensando que se ela tivesse vindo de onde eu vim, ela não faria isso. Não tem como não ser feliz com aquele dinheiro todo. Você sabia que às vezes dou graças a Deus por ser uma zebra mesmo ? Porque se dinheiro não traz felicidade eu sei que agora eu posso comprar.

ensaio 15

18/04, unirio, sala 301
diogo, flávia, fred, dominique, vítor, marília e nina.

AQUECIMENTO DE USO. radiohead. p.j.harvey. atenção aos olhos. ao estilizar em excesso.

PANO. ao som de lykke li. the white stripes. nina simone.

RESPOSTA KINESTÉTICA. um a um pelo espaço em linhas retas. tem um pequeno inseto jogando com eles. não sei se uma aranha ou pernilongo ou mesmo formiga. mas tá jogando.

PRÓLOGO.

o roubar do lenço de andréia.

FLUXOS TEXTUAIS.

RITA > eu meio que casei. eu meio que larguei a faculdade. eu meio que me apaixonei. meio que fui encontrá-lo naqueles dias.

ODILON > eu perguntei se o jornalismo era viável. eu perguntei porque não cortar os pulsos. eu perguntei porque andréia não fez nada. eu perguntei porque minha mãe e lilla viraram um mesmo lugar. eu perguntei porque minha vida tinha na infância sua melhor matéria. e perguntei se era fraco. e perguntei da dor. e perguntei qual é a esperança? e perguntei…

INÁCIO > você sabia que esse quadro vale muito lá fora? você sabia que ela sempre usava essa expressão, bateu o olho. você sabia que isso vale ouro? você sabia que eu quase larguei tudo pra viver só de arte? eu olhava e falava o que dava pra vender, ela olhava e falava o que arrepiou. você sabia que ela me chamava de zebra? você sabia que ela se jogou, né? você sabia que ela sempre morou no alto? você sabia que…

CECÍLIA > eu achava que eu nunca ia querer tanto assim guardar uma memória. eu achava que saudade era algo imaterial. eu achava que eu estava a salvo, que eu tinha a dimensão do que é a vida. eu achava que o all-star de onzinha fosse furar no pé dela e não no meu. eu achava que não haveria susto.

ANDRÉIA > na verdade tinha um gosto que parecia cortar. tinha um gosto expressivo. um gosto assim, nada pré-definido. às vezes até azedava. naquele dia tinha um gosto doce. tinha um gosto suave que te delicia e te faz querer alongar ou mastigar.

RODINHA DA POTÊNCIA DO SUICÍDIO VIDA.

Eu e Petulante.
Beijei ele embaixo da barraquinha de bebida.

Tinha um gosto.

Tinha um gosto feito cebola, que arde e corta e fica na sua boca por um longo tempo, por mais que os dentes sejam escovados ele fica ali. E que também  é um detalhe essencial em todos nos pratos, apesar de nunca ser o principal.   Na verdade, tinha um gosto que parecia cortar, como quando se corta a língua quando o tempero de é de maracujá, ou quando a laranja está azeda.  Não era feito macarrão alho e óleo, que nos serve para matar a fome, mas não para ser experiência. Tinha um gosto expressivo, porém não era um gosto de uma receita francesa requintado, parecia mais farfelli com berinjela e manjericão, que é uma mistura de quase tudo, de origens e gostos. Porque era um gosto assim, nada pré-definido, feito receita que você reinventa para parecer ser de verdade e não só cumprir.  Às vezes azedava, podia dar enjôo.  Naquele dia, tinha um gosto doce, como quem quer adiantar a sobremesa, e como quem nega toda aquela burocracia da etiqueta do jantar, sem precisar da entrada e do prato principal. Era um gosto suave que você delicia e que te faz querer alongar  o mastigar.

o que ficou agora que ela se foi:

O guru do Gugu
o pense-bem
o LP autografado da Xuxa
os livros do Harry Potter
o poster do Fidel
o poster das Spice Girls
a casa da Barbie
a cadeira-de-rodas
o quadro com a foto de formatura
o casaco da GAP
o cd do É o Tchan no Havaí
o Tamagoshi amarelo
o Tamagoshi verde claro
o Tamagoshi vermelho
o master system
o bandolim
os pincéis
o ray-ban estilo aviador
as 2 calças saruel da Osklen
o relógio de parede
o aquário
a agenda telefônica
o desbelotador
o kit para primeiros socorros
a cadeira de praia
a piteira
o dvd 'elas cantam Roberto'
o all star de cano alto de zebrinha
a caixa de maquilagem
o mapa-astral
o livro 4 e o livro 7 do IBEU
a toalha de banho verde musgo
a foto com o Prince
a foto do dia do Jardim Botânico
a foto de Angra
o maiô acetinado cor de cobre
7 calcinhas
o hidratante para peles sensíveis
o sensodine branqueador
o passaporte
4 fotos 3x4
o mp3
a camisa "alguém que te ama muito foi a Trancoso e lembrou de você"
as cartas do Maurício
4 gnomos e 3 duendes (1 tá sem o braço esquerdo)
o pijaminha de flanela listrado azul marinho com azul claro e botões na frente
a pantufa de girafa
o uniforme de educação física do SPA
Um Pacco Rabanne que tá na metade e um First e Lancaster fechadinhos
a bola de volley
o edredon de joaninha
calça da Equatore
agenda de 2000 da Cantão
os poemas.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

cadernos não escritos

Andrea - O abajour lilás com franja, que ficava na cabeceira, pequenininho. um que estava sempre queimado. tá queimado. tem que trocar a lâmpada.
O móbile de libélulas pequenininhas, do lado da janela.
Coleção de DVD´s e de VHS. VHS! Por que ela guardava ainda VHS??
Almofadas coloridas do chão do quarto. era moda né, ter almofada no chão do quarto. coisa despojada.

Rita - cristaleira com 20 taças, que a gente usava nos jantares. estojo de maquiagem (que é uma mala na verdade de tão grande e completo com as mil sombras coloridas... lembra daquela rosa pink horrorosa?)
Os livros do Jorge Amado. O HD.

Odilon - Você fica com o laptop, mas nao tenta tirar os adesivos se não vai ficar horrivel. aqueles adesivos tão ali desde que ela comprou o laptop, foi a primeira coisa que ela fez: cobrir tudo com adesivo colorido.
Coleção de cactos da janela, que ficava no parapeito...
Coleção de LP´s

Inácio - ´poltrona xadrez, do canto, com aquela mancha de vinho enorme. também nao tenta tirar pq vc nao tem jeito p isso. acho que a mancha tem que ficar. foi um dia bom o dia que a gente fez a mancha.
lustre art noveau em acrilico preto modernex
o quadro dos homens, o quadro dos relogios, o quadro da casa pegando fogo
mini cavalinho de pau. esse eu queria. mas ok.

Cecília - o quado do cavalo, o quadro da menina
o sapato salto verde bebê, o sapato trançado de couro marrom, o sapato vermelho lindo, da formatura
essa jaqueta de couro que já tava comigo
eu gostaria também da blusa dos beatles e da canga d´O GLOBO.



Ainda sobra:
o cinzeiro
muitas roupas
todos os livros de arte
a coleção de bichinhos em madeira talhada
as pastas de desenho
as mochilas e malas
o poster do fidel
o poster das spice girls
a coleção de posters da coca-cola
a casa da barbie (essa a gente doa p um orfanato né, junto com as barbies)
a vitrola
o mini sistem
caixa de lapis de cor
caixa de lapis de cera
caixa de aquarela
caixa de óleo
caixa de lápis de todas as grossuras
caixa de memórias
30 diários escritos
1 diário em branco
2 cadernos em branco
pilha de papeis de todos os tipos em branco
1 tela em branco

coleção de potes vazios de perfume
coleção de perfumes ainda cheios

as pelucias
A pelúcia do Pluto do caixão

EU ACHAVA QUE

Nunca ia querer tanto assim guardar uma memória. Que as coisas, a vida, não pudessem parecer tão imediatas. Eu achava que só de longe as coisas pareciam imediatas, 100 anos depois, quando a arte te mostra a realidade atraves de uma janela desenhada. Mas as coisas sem contorno são ainda mais dramáticas.
Eu achava que pensar em outra coisa sempre resolveria.
Que eu não ia precisar dizer adeus a uma pessoa que faria parte da minha vida para sempre.
Eu achava que nunca ia conseguir dizer nem uma pessoa que faria parte da minha vida pra sempre antes do pra sempre.
Eu achava que saudade era algo imaterial, que não tinha cor nem cheiro nem forma.
Eu achava que eu estava a salvo da surpresa.
Que nós faríamos 30 anos na mesma comemoração, ignorando nossas reais datas de aniversário completamente distantes.
Eu achava que o All Star ia furar no pé dela e não no meu.
Que a base cara da Laccome ia acabar no rosto dela e não do da Rita.
Eu achava que não existiria susto como este. Que não haveria vazio como este.
Eu achava que o corpo ficaria ainda mais aberto depois de uma queda de 18 andares.  

Ensaio 18 de março

Estou muito animada com o que vi hoje no ensaio. Acho que temos um ótimo começo. Me agrada o que construimos por diversos motivos, o mais especial é a gostosa sensação da construção no coletivo. Construção em grupo. As relações entre cada personagem vai se desenhando aos poucos a partir do muito que cada um planta. vocês nem sabem da gravidade de cada escolha feita. chego em casa e penso em vocês, no personagem de vocês e me surpreendo com minha própria surpresa ao pensar: minha nossa! O Odilon chegou no enterro da Lilla bêbado, por isso o Inácio implica tanto com ele na questão com a bebida e por isso Odilon bebia tanto café no dia do enterro...não é engraçado?
Pra mim eles chegaram ali na casa dela e se estranharam, até aquele momento ainda não haviam conseguido olhar no olho um do outro, ainda não haviam trocado palavras sinceras e profundas. Chegaram, dividiram as coisas não sem algumas brigas idiotas por alguns pertences e aí estão, sem saber o que dizer, sem saber pra onde olhar, com uma estranha sensação de despertencimento e impotência. Inácio tenta um estímulo mas da sua boca só sai farpas e piadas sem graça, reflexo do coração que está cheio de dor e não sabe como expressar essa dor e não sabe como pedir ajuda. Cecília imediatamente o responde, ela não deixa barato, ela está irritada nesse primeiro momento mais do que os outros. Rita pensa em ir embora, Rita não quer mas quer ir embora, aquilo ali está estranho, ela está com fome e Andréia não trouxe nada pra comer, trouxe apenas um vinho. Motivo para outra discussão e chateação. Odilon escuta impávido as provocações e exageros de Inácio até que numa atitude cega parte pra cima de Inácio, todos tentam conter a briga, Andréia é o única que consegue segurar Inácio, Andréia fala e Inácio escuta enquanto Cecília discute com Odilon sobre a sua atitude ao mesmo tempo que consegue fazer com que Rita fique. Inácio para e respira. Todos respiram. Inácio e Andréia se abraçam. Esse é o momento em que consigo vê-los pela primeira vez juntos, pra mim fica claro que nenhum deles sabe como lidar com aquela situação e o que acontece quando não sabemos o que fazer com algo imenso que está dentro de nós é que explodimos por qualquer outro fútil e pequeno motivo e em cima das pessoas que mais amamos. Quem já não fez isso? No momento que a briga explode eu tenho a sensação de que eles não deixam a raiva perdurar por muito tempo porque sabem que aquilo tudo faz parte de algo que os envolve por inteiro e o que é mais importante, aquilo por mais que os fira, os une. A dor da perda os une. Então Inácio brinca com Andréia, tira o lenço do seu pescoço e o lança no ar, ela tenta resgatar o lenço mas este já está na mão de outro que imediatamente o lança a outro. fim do nosso prólogo.

Fluxo textual.
Por favor, postem aqui para que possamos escutar mais uma vez.

Roda da potência suicídio-vida.
Vítor e o seu cavalo Petulante.
Marília e o seu amor à primeira vista.
E eu querendo escutar mais e mais...
e eu querendo perguntar mais e mais....

Bebês gêmeos conversam em sua própria língua.



das coisas mais incríveis que já vi. Pra mim, um vídeo como esse se iguala em poesia ao vídeo do pano dançando. A vida em seu puro mistério. Amo!

domingo, 17 de abril de 2011

O Ilusionista (Trailer Legendado)

Caco,dragões e camaleões







Maria Gadu Caetano Veloso Rapte-me Camaleoa

Cuidado:texto movediço em processo de construção

Maria Rita Atiná,filha de um dragão ( soldado de cavalaria que também combate a pé ) e de uma costureira,nasceu dia 18 de julho de 1979, no Rio de Janeiro.

Canceriana,rodeada pelo mar, tem necessidade de segurança,por tudo que é conhecido e familiar,reconfortante e seguro.Trata-se de uma motivação emocional,não prática.Sensível,vulnerável,com muita imaginação.O passado é muitas vezes mais real que o presente,pois mais seguro e conhecido.Daí a importância da continuidade com o passado.Com as raízes firmes na terra pode mostrar seu lado mutante,exploradora,andarilha.Tem necessidade de continuidade.Não é agressiva.Boa conciliadora.Tem necessidade de ser necessária,nutrir e amar.Feminina,de humor instável,não racional,imprevisível,gentil,carinhosa,capaz de fazer belas surpresas,enormemente enigmática e cheia de mistérios.Sua face doméstica cura,provê,mantém.Sua face sombria é selvagem como as mênades que dançam a dança sagrada de Dionísio no alto da montanha e esquartejam o fauno que apanham.Há profundezas secretas de tempestades emocionais e uma estranha e matriarcal consciência dentro da mulher de Câncer.Ela tem necessidade de criar.

Precisa aprender a pensar as coisas com mais clareza.Amadurece lenta e definitivamente.

Conheceu Caco (Carlos Alberto da Maia) quando cursavam o ensino médio.Ele fez engenharia naval e ela o curso de Composição de interiores na UFRJ.

Conheceu Lilla na graduação,enquanto Lilla fazia o curso de pintura.

Ficaram muito,muito próximas.Seus amigos mais íntimos eram:Lilla,Cecília,Inácio,Andréia e Odilon.Logo que se formou,em 2004, casou com Caco.Procurava no casamento um suspiro para sua solidão.Passou um ano arrumando o casamento e logo que se casou ele conseguiu um emprego em Santos e se mudaram para lá.Ficou distante,mas fazia visitas aos amigos no Rio e se falavam sempre por email.

Em 2007 veio para o Rio passar o carnaval com Lilla e trouxe a fantasia de borboleta para ela.Rita saiu de bailarina.

Em 2008 Caco é transaferido para o Rio.Rita nunca chegou a viver de sua profissão.Sua casa é cheia de revistas de decoração,mas passa a maior parte do tempo nos afazeres de dona-de-casa e vendendo Natura.

Rita e Caco tem um gato chamado Spike.

No momento que soube da morte da amiga estava saindo de casa para ir ao cinema.Começou a cantarolar "Rapte-me camaleoa".

Depois do enterro de Lilla,ouvia muito a música "O Amor",na voz de Cida Moreira,via Charlie Chaplin,bebia e repensava a vida.Um dia parou e colocou na vitrola:she loves you,dos Beatles.

 

Charles Chaplin - Tributo

Nina Simone - Ain't Got No...I've Got Life

The Beatles - She Loves You

sábado, 16 de abril de 2011

michel gondry music clip

The White Stripes - Dead Leaves And The Dirty Ground

15/04

Hoje Flavinha não pode estar presente em nossa sala de ensaio e esta é a minha tentativa de passar a ela um pouco do que vivemos juntos hoje.Por outro lado,sinto que dessa vez também me disponho a algo novo.Dessa vez não sento em frente a tela apenas para descrever,mas para,como co-autora registrar o que para mim ficou.

Confuso?

É que hoje,após chegarmos e nos esticarmos um pouquinho individualmente como sempre fazemos, tão logo sentamos em roda o Di disse mais ou menos o que escreveu no post mudança de planos:
"como estarei conduzindo o ensaio sozinho nesta sexta – sem ameida neves – optei por desperdiçá-lo. claro que ainda há a possibilidade de tornarmos nosso encontro algo muito potente, por isso, levo uma proposta radical que poderemos cumprir ou não. o negócio é tentar e fazer. mas parto do pressuposto de que tudo já está perdido."

E, sem dizer exatamente o que iamos tentar fazer ainda, continuou dizendo que conseguimos um edital que na verdade parece ter pago para ver como realizaremos o que nos propusemos.A medida que levamos isso a frente surgem as questões:

-O que é processo colaborativo?Ou por outra:como funciona o nosso processo colaborativo?

Idéias que ficaram para essa questão:ainda sintetizarei em texto a parte.

-(pensando apartir do comentário que o Fred fez no blog)O que ficou dos ensaios que já fizemos?

Idéias que ficaram para essa questão:ainda sintetizarei em texto a parte

Então, fez a proposta de hoje:

Vamos fazer a 1a cena da peça hoje?

Di contou um pouco do processo da peça "Rebu".Como Jô trazia uma cena,os atores pensavam sobre,propunham outra coisa,Jô trazia novo material,eles montavam sem saber qual seria a próxima cena...

Dados importantes antes de começar:

1-)Vamos montar o prólogo no espaço delimitado no chão.Vamos plantar aí todos os problemas que veremos no desenrolar dessa história.Ele é como um campo minado que contém as indicações de como vamos continuar e de tudo que explodirá a seguir;

2-)A cena indica uma história já em processo.Ela "começa no meio" de algo(indicação importante:todos já sabem o que vão levar);

(obs curiosa e importante:"na sala vianinha escolhemos,cada um,um número aleatório e dissemos esse número para o Di.Pois bem,ele se refere a um dos capítulos do livro "A Arte da Ficção".O número que dissemos é o número do capítulo que marcará nossos personagens.)

(Nesse momento Gustavo se junta a nós)

3-)Eles estão sentados,desolados (como na foto tirada por Di em ensaio anterior) lendo lista das coisas que vão levar (a questão da lista tinha a ver com o número do capítulo escolhido por Nina,ela deve fazer e ler a lista);

Do que se seguiu ficou:

Inácio,Rita,Cecília,Andréia e Odilon sentados no canto direito da parede ao fundo.Uma parede como essas de casa então ocupada e agora com marcas de quadros,furos de pregos.Vazia e cheia de vestígios.
Aprendi nesse momento um pouco mais do que são esses dois meses que se passaram desde o enterro.Eles tem força o suficiente para ir até lá,decidir o que vão levar,mas a visão do apartamento despedaçado,o peso do primeiro encontro sem a sexta amiga paira denso no ar.Eles estão ali desolados, com os corpos enraizados, abandonados ao chão, mas com um olhar que vai aos poucos respondendo a estímulos exteriores.
Inácio faz o movimento inicial para tentarem sair dali.Cecília incomodada retruca.Rita no meio do tiroteio, após tentar tampar os dois ouvidos diz que talvez seja melhor remarcar para outro dia, ela tem fome, isso a irrita, essa vida gritando nela neste momento a irrita mas ao mesmo tempo ela quer ouvila. Essa é sua maneira de tentar sair do chão, de somar-se a voz de Inácio que lembra que devemos continuar. Mas eles não tem comida. Andréia trouxe um vinho.Inácio acha melhor tomarem Minalba provocando/protegendo Odilon.
Inácio levanta e provoca um a um da fileira que está ao chão.Odilon vai para cima de Inácio.Cecília e Rita tentam conter. Cecília segue segurando Odilon. Rita começa a achar inadmissível aquele tipo de agressividade naquele momento.
Formam-se dois grupos,cada um de um lado da sala. Um Inácio e Andréia,que de repente parecem estar um igreja evangélica. Do outro, Odilon, que fala com Cecília, que fala com Rita,que diz que vai embora.
Rita:Eu vou embora,eu vou embora,eu vou embora,eu vou embo(splash!)Inácio rouba lenço de Andréia e joga na cara de Rita que joga pra...e joga pra...e joga pra...e joga.
 
Obs:Sinto que a preocupação em criar texto é talvez o mais difícil durante as improvisações.A cabeça restringe.Agora que estruturamos uma proposta de começo,adoraria refazê-la só nas intenções,só no aquecimento de uso.Cada um na sua lista de intenções.Aprofundando,crescendo e limpando esses corpos.Que tal?
 
"A vida inventa!
A gente principia as coisas no não saber por que,
e desde aí perde o poder de continuação
-porque a vida é mutirão de todos
-por todos remexida e temperada"

"Grande sertão:veredas";Guimarães Rosa

rascunho do prólogo.

povo bonito, minha dramaturgia do que fizemos hoje. Vamos ser atravessados pela dramaturgia do outro ? Lembrando que esta não é uma tentativa de que isso aqui embaixo seja definitivo.. mas é uma tentativa de compartilhar com todos o que está aqui dentro. beijos;.




(cada um na sua posição. Silêncio.)

Inácio espirra. ninguém fala nada. Inácio agradece mesmo assim:

- Obrigado.

Cecília começa a listar os objetos de cada um. Inácio conta nos dedos quanta coisa cada um dos amigos está levando. Na vez dele, Cecília diz:

- um sofá. um lustre. um kit de maquiagem. 3 quadros. e uma cadeira de balanço.
- (se levantando) Ah, eu também quero a cadeira-de-rodas. E o all star de cano alto. Aquele de zebra.

Cecília então repete, contrariada:

- Inácio: um sofá um lustre um kit de maquiagem 3 quadros uma cadeira de balanço uma cadeira-de-rodas e um all star de cano alto de zebra.

Cecília lista as coisas dela. Todos na parede. Escorrendo. Inácio é tomado mas não se entrega. Começa lentamente a brincadeira dos 'sorrisos'. Falha. Desmorona mas volta. Puxa assunto:

- De qualquer forma é curioso isso, não ? Essa palavra FREE. Num cotoco de cigarro. Vocês sabem o que significa ?? Prá quem não sabe, FREE significa liberdade, livre.. a Lilla bem que podia ter ficado só no cotoco de cigarro, né ? (pausa) Se um de vocês tomar coragem e for até o quarto dela, vai ver: tá cheio de liberdade querendo se jogar pela janela.
- Você não consegue parar de falar não, Inácio ?
- Você não consegue parar de sofrer não, Cecília ?

(tempo)

- Não.
- O que tava em jogo aqui era bem simples: era dividir as coisas da Lilla e pronto. Se reencontrar, dar um beijo, fofocar, comer alguma coisa, saber como vocês estão, só isso.
- Você está sendo mesquinho.
- Gente, há 2 meses a nossa vida é só página em branco.. vamos escrever alguma coisa ! Ela pode estar feliz agora, sabe-se lá aonde e a gente aqui nessa fossa ? Os 4 têm que fazer um esfor..
- Nós somos 5.
-Têm 4 pessoas do meu lado.
- É, Inácio, mas há bem pouco tempo nós éramos 6. (tempo) Eu não tô conseguindo.
- Então se apoia. Vamos junto. Juntos. Vamos descobrir juntos ?? (tempo) (silêncio) Bom, se ninguém responde realmente fica muito difícil.
-(Rita) Vamos marcar para outro dia ?
(...)
- (Rita) Eu tô com fome.
(...)
- Eu trouxe vinho.
- Então vamos abrir o vinho !!
- (Inácio) Não, gente, vinho não. Olha o Odilon.. vamos respeitar ele. (faz o gesto da bebida) A gente abre uma Minalba.
- (Odilon) Você é um babaca.
(...)

- Ah, é ? Então é prá sofrer ? "Quem chora seus males espanta", é isso ? Então vamos sofrer direito. Você, Rita, depois de anos e anos vendendo avon agora vc é promovida: agora você é uma revendedora da Natura. Acho que se você se esforçar mais um pouquinho já já você chega na Herbalife. Cecília, depois que todos os seus irmão saíram de casa, como é morar com papai e mamãe ? Andréia, meu docinho de coco que ganha a vida fritando ovo. Ganha a vida lavando alface. Ganha a vida pensando no tempero ideal pro rosbife. E nosso querido Odilon que não ganha a vida. Não ganha nada. Já perdeu faz tempo.

(briga)
(simulaneidade: Inácio\Andréia e Cecília\Rita\Odilon)
( "sai deste corpo que não te pertence" ???)
(descobrir momento para começar a manipulação do lenço).

sexta-feira, 15 de abril de 2011

ensaio 14

15/04, unirio, sala 301
diogo, fred, nina, vítor, marília, dominique e gustavo.

hoje que a ameida neves não está presente, optei por propor uma outra coisa. ao invés de continuar o trabalho criando certa continuidade para tudo que estava sendo buscado, escolho marcar um keyframe em nosso processo de ensaio, ou seja, um ponto chave no qual seja possível ver uma síntese do que foi produzido até agora. uma síntese produtiva.

são 08h50 e os meninos estão se alongando. enquanto isso eu preparo o que dizer a eles: desperdiçar o ensaio; processo colaborativo; objetivo de montar o nosso prólogo; temos poucas horas para isso, portanto, começo delimitando o espaço. marquei com fita crepe, ao entrar na sala, um quadrado (não perfeito) que tem ao fundo uma parede suja, ferida e esburacada. tipo algo presente na obra do killian. tipo parede de apartamento recém-desmobiliado. falta a reforma. falta o reparo.

PRODUÇÃO DE PRESENÇA, Gombricht, sugere Gustavo;

aquecimento de uso + especulações de posições no espaço

montagem do PRÓLOGO

cecilia impaciente com a lista nas mãos, jogo do coçar entre os outros. espirro.

andreia – um mobile do quarto, tres almofadas verdes, a coleção de dvds e um abajur;
rita – uma cristaleira com vinte taças e a caixa de maquiagem
e o jorge amado e a sydnei sheldon e o hardware (o HD).
odilon - (OI?) – ficou com o laptop, os oito minicactos da janela, a coleção de lp antigo e revistas;
inácio – sofá da sala, o lustre, três quadros, liquidificador, cosméticos, uma cadeira de balança
também queria aquele all star dela de zebrinha, cano alto
cecilia – e eu fiquei com a coleção de livros e dois quadros (o do cavalo e o da menina) e com três pares de sapato alto.

sobrou uma pelúcia.

para ela parar de querer coordenar tudo, que a história não gira em torno dela.

inácio – de qualquer forma é curioso aquilo, né?

>

parado em suas posições

lista de cecília (andreia, rita, odilon, inácio,

“o all star de cano alto de zebra” inácio e cecília falam juntos.

acomodam-se. sentam-se prócimos. escorrem apenas.

inácio - de qualquer forma é curioso isso, né? essa palavra free num cotoco de cigarro. vocês sabem o que significa? pra quem não sabe, como o odilon, free significa liberdade, livre… a lilla bem que podia ter ficado só no cigarro. se um de vocês tomar coragem e for até o quarto dela, tá cheio de liberdade querendo se jogar da janela dela.
cecília – você não consegue calar a boca não, inácio?
inácio – você não consegue parar de sofrer não, cecília?
cecília - não.
inácio – mas o que tava em jogo aqui era super simples. era dividir os pertences da lilla e pronto.
cecília – inácio, você tá sendo mesquinho. isso não é uma divisão de bens.
inácio – a gente faz dois meses página em branco. os quatro. (o tempo de deus é diferente da gente. ela pode ta feliz lá saltitando com as zebrinhas e dos anjinhos. a nososa historia é ha dois meses página em branco. vamos escrever alguma coisa também.)
cecília – a gente era seis faz pouco tempo. não é estranho? (a gente era seis ha muito pouco tempo. é estranho demais. hein, inácio, não é estranho? dá pra rir?)
inácio – então vamos tentar juntos. (então se apóia, vamos tentar junto. juntos. vamos tentar juntos. vamos? se ninguém responder fica dificil)
cecília - eu não to conseguindo.
rita – a gente pode marcar outro dia? na praia.
cecília – marcar outro dia?
rita - eu to com fome.
andréia - não tem comida não.
cecília – vinho.
inácio – olha o odilon ai, vamos beber  minalba.

inácio – rita, remédio. cecília. andreia, fanha

vcs juram que a gente vai ficar preso dentro desse apartaemento sem nem ao menos comer alguma coisa.

PORRADARIA

manda um email depois explicando o que fazer detalhadamente todo o dia.

piada de mal gosto. desculpa, falei um monte de merda, mas piada de mal gosto.

eu tô com fome.

não tem nada pra comer.

tudo bem, existe um mundo lá fora

então vamos doer?
então dói de verdade!

agendamento para dia 07 de maio um encontro no meu apartamento para assistirmos o filme O REENCONTRO e jantar (chefarantes) e ensaio no espaço do apartamento.

para segunda, os FLUXOS.

rever o prólogo só via aquecimento de uso.

mudança de plano

são 01:19 e como estarei conduzindo o ensaio sozinho nesta sexta – sem ameida neves – optei por desperdiçá-lo. claro que ainda há a possibilidade de tornarmos nosso encontro algo muito potente, por isso, levo uma proposta radical que poderemos cumprir ou não. o negócio é tentar e fazer. mas parto do pressuposto de que tudo já está perdido.

13 ensaios e temos já um mundo a cada dia se construindo mais e mais.

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quinta-feira, 14 de abril de 2011

nossos ensaios.

Na postagem anterior falei de imagens que penso. Tanto em imagens que a gente já criou nos improvisos quanto imagens que ainda não experienciamos mas que podem ser bacanas. Temos muitas referências e são muitos 'quereres', né ?

Sinto falta da gente discutir no final dos ensaios as imagens que ficam. Sabe, gostaria da gente conversar sobre o que criamos nos improvisos e ir 'botando uma estrelinha' ao lado daquilo que mais chamou a atenção de cada um. É claro que nem tudo vai entrar no espetáculo final e nós mesmos mudamos de opinião ao longo das semanas. Mas acho sim que seria muito proveitoso a gente sempre conversar sobre o material levantado nos ensaios. Este processo é colaborativo, não é ? Acredito que a dramaturgia que vá ser escrita daqui a alguns meses dialogue com pontos criados na sala de ensaio, não ? Estamos nos encaminhando para o décimo terceiro ensaio (só um mês de ensaio) mas a sensação que tenho é que já temos imagens\ações que eu gostaria que não se perdessem. O que proponho é, talvez naquela rodinha final, cada um falar o que mais marcou e anotar. É preciso ter registro pois as coisas se perdem.. Além disso, registrar o que é mais interessante, faz com que criemos um 'repertório', que pode ser usado a qualquer momento por qualquer pessoa. Talvez este seja um bom dever-de-casa para o feriado: registar o que mais ficou dos ensaios todos.

óbvio que vamos continuar criando. óbvio que algumas horas de peça não são capazes de abranger tudo que foi criado em meses. mas acho importante, sim, a gente discutir sobre. é bacana o exercício de pensar junto sobre a prática.

não sei se vcs concordam.. mas eu precisava escrever !

O JANTAR.

às vezes eu fico pensando em imagens para a nossa peça. Tem coisas que podemos experimentar em ensaios, outras não. Talvez o blog seja um espaço bacana para a sugestão destas imagens\ações que não podem ser experienciadas em sala de ensaio sem um aparato maior.

Vendo este seriado na terça, me lembrei da gente. Em dado momento, há um jantar. Há também muito contrangimento, seguido de gargalhadas histéricas (curioso ver o que desencadeou o riso). E, no final, um fogo surpreende a todos. Eu não sei porque mas acho que nossa mesa pega fogo. Nossa peça tem labaredas.

Assistam o vídeo, por favor. Na verdade, a cena que eu queria que vcs vissem começa 4min30seg e vai até 7min45seg.