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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Notas sobre a dramaturgia – Oito

faz tempo que não escrevo sobre a nossa dramaturgia. nessa semana, ouvi de marina vianna que nosso processo é o mais textocêntrico de todos. entrei numa crise (rápida, passageira, porém sincera e contundente). a pergunta não é que dramaturgia criamos, mas sim de que maneira chegamos até ela. tenho a clareza absoluta agora de que o nosso drama foi erguido a partir do papel escrito e não necessariamente a partir de ires e vires do corpo ao papel e vice-e-versa. nenhuma problema. o processo é movimento, é erro e tentativa.

não sei porque estou escrevendo isso. temos a nossa estreia dentro do TEMPO_FESTIVAL das Artes no próximo sábado e foi apenas no sábado passado que eu terminei de escrever o texto. de sábado passado (início de setembro, mais precisamente no dia três) até hoje, quinta, muito texto já foi mexido e reescrito. eu, aliás, estou na cozinha da minha casa, tomando um café, enquanto me preparo para reescrever um trecho que espero ser o último até nossa estreia.

mentira. a dramaturgia é e sempre foi movediça. a cena quer entrar e quer se fazer escrita. se foi um processo textocêntrico? talvez por in_experiência, talvez por amadorismo = aquela febra dos que amam com cuidado e excesso de zelo. nenhum problema. respiro. o que ponho aqui escrito é relato sincero e preciso. estamos em tempo. os corpos se movem mais do que nunca ansiosos pelo encontro com o abismo.

chega de poesia. o final da peça escrito. PRÓLOGO (escrita automática) + CENA UM (despedida do ideal) + CENA DOIS (medida da trajetória) + CENA TRÊS (esse mau estar) + CENA QUATRO (rir das marcas) + CENA CINCO (desconhecer-se) + CENA SEIS (não nomear) + EPÍLOGO (profanare). os nomes sempre sintetizando aquilo que depois eu tento expressar por falas, discursos, personagens conflitos e cruzamentos.

enfim, eu queria dizer que eu não sei. que o texto chegou ao fim mas é desde já, desde sempre, coisa morta. que é bom, bonito e seguro. mas que precisa dos corpos, das investidas, das desmedidas, sim, sobretudo das desmedidas. o texto precisa trepidar, ser alvo dos soluços e dos respirares. eu tô tão óbvio. não importa. quis apenas vir até aqui e constatar: o quanto produzimos. o quanto ainda falta para concretizar.

vamos?

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3 comentários:

Flávia Naves disse...

vamos, claro que vamos.

*Vendetta* disse...

gosto da incerteza que desponta quando percebemos a nossa certeza anterior esgarçada.
isso é profanação!

Di e Flavia, tenho certeza de seus amores, de tudo preenchido de afeto e vontade. Tenho orgulho, acho lindo o tamanho dessa paixão, ou o que quer que os mova tão vertiginosamente nesse processo de direção.
E me animo quando erram, quando erramos, todos, e caímos.
(me animo, admito, ainda com grande desespero nas gargalhadas).
Vamos errar para todos os lados, vamos?!
De fato, estava sentindo muita falta de sentir o vento fresco que só uma queda pode trazer.
E a gente levanta, sem dúvida. E com sorte a gente ri em dois ou três minutos. E somos outros. Graças a deus. E graças a deus, estamos juntos.

Flávia Naves disse...

Nina, você não tem ideia da importância das suas palavras nesse momento. Agradeço tanto, obrigada pelo abraço e pelas gargalhadas.