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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sonhos



Começo a ter medo adormecer.
Desde o enterro que não paro de ter sonhos perturbadores.

Sonhei dois dias depois do enterro com ela desesperada, louca,vestida de festa, correndo para o mar.Assisto ela entrar na água e morrer afogada sem impedir. Não sem medo, sem dor, paralisada, assisto.Não sei se respeito sua atitude, se não sei como agir...Quando ela some por completo no mar, me desespero por encontrar seus anéis perdidos na beira da praia.Como quem busca o corpo do morto.Encontro um dos seus anéis.Um com a figura de uma onça abraçando um macaco, coloco em meu dedo e como num passe de mágica o metal é consumido por meu corpo virando tatuagem.

Sonhei depois que voltava a casa dela.Não havia ninguém,apenas sua cachorra.Lembram daquela salsicha preta?Lembram daquele bichinho alegre, doce, que vivia dando carinho a quem quer que fosse?Ela estava lá,trancada no quintal como se estivesse lá abandonada há anos. Parecia ressentida e desencantada com as pessoas.Não fazia mais aquela festa por qualquer carinho.Preocupada, quis fazer qualquer coisa pelo seu afeto, para voltar a ver nela algo de como era quando a conheci.Algo que parecia haver se perdido.Ela pareceu convidar me a descer para o quintal e ver como tudo tinha mudado.Eu desci e encontrei tudo com um ar decadente e abandonado.Como se fossem vestígios de uma antiga civilização.Mas aquela era nossa civilização.Eu ainda estava viva.Quis gritar.Acordei desesperada.

Sonhei hoje que ia com Mateus a casa de um sábio guru que me ajudaria a dissipar o medo e o desespero.Ele propunha tarefas e eu me "curava" resolvendo-as.Uma das tarefas que ele me propôs foi sentar me frente a uma serpente.Tinha que fazer o movimento de ir até a cadeira posicionada frente a serpente,sentar me e encará-la. Se demonstrasse todo meu medo ela me devoraria,se conseguisse manter dignidade e respeito por nós duas e simplesmente me sentasse, nós poderiamos nos contemplar e partir quando quizessemos.Tentei uma vez e quase fui morta.O mestre me disse para tentar novamente.Tentei.Sentei me.Até agora lembro das coisas que contemplei nos olhos da serpente.

Acordei e busquei o tarô.Tirei uma carta.Era a carta da Estrela.Ela dizia assim:a imagem de Pandora e a estrela da esperança são símbolos de uma parte do ser humano que, a despeito das frustrações e desapontamentos, da depressão e das perdas, ainda tem forças para se agarrar ao sentido da vida e ao futuro que poderá superar a infelicidade do passado.
(...) os olhos de Pandora estão fixos não na infelicidade da condição humana, mas na certeza irracional e inexplicável de que muito em breve uma nova luz brilhará.
(...) dessa maneira a Estrela, guia da esperança e da fé, surge não da intenção deliberada, mas das cinzas da Torre que foi destruída anteriormente.
O louco espera no meio dos destroços sem saber ao certo como ou o que deverá reconstruir. E no meio da confusão e da destruição das antigas formas e estruturas, surge a suave, tímida e no entanto extremamente forte Estrela da esperança.

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