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domingo, 17 de julho de 2011

ensaio 52


16/07/11, unirio, sala 604
diogo, flávia, dominique, nina, marília, fred, vítor e gustavo.

ensaio determinante. tenho a sensação de que cada ensaio se torna um novo divisor de águas. isso quer dizer que estamos avançando muito em pouco tempo. isto quer dizer fome, isto quer dizer sede, isto quer dizer que estamos tentando, galera, e que é isso ai, bem confuso desse jeito mesmo.

o que posso dizer a vocês é que estamos vivendo o nosso projeto. vivendo o projeto naquilo que ele é. exigindo de nós mesmos aquilo que nossos personagens também precisam sofrer para alcançar. não é fácil, não está sendo. aliás, confesso, nunca achei tão difícil e impossível.

eis o título de nosso espetáculo: vocês já sabem. estamos no lugar. não há problema real que nos faça parar.

eu peço vamos juntos, vamos juntos, a gente há de chegar. mas somente se formos juntos. parece poesia. e é. saio de nosso encontro desesperado, falando alto e escorrendo angústias mil. mas saio tão forte, tão capaz, tão revestido de cuidado e atenção.

para fazer diferença. não vamos dar nome. isso assassina a nossa experiência, única, enquanto juntos. enquanto estamos buscando aquilo para o qual não há manual ou bula. caralho, é sério, parem pra ver o tanto já alcançado. para ver como fomos abusados.

e eis o preço da nossa ousadia: ela fez dentro de cada um uma angústia que não se sacia. mas, é preciso tentar. cada um da sua forma, aceitemos a diferença alheia e vamos impulsioná-la para o centro da cena.

eu não sei. estou aqui em casa. são 01:20 do domingo, sabem, eu não sabia o que ia escrever, mas dentro de mim algo se movendo me lembrou do princípio. tá sendo por agora, dentro da nossa ficção, que a nossa lilla tá partindo. tá sendo por agora que ela tá indo. pra sempre. pra não voltar. pra instaurar de vez essa coisa que nunca mais a gente vai conseguir explicar porque é sentido puro e genuíno.

é, comparsas, hoje ela está indo. hoje ela está indo. lá longe, neste céu tão escuro, sob essa lua tão imensa. a nossa brincadeira respira conosco o ar da vida e nisso nos desorienta. mas, vamos juntos e com calma, vamos juntos e sedentos. me puxem, me provoquem, me alimentem e exijam aquilo que for preciso para dar conta desse jogo.

estou aqui. sou pra isso. a lilla hoje indo e eu aqui, persistindo. eu aqui como vocês, tentando ficar, tentando criar raíz para, enfim, deixar de ser sumiço.

vocês me emocionam. e é isso: eu só tô um pouco transtornado com a nossa persistência.

um beijo muito cheio de calor e sossego
nesta noite a gente dorme sem saber o que será amanhã

mas logo logo ele vem
e a gente nele amanhece guerreiro.

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3 comentários:

Fred disse...

'a nossa brincadeira respira conosco o ar da vida e nisso nos desorienta.'

Flávia Naves disse...

Diogo, quanta coisa linda...você resumiu o ensaio de ontem com tanta sabedoria, que grandioso, que bom. estamos juntos. assim mesmo, na persistência e totalmente inesgotáveis.

Marília Misailidis disse...

"e eis o preço da nossa ousadia: ela fez dentro de cada um uma angústia que não se sacia. mas, é preciso tentar. cada um da sua forma, aceitemos a diferença alheia e vamos impulsioná-la para o centro da cena."


Juntos!

Persistentes e inesgotáveis.


Não me lembro de ter sido tão ousada e não sei se poderei selô-lo mais uma vez com a mesma potência.A primeira vez é pra sempre.

A essa hora já estávam todos eles no cemitério? Passariam toda essa madrugada lá?

Lilla,Lilla,Lilla,Lilla...quantos dias passarão pela minha dor de Rita até que possamos parir juntos a palavra Adeus?

Rapte me camaleoa.