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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Especulando sobre transformações,dragões e cavalgadas

Da nossa união:

Nos reunimos um dia para experimentar algo chamado view points.Viemos através do Di,através da Flavinha,através dos dois ou por um terceiro?Sei como eu cheguei ali,mas não sei como e porque cada um chegou.Pouco nos falamos,mas era bom.Tão bom que todo sábado de manhã estávamos lá.

Desse encontro nasceu o encontro no teatro Glaucio Gil e as pessoas que se encontravam para o view points passaram a encontrar-se para fazer teatro.Me lembro que a alegria da proposta foi para mim como se me dissessem: você está grávida.Passei dias cantarolando pela rua aquela música da Marina:

eu tô,tô grávida,grávida de um furacão,grávida de um automóvel,grávida de um avião e vou parir sobre a cidade,quando a noite contrair e quando o sol dilatar eu vou dar a luz...

Mas quem eram essas pessoas que gestariam e paririam comigo?Colegas de trabalho?Alguém que divide um sonho contigo pode mesmo ser chamado assim?Como se pode dividir um sonho íntimo com quem não conhecemos?Claro,é um trabalho.Um trabalho especial com muitos desconhecidos simpáticos.Só?Talvez fosse na verdade um processo de inceminação artificial,nada de trepada gostosa,tesão,paixão,loucura.Mas,ótimo,seja como for,uma vida viria por aí.

Bem,era preciso viver para descobrir se rolaria tesão ou só inceminação e nós vivemos.Juntos.

Naquele momento,o filho chamava-se "Atravessamentos",mas desde então,o número de grávidos aumentou,o nome do muleque mudou,eu tento entender a beira do parto o que significa  o nome que escolhemos e confesso que já me peguei pensando: "Que loucura,pela primeira vez alguém, que não eu, escolheu amigos íntimos para mim e não é que eu realmente me apaixonei!".Hoje conheço dores e delícias de cada um.Temos juntos memória.Fico feliz de termos escolhido esse caminho.E acho que isto posto,entreguemo nos de fato a essa paixão.

Será que Harry poderia cavalgar solo?Talvez.Mas sinceramente não me interessa.Eu só quero se for com vocês.Vou colocar meu figurino branco,meus acessórios dourados e vou dizer, baby: eu sou de vocês.Se quizerem algo em especial,peçam.Acho que a essa altura do amor e da loucura,não cabem mais constrangimentos bobos entre nós.Não tenhamos vergonha de dizer.Acho que aí começa nossa questão. 


A Questão - Parte I:

A questão nasceu da palavra Atravessamentos.Pegamos essa semente,plantamos,demos água e calor.Então vimos brotar Como cavalgar um dragão.Foi então necessário pesquisa e trabalho de sol a sol para saber como cuidar de planta tão exótica e delicada.Mas nossos esforços não foram em vão e vejo lindas flores surgirem com os escritos existencialismo, lidar com aquilo que não se resolve e não se resolver o que não tem resolução.Ainda outro dia caiu de uma delas uma pétala com os dizeres:

Os amigos vão ao apartamento de Lilla para dividir as coisas da amiga,mas inconscientemente percebem que foram para saber como carregarão aquela dor porta a fora.Quando entraram ainda eram adolescentes e, como tal,não tinham ainda encontrado a desilusão e seu peso.Como cada um deve lidar com isso determinará se cada um ali se despede do grupo e aos poucos da vida ou se junto aos outros fortalecerá o desejo de celebrar o mistério da vida.É nesse perder e talvez ganhar consigo que cada um transforma-se de tal maneira que poderá sair daquele apartamento sem ler a carta de despedida da amiga.Quando eles sairem ela realmente não existirá mais naquele grupo,no mundo e os adolescentes que entraram sairão adultos.


Ainda tem um tempo até os frutos chegarem e amadurecerem.Nem todos veem,mas beija flores se aproximam vez ou outra dessas flores imensas.É uma imagem singular,mas não menos desprovida de beleza.Nossa preocupação nunca foi criar algo bonito,mas como sabemos,é natural das plantas a beleza.

Há agora algo que imagino dos frutos que gostaria de dividir com todos os grávidos.É muito difícil falar dessa planta exótica,desculpem minha falta de jeito,mas buscarei a ajuda da poeta.Adélia Prado dai me forças.


A Questão - Parte II:

Ensinamento

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite,o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado,até essa hora no serviço pesado."
Arrumou pão e café,deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.


Como a mãe nesse poema,muitas peças trabalham um tema pela via indireta.Lembrando que na vida há muito artigos de luxo,inomináveis.

Vejo nas flores que brotaram que Como cavalgar um dragão não é uma peça dessa natureza indireta.Sinto que os personagens chegam usando a linguagem indireta corriqueira,mas a força da situação em que se encontram cria uma brecha para que a possibilidade de ver e dizer o inominável aconteça.

Amor violeta

O amor me fere é debaixo do braço,
de um vão entre as costelas.
Atinge o meu coração é por esta via inclinada.
Eu ponho o amor no pilão com cinza
e grão de roxo e soco.Macero ele,
faço dele cataplasma
e ponho sobre a ferida.

Acho que o fruto maduro de nossa planta Dragão trará dita em alto em bom tom a palavra de luxo: AMOR.Com toda coragem que é pronunciá-la. Esse amor que éfeito juntos e serve de cataplasma para cada um.O cataplasma que se põe sobre a ferida de estar vivo.

Mas isso ainda é muito vago,por isso prossigo.

Explicação de poesia sem ninguém pedir

Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite,a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou só sentimento.

Acho que para que a flor do nosso Dragão se transforme em fruto é preciso saber que imagem a dor de existir de cada um cria.Como se tentássemos criar a nossa explicação do existencialismo sem ninguém pedir.A poeta usou a imagem do trem para expressar o que é poesia.Pegou essa imagem concreta,abraçou-se a ela e fez o poema.O caminho é claro e nesse percurso vemos magicamente impressa a explicação de poesia.

Que imagem uso para a dor de existir de Rita?Preciso saber onde dói.Como dói.Dar uma imagem para sua dor e sua delícia.Arriscar uma concretude e abraçá-la,rezando para que tenha a alegria de ver que o percurso deixou registrado como é para mim seguir.

É então que encontro-me perdida mais uma vez.Quem me dera ser poeta.

Referência importante:

Lembrei-me do personagem Kostia de Anna Karenina,de Tolstoi.Anna se mata jogando-se nos trilhos do trem.É uma cena incrível no filme.A trama de Kostia começa com a perda de um parente próximo e no fim,se não me engano,ele fala do porque ele ,em contraste com Anna,acha que a vida vale a pena ao ver o nascimento de seu filho.

Acho que gostaria de chegar naquilo que Kostia diz no final.Terão que ver o filme para saber; )

Hasta mañana,amores. 





 

3 comentários:

Marília Misailidis disse...

Cada um tem o seu desde os inícios.Agora digam-me com palavras como chama o de vocês.Falemos do dragão de cada personagem.Ajudem-me a dar nome ao meu.

Fred disse...

beibe, o dragão do inácio também não tem nome, ele é sentido mas é inominável por enquanto. Assim como também não é claro pro Inácio como seguir adiante, como solucionar o que não tem solução.

Mas me parece também que não é aqui sozinho que eu vou consiguir responder a este seu estímulo. Talvez só juntos mesmo. E aí talvez a gente descubra que o meu dragão tem o mesmo nome do seu e do deles. é nosso;

Diogo Liberano disse...

o meu dragão tem nome, mas quando eu chamo, ele não me obedece,,,

marília,
essa postagem desanuvia muita coisa


!!!