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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

12 Homens e uma sentença

Acabo de ver o filme.
Incrível visualizar a situação que se apresenta começada.Se entendermos que o julgamento é uma história em si, o filme começa no final de uma história.Mas ele mesmo é um incrível mundo a parte.
Num cenário simples (12 homens sentados ao redor de uma mesa) sobra a beleza dos detalhes trazidos por cada personagem e pelo desenrolar do discurso,da ação.
É impressionante a dificuldade em assumir o compromisso de encarar a realidade:é preciso lidar com a decisão sobre a vida de um homem.
Como é atual.
Acho que a época do filme é essencial para a condução de seu discurso.Só uma sociedade que ainda responde por valores morais(não que nós não respondamos,mas acho que há uma diferença de tom/intensidade) poderia expor tão explicitamente o medo,o preconceito,a falta de responsabilidade e interação com o outro e com a realidade.(Nossa,soa tão patrulha da moral e dos bons costumes...difícil se fazer compreender...)
Acho que se este filme fosse filmado nos dias de hoje todos votariam culpado e o filme mostraria a questão voltando na vida de cada personagem fora da corte.Sei lá...
Tenho a sensação de que as pessoas hoje não reagem tão de pronto quando alguém grita com um senhor de idade.Não há mais tanto constrangimento em dizer foda-se.Não se cai em si tão facilmente por que se foi escroto.
Nossa,que difícil comentar um filme...
Os personagens são fantásticos.Fico pensando se o dragão é a realidade de ter que dar uma sentença que decide sobre a vida de um homem ou todos que votaram culpado ou o que votou inocente.São filhotes de dragões diferentes?Talvez.
Nós temos que enfrentar a realidade do suicídio de uma amiga que foi atravessada.É tão mais amplo que ter que dar o veredito...
Bem,vou assistir Festa de Família...volto já...

ps:Peguei na locadora hj,por uma semana: 12 Homens e 1 sentença, Festa de Família, As Invasões Bárbaras e Stalker.Se alguém quizer combinar algo,tamos aqui.É só dar um alô.

4 comentários:

Marília Misailidis disse...

Caramba...é uma porrada no estomago ver tudo isso na sequencia...conselho:tenham mais calma...

Fred disse...

eu tb vi "12 homens..", vou usar este post para comentar, ok ?

o que mais me chamou a atenção foi a forma como uma mesma questão pode ser 'atravessada' de diferentes formas. Temos uma morte, um fato. E dizem que contra fatos não há argumentos. Mas o filme nos mostra o contrário. Vejo importância na forma como se constrói o discurso para invalidar um outro discurso ou para fazer com que 11 pessoas pensem de forma diferente do que pensavam. Como uma mesma questão pode ser atravessada por pontos de vista diferentes ? Como atravessar também a morte (mas na nossa peça, o suicído), levando-se em conta todos os discursos possíveis ? No filme, há a tentativa do convencimento do coletivo que diz um mesmo 'guilty' ou 'not guilty'. E na nossa peça, tem de haver concordância total ?

Outra coisa que fico pensando é como a riqueza do humano pode aparecer em poucas falas ou em gestos simples. A construção daqueles 12 personagens foi realizada em cima das sutilezas que, por mais que sejam pequenas, reafirmam o lugar de cada um naquela sala e na vida. Como é bonito ver o pouco que diz muito. Achei incrível.

Outro ponto que queria falar é sobre a falta de certeza sobre o acontecido. Um homem não julga o réu culpado simplesmente por haver espaço razoável para dúvidas. E ele consegue fazer com que os outros 11 mudem de ideia e absolvam o réu. Mas ainda sim permanece a dúvida (pelo menos em mim permaneceu). Será que eles absolveram um filho que matou um pai ? Será que a vizinha velha realmente não precisava de óculos para ter certeza do que viu ? Será que alguém vai assistir um filme e realmente não sabe nem o título ou o nome dos atores ? Será que haver espaço para dúvidas é ter certeza da inocência ?

Terminei o filme sem saber. E terminei o filme pensando na importância do discurso. Acho que discurso e dúvida são 2 coisas importantes para nosso processo.

Flávia Naves disse...

Fred, você pontuou coisa no filme que são muito caras a mim. que bom.

Marília, assistir tudo de uma vez é difícil mesmo, acho que da lista de filmes Doze homens e uma sentença é o menos doído. os outros são socos no estômago.

Vitor disse...

galera, vi hoje esse filme. nao tenho muito a dizer mas o que me chamou atençao foi o modo como a dramaturgia vai acontecendo, o discurso como disse fred. e mais do que isso o tempo do filme tem a organicidade proxima da vida, os atores se surpreendem e compram os rumos do roteiro muito bem, exemplo: tanto é que eu ja esperava certa supresa, mas o ator chegou a me surpreender com a espontaneidade com que lida com ela. tudo numa estrura de marcação e construção de personagem (junto do roteiro, óbvio!) fazendo daquela sala um jogo de imaginação.