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sábado, 19 de fevereiro de 2011

perguntas:

por favor, escolham uma pergunta abaixo e tentem uma resposta:

1) eles se juntam a princípio para o que exatamente? se sabem que não se vêem faz meses, se sabem que todos estão meio que deprimidos com a situação, eles se juntam para o que afinal?

2) o que um dos cinco deseja profundamente e que outro dos cinco abomina por completo?

3) eles brigam? por qual motivo?

4) eles se drogam? com qual droga?

5) eles dividem alguma coisa? que coisa?

6) eles ligam o ar-condicionado?

7) que estação do ano é essa?

8) eles ficam na sala o tempo inteiro?

9) alguém ali fuma e fuma onde? alguém fuma?

10) o que aconteceu naquela semana que eles acabam falando sobre?

11) como processam a falta da amiga?

12) como seguir? alguém se pergunta e pergunta aos outros como continuar? e se sim, por que esse alguém se pergunta isso? há algo capaz de impedi-los de continuar? é grave?

13) que dragão adormecido no momento do encontro começa a abrir as asas e a chacoalhar tudo?

14) algum remédio, de alguém?

15) bebem o quê?

16) fizeram o jantar? quem fez? o que comem? tem vela acessa?

17) mexem nas coisas da amiga? com que propósito? lembram-se de algo? descobrem algo novo?

18) fazem algum pacto que só eles vão saber? fazem algum acordo? quem topa e quem não topa?

19) rola algum beijo? na boca? alguma tensão sexual no ar?

20) o que se descobre ali no momento da encenação? que bomba é descoberta?

[...]

motes para desbravar o imenso.
bjos,
diogo liberano
          

8 comentários:

Flávia Naves disse...

respostas à pergunta 13 e também um pouco da 2, 10, 11 e talvez da 20.

Fecho a boca paro tudo. O tal do bicho papão existe. Cantarei para meus filhos a música da morte e como alguns bons que soltaram a língua pra falar das más companhias que fazem parte desse mundo, eu também só sairei do meu luto da palavra quando puder falar de bichos. Bichos papão. Alguém se dispõe a validar a minha loucura? Algum candidato a sentar comigo à mesa? Beber vinho e partilhar o pão? Estou imensamente cansada, das histórias, dos nãos e dos sins, dos direitos e dos deveres, cansada de ter que validar o meu cansaço, de ter que dizer desculpa. Olha, desculpa estou cansada, porque cansada? Cansada, cansada de rejeitar o mundo e as pessoas, e as formas de vida e os livros, e as histórias, e as palavras. Menti a vida toda, não gosto de nada, nem de dormir, nem de trepar, nem de café, nem de banho de mar, nada. Estou cansada de ter que sorrir e dizer que está tudo bem dez vezes ao dia, cansada de olhar a raiva e a angústia das pessoas travestida em compaixão e falso amor, cansada de ter que entupir tudo o que sinto dentro de mim, passar cimento e deixar secar e ainda assim sentir tudo voltar, rachar o cimento duro e subir de novo à garganta e querer explodir em doses cavalares de palavras malditas e choros tempestivos.

Meu dedo está coçando. Alguma coisa em mim grita. Alguma coisa reclama.

Só preciso de um buraco, não precisa ser meu nem preciso dele o tempo todo. Um buraco por apenas alguns minutos pra que eu sinta, por apenas alguns minutos, que eu não existo, que nunca existi.

(silêncio)

(ela pela primeira vez se detém diante da caveira em cima da mesa, pega o objeto e diz)

Agora é o momento daquela cena não é? Aquela cena que aquele personagem diz aquela frase. Tudo é tão previsível. A previsibilidade é o tédio que nos habita. Ficamos então tentando encontrar algo de original em nós para nos livrarmos do tédio. Essa é a nossa busca, não pelo sentido, mas pela novidade.
Me diz alguma coisa nova, me desdiz, me beija, me bate, me olha, pega a minha mão e faça gestos obscenos, coloca minha mão na sua genitália, me faça rir, me mate.

.....
Me faça um favor, finja que eu morri. A gente finge tanta coisa, quase sempre e por tão menos, me faça esse favor, eu peço, finja que eu morri. Ta? Morri. Agora eu sou apenas uma lembrança uma recordação talvez dolorosa, talvez triste, talvez alegre, mas apenas uma recordação intermitente que visita o seu mundo. E agora? Agora que sou apenas uma imagem no papel, um cheiro que passa no ar, um toque que não volta mais, e agora? Você me aceita como eu sou? Agora que morri será que posso ser eu mesma?

Minhas palavras não são mais que blásblásblás, blásblásblás é o que digo, blásblásblás é o que como. Abro a porta, fecho a porta, corto o queijo, como o queijo, guardo o queijo, fecho aporta, abro a porta, ando, sento, levanto, ando , aqui e ali.

Estou em protesto. Não tomo banho há três dias e não escovo os dentes há três dias em Protesto contra a cotidianidade. Quem inventou as mesmices do dia? Quem inventou o movimento cíclico? Quem fez a terra redonda e o sol e a lua redondos, quem fez o mundo girar em círculo e confinou a humanidade a um desespero que sempre retorna?

Dominique Arantes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dominique Arantes disse...

Tentativa embaralhada de responder algumas perguntas. Partindo do ponto de vista de um personagem nosso qualquer.



Eu não venho de fora. Estou aqui. Mais uma vez aqui. Nesta sala apertada deste apartamento.Sento-me. No chão. Ninguém chega. Vou fumar. Todos irão daqui a pouco. Sempre assim. Não. A Ana não fuma. Esperarei alguém chegar. Vou controlar meu desejo, diria necessidade. Eu fumo. Não. Só acendi o cigarro, a companhia tocou. Devo abrir. Olho. Uma foto, no quadro de imãs. Éramos seis. Sei, nome de novela. Sou brega quando nos penso. Mas estamos aí, não estamos? Devo arrancar a foto para que não lembremos o que viemos lembrar. Que hipocrisia. A gente vai sorrir e fingir tudo normal. Jogo a foto para baixo do sofá. Companhia. JÁ VAI! Digo oi. Me abraça. Sorri. Sempre com esse carisma. Oba! Trouxe vinho. Sempre o nosso vinho. Os outros devem estar chegando. Então.. ele diz. Como vão as coisas? Eu digo vão. Tudo ótimo. Tudo caminhando. É ruim quando se está tudo só caminhando. Espero que os outros cheguem. Agora . Por favor. Mais alguém? A gente vai ficar sorrindo, falando. E o trabalho? E o Marcelo? Eu digo terminei. Com o Marcelo e com o trabalho também. Digo, estou repensando. De repente deu-me uma vontade de repensar. E você? Pega às taças? Eu não quero falar, ele sabe. Prefiro calada. Não sei. Companhia. Mais dois. Dois sorrisos. Gente! Não dá para dizer algo novo. O outro diz. Nossa. Você está ótima. Eu digo. Você também. Estamos em quatro, ela dia : só faltam duas. SILÊNCIO. Clichê. Com a gente sempre acontecem esses clichês de filme americano. Nos olhamos. Eu digo CIGARRO? Ela, claro diz, não. Clichê. Levantamos os três. Ai varanda. A gente olha o mundo lá embaixo, como tudo é tão pequeno e somos todos tão idiotas se matando para consumir loucamente tudo que nos oferecem. Ai, um trago sempre alivia. Batida. Lá em baixo. Hum. Um acidente. Será que alguém morreu? Batida à porta. Enfim, estamos. Posso abrir o vinho? Claro . Afinal. Gente, tem macarrão! Com nosso molho. Eu que ia fazer o molho, ela diz. A gente faz dois. Liga o som Ana. Sim. Fala alguma coisa mulher. Eu tâ bem. Mas a gente não disse que você não estava. Eu disse. Disseram, fala alguma coisa Ana! Vocês sempre fazem isso. Eu estou aqui não estou? Gente! Um brinde. Ao nosso reencontro. 1, 2, 3, 4, 5... Bebemos como se não houvesse ausência nenhuma aqui. Como somos estranhos. Que incapacidade de mostrar a dor. Estamos sorrindo. Mais fácil. Tem uma coisa. Tenho medo que alguém encontre a foto. Ela pergunta COMO SEGUIR? A gente sorri. Até que o riso se gaste e a gente não saiba o que falar. Sim, tem o trabalho, os amores, os nossos próprios desejos entrecortados nessa sala. Mas ninguém fala. O que dizer. Ele diz uma perna depois da outra. A gente ri. Forçado, é claro. Ele sempre foi ruim de piada. Tenho medo que alguém encontre a foto, penso. Não sei o que ela pode provocar. Assim. Eu sou forte, eu sei. Suporto. Não quero que perguntem à ela sobre a falta de lagrimas no enterro. Não quero esse assunto.

Eu sou forte. Mentira.

Fred disse...

"ELES BRIGAM ? POR QUAL MOTIVO ??"


eles costumam dizer que não brigam mas "discutem para democratizar os 5 pontos de vista diferentes".

tem 1 que sempre se cala pois odeia enfrentamentos (até mesmo os verbais)

tem outro que fala com as mãos, fala mais alto que todos e fala andando pelo espaço

tem aquele que só diz quando tem certeza e é curto e grosso

tem o que acha que discutir é perder tempo de praticar e por isso esta pessoa na hora das brigas geralmente canta baixinho ou faz uma comidinha porque discussão sempre abre o apetite

e tem a que diz que não se deve brigar porque a amiga morta não ia ficar nenhum pouco feliz com tanto bate-boca.

Fred disse...

"ELES BRIGAM ? POR QUAL MOTIVO ??"


eles costumam dizer que não brigam mas "discutem para democratizar os 5 pontos de vista diferentes".

tem 1 que sempre se cala pois odeia enfrentamentos (até mesmo os verbais)

tem outro que fala com as mãos, fala mais alto que todos e fala andando pelo espaço

tem aquele que só diz quando tem certeza e é curto e grosso

tem o que acha que discutir é perder tempo de praticar e por isso esta pessoa na hora das brigas geralmente canta baixinho ou faz uma comidinha porque discussão sempre abre o apetite

e tem a que diz que não se deve brigar porque a amiga morta não ia ficar nenhum pouco feliz com tanto bate-boca.

Marília Misailidis disse...

Achei seu lindo texto Flavinha!
Sim,isso devia ser dito.

Tento responder um pouco as questões:1,2,3,4,5,7,8,14,16,19

Fico pensando que eles tem uma longa história.Se conheceram no colégio,talvez.Cresceram juntos e são como irmãos que se escolheram.Ao longo desse tempo cresceram,foram para cidades diferentes,mudaram mas compartilham um amor e uma perspectiva da vida em comum.Uma certa perspectiva.

Acho que passaram o ano com essa dor dessa perda,é de novo verão e resolveram passar o ano novo juntos num lugar que foram há muitos anos juntos e se sentiram livres e felizes.Como se fossem para a Zona de stalker.Mas eram mais jovens...Como é voltar agora sem ela?Em que quarto ela ficou?Ou era barraca?Com quem?Quem namorava quem?Tem gente nova que não foi da primeira vez?

Acho que eles bebem cerveja e fumam um.

Acho que as piores brigas são:daquele que tem uma perspectiva social/intelectual (tipo Declínio do Imperio Americano) cinica do mundo e de certo modo humilha aquele que não concorda.Ou daquele que verbaliza (como no discurso da Flavinha) a dor de viver uma vida cínica e o outro que acha essas palavras um exagero,mas tem um cancer no estomago.

Acho que alguém toma remédio para dormir e mais de um toma antidepressivo.

Alguns vão comprar ingredientes,outros cozinham,todos bebem e falam na cozinha enquanto preparam a ceia do ano novo...mas não sei se precisam ficar aí...preparam uma linda mesa.não sei se vao comer essa noite.

Eles pensam juntos como será o futuro e como foi o passado.Como por exemplo se voltarão a esse lugar algum outro dia.

Acho que tem em comum a vontade de ter uma visão holística e sustentável do mundo.

Sinto que puxo todas as respostas para aquilo que conheço;mas acredito que é daí que posso falar melhor.

Diogo Liberano disse...

USAHUSAHSUAHSAUSHAUSAHUSA

eu pedi: escolham uma pergunta! asuhsausahusahsauhsauhsau

!!!

Fred disse...

tô bem espantado.

lendo meu comentário acima, é espantoso ver como ganhamos concretude\vida aquilo que antes era só ideia.

os 5 personagens já estavam lá em março.