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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

As invasões.

Acabo de ver 'As invasões bárbaras'. Queria escrever aqui a minha admiração em ver um filme lindo e leve (e pq não engraçado ?) e que, ainda assim, fala de morte. Insisto em dizer que não é pq alguém morreu ou vai morrer que toda a atmosfera tem que ser sombria e pesada. Vendo os extras do filme, o diretor disse que "rescussitou" os personagens de "o declínio do império americano" pois estes personagens traziam a ironia, o sarcasmo, a alegria e leveza necessários para se falar de uma outra questão (agora importante a Arcand): a morte ou quando se quer dar um ponto final na própria vida. Segundo o diretor, foram várias as tentativas de se falar sobre a morte e em todos os roteiros havia algo de soturno e pesado que ele tentava lutar contra. E só conseguiu trazer a leveza necessária trazendo de volta aquele grupo de amigos.

Tenho a estranha sensação que "o declínio do império americano" só serviu para dar vida, 15 anos depois, ao outro filme. A importância de um, para mim, está em gerar o outro. Mesmo que isso não fosse meticulosmente pensado. Minhas questões acerca do primeiro filme se resolvem quando eu vejo o outro em sequência.

Enfim, deste filme o que fica para mim: vamos falar de morte mas pode ser legal, leve, engraçado.. óbvio que existem momentos e momentos mas até 'naqueles momentos' podemos rir do nosso infortúnio. Também somos um grupo de amigos. Também há um morte que nos ronda. Mas também podemos ser cínicos, irônicos, sexuais, inteligentes e perspicazes.

;)

11 comentários:

Marília Misailidis disse...

Caramba!Também acabei de assistir!
Talvez tenhamos feito percursos diferentes.Assisti aos dois há muito tempo,não lembrava de nada.Não lembrava que "Declínio..." vinha primeiro.Peguei Invasões no meio daquele monte que falei e acabo de assisti-lo.Só ele.

Gostei muito e acho que digeri melhor que a primeira vez.

Como é barbara a presença do filho capitalista/homem de negócios/bom moço diante da geração do pai socialista/apaixonada/amor livre/divorciada.Que forte pensar que uma gerou a outra e que vivem o amor de maneiras tão distintas.A primeira geração me parece bem caracterizada na história sobre a linda mulher chinesa.O protagonista a desejava e achava que ela vinha da maravilhosa revolução chinesa.Ela,dizia ao homem a sua frente que o que ela vivera na revolução não tinha nada de maravilhoso.Essa geração parecia ter ideais tão humanistas,mas os olhos tão longe da realidade e da vida pratica.A segunda geração me parece bem caracterizada pela mulher do filho empresário que diz não estar apaixonada.A paixão levou seus pais a uma historia que ela não queria para si ou para seus filhos.Ela é praticamente o oposto da primeira geração.Sua praticidade ocupa quase todos os seus espaços.E vemos uma geração invadir a outra.

A garota que manipula a heroina...transgredindo apartir da droga...cavalgando o dragão...Apenas a primeira vez que se usa heroina se cavalga o dragão?Através da heroína ela podia cavalgar um dragão?Ela podia suportar a vida.Me marcou mais esta segunda possibilidade de compreensão.

Me marca a invasão do dinheiro e das drogas.Como apropria-se disso para poder viver melhor.

Não há liberdade.Sempre é preciso transgredir.Como?O instrumento que escolhemos diz tanto do personagem que somos.A escolha do dinheiro por um e das drogas por outro é indissociavel de quem são.

Assisti Festa de Família tbm...

A liberdade nesse outro filme me parece não só restrita,mas violada.As relações em família foram violadas e não foi mais possível viver nesse mundo fundado nessas relações com as memórias de algo quebrado.

É impressionante a visão clara dos que se lançam a dizer em voz alta sua revolta,sua dor e os que fingem não ouvir para preservar uma suposta ordem.

Fica claro vendo esses filmes todos que caminhamos para saudar a transgressão.Dizer que ela é necessária.E como diz o diretor de "Invasões Bárbaras" acho que isso é mais leve e comunicável entre amigos.

Mas transgredimos o que?
Pessoalmente,sinto a necessidade de ser mais fiel a mim mesma e menos preocupada em ser agradável.
As vezes me sinto falsa,contendo a agressividade.Como quando alguém vem perguntar se está tudo bem e vc diz:Claro.E sorri,mas só por "educação"...Por que chamamos isso de boa educação?

Alguém escreveu sobre isso.Me tocou profundamente.Mas não consigo achar o post.Acho que foi a Flavinha.

Queria dizer aquilo.Fez um sentido tremendo.Mas também tinha que dizer que tenho um medo enorme de dizer tudo isso e ficar anti social.Perder todos os amigos.Encarar uma solidão profunda.Por ter me retirado do código social.Por tê-lo enfrentado.

As vezes sinto que gosto tanto de viver que em nome da vida,abraço a covardia.E isso dói.

Depois de assistir esses três primeiros filmes das nossas referências me lembrei de uma referência do nosso primeiro encontro.

Não tinha feito então o sentido que está me fazendo agora.

Eu quero passar MERTHIOLATE na minha ferida!!!!

Vai doer,mas eu quero sentir na minha pele que os micróbios morreram.Quero sentir que eles se foram.Se eu não sentir talvez não consiga acreditar que estou bem.

Começo a saber o que dói,mas não sei que merthiolate é esse que vai me "Curar" ou como e onde acho.Quero encontrar meus amigos.Talvez com eles eu descubra.

Vitor disse...

queridos, como acharam os filmes? cada um por si? copias rolando? bjs.

Fred disse...

vitor,

eu achei 3 filmes na minha locadora. Vou procurar o restante em outra.. acho que a marília achou todos ou quase..

e tem 2 cópias da peça 'talvez' rolando por aí, uma tá comigo e está à disposição !


saudade de vc.

Diogo Liberano disse...

vcs sabem q a coisa toda do dragão veio desse filme. eu tinha me esquecido. já é algo tão nosso que eu me esqueci.

ah!!!!!!!!!!!!!!!! quanto comentário maravilhoso!

Marília Misailidis disse...

-Essa ordem social me estrutura,me funda e me destrói.Quero transgredi-la.Tenho um carinho imenso por todos os marginais.Sinto que só eles podem entender este momento.

- "Desorganizando eu posso me organizar."
Desorganizar.Isso vai ser realmente necessário.

-Engraçado.Fiquei surpresa ao ver a expressão "cavalgando o dragão" no meio do filme.É como se eles tivessem se apropriado de algo nosso e não o contrário.Como se no meio do filme algum personagem dissesse:Falei isso ainda ontem para Nina Balbi! ou ainda Chama o Diogo Liberano aqui,faz favor!
Parecia ter ouvido o nome de um de nós.
Para mim, essa expressão nasceu de uma estrela cadente.Conversávamos sobre estrelas,o espaço.Em lá estando a Lua não podiamos deixar de falar em São Jorge e logo chegou o dragão.

Kkkkkkkk....

-Já to desorganizando meu próprio discurso...
Não me preocupo tanto em fazer sentido.Acho que queria mais trocar sensações com pessoas próximas.Queria ter intimidades e as palavras estavam mais a mão para alcançá-las.

-Vitor,querido,saudade mesmo.Ta em Campinas?

-Amores,achei todos os filmes,exceto "O Reencontro", na locadora aqui de laranjeiras.(uma que fica dentro da galeria das laranjeiras.Aquela na Rua das Laranjeiras,frente a igreja,depois do restaurante Varandas)

Preferi ver na tv a ver no computador,por isso,aluguei.

Acho que conseguimos baixar todos.Não?

Fiquei de pegar o dvd da peça "Talvez" com Fred,mas não consegui até agora...desculpa,amor.

Obrigada,Di,por disponibilizar todos esses textos aqui.

Beijos,beijos,beijos,beijos

Dominique Arantes disse...

Ainda não consegui ver os filmes. Estou baixando.

MAs esses comentários me lembraram do Helio. Estou sendo obvia, mas achoq ue vale a pena a gente dar uma olhada talvez. Essa coisa toda de transgredir. e o famoso :
"Seja heroi
Seja marginal"

como reinventar para viver nessa sociedade. como transgredir? e enxergar fora do limites impostos?
Como? como cavalgar o dragão?

Vitor disse...

acabo de ver-re-ver os filmes "declínio" e "invasões". COMO CAVALGAR UM DRAGÂO , ? ! . um dragão tridimensional, simples por outro lado tb, pq nao? as coisas se atravessam. sangue na urina/vinho na taça...Cavalgar o impalpável.

Flávia Naves disse...

Marília, adorei!

Dominique Arantes disse...

Acho que todos precisamos entender quem/qual/oque é o nosso dragão. Para depois cavalgarmos.

Vi " invasões Barbaras" e o que me fica é isso. A que geração pertencemos? Que ideais são esses? o que estamos cavalgando? O que precisamos cavalgar?
Sinto-me fora da geração dos personagens do filme. Eles falam de ideais que eu só conheci em livros.. Precisamos cavalgar nosso desconhecido dragão do agora, que só se saberá daqui à anos.

é isso.
O filme me tocou profundamente.
Achei suave e sincero.

beijos

Diogo Liberano disse...

a que geração pertencemos?
saber falar de morto de uma maneira menos ocidental ou reinventar a nossa relação com a morte, essa que temos, já deu
(meu cachorro acabou de morrer)
então,
acho que estes filmes falam do universal pelo pessoal
sei que é clichê, mas eles desenham com precisão uma época, um momento
não é a toa que o primeiro nos soa mais datado
porque é realmente uma expressão de uma época
acho que temos essa possibilidade
essa busca
de descobrirmos quem somos em virtude de uma ficção
temos a possibilidade de nos entendermos, de entrarmos em contato com nossas deficiências e violências só que pela ficção

é um privilégio
isso do poder se reinventar via obra

vamos jogar,

Diogo Liberano disse...

marília colocou a questão no ponto exato: como suportar a vida????
ui.