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segunda-feira, 4 de julho de 2011

ensaio 44

04/07/11, unirio, sala 602
dominique, marília, vítor, nina, fred, diogo e flávia.

PANO. Ao som de Antony and the Johnsons, Beyonce e Florence and the Machine.

Lutem para a não automatização do ato de pegar o lenço após a queda;
Assumir com o corpo a queda do pano, se ele cai, todos os corpos também zeram;
Se colocar num jogo em que não é possível deixar o lenço cair;
Oscilar escolhas (dar continuidade ao corpo do lenço, a seu movimento + endereçar o lenço a um outro);

JOGO DA RAIA.

Marília + Nina + Dominique + Vítor + Fred

o som da chuva lá fora não ajuda muito na conexão entre vocês. por isso, sugiro
“Rolling In The Deep” – Adele
”Who You Are” – Jessie J
”Let It Fall” – Lykke Li

TEXTO. Entendimento da Primeira Cena: Despedida do Ideal.

Vítor traz “as palavras devem vir só quando elas forem mais importantes que o silêncio”.

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domingo, 3 de julho de 2011

R E L A Ç Ã O_E S P A C I A L

A distância entre coisas no palco, especialmente (1) um corpo para outro; (2) um corpo (ou corpos) para um grupo de corpos; (3) o corpo para a arquitetura.

Qual é a gama total de possibilidades de distâncias entre coisas no palco? Que tipos de agrupamentos nos permitem ver com maior clareza uma imagem no palco? Quais agrupamentos sugerem um acontecimento ou emoção, expressam uma dinâmica? Tanto na vida real como no palco, nós tendemos a nos posicionar a dois ou três pés de distância de quem estamos conversando. Quando começamos a atentar para a possibilidade expressiva da Relação Espacial sobre o palco, começamos também a trabalhar com menos educação, porém, com distâncias mais dinâmicas de extrema aproximação ou extremo afastamento.

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Tradução de Diogo Liberano.

BOGART, Anne; LANDAU, Tina. The Viewpoints Book – A Pratical Guide to Viewpoints and Composition. New York: Theatre Communications Group, 2005, p. 11.

terça-feira, 21 de junho de 2011

ensaio 39

21/06/11, unirio, sala 505
diogo, dominique, fred, flávia, marília, nina e vítor.

FECHAMENTO DO CRONOGRAMA DE ENSAIOS.

TEXTO/PAPO DOSTOIEVSKIANO

Discussão sobre Personagens

RITA
se preocupa com a reunião dos amigos
chama atenção para a sua religiosidade
desejo de ter uma vida profissional
flerte com novas possibilidades para a sua vida (desejo de expansão)
mas suas expansões não ecoam, apesar de tentar
talvez porque esteja à espera da participação do outro
ela tem uma coisa muito simbiótica
capacidade de se magoar pela não-participação do outro
prática no sentido afetivo (se não for isso, o que justifica a amizade?)

ODILON
as palavras não escapolem da boca do Odilon, as palavras acontecem
só que existem coisas que rendem, que surgem do seu íntimo
humor embutido de ironia
ele não quer se deixar levar numa depressão
pensar na partida dele (logo após o enterro) e na volta (quase dois meses depois que partiu)
como ele chega? de frente aos amigos que “abandonou”?
sedutor, blasè, raiva
ele não fala a poesia, a poesia se faz depois em que o lê (e vê)
não ficar refém nem da dor nem da poesia

CECÍLIA
lista, algo muito obsessivo – surreal
denúncia da fraqueza dela, de sua dor
de se agarrar a nomes e catalogações
tudo dentro de um formato
para não perder
para não ter liberdade suficiente para doer
ela é automática, um pouco histérica
o fazer da lista talvez seja algo inconsciente
lógica um pouco mecânica da lista
trazer o bicho para que fiquem juntos com eles

ANDRÉIA
grosseria (não ser apenas isso)
ela tá tentando falar sobre o assunto
incômodo primeiro de estar ali sem compreender a situação (falta um)
as grosserias não visam calar
está vazando
a melhor amiga morreu
afetação instantânea!
resposta kinestética
kinesfera diferenciada para odilon

INÁCIO
humor e piadinhas (todos os amigos expressam a dor do sofrimento de uma maneira muito possível)
lugares possíveis de pessoas que sofrem a morte de uma amiga
aparentemente, ele não se revela
não quer enfrentar o dragão
ele escapole, foge para outro lugar
e ele foge pela piada, pela graça
mais reservado, não divide tudo
qual é o caráter dessas piadas?
lógica do videoclipe
inácio não ri (?!)
não tolerar o chororô
não expor, ao mesmo tempo, todo o seu histórico

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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Notas sobre a dramaturgia – Seis

CENA DOIS – MEDIDA DA TRAJETÓRIA

Quer dizer: como foi o caminho percorrido por cada um logo após a morte de Letícia? Mais que isso, essa cena deseja revelar ou problematizar como cada um respondeu a tudo aquilo que o mundo acenava em sua direção. Quer dizer: esses meninos receberam a medida do mundo ou quiseram impor ao mundo a sua medida? Ousaram viver o que vinha ou quiseram seguir impondo ao mundo alguma forma segura de respirar?

A medida da trajetória para todos eles foi outra. O peito avassalado saindo do corpo e se chocando. A cabeça indo longe. O desespero se espremendo e concentrando, fugindo e ganhando voz e tamanho. Tem gosto de desmedida. Metáfora possível de acontecer. É exagerado. Hiperbólico.

Ou seja: esta cena ambiciona nos dar o depois que ainda não sabemos. O depois que eles teriam vivido juntos. Essa cena quer dar aos amigos o oi que não veio, a sua chegada, depois de tanto tempo. Ao mesmo tempo, mostra como uns estão disponíveis para falar sobre isso e como outros não estão. A medida da trajetória no relato de Odilon nos serve para isso, para que se possa perceber como o caminho é capaz de ditar o tom de um corpo. Como a minha ira, pós-morte da Lilla, é capaz de ser dominada pelo desconhecido, pelo voo (para Paris).

Eles ali não percebem ainda (e talvez nunca venham a perceber), mas o reencontro ali em curso é outra trajetória que os convida a se desconhecer. Outra trajetória que a vida imprime sobre seus corpos e que talvez eles não tenham mais como se abster, sabem por quê? Porque o jogo ali empreendido diz respeito ao jogo em curso dentro do próprio íntimo. O jogo deles quer chegar numa forma de cavalgar o dragão. E, dentro de cada um, algo grita, pedindo reconhecimento e cuidado. Eles estão presos não porque foram trancados, mas porque não querem sair dali.

Porque ficar faz todo o sentido.

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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Notas sobre a dramaturgia - Cinco

PRÓLOGO – ESCRITA AUTOMÁTICA

Não se assenta sobre alguma lógica cognitiva reinante. Essa escrita acontece, independente de quem a ouve, independente se se entende e, sobretudo, independente de quem fala. Ela impera e é ainda mais veloz que o tempo. Supersônica. Só faz seu sentido quando a coisa toda já tiver sido derramada. Eu pensei esse nome para o prólogo por acreditar que durante boa parte do espetáculo só o que há são palavras. Eles falam muito. Eles falam, dizendo ser para entender, mas falam sobretudo porque nomear resolve o problema. Nomear, durante um dado tempo, serve para segurar o pavor e dar sentido ao que nos escapa.

É curioso como o Odilon, no meio da primeira cena, falará já estar faz tempo esperando ouvir o silêncio entre eles. Eles não param. Os textos se substituem, as falas são cortadas. As contrabarras não estão ali por outro motivo. Elas existem até no meio de uma fala\ Praticada por quem fala\ E se cala para falar outra coisa.

A Cecília não sofreu para dividir tudo. Ela fez isso para manter a própria mente desocupada. Não foi pra ter trabalho, ela listou tudo em ordem, coisa a coisa, com precisão nos detalhes, justamente porque isso liberaria sua mente para que não pensasse no fato. Naquele fato, que eles parecem mesmo querer passar longe (mesmo quando já tão pertos).

A Cecília não sabe nada do surrealismo. Eles não estão pensando nisso. Eles estão, cada qual a sua maneira, tentando dissipar aquilo que talvez já saibam não vai ter jeito. É um esforço para acreditar que talvez falando sobre a coisa seja possível resolvê-la. Mas não. Como diz Eduardo Pavlovsky em sua peça PASO DE DOS: as palavras nos servem para esquecer, muitas vezes falamos para apagar aquilo que havia crescido entre nós.

Eles vão falar até o corpo ranger e pedir pelo silêncio, pelo sufocamento e confissão das entranhas. Não vai durar muito tempo esse falatório. A garganta vai secar, Nina, porque a sua poesia é curta é grossa, mas é longa e cheia de amor.

CENA UM – DESPEDIDA DO IDEAL

Não ia ser tão simples assim, gente. Eles talvez soubessem. Mas talvez, realmente, tenham tentado disfarçar o problema. Eles não acharam que bastaria se reunir e dividir tudo para, enfim, a dor acabar. Eles fizeram isso, mas a dor não cessou. A nossa peça começa com a divisão já feita. O sofrimento, o trabalho todo, toda a prosa para dividir coisa a coisa – isso tudo já passou. Tarefa cumprida. O problema do qual eles falam é outro. A questão que fica diz respeito ao depois. Porque se o que estava faltando era dividir os pertences, como pode eles estarem ainda assim? Ansiosos? Como ficar satisfeito com o real se o real mesmo resolvido ainda grita, ainda dói, aprisiona e atormenta a mente e o corpo?

Deve ser porque era mentira. Então o que se resolveu não foi o real, mas alguma outra coisa disfarçada dele. Aquilo que eles chamavam de real era na verdade apenas uma idealidade. Um possível real que eles talvez gostassem de achar ser possível. Mas a coisa toda da Lilla faliu tudo isso. De um dia pro outro. A Lilla, querendo eles ou não, empacotou o real dos amigos (o mesmo dela) e entregou todo o mistério (a vida é mais complexa do que sabíamos, mas eu não quero ficar aqui, não tenho estômago pra isso – é aquilo que talvez ela tivesse dito aos amigos). O real que partiu não era tão real assim. Ao chocar seu corpo contra o piso de concreto, naquela manhã de domingo, Lilla rachou também o sentido. Tá tudo assim meio confuso. Como se o mundo descobrisse seu íntimo. A sua real realidade.

Ora, então, se o ideal deles se despediu (foi despedaçado), o que fazer com isso que parece ser real (e não é?)? As perguntas se amontoam e a realidade se revela perturbadora e desconhecida. Nem sempre tudo nela germina, nem sempre tudo nela se resolve, nem tudo precisa de contraponto ou rima pra seguir. A coisa no real – a eles, quase inédito – flui e vai sem freio. Ponto final. Pode ficar chocado, pode ficar puto, descrente cego amargo e meio ao meio: o real não precisa de você para seguir seu traço. Ele é tiro preciso e você é apenas caminho.

Portanto, nesta primeira cena o que está em jogo é tudo isso. É essa percepção aguda da realidade. Faliram-se os sonhos, as aquarelas ficaram sob a chuva e escorreram deixando apenas marcas de traços e saudade de cada cor. Gente, eles estão falando pra aliviar o horror. Mas isso não vai vingar. O horror é maior. O dragão dentro de cada um sente fome e é preciso entretê-lo. Eles não sabem disso, mas daqui a pouco os gestos ficarão maiores (para dar conta do íntimo ferido e aumentado).

Pensem em tudo isso. Mais do que decorar as falas (isso vocês já sabem), ousem pensar no porquê de cada fala escrita. Por que minha personagem fala isso e depois aquilo? Isso começa a dar a vocês alguma espessura desses personagens. Na próxima semana encontraremos as indagações dentro de cada fala.

Esse texto que escrevi agora é só para desenhar a vocês o percurso da dramaturgia. De onde ela parte e sobre qual terreno se cria. Vamos firmar isso para poder erguer o adiante.
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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Achado não é roubado

Hoje eu estive com o Bernardo. Falei com ele e ele não reconheceu nenhum dragão. Assim como a gente, também não entendeu a coisa do cordão encontrado atrás da porta. Enfim, perguntei se poderíamos ficar com ele e ele disse que sim.


sábado, 28 de maio de 2011

sobre VIEWPOINTS direto da fonte

Tradução expressa de Diogo Liberano (enquanto a sopa esfriava um pouco) das páginas nove e dez do livro THE VIEWPOINTS BOOK – A Pratical Guide to Viewpoints and Composition – de Anne Bogart e Tina Landau

PONTOS DE VISTA ESPACIAIS

FORMA

O contorno que o corpo (ou corpos) faz(em) no espaço. Toda FORMA pode ser dividida em FORMA com (1) linhas; (2) curvas; (3) uma combinação de linhas e curvas.

Portanto, no treinamento com Pontos de Vista, nós podemos criar FORMAS que são arredondadas, formas que são angulares e formas que são uma mistura dessas duas.

Somado a isso, uma FORMA também pode ser (1) sem movimento; (2) em movimento (pelo espaço).

Por último, FORMA pode ser feita por uma das três maneiras: (1) com o corpo no espaço; (2) com o corpo em relação com à arquitetura (criando FORMAS); (3) o corpo em relação com outros corpos (criando FORMAS).

GESTO

Um movimento envolvendo uma parte ou partes do corpo; GESTO é FORMA com início, meio e fim. GESTOS podem ser feitos com as mãos, os braços, a cabeça, a boca, os olhos, os pés, o estômago, ou qualquer outra parte ou combinação de partes que possam ser isoladas. O Ponto de Vista GESTO é dividido em:

1. GESTO COMPORTAMENTAL. Pertence ao concreto, ao mundo físico do comportamento humano da forma como observamos em nosso dia-a-dia. É o tipo de gesto que você vê num supermercado ou metrô: alguém riscando um papel, apontando, cheirando um alimento, cumprimentando outro alguém, fazendo uma saudação. Um GESTO COMPORTAMENTAL pode dar informações sobre o caráter, sobre uma época, saúde física, uma circunstância específica, clima, roupas, etc. Geralmente é definido pelo caráter de uma pessoa ou pela época e local nos quais ela vive. Também pode ter um pensamento ou intenção por trás. Um GESTO COMPORTAMENTAL pode ser dividido e trabalhado em GESTO PRIVADO e GESTO PÚBLICO, distinguidos por ações que são feitas quando sozinho ou quando sob atenção ou proximidade de outros.

2. GESTO EXPRESSIVO. Expressa um estado interior, uma emoção, um desejo, uma ideia ou valor. É abstrato e simbólico em vez de representativo. É universal e atemporal e não é algo que você veria alguém fazendo normalmente num mercado ou metrô. Por exemplo, um GESTO EXPRESSIVO deve ser expressivo de, ou capaz de veicular, emoções como “alegria”, “dor” ou “raiva”. Ou deve expressar a essência interior de Hamlet como um dado ator a sente. Ou, numa produção de Tchékhov, você pode criar e trabalhar com GESTOS EXPRESSIVOS do tempo ou para expressar “tempo”, “memória” ou “Moscou”.

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Podemos desbravar os próximos Pontos de Vista no decorrer do processo e sem dúvida, o faremos. No entanto, cabe uma breve pontuação: como o próprio nome diz, Pontos de Vista (ou Viewpoints), nada mais são do que formas de se olhar para um dado objeto, corpo ou situação. Ou seja, eu posso decidir olhar para o exercício da raia que vocês fizeram no ensaio de hoje e, mesmo sem ter pedido a vocês, decidir olhá-los pelo filtro da REPETIÇÃO (que é um dos PV). Assim, ao tomar consciência de que devo jogar com resposta kinestética, por exemplo, eu não tenho como privar meu corpo, talvez, de construir formas, gestos, andamentos, relações espaciais, arquiteturas e outros PV variados. A questão do PONTO DE VISTA está no olhar (e na consciência). Eu posso ver um determinado PV em qualquer situação, basta querer vê-lo. Para o ator em cena, ou em jogo, é possível desdobrar ações dentro de um campo específico (mas mesmo que ele se dedique apenas a jogar com FORMA, isso não me impedirá – como espectador – de ver gesto, resposta kinestética, duração, andamento, repetição… e por ai vai).

sábado, 23 de abril de 2011

ensaio 16

20/04, unirio, sala 301
diogo, flávia, fred, dominique, vítor, marília e nina.

verbetes. construção dessa ficção. sobre as personagens. sobre aceitar em si o diferente. sobre saber estar inseguro e mesmo assim operante. sobre somar para si o outro, aquilo que não somos, mas aquilo que por sermos atores temos todo a condição de ser. amar a diferença. não pré-julgar. não anteceder dentes. ir. agregar. somar.

ensaio daqueles que você começa via conversa e nunca mais consegue dali sair. porque era preciso conversar, entender e desbravar. aos meninos, peço que sigam adiante, sem medo de apostar no imprevisível.

no mais, é seguir.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

ensaio 09

04/04, unirio, sala 301
diogo, fred, nina, flávia, marília e dominique.

falta uma dupla – dominique e vítor - no aquecimento de uso que, por sua vez, me sugere a força do encontro. eu fico pensando que esse encontro intenso dos corpos, esse avançar sem fim da mão do outro sobre o meu corpo é um convite ao não esquecimento da potência que é ser tocado.

a dominique chegou pegando o pano. observem que quando o pano cai e todos param, a parada quer chamar atenção justamente para alguma fraqueza no diálogo entre vocês que permitiu a queda do pano. portanto, mais do que simplesmente parar, dar um tempo e voltar, pedimos que parem, se reconectem e voltem, novamente conectados.

viewpoints de repetição. exploração de cruzamentos, respostas com gestos direções e sentidos. movimento intenso e interessante. por que se repete? qual é a necessidade da repetição? dramaturgia da ação.

leitura de cena. sem o vítor. interessante descoberta de como diálogos diferentes acontecem intercalados. encontrar o interlocutor pelo corpo que sinaliza a quem se fala.

sobre personagens. montar arsenal de referências para pinçar deste arsenal possibilidades a serem propostas nas improvisações.

sobre o suicídio.

sobre a ficção, necessária para recriarmos a vida, para impor à vida a existência de algo que deveria ter acontecido. a ficção para instaurar, via poesia, a importância do encontro.

gente, uma aranha quase matou gerou. mas já tá tudo bem, graças a deus.

falamos sobre as nossas experiências com suicídio. perguntamos coisas. tocamos no horror.

quarta-feira, 30 de março de 2011

ensaio 07

30/03, unirio, sala 301
diogo, dominique, flávia, fred, marília, nina e vítor.

ao ler, corremos o risco de nos lançar pela janela tomado pela emoção da narrativa. mas não. lemos e da mesma forma que respondemos a isso, sabemos também dosar nossas intensidades. não morram pela narrativa. não se matem.

longo jogo com viewpoints. duração longa: como se manter inteiro? é uma negociação invisível. o treinamento com viewpoints parte de um lugar zero, digamos assim. eu não sei é ir para um lugar zero ou se é para estabelecermos um objetivo concreto. a coisa do ladrão, por exemplo. saber não ser rendido.

nós diretores precisamos aprender urgentemente a ler e controlar a nossa necessidade de escrever.

 

trabalho com as falas.

atenção à acentuação de algumas palavras. não é questão de não acentuar, mas de ter consciência de que se acentua. que provocação o outro trouxe ao ler a minha fala?

para dodô o fred consegue ser mais direto. é isso. é isso. é isso. precisão, menos pausa. menos sentindo e foi isso foi isso foi isso. para nina o seu texto ganhou uma casualidade ao ser falado pelo vítor. para o fred, ao ouvir a marília falando seu texto – rolou um ciúme primeiro – e em seguida uma emoção maior, tem uma poesia mais perto dela e que ele costuma não trazer; um brilho nos olhos… marília, ao ouvir nina falando seu texto, achou legal ver o distanciamento e também com certas frases tem uma palavra que ressaltou (“imagem” e “hora”) e que ela, marília, costumava não ressaltar. para o vítor, a dodô deu um tempero, controlando melhor a emoção com o ritmo. para ele, ela fez perceber que alguns lugares poderiam ser potentes ao se tirar coisas.

trabalhar o auto-abandono. testar essa outra acentuação. decorar o mesmo texto.

 

o dia do enterro – parte II.