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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Release

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Cinco jovens se reencontram no apartamento de uma amiga em comum, dois meses após o seu suicídio. Novo espetáculo do Teatro Inominável, a peça Como Cavalgar um Dragão, dramaturgia de Diogo Liberano criada em processo colaborativo, fala de uma geração em busca do acerto de contas com uma realidade contraditória. A estreia será no TEMPO_FESTIVAL das Artes, nos dias 17 e 18 de setembro, no Espaço SESC. Em outubro, a montagem estará em cartaz no Teatro Municipal Maria Clara Machado.

Graduado em Direção Teatral pela UFRJ, Diogo Liberano assina a direção ao lado de Flávia Naves, graduada em Artes Cênicas pela UNIRIO e formada como atriz pela Casa de Artes Laranjeiras – CAL. No elenco, estão os atores Dominique Arantes (Andréia), Fred Araújo (Inácio), Marília Misailidis (Rita), Nina Balbi (Cecília) e Vítor Peres (Odilon).

A aposta cenográfica, assinada por Rafael Medeiros e Fernanda Abreu, parte do mote inaugural do projeto, "atravessamentos", para compor o espaço de um apartamento onde as paredes são telas de pintura cruas que evidenciam o universo representacional do espetáculo e, que passam a ser atravessadas pelos atores na evolução da dramaturgia.

O Inominável investiga a produção de uma cena capaz de dar voz à inquietação característica dos tempos atuais. “A intenção é abordar esta geração que, frente a situações extremas como a morte, não se permite ser indiferente. Não se trata de obter respostas, mas de cruzar os extremos”, explicam os diretores.

Criado em 2008, o Teatro Inominável (Adassa Martins + Dan Marins + Diogo Liberano + Flávia Naves + Helena Cantidio + Natássia Vello) vem se destacando no cenário teatral do Rio de Janeiro. Seus dois primeiros espetáculos, realizados de forma independente, continuam em cena: “Não Dois” (2009) do texto argentino Paso de Dos de Eduardo Pavlovsky e “Vazio é o que não falta, Miranda” (2010) da obra Esperando Godot de Samuel Beckett.

Contemplado pelo Fundo de Apoio ao Teatro – FATE, da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, o espetáculo conta com a supervisão de Marina Vianna, atriz e co-autora do espetáculo/filme de Christiane Jatahy, “A Falta que nos move”, importante referência no processo.

SOBRE DIOGO LIBERANO

Graduado em Direção Teatral pela UFRJ, Diogo Liberano vem se destacado como dramaturgo e diretor teatral. Este ano foi selecionado para o Seminario Intensivo de Dramaturgos, promovido pelo Panorama Sur, em Buenos Aires. Como diretor, foi convidado pela Cia do Atores a co-dirigir, ao lado de Cesar Augusto e Susana Ribeiro, o espetáculo “Peças de Encaixar”. Diretor Artístico do Teatro Inominável, dirigiu “Não Dois” (2009) e “Vazio é o que não falta, Miranda” (2010).

SOBRE FLÁVIA NAVES

Graduada em Artes Cênicas pela UNIRIO e formada como atriz pela Casa de Artes Laranjeiras – CAL, nos últimos anos, Flávia Naves vem realizando assistência de direção de diretores como Ana Kfouri (“Senhora dos Afogados”) e Ivan Sugahara (nos espetáculos “A Estupidez”, “Tempo de Solidão” e “Sem Ana”). Também integrante do Teatro Inominável, como atriz, está em “Vazio é o que não falta, Miranda” e agora assume a direção do novo espetáculo da companhia ao lado de Diogo Liberano.

 

SERVIÇO “COMO CAVALGAR UM DRAGÃO”
Classificação etária: 14 anos
Duração: 75 minutos

Temporada no Teatro Municipal Maria Clara Machado
Estreia dia 11 de outubro
Até 7 de dezembro

Terças e quartas, às 21h
Teatro Maria Clara Machado (Planetário da Gávea)
Rua Padre Leonel Franca 240 – Gávea
Informações: (21) 2274-7722
Capacidade: 80 lugares
Bilheteria: terça-feira à quinta-feira a partir das 18h; sextas, sábados e domingos a partir das 15h. Sempre até 21h. Aos domingos até 20h.
Ingressos: R$20 (inteira) R$10 (meia)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Notas sobre a dramaturgia – Oito

faz tempo que não escrevo sobre a nossa dramaturgia. nessa semana, ouvi de marina vianna que nosso processo é o mais textocêntrico de todos. entrei numa crise (rápida, passageira, porém sincera e contundente). a pergunta não é que dramaturgia criamos, mas sim de que maneira chegamos até ela. tenho a clareza absoluta agora de que o nosso drama foi erguido a partir do papel escrito e não necessariamente a partir de ires e vires do corpo ao papel e vice-e-versa. nenhuma problema. o processo é movimento, é erro e tentativa.

não sei porque estou escrevendo isso. temos a nossa estreia dentro do TEMPO_FESTIVAL das Artes no próximo sábado e foi apenas no sábado passado que eu terminei de escrever o texto. de sábado passado (início de setembro, mais precisamente no dia três) até hoje, quinta, muito texto já foi mexido e reescrito. eu, aliás, estou na cozinha da minha casa, tomando um café, enquanto me preparo para reescrever um trecho que espero ser o último até nossa estreia.

mentira. a dramaturgia é e sempre foi movediça. a cena quer entrar e quer se fazer escrita. se foi um processo textocêntrico? talvez por in_experiência, talvez por amadorismo = aquela febra dos que amam com cuidado e excesso de zelo. nenhum problema. respiro. o que ponho aqui escrito é relato sincero e preciso. estamos em tempo. os corpos se movem mais do que nunca ansiosos pelo encontro com o abismo.

chega de poesia. o final da peça escrito. PRÓLOGO (escrita automática) + CENA UM (despedida do ideal) + CENA DOIS (medida da trajetória) + CENA TRÊS (esse mau estar) + CENA QUATRO (rir das marcas) + CENA CINCO (desconhecer-se) + CENA SEIS (não nomear) + EPÍLOGO (profanare). os nomes sempre sintetizando aquilo que depois eu tento expressar por falas, discursos, personagens conflitos e cruzamentos.

enfim, eu queria dizer que eu não sei. que o texto chegou ao fim mas é desde já, desde sempre, coisa morta. que é bom, bonito e seguro. mas que precisa dos corpos, das investidas, das desmedidas, sim, sobretudo das desmedidas. o texto precisa trepidar, ser alvo dos soluços e dos respirares. eu tô tão óbvio. não importa. quis apenas vir até aqui e constatar: o quanto produzimos. o quanto ainda falta para concretizar.

vamos?

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sábado, 20 de agosto de 2011

passadão

PRÓLOGO – 12h24

um doce início, nina. foi preciso.

é também preciso o tempo de relação (em silêncio) com andréia e seu corpo.

dois quadros andréia sai lenta e cecília gagueja dois quadros o do cavalo e o da menina: ótimo receio de perder, da falta.

dominique talvez possa se afetar bem pouquinho aos toques, com um ligeiro sorriso, ligeiro tremer, arrepio.

o que falta é só o corpo dela, a presença continua, volátil.

a lista de inácio inaugura um tempo outro.

inácio chega de costas. lento, cecília o toca.

é bom isso fred de enquanto estiver sendo tocado estar olhando o vazio do espaço.

a lista do odilon começa com inácio saindo, talvez por isso certa irritação, também precisa, nina.

alguém lembra o nome do perfume, aquele sem rótulo que a letícia usava pouco?

rita entra meio sorridente, brincando com os gestos de cecíla – elas se encontram.

rita – cecília tem o rosto da amiga nas mãos.

CENA UM – 12h33

ótimo, fred, gastando o jogo nas falas que podem explodir ainda mais a situação.

ótimo, nina, usar o jogo na fala da lista.

gosto da rita quase estática reagindo com as mãos.

ótimo, ótimo, ótimo, maravilhoso! diz cecília sobre andréia sair da divisão.

rita sai, odilon entra.

a colisão entre odila e andréia não funciona. vocês ou colidem ou abandonam a ideia.

odilon gasta um bom tempo observando a chatice

interessante a entrada de rita e andréia, com sorriso no rosto, andréia só tá cansada desse papo

isso faz a implicância com o odilon ficar mais clara

o gaguejar é ótimo, dô, isso é o que você tá querendo…

bom o lilla, lilla, piada de mau gosto

boa a discussão de relação

pombinho odilon pombinho andréia

boa a briga!

cecília cheira o lenço

a recepção ao lenço que chega ainda não rola

bom demais o A GENTE TERMINOU de andréia e odilon

mto boa discussão entre andréia e odilon sobre a tela

rita no chão

CENA DOIS

ótimo, odila

bom os comentários de odilon, RESTAURANTE

ótimo diálogo odilon andréia

BEIJO NA BOCA, ela também beijou na boca se é isso que tá faltando

discussão dvd tem que dosar, mas rola

bom o jogo, rita, de interferência no papo odilon-inácio

boa, nina, as repetições como a grossa, como a grossa, isso não te diz nada, que grande resolução a sua, perfeito, brilhante

CENA TRÊS – 12h57

fred, boa evolução no ganhar

boa, dô – desde o início soltar o horror e a raiva por ser colocada nesse lugar

bom o porquinho, a progressão da epifania > acho q é preciso transbordar

papo truncado a mini-discussão tira a mão da minha frente é ótimo

ótimo > aceleração eu não tenho obrigação nenhuma

não é exclusividade/é sim/não é…

boa, vítor, a repetição que que vc fez com a lilla

ótimo, dô, a aproximação com andréia e a fala de andréia silenciosa para, tentando afastá-lo

simultaneidade das reação inácio cecília e rita <<

boa, rita, precisa sim!!! boa argumentação!!! te ligou, pediu um beijo, despedida!

TODO MUNDO AQUI SABE QUE A LETÍCIA TINHA MANIA DE DAR BEIJO

andréia, se afetar com a confissão da despedida de andréia

UM BRINDE >>> BOA! DÁ O START PRA TUDO

FALA ANDRÉIA

cadê a afetação dos amigos?

boa, cecília, segurar rita

rita sai, odilon sai, rita volta odilon fica lá dentro

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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

ensaio 73

16/08:11, unirio, sala 604
vítor, dominique, fred, marília, flávia e diogo

nina não pôde vir. eu cheguei um pouco atrasado. eles estão jogando o PANO. em seguida, trabalharemos pedaços do primeiro ato = prólogo + cena um + cena dois + cena três. o pano hoje é laranja. diferente. tem um peso outro.

trabalhos em separado:

MARÍLIA E SEU PEQUENO SOLILÓQUIO
DIÁLOGOS ODILON + ANDRÉIA
FALAS SOLTAS DA ANDRÉIA
EMBATE ODILON + INÁCIO
SOLILÓQUIO ODILON
FINAL CENA 3 COM RITA E INÁCIO

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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Prescrição

Um atravessar deixa uma marca. Os amigos entram no apartamento da amiga Letícia com um objetivo: dividir os pertences dela.
Terminada essa etapa eles podem seguir, sim, podem, cada um pra sua casa carregando consigo os objetos escolhidos. Mas....
Não saem, não se vão. Ao cumprirem a tarefa solicitada algo ficou insuficiente, mas afinal, "o que é isso que nos tomou de assalto e que está nos engolindo? Porque estamos nos ferindo, nos agredindo quando poderíamos nos amar, nos tocar, nos tranqüilizar, nos entender?”
Quando a incompreensão do que está se passando ali dentro adquire a sua forma mais extrema e agressiva um dos amigos anuncia o ato radical que acabara de fazer: “eu acabei de trancar a porta e engolir a chave desse apartamento”.
Está feito.
Agora eles estão unidos sem possibilidade de dispersão, agora eles terão que se agüentar até que reúnam forças suficientes para abrir a porta e seguir, eles ali trancados exigindo do tempo uma pausa, uma parada, exigindo da vida um descanso, uma trégua, para que se compreenda minimamente onde cada um está dentro dessa história e onde cada um irá depois dessa narrativa. Eles precisam desse assentar, desse calar da boca e fechar da porta para que possam se olhar novamente depois do fato que inevitavelmente modificou rostos e nele desenhou traços. É impossível passar por um atravessamento sem ter o corpo por ele marcado.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

68

Um dia de descanso e estamos de volta à sala de ensaio e agora ainda mais cedo: 08:00 horas da manhã.

Voltamos recheados dos comentários sobre o nosso processo. Sim, o que aconteceu no Tempo Festival causou e causará muitos estragos, no melhor dos sentidos. Não posso deixar de dizer que a sensação de compartilhar aquilo que com tanto cuidado fizemos nascer é das melhores possíveis.
Ainda hoje uma amiga me parou no corredor da Unirio com vontade de falar. Ela queria compartilhar comigo e com Diogo o que tinha achado do nosso processo, e ela veio se aproximando com brilho nos olhos, o brilho de quem quer trocar, de quem quer dizer pra se aproximar, pra construir junto aquilo que só tem sentido se junto estivermos. Nunca antes experimentei a sensação da troca de forma tão verdadeira. Eis que então reconheço a potência própria do teatro e me alegro por estar envolvida nesse bonito trabalho.

De volta à sala de ensaio: deixemos os meninos respirar, indaga o Diogo. Vamos ver no que vai dar. Assim começou nosso ensaio de hoje, Marília, Dominique, Frederico, Vítor e Nina refazendo prólogo, cena 1, cena 2 e cena 3 soltos pelo espaço, abandonando marcas e profanando indicações. O que disso aproveitaremos ainda é obscuro, mas já é possível compreender como é forte e potente quando o jogo acontece com o corpo e não só com a palavra. Sim, o corpo, por favor. Mesmo que errado, torto, estremecido, embaraçado, mesmo que pesado, ruidoso e envergonhado, o corpo quer participar da brincadeira, quer chegar junto, quer mostrar a que veio. E vocês atores voltaram a lembrar os gestos e resgataram os jogos que havíamos abandonado e só agora percebo o quanto minhas intuições estavam certas: eu no fundo sabia que as coisas abandonadas nunca foram esquecidas.
Obrigada pelo prólogo de hoje Nina, Fred, Vítor, Marília e Dominique.

Após cena 3, improviso da cena 4. a primeira fala após tantos minutos de silêncio anuncia o grau de destruição que virá a seguir, destruição tal como a traça faminta devorando um velho livro: corrói as palavras gastas, desenhando um novo caminho.

E logo em seguida, Odilon e Andréia. Parece bobo da minha parte mas tenho torcido por você Odilon, estou quase vestindo a camisa do seu time: aqui não tem corno nem frouxo! estou quase lá...quero ver se você me convence amanhã...

Cecília e Rita entram logo depois disso, Cecília hoje quase chora falando com a Rita, é Cecília, nem tudo precisa ser dito em palavras...

Todos em cena, trocam as roupas. Odilon com diadema na cabeça, Inácio com a sandália de salto da Andréia, Andréia descalça e com aquele short não precisa de mais nada pra parecer um menininho, eles trocam as identidades, agora é Letícia quem vem chegando, Odilon é a "Lilla que traga". Letícia fumava um cigarro atrás do outro, alguém diz, ela tinha uma tatuagem no braço, uma pinta, um outro corrige, uma pinta no pescoço, não, a pinta era na coxa, era preta? era marrom. cheia de pêlos. Ela nunca tirou aquela pinta, era a marca dela, alguém dizia.

A Letícia tinha voz rouca, no tom mais grave
Gostava de mascar trident de canela e halls maça verde
Ela dizia: tô ótima Brasil!
Meio Débora Falabella. Não, meio aquela namorada do Homem Aranha.
Ela tinha olhos verdes, cabelo louro acinzentado
A coisa mais bonita da Letícia eram suas mãos. Não, era a generosidade. Ah! conta outra.
Letícia era antipática. Só no primeiro momento. É, só no primeiro e no segundo e no terceiro, quem sabe no sétimo...
Ela chamava o pai de Jorge.
Extremista.
Arrotava.
Quando não escutava as pessoas dizia assim: o que? que foi? o que?
Violeta sua cor preferida.
Ela xingava, xingamentos direcionados: vai-tomar-no-seu-cú.
Lembra da risada? e do cheiro? e do choro? e de como ela dançava...

domingo, 7 de agosto de 2011

um primeiro momento

é chegado um momento. mais um momento especial neste rol de pequenos grandes acontecimentos. ontem, sábado, tivemos um ensaio com alguns amigos convidados. pela primeira vez ouvimos o que quem nos assiste está achando de tudo isso. foi tão bom, tão preciso. queremos fazer isso mais vezes, discutir, ouvir, dialogar, sugerir e perceber como a nossa ficção aporta em cada um que frente a ela se coloca.

hoje no primeiro tempo_festival das artes [http://tempofestival.com.br/programacao/?ano=2011&mes=8&dia=7&evento=53] estaremos fazendo o mesmo. de novo e mais uma vez estaremos nos abrindo o corpo e o peito para que todo e qualquer um nos diga onde foi que bateu. onde é que a coisa engasga ou flui tranquilamente. são medidas tão mutáveis. cada corpo recebe um dado de determinada maneira. não pretendemos ter esse controle, mas nossas escolhas serão feitas também a partir de tudo isso.

esta postagem é um desejo de dar os devidos parabéns a vocês, meninos do elenco. aos cinco. um parabéns pelo amadurecimento. e mais que isso: é também um chamar de atenção: para que não descansem. ainda não. estamos começando a construir o fim de nosso espetáculo. tudo em vocês precisa e deve ainda se manter inconformado, não-resolvido, à flor da pele... irritado! e por ai vamos...

o mais lindo, para mim, num processo de criação de um novo espetáculo é quando a peça (que ainda não temos) começa a se abrir, aos poucos, dia-a-dia. quando ela começa a se mostrar e a dizer o que gosta de fazer, ouvir e/ou comer. é quando percebemos que de tantas pessoalidades envolvidas na criação deste projeto, ele agora implora por liberdade, implora por nascimento. é o momento mais lindo esse que estamos passando. e digo mais, nada inédito, ele passa. daqui a pouco ficaram os registros no blog, os registros imateriais de nossas memórias.

mas por enquanto, vamos viver cada segundo com sua devida importância. é tão bom estar junto que a cecília chegou a nos dizer numa dada improvisação: é que depois da morte da Lilla eu percebi como é um desperdício não ter um melhor amigo.

estamos juntos. e o que temos em mãos: é lindo.

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sexta-feira, 22 de julho de 2011

ensaio 57

22/07/11, unirio, sala 604
diogo, vítor, fred, marília, nina e dominique

aquecimento de uso. muitos sorrisos. intensidade. depois, pelo espaço, andamentos cada vez mais mais. abaixar/erguer/seguir andando. empunhar a espada (sem comandos). tudo bem com vocês? a coisa toda coloca o corpo num lugar que eu nem sei.

figurino. aquecimento vocal (precisamos adequar o aquecimento ao trabalho de 08h30 às 09h, talvez de 08h30 às 09h15. isso é essencial para os próximos encontros.

trabalho com cenas. primeiro no papel: cortes. depois na cena: prólogo, cena um e cena dois.

prólogo: as entradas e saídas estão mais claras. o lugar conquistado para o inácio é determinante. nada excede ou extravaza. ele entra por conta do all star. apenas. não se entende a princípio, mas tudo bem, alguns minutos depois será perfeitamente compreendido. a entrada de rita talvez deva sugerir algo mais com o lenço. era da lilla? ela brinca, joga o lenço, pede à cecília, cecília responde a ela e ela sai? dramaturgia. a(u)tor. pensar nessas proposições e seguir testando. vítor ganhando o jogo com a nina. será que ele é grosso com cecília? será que ele é bruto? mas mesmo que ele seja, por quê? por que ele seria e o que isso desbrava nela? há uma grande importância nesse estresse. tenho a sensação de que odilon deva abrir demais a questão para vermos cecília se resguardar no seu esconderijom forjado (mp3 player). andréia é precisa na impaciência (não se acostumar a ela, seguir impaciente, abandonar a coleira no chão mas permanecer ereta, atenta na lista). saídas e entradas devem ser precisas e diretas. para a próxima semana, vamos investigar quais entradas e quais saídas a cecília se permite responder e/ou perceber. 

cena um: batidão total. entrar e sair. posso ouvir o som das portas se abrindo e batendo, quase nunca sendo fechadas. não segurem o texto. vamos segurar quando for preciso, mas quase nunca é preciso nessa cena. emburacar no drama das personagens. vocês estão cada vez mais pertos dele. vocês estão descobrindo como é doce e cruel brincar de ser o outro. sigam brincando. tá ficando lindo vendo a dor deles se discernindo em vocês. menos por querer e intencionar e mais pelo jogo. pelo simples jogar. repitam o texto, repitam até encaixar, até o corpo de vocês estremecer e pedir pelo corte. ele virá. as coisas se esquentam nessa cena mas são redirecionadas. o mau-estar do quadro trazido por cecília é abrandado com a dança do inácio com o quadro. boa proposição fred, sutil e esmagadora. revela um inácio que não conhecíamos, mas que pode existir tranquilo. inácio diz que não veio pra chorar porque está louco pra desabar, só por isso. olha como ficamos mais forte quando não sublinhamos sempre o que é dito.

CORTE SECO, odilon vira para nós, espectadores, e conta o seu trajeto após o dia do enterro. tem que sabê-lo de frente pra trás e de trás pra frente. caso contrário, não dá pra jogar com você. e é preciso jogar muito esse texto. vamos fazer isso juntos: decorando primeiro.

cena dois: apostei com vocês numa quebra que não visa estender a cena anterior. apesar de muitas propostas interessantes (quase um montar da sala, com objetos, quadro na parede...) acho importante sabermos cortar para facilitar a chegada de novos estados. é bruta essa virada, acho que não devemos intencionar costurar cena um na dois. temos um intermezzo, que é o texto do odilon.

boa chegada dos meninos. dodô, como lidar com a fala do sucessinho? como torná-la possível e natural? isso é preciso. apostar na simultaneidade, sem medo, sem hesitação. vocês fizeram um bom trabalho hoje, seguir, porque pode ser que lá na frente seremos simultâneos e completamente intercalados, dando ao público uma experiência intensa de simultaneidade arranjada. a cena dois se configurou como um pré-buraco (que é a cena três).

hoje mexerei na dramaturgia e envio. mas, saibam, independente do meu envio ou não, decorem o que vocês têm. estudem. estudem. no final da próxima semana teremos cenas novas, ou seja, quanto mais estudarem o que temos melhor.

sobre a cena dois, enfim: boa a progressão. percebemos como é preciso se afetar com aquilo que afeta o outro. em que lugar cada coisa bate em cada um. bom trabalho, marília e dodô, pela força com que vocês estão ganhando o texto e deixando por meio deles vazar a dor dessas personagens. bom trabalho, mesmo. nina, vítor e fred: seguir na construção dessa afetação. odilon perdido entre o horror que ele achou que soubesse qual era, mas que se atualiza na sua frente e deixa ele meio sem ar. odilon entre andréia e a situação da lilla. inácio roubado de si pelo horror dos amigos. meio atônito, sem fazer força, apenas pela entrega simples de ouvir o que é dito. cecília sem saber como se diz isso tudo. sentindo, se perfurando, mas não sabendo como se diz tudo aquilo.

andréia fala - que bom que você resolveu explicar. porque toda vez que você abre a boca a gente entende tudo, menos isso.

percepção aguda de que o ritmo influencia tudo. caramba, não chora, deixa ela chorar, eu não tô chorando, tá sim que eu tô vendo, rita você tá maldosa, não chora, deixa ela chorar... DEIXA ELA CHORAR (por que cecília insiste tanto nisso?). é normal se sentir culpada.

a cena três emerge no meio da sala.

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quinta-feira, 21 de julho de 2011

ensaio 55


20/07/11, unirio, sala lucília peres
diogo, flávia, dominique, nina, marília, fred e vítor.

começamos atrasados, bastante atrasados. o ensaio hoje foi de tarde e isso altera tudo. em breve voltaremos ao horário habitual. alongar, aquecer a voz (sempre). acreditar na periodicidade (não somente do trabalho com as cenas), mas também na periodicidade e rigor com o próprio corpo.

ouvimos caetano enquanto jogavam o pano. depois, voltamos a brincar de empunhar a espada, porém, dessa vez, foi pedido que os meninos encontrassem um momento juntos - sem combinação - para atacar. foi muito interessante. depois, flávia sugeriu que eles substituíssem o estocar das espadas imaginárias por abraços. outra composição que rendeu imagens muito interessantes.

figurinos colocados. aquecimento de voz feito. conversas soltas sobre as primeiras cenas. solicitações aos atores para não perdermos aquilo que é preciso ficar. fizemos um trabalho mais focado no prólogo, dizendo quem entra e em qual momento. por mais que não tenhamos marcado, nos próximo dias será a partir dessa estrutura que fixaremos o restante.

fizemos duas passadas da cena um, independente do prólogo. os meninos encontraram coisas ótimas, lugares até então não desbravados. o "abrir e fechar" das portas cria uma movimentação para a cena que não estamos conseguindo abandonar. está interessante. esses fluxos que não cessam, mas tão somente se coloquem, se impõem.

descobertas da nina quanto ao prólogo, no sentido de como lançar para o corpo uma ação, gesto ou forma de dar o texto que faz o corpo dizer ainda mais, de forma mais sincera e sensível. ela grita com o inácio e nisso a lágrima vem vindo.

tiramos algumas fotos do ensaio para usarmos na divulgação do 1º tempo_festival das artes.

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ensaio 54


19/07/11, unirio, sala 604
diogo, flávia, dominique, nina, marília, fred, vítor, rodrigo marçal e verônica machado.

PANO.
RUN.
PANO.
RAIA. Vítor + Dominique + Fred + Nina + Marília = OAICR (ao som de MONSTER OST).

dois pulos
duas andadas lentas adiante
duas andadas para trás
dois pulos
duas sentadas
duas andadas lentas para trás
uma deitada e uma levantada
uma levantada e uma deitada
quatro caminhadas lentas para trás
duas caminhadas lentas para trás
uma paragem entre todos
dois deitados, três em pé, todos parados
uma sentada, outros quatro andando
os cinco andando
uma corrida de costas
dois pulos leves
duas viradas juntas para frente

A UNIÃO ACONTECE QUER SUAS PARTES QUEIRAM OU NÃO.

TRABALHO COM CENAS. Prólogo + Cena Um.

Tivemos uma excelente conversa com o Cabelo. E Dominique e Fred trabalharam cada qual cerca de 30 minutos ou mais com a nossa preparadora vocal. Aos poucos, todos os atores começam a ganhar uma listinha de exercícios vocais.

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ensaio 53


18/07/11, unirio, sala 604
diogo, flávia, dominique, nina, marília, fred e vítor.

comemoramos o aniversário de vítor comendo bolo de chocolate diet e bebendo café. ele fez 24 anos no domingo, no mesmo dia que a nossa personagem lilla faleceu. responsa. rs,

AQUECIMENTO. Ao som de Jorge Dexler, trazido pela Marília.

PANO. Ao som de Muse, Linkin Park, The Strokes, Akon, Camille...

RUN, FOREST, RUN. Como correr no escuro? Como confiar no outro e não apenas em si mesmo?

RAIA. Marília + Vítor + Nina + Dominique + Fred = ROCAI. Ao som da trilha sonora - excepcional - do filme MONSTER ("Ferris Wheel").
Uma borboleta branca invadiu o espaço de ensaio, mas as janelas estão aberas caso ela queira sair. Ela entra e sai. Eles neste jogo permanecem oscilando durações, andamentos, rompendo limites e promovendo o encontro.

TRABALHO COM CENAS. Prólogo + Cena Um. Propostas a serem levadas nos ensaios seguintes, verticalizadas, emburacadas...

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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Hoje vai ser outro dia

No ensaio de hoje inauguramos um lugar que nos acompanhará até a nossa estréia: Apontamentos precisos, apostas feitas, emburacamento naquilo que acreditamos e os atores sempre autores, nos surpreendendo na magia da criação.

nossas apostas:

DA AUSÊNCIA E DA PRESENÇA
um corpo que se ausenta e afeta a presença de um outro;
a presença de um corpo (ou corpos) que presentificam a ausência de um outro;
a presença de uma voz ausente de seu corpo;
a presença de um corpo que se quer fazer ausente;
a ausência de uma voz em um corpo tão presente (que se quer fazer presente pela ausência dessa voz...);

COLISÕES
corpos que se chocam, que se cruzam, que se afetam, corpos que ferem, olhares que coincidem, gestos que se atritam, falas sobrepostas,

PARAGENS
interrupção. falha no funcionamento. TILTI. breque.

FLUXOS
continuidade, extravazamento, andança, baratas tontas, run Forest run! Corra Lola corra, não para não para não para não! A FESTA NÃO PODE PARAR, seguir em frente, tentativa de fuga, de libertação, tentativa de dizer, de mostrar, de juntar e desfazer, de aglomerar e dispersar. puro movimento.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

ensaio 48

08/07/11, unirio, sala 602
fred, nina, marília, dominique, vítor, flávia, diogo, marina vianna, rodrigo marçal, júlia marini, rafael medeiros, philippe baptiste, fernanda abreu e tamires nascimento.

TEXTO. flávia propôs um trabalho com o texto, apontando momentos específicos, falas específicas. ao mesmo tempo, confesso, eu estou aqui escrevendo esse relatório, vendo o ensaio e também com as mãos e olhos cravadas na dramaturgia, que brotou hoje com uma ideia reveladora e (…)

PANO. com todos nós. ao som de beyoncé, the strokes, rihanna, damien rice e hot chip.

ESPADA. empunhar e neutralizar.

FRAGMENTOS PARA POSSÍVEIS LINGUAGENS

hoje o figurino está mais colorido. mais diverso.

eu. ótimo. falar pra si mesma.

rita enche a sala de objetos. genial. como criar calor?

nina afirma as coisas ao invés de perguntar perplexa. isso é curioso e estranho.

rita e odilon conversam enquanto os três quebram o pau.

rita ping-pong entre odilon e andréia,

patada nos meus amigos

ótimo jogo > usar mais nomes quebrando as falas

ouviu, inácio? diz odilon no meio de sua fala

cecília joga a pelúcia com descuido ao chão

odilon – então eles apareceram.

 

Os meninos realizaram apostas muito interessantes durante o improviso a partir do prólogo, cena um e cena dois. Foram dados os seguintes direcionamentos:

PRÓLOGO

cecília em cena

rita precisa realizar seis entradas e cinco saídas

odilon e andréia entram quantas vezes quiserem, mas é preciso deixar claro que suas entradas e saídas tem alguma relação

inácio não entra no prólogo

cecília pode investir num arroubo da dramaturgia já escrita

cecília deve se afetar com as entradas e saídas

CENA UM

inácio entra com a sua primeira fala, na cena um

investimento num naturalismo da cena, num lugar de ação e comportamento verossímel a nossa lida diária

investimento no discurso do corpo (ações paralelas, intimidades, gestos, toques, encontros > maneiras distintas de se escrever algo que não seja pelo uso do texto, mas sim do corpo)

investimento no andamento da cena, num jogo propositivo e intencional dos gráficos (ora mais rápido, ora num tempo mediano, ora mais devagar > variações)

CENA DOIS

investir na sequência dos acontecimentos, já que a cena não está decorada de maneira muito firme

cada personagem deve estar olhando para um dos outros quatro, sem o olhar, o olhar de todos se visitando o tempo inteiro

“RESULTADO”:

uma improvisação viva
tanto pela imprevisibilidade e jogo na solução dos “problemas”
tanto pelo domínio – cada vez maior – da cena um (a mais trabalhada até agora)
descobertas
muitas descobertas
e um corpo que de fato se permite ser afetado
um corpo capaz de afetar
de surpreender
(em todos vocês).

decorar segunda cena para segunda.

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quinta-feira, 7 de julho de 2011

ensaio 47

07/07/11, unirio, sala 301
diogo, marília, dominique, fred, vítor, flávia, nina, verônica machado e tamires nascimento.

LONGA CONVERSA DE UMA HORA E CATORZE MINUTOS.

PANO. com diogo e flávia.

PRIMEIRA CENA.

posições no espaço;

nas quatro cadeiras;

composição:

UMA PROPOSTA DE ESPAÇO
UMA PROPOSTA DE FIGURINO
DUAS PROPOSTAS DE ANDAMENTOS DIFERENTES PARA O TEXTO
UMA IMAGEM ESTÁTICA
UMA REVELAÇÃO
UMA LÁGRIMA
UMA RISADA
UMA REPETIÇÃO DO TEXTO
UM ESTRANHAMENTO COLETIVO

descrição da composição:

os meninos chegam bem vestidos. parece fazer frio onde estão. todos usam sapatos. e isso faz toda a diferença. as roupas são de cores fechadas, mas compostas. há sobreposições, cintos, cachecóis, camisas sobrepostas, meias expostas. no entanto, alguns pontos muito miúdos de cor super aparecem. por exemplo: um copo plástico vermelho que passa, sutilmente, de mão em mão (sem a obrigação de passar por todos). a mochila azul que a cecília usa. o detalhe da marca opção – vermelho – na calça de odilon. as cores todas aparecem muito quando não há cor no geral. eles se espremem dentro de um recorte retangular e pequeno feio com uma marca de uma fita crepe hoje já extinta. eles se movem sem sentido. eles se perfuram e atravessam, eles não conseguem ficar parados. mas ficam. mas voltam a se mover. apostas interessantes que dão ao texto outros significados. exemplo: na hora em que traz a pelúcia, cecília tira sua camisa e fica de sutiã. colocando a camisa estendida no chão. os meninos então saem de dentro da fita crepe e agora a área por ela demarcada vira justamente o espaço no qual eles não entram. é interessante o uso do andamento e da repetição. pequenas repetições de trechos grandes ou apenas um frase provocam de imediato uma intensificação da coisa dita. é também muito interessante o texto sendo derramado, literalmente, sem preocupação de que o sentido acompanhe o sair de toda a fala. não importa. num dado momento, é nítida a aposta num andamento mais lento, como se as palavras custassem a sair, eu poderia dizer como se fosse duro e penoso falar do que está sendo falado. mas eu não me lembro o que foi falado, apesar de conservar a sensação de estarem os cinco andando sobre cacos de vidro. lembro da bota da cecília pisando lenta no chão. os limites de crepe sendo confrontados. sobretudo, me lembro de quanta coisa além-texto foi expressada quando se percebe que há outros meios de expressão que não somente a fala. é o corpo, o olhar, o gesto, a expressão facial. eles têm intimidade e a intimidade escorre por todo o lugar. ser íntimo é ser invisível. em virtude do jogo, do se colocar em experiência, o texto por vezes se atualiza e isso é fundamental. falas mais ágeis por vezes funcionam melhor. frases mais lentas, só quando intencionalmente desenhadas dentro de uma proposta (pouco individual) mais coletiva também funcionam. experiência. excelente aproveitamento da composição para libertação dentro do texto. quando mais ele estiver firme e entendido, mas poderosa será a sua transformação, as alterações de tempo e intenção.

PREPARAÇÃO VOCAL. com verônica machado.

ganho de peso. densidade. dor. em todas as vozes.

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quarta-feira, 6 de julho de 2011

ensaio 46

06/07, unirio, sala 602
diogo, flávia, vítor, marília, dominique, nina e fred

CAFÉ.

com muitas frutas (banana, maça, carambola, biscoitos e talz).

TEXTO.

os meninos passaram o texto uma vez, tentando não colar. é chegada a hora!

PANO. ao som de THE KILLERS e MUMFORD AND SONS e ARCTIC MONKEYS.

com as indicações realizadas no ensaio 44. o jogo mudou completamente. nunca ouvi tanto barulho de respiração, nunca os pés falaram tão alto. ao mesmo tempo – PARADOXO – o pano caiu bastante e a queda dos corpos foi na maioria das vezes relutante. o erguer-se de novo é impactante. cabe jogar a coisa como ela é. se sabemos a regra: pronto. não há motivos para driblar nada.

outra alquimia. a flávia indica que vocês podem ficar mais tempo com o pano nas mãos antes de passar para o outro. e então vemos um ballet acontecer. o pano envolve os rostos e as partes dos corpos. muitas quedas de pano nos momentos mais inacreditavelmente idiotas. rs.

profanação horrorosa. sorriso da marília. o sutiã da nina. os meninos jogando futebol. e a dominique arrumando a calça; enquanto eu e flávia, aqui de dentro-fora, estudamos a relação espacial.

louco. porque o jogo do pano sem o pano me faz pensar onde haveria o pano nas situações mais simples da vida?

o dia até deixou o sol sair.

Jessie J – WHO YOU ARE

CENA.

artificialidade. maneiras distintas de se expressar o conteúdo da cena. o que é importante deixar explícito a partir do texto da cena um – despedida do ideal?

fizemos algumas passadas no espaço, com indicações precisas sobre espaço e com indicações que não se detinham ao espaço, mas sim à velocidade do texto, ao andamento.

confesso: saio deste ensaio convicto de que o tempo da experiência posta em cena é UM para as personagens, para a ficção, e OUTRO para eu, espectador, que assiste a tudo isso. precisamos editar essa obra.

bom ensaio!

terça-feira, 5 de julho de 2011

ensaio 45

05/07/11, unirio, sala 200
diogo, vítor, flávia e nina

primeira parte do ensaio > trabalho com vítor sobre o fluxo textual que abre a segunda cena, medida da trajetória (criação de entendimento específico da personagem e do ator – não cabe escrever aqui; relato, depoimento, fala simples e precisa; não intencionar a emoção, mas se deixar ser passagem; correções na dramaturgia);

segunda parte do ensaio >> trabalho com nina sobre o prólogo (decupagem do texto, entendimento da lista e dos discursos diferenciados que compõem o todo; exploração espacial como mote para a escritura da cena; arquitetura; ideias para abertura do espetáculo; gráfico e musicalidade; estudo para casa; correções na dramaturgia).

trabalho é o que não falta, meninos.

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segunda-feira, 4 de julho de 2011

ensaio 44

04/07/11, unirio, sala 602
dominique, marília, vítor, nina, fred, diogo e flávia.

PANO. Ao som de Antony and the Johnsons, Beyonce e Florence and the Machine.

Lutem para a não automatização do ato de pegar o lenço após a queda;
Assumir com o corpo a queda do pano, se ele cai, todos os corpos também zeram;
Se colocar num jogo em que não é possível deixar o lenço cair;
Oscilar escolhas (dar continuidade ao corpo do lenço, a seu movimento + endereçar o lenço a um outro);

JOGO DA RAIA.

Marília + Nina + Dominique + Vítor + Fred

o som da chuva lá fora não ajuda muito na conexão entre vocês. por isso, sugiro
“Rolling In The Deep” – Adele
”Who You Are” – Jessie J
”Let It Fall” – Lykke Li

TEXTO. Entendimento da Primeira Cena: Despedida do Ideal.

Vítor traz “as palavras devem vir só quando elas forem mais importantes que o silêncio”.

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domingo, 3 de julho de 2011

G E S T O

Um movimento envolvendo uma parte ou partes do corpo; Gesto é Forma com início, meio e fim. Gestos podem ser feitos com as mãos, os braços, a cabeça, a boca, os olhos, os pés, o estômago, ou qualquer outra parte ou combinação de partes que possam ser isoladas. O Viewpoint Gesto é dividido em:

1. GESTO COMPORTAMENTAL. Pertence ao concreto, ao mundo físico do comportamento humano da forma como observamos em nosso dia-a-dia. É o tipo de gesto que você vê num supermercado ou metrô: alguém riscando um papel, apontando, cheirando um alimento, cumprimentando outro alguém, fazendo uma saudação. Um GESTO COMPORTAMENTAL pode dar informações sobre o caráter, sobre uma época, saúde física, uma circunstância específica, clima, roupas, etc. Geralmente é definido pelo caráter de uma pessoa ou pela época e local nos quais ela vive. Também pode ter um pensamento ou intenção por trás. Um GESTO COMPORTAMENTAL pode ser dividido e trabalhado em GESTO PRIVADO e GESTO PÚBLICO, distinguidos por ações que são feitas quando sozinho ou quando sob atenção ou proximidade de outros.

2. GESTO EXPRESSIVO. Expressa um estado interior, uma emoção, um desejo, uma ideia ou valor. É abstrato e simbólico em vez de representativo. É universal e atemporal e não é algo que você veria alguém fazendo normalmente num mercado ou metrô. Por exemplo, um GESTO EXPRESSIVO deve ser expressivo de, ou capaz de veicular, emoções como “alegria”, “dor” ou “raiva”. Ou deve expressar a essência interior de Hamlet como um dado ator a sente. Ou, numa produção de Tchékhov, você pode criar e trabalhar com GESTOS EXPRESSIVOS do tempo ou para expressar “tempo”, “memória” ou “Moscou”.

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Tradução de Diogo Liberano.

BOGART, Anne; LANDAU, Tina. The Viewpoints Book – A Pratical Guide to Viewpoints and Composition. New York: Theatre Communications Group, 2005, p. 9-10.

T O P O G R A F I A

O panorama (a vista), o padrão de piso, o design que criamos em movimento pelo espaço. Na definição da vista, por exemplo, podemos decidir que a área mais baixa do palco tem grande densidade, o que dificulta o movimento através dela, enquanto a área de cima tem uma densidade menor e, portanto, envolve maior fluidez e tempos mais rápidos. Para entender o padrão de piso, imagine que o fundo dos seus pés estão pintados de vermelho; assim que você se movimento pelo espaço, a imagem que se forma no chão é o padrão de piso que evolui no correr do tempo. Em adição, uma encenação ou marcação de uma performance sempre envolve escolhas sobre o tamanho e a forma do espaço em que trabalhamos. Por exemplo, nós podemos escolher trabalhar em uma faixa estreita de três pés por toda a área baixa do palco ou numa enorme forma triangular que cobre todo o chão, etc.

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Tradução de Diogo Liberano.

BOGART, Anne; LANDAU, Tina. The Viewpoints Book – A Pratical Guide to Viewpoints and Composition. New York: Theatre Communications Group, 2005, p. 11-12.

F O R M A

O contorno que o corpo (ou corpos) faz(em) no espaço. Toda Forma pode ser dividida em Forma com (1) linhas; (2) curvas; (3) uma combinação de linhas e curvas.

Portanto, no treinamento com Viewpoints, nós podemos criar Formas que são arredondadas, formas que são angulares e formas que são uma mistura dessas duas.

Somado a isso, uma Forma também pode ser (1) sem movimento; (2) em movimento (pelo espaço).

Por último, Forma pode ser feita por uma das três maneiras: (1) com o corpo no espaço; (2) com o corpo em relação com à arquitetura (criando Formas); (3) o corpo em relação com outros corpos (criando Formas).

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Tradução de Diogo Liberano.

BOGART, Anne; LANDAU, Tina. The Viewpoints Book – A Pratical Guide to Viewpoints and Composition. New York: Theatre Communications Group, 2005, p. 9.