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domingo, 15 de janeiro de 2012

pontos de vista para os próximos ensaios,,

meninos,

a partir de nossa reunião aqui em casa, tramei sete pontos de vista pelos quais acredito ser necessário passarmos, mirando cada cena novamente, uma a uma, tentando desdobrar aquilo que porventura esteja confuso, ou em falta, ou que tenha sido esquecido ou mesmo sequer ainda especulado. é uma maneira de olharmos para o que já temos e multiplicarmos as nossas implicações em expressão. é mais uma vez um jogo possível. mas tem que ser jogado. assim, o que descrevo abaixo não é nada inédito, mas sim um apanhado das questões que me pareceram mais recorrentes em nossas falas.

JOGO ou de que maneira - como - os atores expressam a cena, traduzem a dramaturgia;
BATIDA ou o tempo de cada cena (ou pedaço de cena), a duração e os inúmeros ritmos que constituem algum todo;
APROPRIAÇÃO ou em quais trechos ainda não se é confortável o jogo e como resolver isso, como ganhar a briga com as exigências da encenação e da dramaturgia;
CORPO-GESTO ou como o corpo de cada ator expressa aquilo inexprimível de sua personagem, um esboço de cada dragão (in)contido;
QUADRO ou como trazer a tona o que está soterrado sob o excesso de palavras e movimento, aquilo que é dito sem que as personagens percebam estar dizendo;
PARAGEM ou alguma maneira de permitir que a escuta aconteça, para que personagens bem como espectadores consigam deixar a ficha cair e tenham espaço-tempo para isso;
PERPLEXIDADE ou a tentativa em primeiro plano, como expressar alguma incompreensão que ali se encontra latente e em movimento.

como exposto, não é nada demais. os pontos de vista se confundem uns com os outros, mas é possível trabalhar solitariamente a partir de apenas um. pensar as cenas por tais olhares me parece determinante e extremamente proveitoso.

vejamos como vai ser isso.

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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Release

logo-documentos

Cinco jovens se reencontram no apartamento de uma amiga em comum, dois meses após o seu suicídio. Novo espetáculo do Teatro Inominável, a peça Como Cavalgar um Dragão, dramaturgia de Diogo Liberano criada em processo colaborativo, fala de uma geração em busca do acerto de contas com uma realidade contraditória. A estreia será no TEMPO_FESTIVAL das Artes, nos dias 17 e 18 de setembro, no Espaço SESC. Em outubro, a montagem estará em cartaz no Teatro Municipal Maria Clara Machado.

Graduado em Direção Teatral pela UFRJ, Diogo Liberano assina a direção ao lado de Flávia Naves, graduada em Artes Cênicas pela UNIRIO e formada como atriz pela Casa de Artes Laranjeiras – CAL. No elenco, estão os atores Dominique Arantes (Andréia), Fred Araújo (Inácio), Marília Misailidis (Rita), Nina Balbi (Cecília) e Vítor Peres (Odilon).

A aposta cenográfica, assinada por Rafael Medeiros e Fernanda Abreu, parte do mote inaugural do projeto, "atravessamentos", para compor o espaço de um apartamento onde as paredes são telas de pintura cruas que evidenciam o universo representacional do espetáculo e, que passam a ser atravessadas pelos atores na evolução da dramaturgia.

O Inominável investiga a produção de uma cena capaz de dar voz à inquietação característica dos tempos atuais. “A intenção é abordar esta geração que, frente a situações extremas como a morte, não se permite ser indiferente. Não se trata de obter respostas, mas de cruzar os extremos”, explicam os diretores.

Criado em 2008, o Teatro Inominável (Adassa Martins + Dan Marins + Diogo Liberano + Flávia Naves + Helena Cantidio + Natássia Vello) vem se destacando no cenário teatral do Rio de Janeiro. Seus dois primeiros espetáculos, realizados de forma independente, continuam em cena: “Não Dois” (2009) do texto argentino Paso de Dos de Eduardo Pavlovsky e “Vazio é o que não falta, Miranda” (2010) da obra Esperando Godot de Samuel Beckett.

Contemplado pelo Fundo de Apoio ao Teatro – FATE, da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, o espetáculo conta com a supervisão de Marina Vianna, atriz e co-autora do espetáculo/filme de Christiane Jatahy, “A Falta que nos move”, importante referência no processo.

SOBRE DIOGO LIBERANO

Graduado em Direção Teatral pela UFRJ, Diogo Liberano vem se destacado como dramaturgo e diretor teatral. Este ano foi selecionado para o Seminario Intensivo de Dramaturgos, promovido pelo Panorama Sur, em Buenos Aires. Como diretor, foi convidado pela Cia do Atores a co-dirigir, ao lado de Cesar Augusto e Susana Ribeiro, o espetáculo “Peças de Encaixar”. Diretor Artístico do Teatro Inominável, dirigiu “Não Dois” (2009) e “Vazio é o que não falta, Miranda” (2010).

SOBRE FLÁVIA NAVES

Graduada em Artes Cênicas pela UNIRIO e formada como atriz pela Casa de Artes Laranjeiras – CAL, nos últimos anos, Flávia Naves vem realizando assistência de direção de diretores como Ana Kfouri (“Senhora dos Afogados”) e Ivan Sugahara (nos espetáculos “A Estupidez”, “Tempo de Solidão” e “Sem Ana”). Também integrante do Teatro Inominável, como atriz, está em “Vazio é o que não falta, Miranda” e agora assume a direção do novo espetáculo da companhia ao lado de Diogo Liberano.

 

SERVIÇO “COMO CAVALGAR UM DRAGÃO”
Classificação etária: 14 anos
Duração: 75 minutos

Temporada no Teatro Municipal Maria Clara Machado
Estreia dia 11 de outubro
Até 7 de dezembro

Terças e quartas, às 21h
Teatro Maria Clara Machado (Planetário da Gávea)
Rua Padre Leonel Franca 240 – Gávea
Informações: (21) 2274-7722
Capacidade: 80 lugares
Bilheteria: terça-feira à quinta-feira a partir das 18h; sextas, sábados e domingos a partir das 15h. Sempre até 21h. Aos domingos até 20h.
Ingressos: R$20 (inteira) R$10 (meia)

domingo, 9 de outubro de 2011

PRIMEIRA TEMPORADA

Nesta terça-feira, 11 de outubro as 21h, o Teatro Inominável entra em cartaz com COMO CAVALGAR UM DRAGÃO. O espetáculo, contemplado pelo Fundo de Apoio ao Teatro – FATE – da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, havia se apresentado duas vezes dentro do TEMPO_FESTIVAL das Artes, em setembro.

DRAGÃO - Estreia

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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Notas sobre a dramaturgia – Oito

faz tempo que não escrevo sobre a nossa dramaturgia. nessa semana, ouvi de marina vianna que nosso processo é o mais textocêntrico de todos. entrei numa crise (rápida, passageira, porém sincera e contundente). a pergunta não é que dramaturgia criamos, mas sim de que maneira chegamos até ela. tenho a clareza absoluta agora de que o nosso drama foi erguido a partir do papel escrito e não necessariamente a partir de ires e vires do corpo ao papel e vice-e-versa. nenhuma problema. o processo é movimento, é erro e tentativa.

não sei porque estou escrevendo isso. temos a nossa estreia dentro do TEMPO_FESTIVAL das Artes no próximo sábado e foi apenas no sábado passado que eu terminei de escrever o texto. de sábado passado (início de setembro, mais precisamente no dia três) até hoje, quinta, muito texto já foi mexido e reescrito. eu, aliás, estou na cozinha da minha casa, tomando um café, enquanto me preparo para reescrever um trecho que espero ser o último até nossa estreia.

mentira. a dramaturgia é e sempre foi movediça. a cena quer entrar e quer se fazer escrita. se foi um processo textocêntrico? talvez por in_experiência, talvez por amadorismo = aquela febra dos que amam com cuidado e excesso de zelo. nenhum problema. respiro. o que ponho aqui escrito é relato sincero e preciso. estamos em tempo. os corpos se movem mais do que nunca ansiosos pelo encontro com o abismo.

chega de poesia. o final da peça escrito. PRÓLOGO (escrita automática) + CENA UM (despedida do ideal) + CENA DOIS (medida da trajetória) + CENA TRÊS (esse mau estar) + CENA QUATRO (rir das marcas) + CENA CINCO (desconhecer-se) + CENA SEIS (não nomear) + EPÍLOGO (profanare). os nomes sempre sintetizando aquilo que depois eu tento expressar por falas, discursos, personagens conflitos e cruzamentos.

enfim, eu queria dizer que eu não sei. que o texto chegou ao fim mas é desde já, desde sempre, coisa morta. que é bom, bonito e seguro. mas que precisa dos corpos, das investidas, das desmedidas, sim, sobretudo das desmedidas. o texto precisa trepidar, ser alvo dos soluços e dos respirares. eu tô tão óbvio. não importa. quis apenas vir até aqui e constatar: o quanto produzimos. o quanto ainda falta para concretizar.

vamos?

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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

alterações dramaturgia

FINAL DA CENA TRÊS

Inácio Rita, fica!

Rita Por que, Inácio, ficar por quê? Pra arranjar um culpado, alguém que possa ter feito com que a Lilla se matasse? Não, eu não fico, Inácio. Hoje é o primeiro dia que a gente se reencontra depois do enterro da Letícia e você não tem ideia do peso que as suas palavras ganham quando saem da sua boca e chegam ao nosso ouvido. Eu não tenho motivo pra ficar.

Inácio Rita, por favor, fica!

Rita Só se você me fizer acreditar que você sabe exatamente o que tá acontecendo aqui dentro, me faz acreditar que você tem a capacidade de abrir essa boca pra dizer alguma coisa realmente sincera e importante. Me faz acreditar agora, Inácio, a hora é agora, eu tô aqui na sua frente, mas não por muito tempo\

 

PARTITURA PRÓLOGO

1. ALMOFADA
2. BLUSA
3. MAIÔ
4. CAIXA
5. LIVROS
6. QUADRO
7. ABAJUR
8. MÓBILE
9. WALKMAN
10. PUFF
11. ALL-STAR
12. GUARDA-ROUPA

Andréia. Um par de sapatilhas brancas número 34; um par de patins pretos com rodinhas roxas número 37; dois pares de All Star, um branco básico e um vermelho de couro, ambos número 37; três almofadas que ficavam sobre a cama 1 (a vermelha, a amarela e a azul); uma blusa do Guaraná Antártica comemorativa da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1998; um vestido quadriculado 3 estilo toalha de mesa; todos os álbuns de fotografias 12 de 1994 até 1999; uma caixa de papelão 4 com todos os calendários da Caixa Econômica Federal desde 1999; uma caixa de papelão com dezesseis VHS de gravações diversas; três livros 5 sobre o Francis Bacon, um deles em inglês; cinco livros do Samuel Beckett; uma reprodução emoldurada do quadro 6 Icarus do Matisse; uma tela riscada com traços de tinta a óleo tentando reproduzir o quadro do Matisse; um abajur lilás 7 com franja que ficava na mesa de cabeceira; um móbile 8 de libélulas pequenininhas que ficava preso na janela; um Walkman 9 velho da Sony; um puff 10 quadrado e amarelo, com rodinhas; e um All  Star 11, o de cano alto de zebrinha número 37 que eu também quero pra mim mas a gente resolve isso depois.

Eu. Um par de All Star 11 cano alto de zebrinha número 37 que a Andréia também quer e que a gente resolve depois; ANDRÉIA ENTRA um par de salto alto verde 10 bebê número 37 ANDRÉIA É TOCADO; um par de sapato marrom trançado a couro número 37; um par de sapato vermelho (o da formatura) número 38; aquela blusa dos Beatles e aquela jaqueta que já estão lá em casa; um guarda-chuva preto; uma caixa de papelão com um baralho da drogaria Pacheco; um diário pequeno em branco; dois cadernos médios em branco; uma canga promocional do jornal O GLOBO; ANDRÉIA SAI e dois quadros 6, um do cavalo e um da menina.

Inácio. Uma casa de dois andares 12 da Barbie que tava desmontada sobre o guarda-roupas; um cavalete de madeira 9 com alturas ajustáveis; quatro gnomos  5 de madeira pintados; três duendes também de madeira, também pintados (sendo que um dos duendes tá sem o braço esquerdo); uma bola de vôlei 4; aquele brinquedo estranho, o Guru do Gugu; um Pense-Bem; um micro system AIWA; uma vitrola pequena sem marca; uma TV SANYO 14’ 6 com VHS embutido, mas sem controle remoto; um DVD player muito velho, sem controle; um LP da Xuxa 1 autografado pela Xuxa; um cd do É o Tchan no Havaí; sete livros do Harry Potter (e mais dois pequenos: um sobre quadribol e outro sobre animais fantásticos); INÁCIO ENTRA uma agenda da Cantão 7 do ano 2000 completamente usada; uma agenda telefônica tradicional 8 e usada, de papel; um pôster do Fidel Castro; um pôster das Spice Girls; três quadros intitulados Homens, Relógios e Da casa pegando fogo; um balde cheio de pincéis (eu não tive saco pra contar quantos, mas todos os pincéis vão ficar pro Inácio); um edredom de joaninha; uma toalha de banho verde musgo 2; um maiô acetinado cor cobre 3; sete calcinhas (eu não vou dizer quais são porque o Inácio foi o único que pegou calcinha); um par de pantufas cabeça de girafa 10; um pijama de flanela com botões na frente; uma camisa escrota Alguém que te ama muito foi a Trancoso e lembrou de você; um casaco da GAP que todo mundo sabe qual é; INÁCIO É TOCADO um óculos Ray-Ban que todo mundo sabe qual é; um Paco Rabanne usado; um Lancaster fechado; uma maleta grande com todas as maquiagens;um par de All Star cano alto de zebrinha número 37 que eu também quero então a gente resolve isso depois; um mapa-astral feito à mão; uma cadeira de praia com listras coloridas; uma foto emoldurada daquele dia no Jardim Botânico; uma caixa de papelão com todas as cartas trocadas com o Conrado; uma foto emoldurada daquele final de semana em Angra; e uma foto emoldurada do dia da nossa festa de formatura. INÁCIO SAI.

Odilon. Um vinil do John Lennon 9; cinco da Nina Simone 5; três CDs do Strokes; cinco da Rita Lee; dois do Los Hermanos, o Los Hermanos e o Bloco do Eu Sozinho; o Circuladô Vivo do Caetano 12; uma edição do Macunaíma do Mário de Andrade; A teus pés da Ana Cristina César; Para viver com poesia do Mário Quintana; Diário de um cucaracha do Henfil; A Gaivota do Tchékhov; dois volumes do Mil Platôs do Deleuze e do Guattari, o volume 1 e o 3, 6 sendo que o 1 ainda tá embrulhado e o 3 tá sem algumas páginas; oito pequenas telas riscadas 4; uma tela média toda pintada de verde; um laptop coberto de adesivos e com a tela trincada; um par de meias 2 cinzas e grossas que tavam sobre a cama; um lençol de solteiro 3 que tava na cama (aquele dos cavalinhos de corrida); um perfume\ 11 Alguém lembra o nome? Daquele sem rótulo, que ela usava pouco? Um vidro de perfume sem rótulo que ninguém sabe o nome e que ela usava pouco; uma garrafa térmica 10 marrom com tampa plástica mordida; um celular velho 7 com o visor estilhaçado; e seis mini-cactos da coleção dos sete mini-cactos que ficavam no parapeito da janela do quarto dela só que um deles deve ter caído\

RITA ENTRA Rita. Uma caixa com as aquarelas; um diário em branco; uma edição d’O Código da Vinci; um DVD Elas cantam Roberto; um porta incenso com guarda-cinza acoplado; um cinzeiro de vidro maciço; uma imagem de barro de São Jorge matando um dragão; uma camiseta de Trancoso que o Inácio também quer então vocês resolvem isso depois; e um par de sapatinhos plásticos e vermelhos sem número que parece ser de alguma boneca.

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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

passadão + cena quatro

espaço sesc, 29 de agosto, 09h30/13h
diogo, nina, flávia, vítor, fred, dominique e marília

PRÓLOGO

aposta de utilizar a faixa DRAGZ 2 feita pelo cabelo;
cecília usa um mp3 player;
boa dicção, porém a voz parece baixa (tentar impostar mais);
boa a chegada da andréia (o tempo, a parada ao lado de cecília);
é bom tocar a sujeira no chão, mas talvez não com as mãos e sim com um dos pés;
bom o toque no inácio;
bom o sorriso no “conrado”;
cecília – fechar partitura e ser rigorosa na repetição da mesma;
a trilha também se retira da cena e deixa cecília rendida?
tônus na lista de odilon que não cessa até o fim da lista da rita;

CENA UM

reação de rita ao “né, rita?” de cecília;
bom o “chantagem emocional”;
bom o tirar do casaco, cecília;
ótimo, nina! o esporro no inácio (deu pra ver que não é por conta de um tênis);
andréia entra com o “pára, rita” com um sorriso que parece sobrar;
a coisa da saudade precisa ser mais sincera (inácio e rita);
rita, entrar mais na fala “se quiser eu posso ir ao banheiro”;
cuidado com a agressividade e a finalização do jogo físico entre os dois meninos;
”lembrança pra lilla”, indicar o lenço como se fosse lilla;
”não, aquilo que a gente tinha pra fazer aqui”, falta intenção (ele tá sendo irônico, escroto);
resolver a coisa da pelúcia;

CENA DOIS

meninos, na andança durante o monólogo de odila, serem mais ágeis e práticos, saindo de cena sem ter que conferir nada;
ótimo o solilóquio, apenas atenção ao forçar da emoção e tomar cuidado com as caras e bocas;
boa a risada (podem debochar mais da coisa da beterraba);
meninas, cuidado com o “pseduo-falatório” enquanto odilon e inácio “brigam” sobre o dvd;
”eu não perguntei isso” tá muito gritado, vítor;
bom o choro da rita e boa a reação da cecília;
corte no texto da rita: do calmante falar direto da ligação do caco" (eu entrego o corte);
cecília e andréia precisam ganhar mais a discussão;
”não chora” ainda não funciona;

CENA TRÊS

afetação maior no “é isso” inicial de andréia, talvez a gente deva aumentar o texto dela;
cecília e rita estão ótimas e fortes dentro de suas convicções;
rita entrar mais direta com ”ela me ligou também”;
será que o texto do odilon é todo pra andréia?;
brinde > não estrangular o texto;
SENTA PRA ASSISTIR não é para o público;

CENA QUATRO

bom o engasgar, fred;
rita, bom “de somar todas essas lembranças e montar uma lilla que nunca existiu”;

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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Sacola Plástica

Segue o trecho da Cena Quatro – Rir das Marcas a ser usado nas composições a serem criadas e apresentadas no ensaio de quarta-feira:

Cecília A primeira vez que eu a vi foi inegável o seu sentimento de voo. Era inexplicável a leveza que ela detinha ao riscar no ar qualquer contorno. Naquele dia eu percebi como que as coisas que não se conhecem também podem ser afins. As pessoas cruzando as ruas e calçadas e ela subindo, solitária e abusada. Ventava muito naquela tarde. E nisso ela se enchia de ar e desfilava saciada. Até que chegou ao topo de um prédio. Foi quando eu a vi e pensei na nossa amiga. Só que então o vento ventou mais forte e a sacola plástica foi, enfim, arrastada por um ar sem previsão, feito fosse um grito ou dor sem dono clamando por atenção. O ônibus parado no sinal e eu dentro dele pensando na altura que ela teria se jogado. E se ficou consciente o tempo todo. Eu pensando se o tempo todo incluia também o fim. Será que ela pensou em quem? O ônibus arrancou. Olhei através da janela e a vi despencar no meio da multidão. Feito um corpo que sobe até não mais poder, até se convencer de que realmente é preciso cair. E desde então eu não sei dizer pra onde ela foi, porque meu ônibus seguiu e agora eu tô aqui, parada com vocês, exatamente neste ponto\

sábado, 20 de agosto de 2011

passadão

PRÓLOGO – 12h24

um doce início, nina. foi preciso.

é também preciso o tempo de relação (em silêncio) com andréia e seu corpo.

dois quadros andréia sai lenta e cecília gagueja dois quadros o do cavalo e o da menina: ótimo receio de perder, da falta.

dominique talvez possa se afetar bem pouquinho aos toques, com um ligeiro sorriso, ligeiro tremer, arrepio.

o que falta é só o corpo dela, a presença continua, volátil.

a lista de inácio inaugura um tempo outro.

inácio chega de costas. lento, cecília o toca.

é bom isso fred de enquanto estiver sendo tocado estar olhando o vazio do espaço.

a lista do odilon começa com inácio saindo, talvez por isso certa irritação, também precisa, nina.

alguém lembra o nome do perfume, aquele sem rótulo que a letícia usava pouco?

rita entra meio sorridente, brincando com os gestos de cecíla – elas se encontram.

rita – cecília tem o rosto da amiga nas mãos.

CENA UM – 12h33

ótimo, fred, gastando o jogo nas falas que podem explodir ainda mais a situação.

ótimo, nina, usar o jogo na fala da lista.

gosto da rita quase estática reagindo com as mãos.

ótimo, ótimo, ótimo, maravilhoso! diz cecília sobre andréia sair da divisão.

rita sai, odilon entra.

a colisão entre odila e andréia não funciona. vocês ou colidem ou abandonam a ideia.

odilon gasta um bom tempo observando a chatice

interessante a entrada de rita e andréia, com sorriso no rosto, andréia só tá cansada desse papo

isso faz a implicância com o odilon ficar mais clara

o gaguejar é ótimo, dô, isso é o que você tá querendo…

bom o lilla, lilla, piada de mau gosto

boa a discussão de relação

pombinho odilon pombinho andréia

boa a briga!

cecília cheira o lenço

a recepção ao lenço que chega ainda não rola

bom demais o A GENTE TERMINOU de andréia e odilon

mto boa discussão entre andréia e odilon sobre a tela

rita no chão

CENA DOIS

ótimo, odila

bom os comentários de odilon, RESTAURANTE

ótimo diálogo odilon andréia

BEIJO NA BOCA, ela também beijou na boca se é isso que tá faltando

discussão dvd tem que dosar, mas rola

bom o jogo, rita, de interferência no papo odilon-inácio

boa, nina, as repetições como a grossa, como a grossa, isso não te diz nada, que grande resolução a sua, perfeito, brilhante

CENA TRÊS – 12h57

fred, boa evolução no ganhar

boa, dô – desde o início soltar o horror e a raiva por ser colocada nesse lugar

bom o porquinho, a progressão da epifania > acho q é preciso transbordar

papo truncado a mini-discussão tira a mão da minha frente é ótimo

ótimo > aceleração eu não tenho obrigação nenhuma

não é exclusividade/é sim/não é…

boa, vítor, a repetição que que vc fez com a lilla

ótimo, dô, a aproximação com andréia e a fala de andréia silenciosa para, tentando afastá-lo

simultaneidade das reação inácio cecília e rita <<

boa, rita, precisa sim!!! boa argumentação!!! te ligou, pediu um beijo, despedida!

TODO MUNDO AQUI SABE QUE A LETÍCIA TINHA MANIA DE DAR BEIJO

andréia, se afetar com a confissão da despedida de andréia

UM BRINDE >>> BOA! DÁ O START PRA TUDO

FALA ANDRÉIA

cadê a afetação dos amigos?

boa, cecília, segurar rita

rita sai, odilon sai, rita volta odilon fica lá dentro

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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

ensaio 73

16/08:11, unirio, sala 604
vítor, dominique, fred, marília, flávia e diogo

nina não pôde vir. eu cheguei um pouco atrasado. eles estão jogando o PANO. em seguida, trabalharemos pedaços do primeiro ato = prólogo + cena um + cena dois + cena três. o pano hoje é laranja. diferente. tem um peso outro.

trabalhos em separado:

MARÍLIA E SEU PEQUENO SOLILÓQUIO
DIÁLOGOS ODILON + ANDRÉIA
FALAS SOLTAS DA ANDRÉIA
EMBATE ODILON + INÁCIO
SOLILÓQUIO ODILON
FINAL CENA 3 COM RITA E INÁCIO

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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

72

Ensaio 72. Unirio. sala 604.

Cecília e Rita

(Rita mão na cintura, Cecília a imita)

(Rita mão no cabelo, Cecília a imita)

Rita, perdi meu brinco

é ruim perder coisas né? Um dia desses eu também perdi uma coisa

uma amiga?

(risos)

eu tô cansada

eu sei

essa sensação de ter perdido alguma coisa, já faz dois meses, eu tô cansada

Andréia e Inácio

você tá estranho

(escutam e observam os ruídos no espaço)

(Vão se aproximando os corpos se tocam, eles se abraçam e começam a dançar, a dança vai ficando agressiva, eles giram rápido, muito rápido, rápido demais, Andréia começa a chorar, eles param e se abraçam)

Eu podia ter estado lá pra segurar ela, a gente podia ter estado lá

Eu te seguro se você quiser

Eu quero te pedir um favor, não me deixa mais de cinco segundos sozinho e não fica mais de um braço distante de mim

Inácio e Odilon

Se tocam de olhos fechados

Andréia e Inácio

O que vc tá fazendo?

lembrando...

Aqui tinha a tv, aqui duas almofadas grandes, ali o abajur

(Andréia segue recordando o que havia no espaço e com FITA CREPE reconstitui os objetos)

o tapete aqui, mas não vou fazer o tapete

Andréia e Cecília

para com isso vc tá acabando com a fita crepe

não pula no sofá Cecília

pulo sim

(as duas pulam juntas no sofá feito de FITA CREPE, pulam muito até cansarem)

saem do sofá

quer fazer um climinha? liga o abajur

(Andréia deita em uma das “almofadas”)

Cecília liga a tv?

Andréia eu queria conversar....fala do dia com a lilla, fala do beijo

ela falou que a gente precisava beijar outras bocas, falou que não era nada, mas que a gente precisava se abrir, eu e Odilon, eu fiquei bem irritada

a gente falou de outras coisas

eu falei ainda tô chateada

ela falou para

eu falei não consigo

ela falou para

eu falei vou tentar

a gente se despediu, ela fez questão de me levar na porta

Odilon e Cecília

Oi

sua braguilha tá aberta

tudo bem?

tudo bem

Cecília, você tem uma cicatriz aqui na boca eu nunca tinha visto, o que foi?

olha, olha a minha cara, parece uma massinha branca

(eles fazem careta)

Cecília, Inácio, Rita, Andréia e Odilon

Cecília, com quantos anos a Lilla perdeu a virgindade?

15

Errou, foi com 13, com 15 ela fez o aborto. Vai levar torta na cara!

calma aí, a gente precisa de outra pessoa pra dizer se é ou não verdade

Rita, com quantos anos a lilla perdeu a virgindade?

com 16

não

Andréia, com quantos anos a lilla perdeu a virgindade?

com 15

não foi

foi sim

e você Andréia?

com 15, perdi a virgindade com 15

você e a Lilla perderam a virgindade juntas? Hummmm

Inácio para de fantasiar, tá vendo muito filme pornô

eu só falo porque gosto muito de você Rita

eu não sei o que dizer Cecília, é difícil dá a sensação que você vai achar ridículo

eu não vou achar ridículo

as vezes eu tenho a vontade de tentar outras coisas, fazer outras coisas

outras coisas como? Tipo ir pro Egito?

É. Vamos pro Egito? Todo mundo?

(cupcake)

se pegar fogo a gente morre porque não tem como sair daqui

Odilon me dá

não você já comeu

você tá com o dente sujo

você tá com a cara suja

isso aqui tá muito sujo tia Anita vai ficar puta

olha o guru, ele morreu

Será que se forçar o vômito a chave sai?

(Cecília começa a ler a carta da lilla em primeira pessoa, Andréia toma a carta da mão dela e continua a leitura também em primeira pessoa, Rita toma a carta da Andréia e continua a leitura agora em terceira pessoa.)

sábado, 13 de agosto de 2011

71

Ensaio de número 71, Unirio, sala 604.

Composição das cenas 4, 5 e 6.

Inácio e Andréia

espalham objetos pela sala
Cantam juntos música da Xuxa "bola bola que rima com cola..."
Inácio tenta dizer para Andréia o que lhe aflige. O que escutamos são apenas tentativas de dizer sempre abortadas pela incapacidade de expressar em palavras o que se sente.
O que vemos é o corpo conseguindo dizer o que as palavras não conseguem, gestos agudos, precisos, repetitivos. Andréia consegue aos poucos traduzir o que vê, Inácio aos poucos se acalma, eles agradece, ela agradece, eles se vão.
curioso como alguns gestos do Inácio pareciam com os da Andréia....

Cecília e Odilon

Eles se olham, querem se encarar mas não conseguem, Cecília tenta fazer com que Odilon a abrace, ele não cede ao seu apelo, ela então pula em cima dele, aflita e desesperada começa a falar da altura do prédio, de como é alto, de como a Lilla se jogou de muito alto, ela então suplica para que Odilon a segure porque não quer cair, não quer despencar dali de cima, ele não cede, ela pergunta porque, porque o Odilon segura a Rita, a Andréia e até o Inácio mas não a segura, ele então finalmente cede, a agarra com força e não a deixa cair, ele pergunta de está bem assim, ela responde que sim, se abraçam e se vão.

Rita e Inácio

Inácio e Rita na sala. Inácio tem em mãos um par de meias, cada mão segura um par, com delicadeza e suavidade brinca com as meias como se estas caminhassem pelo espaço, passo a passo as meias desfilam. Rita observa, Inácio levanta as meias até o mais alto que seu braço alcança, em seguida solta as meias que caem no chão.
Rita e Inácio colocam as meias nos pés e percorrem o espaço deslizando os pés calçados. Marília sobe em cima de Inácio e logo em seguida desmancha-se no chão. Inácio toca seu corpo como se quisesse faze-la reagir, como se não a quisesse morta. Rita se ergue abraça Inácio, eles agarram o corpo um do outro, Rita soluça e chora, com esforço se desprendem um do outro, agora estão ligados por uma mão apenas, não querem se desprender totalmente, não querem, o esforço é inútil, aogra apenas um dedo os une, rita soluça, chora e ri, os dedos finalmente se libertam, eles se olham e se vão.

Andréia e Odilon

Andréia diz não quere ter certeza de felicidade
Odilon a beija, e mais uma vez a beija e mais outra e mais outra.
Andréia diz não querer ter certeza de felicicade, não agora, não nesse momento.

Cecília e Rita

Rita atende o telefonema de Caco, desmente o que havia dito pra ele, diz que está no apartamento da amiga morta com os amiguinhos que ele não gosta, diz que não vai sair, diz que não pode sair porque o Inácio trancou a porta do apartamento e engoliu a chave. Não precisa de bombeiro, eu quero ficar aqui.
Cecília tenta ajudar, Rita a repele, Cecília fica puta, Rita idem.
Cecília diz não querer ser amiga de uma escrava
Rita diz que as coisas não são simples assim.

A força das palavras e das imagens acima conseguem traduzir o que eu não conseguiria dizer. Estou encantada, apaixonada, inauguramos um espaço ainda mais íntimo, ainda mais intenso, estamos pegando fogo e isso é imenso.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

68

Um dia de descanso e estamos de volta à sala de ensaio e agora ainda mais cedo: 08:00 horas da manhã.

Voltamos recheados dos comentários sobre o nosso processo. Sim, o que aconteceu no Tempo Festival causou e causará muitos estragos, no melhor dos sentidos. Não posso deixar de dizer que a sensação de compartilhar aquilo que com tanto cuidado fizemos nascer é das melhores possíveis.
Ainda hoje uma amiga me parou no corredor da Unirio com vontade de falar. Ela queria compartilhar comigo e com Diogo o que tinha achado do nosso processo, e ela veio se aproximando com brilho nos olhos, o brilho de quem quer trocar, de quem quer dizer pra se aproximar, pra construir junto aquilo que só tem sentido se junto estivermos. Nunca antes experimentei a sensação da troca de forma tão verdadeira. Eis que então reconheço a potência própria do teatro e me alegro por estar envolvida nesse bonito trabalho.

De volta à sala de ensaio: deixemos os meninos respirar, indaga o Diogo. Vamos ver no que vai dar. Assim começou nosso ensaio de hoje, Marília, Dominique, Frederico, Vítor e Nina refazendo prólogo, cena 1, cena 2 e cena 3 soltos pelo espaço, abandonando marcas e profanando indicações. O que disso aproveitaremos ainda é obscuro, mas já é possível compreender como é forte e potente quando o jogo acontece com o corpo e não só com a palavra. Sim, o corpo, por favor. Mesmo que errado, torto, estremecido, embaraçado, mesmo que pesado, ruidoso e envergonhado, o corpo quer participar da brincadeira, quer chegar junto, quer mostrar a que veio. E vocês atores voltaram a lembrar os gestos e resgataram os jogos que havíamos abandonado e só agora percebo o quanto minhas intuições estavam certas: eu no fundo sabia que as coisas abandonadas nunca foram esquecidas.
Obrigada pelo prólogo de hoje Nina, Fred, Vítor, Marília e Dominique.

Após cena 3, improviso da cena 4. a primeira fala após tantos minutos de silêncio anuncia o grau de destruição que virá a seguir, destruição tal como a traça faminta devorando um velho livro: corrói as palavras gastas, desenhando um novo caminho.

E logo em seguida, Odilon e Andréia. Parece bobo da minha parte mas tenho torcido por você Odilon, estou quase vestindo a camisa do seu time: aqui não tem corno nem frouxo! estou quase lá...quero ver se você me convence amanhã...

Cecília e Rita entram logo depois disso, Cecília hoje quase chora falando com a Rita, é Cecília, nem tudo precisa ser dito em palavras...

Todos em cena, trocam as roupas. Odilon com diadema na cabeça, Inácio com a sandália de salto da Andréia, Andréia descalça e com aquele short não precisa de mais nada pra parecer um menininho, eles trocam as identidades, agora é Letícia quem vem chegando, Odilon é a "Lilla que traga". Letícia fumava um cigarro atrás do outro, alguém diz, ela tinha uma tatuagem no braço, uma pinta, um outro corrige, uma pinta no pescoço, não, a pinta era na coxa, era preta? era marrom. cheia de pêlos. Ela nunca tirou aquela pinta, era a marca dela, alguém dizia.

A Letícia tinha voz rouca, no tom mais grave
Gostava de mascar trident de canela e halls maça verde
Ela dizia: tô ótima Brasil!
Meio Débora Falabella. Não, meio aquela namorada do Homem Aranha.
Ela tinha olhos verdes, cabelo louro acinzentado
A coisa mais bonita da Letícia eram suas mãos. Não, era a generosidade. Ah! conta outra.
Letícia era antipática. Só no primeiro momento. É, só no primeiro e no segundo e no terceiro, quem sabe no sétimo...
Ela chamava o pai de Jorge.
Extremista.
Arrotava.
Quando não escutava as pessoas dizia assim: o que? que foi? o que?
Violeta sua cor preferida.
Ela xingava, xingamentos direcionados: vai-tomar-no-seu-cú.
Lembra da risada? e do cheiro? e do choro? e de como ela dançava...

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A GRANDE TRANSGRESSÃO

Mais uma contribuição do Juliano para o nosso processo:

"Cansei de carregar meu fim de mundo pra passear no bairro com o desastre atrás e o medo na frente. Essa boca também esgotou-se na tarefa de narrar escombros. Agora o vazio é bem vindo pois ele é lugar para guardar o amigo! Haverá agora em mim um outro olhar e quando eu viajar e ver o mar, ou ver um relógio de flores na cidade serrana, ou alguma pintura viva e turbulenta, estarei olhando pela Letícia e simultaneamente ela que estará olhando através de mim. Agora eu compreendo porque eu era feito de tanto vazio. É para que coubesse o outro, o mundo do outro. Essa imensidão que me ultrapassa tanto existirá em mim e por isso, eu serei menor e maior ao mesmo tempo.

Você sabe que uma vez eu fui com ela numa festa e ela carregava uma bolsinha esverdeada cheia de cacarecos. Durante a festa sentou-se no gramado e perdeu a bolsa. Quando foi embora passou a mão pelo jardim e pensou ter pego a tal bolsa, mas ela estava com uma tartaruguinha na mão. Já no carro alguém perguntou: o que você está fazendo com essa tartaruguinha no colo? E ela levou um grande susto, voltamos ao jardim e ficamos procurando a bolsa. As pessoas riam tanto junto dela que o mundo parecia estar sempre começando. Sempre perto de um caroço surreal, um núcleo mágico e abundante. É estranho que hoje se meçam as vidas pela longevidade quando muitas vezes uma longa vida jamais conheceu um grande sorriso como o dela.

Eu quis tanto experimentar e transgredir, mas agora percebo que a grande transgressão é o salto do outro para dentro de mim. Como é possível essa maravilha?"

AMIZADE E MORTE

o texto abaixo foi escrito pelo Juliano que através do seu olhar sobre nós, tem nos ajudado nesse momento especulatório pós cena 3. Compartilho com vocês as suas belas palavras.

"Eu acho que vocês deviam parar com esse barulho, esse zum-zum-zum acusatório. Eu penso naquela que se foi. É todo um mundo que partiu. Quem era a Letícia? Eu gostaria de falar dela. Ela era uma pétala e sua única defesa era o perfume. Acho que nós somos todos uns trogloditas comparados àqueles dois olhões que eram urnas verdes de silêncio. Sabe que um dia eu a encontrei numa calçada do Botafogo e ela recolhia folhas secas num saco plástico? Eu não entendi direito o que ela tava fazendo, mas esses dias me caiu a ficha: ela pegava as folhas avermelhadas, as folhas enferrujadas, como ela me disse, porque eram lindas demais! Eram lindas demais, vocês entendem? E ela carregava as folhas para o quarto dela. Vocês podem compreender que estes olhos estavam desenferrujados! Desenferrujados, sim.

- Você quer dizer que esta morte nos deixa recados?
- Você está dizendo que estamos surdos?

Falo da dor de não achar a palavra-espelho, a palavra-cesto para caber todo o infinito Letícia. Falo que o mundo da Letícia me tocou e eu me sinto pequena e humilde diante de tanta verdade. Me assusta que ela tenha passado desapercebida e que vocês não parem de falar para que a gente possa começar a falar dela. Vocês nunca repararam que a Letícia tinha uma pinta escura na coxa? Uma pinta cheia de pelos. Eu acho que aquilo era uma folha, um pedaço de árvore na perna dela. Sabe, todo mundo insistia para ela tirar, mas ela nunca tirou aquilo. Acho que era a digital da inocência. Vocês entendem? A Letícia não tinha perdido a digital da inocência.

- Vocês precisam parar de morder as próprias aftas. Não entendo: por que em mim subitamente abriu-se uma janela para outra estação? Por que de repente tornei-me delicada e extravagante? Vamos, eu proponho que falemos apenas dela. Ela morreu e isso não é ficção. Amizade e morte, é por isso que estamos aqui."



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

composições RITA

Seguem algumas composições criadas com as novas peças levadas para o ensaio de hoje.Para visualizar as fotos em tamanho maior, basta clicar sobre elas.








sexta-feira, 29 de julho de 2011

Notas sobre a dramaturgia – Sete

Faz tempo que não me sento para escrever sobre a nossa dramaturgia. O tempo que tenho tido é usado para de fato escrevê-la. Pensar sobre o que escrevo, pensar sobre o que estamos escrevendo, é tarefa póstuma. Mas cabe hoje um pouco esse desgaste, esse revirar das ideias, essa tentativa vã, porém sempre saudável, de tentar se ver lá na frente.

Terminamos juntos de escrever essa cena três. CENA TRÊS - ESSE MAU ESTAR. De qual mau estar estamos falando? Da morte? Da culpa? Estamos falando da incompreensão? Não importa responder. Importa, acreditam as personagens, especular o que possa ter acontecido. Algo que possa suprir a categoria "explicação", que comporta todo um mundo de possibilidades. Eles querem explicar - cada um a seu modo - como pôde essa coisa ter invadido seus corpos e ter criado morada. Eles não sabem. Caso soubessem, não haveria dramaturgia.

Eles tentam, eles persistem e se precipitam. Eles se machucam, mas também ferem, não são santos, são tentativas. Eles tentam a todo custo lidar com a burrice do outro. Eles tentam a todo custo lidar com a sua inteligência, hoje, porém, incapaz de ditar resolução que sirva. Somos burros, talvez um deles deva pensar. Ou então, talvez um pense, isso que estamos tentando entender agora voa dançante entre a gente no meio dessa sala.

Eles não percebem. A dor é capaz de cegar. A dor engole os princípios e transforma a vida em ciranda-desespero. Os beijos viram cortes, o piscar do olho instaura um tiroteio. Mas se acalmem. Eles já já vão se deparar com o desconhecido. Eles em breve perceberão que se chama Lilla tudo isso.

E então cena quatro chega para confortar. Não quer dizer alegria, felicidade, essas coisas capa de revista. Quer dizer que o tempo agora age de outra forma. O toque se testa de novo e a pergunta primeira não é acusação, mas sim tá tudo bem contigo? CENA QUATRO - RIR DAS MARCAS. Que marca é essa, Jesus? Só pode ser Lilla. É ela que se tira deles e ao mesmo se crava em cada respiro, em cada investida que cada um deles dá no mundo. Ela se crava e vira cicatriz que não cessa de rachar a cada dia. Só pelo divertimento que é se descobrir capaz de morrer e viver de novo, sempre novamente a cada manhã nascida.

Acreditem. Só nos falta falar dela. Não há mais nada. É só isso. Eles estão ali para viver um pouco mais tudo isso. Não é pra resolver. É pra dividir os espectros e formar um corpo menos propício ao esquecimento. Eles estão ali para juntarem os restos de cheiro, os restos das roupas e das coisas da Letícia, dos brinquedos, dos pincéis e para assegurarem, uns aos outros, que ela estará protegida. Ela que os costurava agora continua agindo. Que tarefa difícil, não?

Dar existência ao invisível.

Estou me perdendo? Talvez. Não faz mal. Vamos seguindo que o que estamos construindo tem força suficiente para se perder e se achar. Vocês estão me emocionando, vocês estão, aos poucos - perversos - atravessando,
    

sexta-feira, 22 de julho de 2011

ensaio 57

22/07/11, unirio, sala 604
diogo, vítor, fred, marília, nina e dominique

aquecimento de uso. muitos sorrisos. intensidade. depois, pelo espaço, andamentos cada vez mais mais. abaixar/erguer/seguir andando. empunhar a espada (sem comandos). tudo bem com vocês? a coisa toda coloca o corpo num lugar que eu nem sei.

figurino. aquecimento vocal (precisamos adequar o aquecimento ao trabalho de 08h30 às 09h, talvez de 08h30 às 09h15. isso é essencial para os próximos encontros.

trabalho com cenas. primeiro no papel: cortes. depois na cena: prólogo, cena um e cena dois.

prólogo: as entradas e saídas estão mais claras. o lugar conquistado para o inácio é determinante. nada excede ou extravaza. ele entra por conta do all star. apenas. não se entende a princípio, mas tudo bem, alguns minutos depois será perfeitamente compreendido. a entrada de rita talvez deva sugerir algo mais com o lenço. era da lilla? ela brinca, joga o lenço, pede à cecília, cecília responde a ela e ela sai? dramaturgia. a(u)tor. pensar nessas proposições e seguir testando. vítor ganhando o jogo com a nina. será que ele é grosso com cecília? será que ele é bruto? mas mesmo que ele seja, por quê? por que ele seria e o que isso desbrava nela? há uma grande importância nesse estresse. tenho a sensação de que odilon deva abrir demais a questão para vermos cecília se resguardar no seu esconderijom forjado (mp3 player). andréia é precisa na impaciência (não se acostumar a ela, seguir impaciente, abandonar a coleira no chão mas permanecer ereta, atenta na lista). saídas e entradas devem ser precisas e diretas. para a próxima semana, vamos investigar quais entradas e quais saídas a cecília se permite responder e/ou perceber. 

cena um: batidão total. entrar e sair. posso ouvir o som das portas se abrindo e batendo, quase nunca sendo fechadas. não segurem o texto. vamos segurar quando for preciso, mas quase nunca é preciso nessa cena. emburacar no drama das personagens. vocês estão cada vez mais pertos dele. vocês estão descobrindo como é doce e cruel brincar de ser o outro. sigam brincando. tá ficando lindo vendo a dor deles se discernindo em vocês. menos por querer e intencionar e mais pelo jogo. pelo simples jogar. repitam o texto, repitam até encaixar, até o corpo de vocês estremecer e pedir pelo corte. ele virá. as coisas se esquentam nessa cena mas são redirecionadas. o mau-estar do quadro trazido por cecília é abrandado com a dança do inácio com o quadro. boa proposição fred, sutil e esmagadora. revela um inácio que não conhecíamos, mas que pode existir tranquilo. inácio diz que não veio pra chorar porque está louco pra desabar, só por isso. olha como ficamos mais forte quando não sublinhamos sempre o que é dito.

CORTE SECO, odilon vira para nós, espectadores, e conta o seu trajeto após o dia do enterro. tem que sabê-lo de frente pra trás e de trás pra frente. caso contrário, não dá pra jogar com você. e é preciso jogar muito esse texto. vamos fazer isso juntos: decorando primeiro.

cena dois: apostei com vocês numa quebra que não visa estender a cena anterior. apesar de muitas propostas interessantes (quase um montar da sala, com objetos, quadro na parede...) acho importante sabermos cortar para facilitar a chegada de novos estados. é bruta essa virada, acho que não devemos intencionar costurar cena um na dois. temos um intermezzo, que é o texto do odilon.

boa chegada dos meninos. dodô, como lidar com a fala do sucessinho? como torná-la possível e natural? isso é preciso. apostar na simultaneidade, sem medo, sem hesitação. vocês fizeram um bom trabalho hoje, seguir, porque pode ser que lá na frente seremos simultâneos e completamente intercalados, dando ao público uma experiência intensa de simultaneidade arranjada. a cena dois se configurou como um pré-buraco (que é a cena três).

hoje mexerei na dramaturgia e envio. mas, saibam, independente do meu envio ou não, decorem o que vocês têm. estudem. estudem. no final da próxima semana teremos cenas novas, ou seja, quanto mais estudarem o que temos melhor.

sobre a cena dois, enfim: boa a progressão. percebemos como é preciso se afetar com aquilo que afeta o outro. em que lugar cada coisa bate em cada um. bom trabalho, marília e dodô, pela força com que vocês estão ganhando o texto e deixando por meio deles vazar a dor dessas personagens. bom trabalho, mesmo. nina, vítor e fred: seguir na construção dessa afetação. odilon perdido entre o horror que ele achou que soubesse qual era, mas que se atualiza na sua frente e deixa ele meio sem ar. odilon entre andréia e a situação da lilla. inácio roubado de si pelo horror dos amigos. meio atônito, sem fazer força, apenas pela entrega simples de ouvir o que é dito. cecília sem saber como se diz isso tudo. sentindo, se perfurando, mas não sabendo como se diz tudo aquilo.

andréia fala - que bom que você resolveu explicar. porque toda vez que você abre a boca a gente entende tudo, menos isso.

percepção aguda de que o ritmo influencia tudo. caramba, não chora, deixa ela chorar, eu não tô chorando, tá sim que eu tô vendo, rita você tá maldosa, não chora, deixa ela chorar... DEIXA ELA CHORAR (por que cecília insiste tanto nisso?). é normal se sentir culpada.

a cena três emerge no meio da sala.

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quinta-feira, 21 de julho de 2011

ensaio 55


20/07/11, unirio, sala lucília peres
diogo, flávia, dominique, nina, marília, fred e vítor.

começamos atrasados, bastante atrasados. o ensaio hoje foi de tarde e isso altera tudo. em breve voltaremos ao horário habitual. alongar, aquecer a voz (sempre). acreditar na periodicidade (não somente do trabalho com as cenas), mas também na periodicidade e rigor com o próprio corpo.

ouvimos caetano enquanto jogavam o pano. depois, voltamos a brincar de empunhar a espada, porém, dessa vez, foi pedido que os meninos encontrassem um momento juntos - sem combinação - para atacar. foi muito interessante. depois, flávia sugeriu que eles substituíssem o estocar das espadas imaginárias por abraços. outra composição que rendeu imagens muito interessantes.

figurinos colocados. aquecimento de voz feito. conversas soltas sobre as primeiras cenas. solicitações aos atores para não perdermos aquilo que é preciso ficar. fizemos um trabalho mais focado no prólogo, dizendo quem entra e em qual momento. por mais que não tenhamos marcado, nos próximo dias será a partir dessa estrutura que fixaremos o restante.

fizemos duas passadas da cena um, independente do prólogo. os meninos encontraram coisas ótimas, lugares até então não desbravados. o "abrir e fechar" das portas cria uma movimentação para a cena que não estamos conseguindo abandonar. está interessante. esses fluxos que não cessam, mas tão somente se coloquem, se impõem.

descobertas da nina quanto ao prólogo, no sentido de como lançar para o corpo uma ação, gesto ou forma de dar o texto que faz o corpo dizer ainda mais, de forma mais sincera e sensível. ela grita com o inácio e nisso a lágrima vem vindo.

tiramos algumas fotos do ensaio para usarmos na divulgação do 1º tempo_festival das artes.

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ensaio 54


19/07/11, unirio, sala 604
diogo, flávia, dominique, nina, marília, fred, vítor, rodrigo marçal e verônica machado.

PANO.
RUN.
PANO.
RAIA. Vítor + Dominique + Fred + Nina + Marília = OAICR (ao som de MONSTER OST).

dois pulos
duas andadas lentas adiante
duas andadas para trás
dois pulos
duas sentadas
duas andadas lentas para trás
uma deitada e uma levantada
uma levantada e uma deitada
quatro caminhadas lentas para trás
duas caminhadas lentas para trás
uma paragem entre todos
dois deitados, três em pé, todos parados
uma sentada, outros quatro andando
os cinco andando
uma corrida de costas
dois pulos leves
duas viradas juntas para frente

A UNIÃO ACONTECE QUER SUAS PARTES QUEIRAM OU NÃO.

TRABALHO COM CENAS. Prólogo + Cena Um.

Tivemos uma excelente conversa com o Cabelo. E Dominique e Fred trabalharam cada qual cerca de 30 minutos ou mais com a nossa preparadora vocal. Aos poucos, todos os atores começam a ganhar uma listinha de exercícios vocais.

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