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sexta-feira, 17 de junho de 2011

ensaio 37

17/06/11, unirio, sala 602
diogo, dominique, fred, flávia, marília, nina, vítor, gustavo e marina vianna.


AQUECIMENTO DE USO,
TRABALHO COM GESTOS,



CANTEM UMA MÚSICA JUNTOSSILÊNCIO PROFUNDO. OLHOS ABERTOS:Amor I Love You – Marisa Monte


TRABALHO COM O TEXTO. DISCUSSÃO A PARTIR.
Leitura e, em seguida, discussão sobre inúmeros pontos:
1. autoria (como assinar o texto? como entra a autoria dos atores?);
2. marina sugere que eles estejam à espera de alguma aparição;
3. marília fala em reparir o grupo;
4. marina rebate com o desmanchar do boloi, pensar sobre a possibilidade de o grupo se desfazer;
5. final desfórico (ao invés de eufórico);
6. descobrir como, a maneira, de expressar a poesia sem que seja pelo texto unicamente;
7. quais formas para além da rima dizem o poético;
8. a necessidade de se criar palavra-imagem (com esse hífen no meio);
9. pensar na importância da carta (enquanto ação dramática já reconhecida) e no desfecho que damos a ela (será que eles abrem? será que a rasgam? quais desfechos outros podem ser pensados a partir dessa recusa, desse entendimento – e não resignação, pontua vítor – da coisa toda?);
10. a abolição da frontalidade para valorizar momentos em que se dirige para a frente (decalque);
11. como CARREGAR um dragão, a partir do entendimento da marília (citando o filme BIUTIFUL) de que aquilo que vale aos personagens é justamente como sair daquela situação com as próprias pernas;
12. flávia retoma com a referência ao filme FESTA DE FAMÍLIA, ressaltando como a coisa toda é criada sobre um chão muito concreto – e árido –;
13. marina alerta para a diferença entre metáfora e alegoria. a metáfora pretende de certa forma sintetizar a coisa, enquanto a alegoria tenta pela profusão de imagens dar conta de algo;
14. imagem, pictorialidade, buraco, fenda, fissura;

Gatões,
muitas questões que dizem, em resumo: é preciso dar corpo a toda essa fala.
A partir de segunda, vambora pra cena! Gastar esse texto, gastar esse corpo, esse gestual todo.
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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Ensaio 20 de abril

Diogo insiste: NÃO ESTÁ NA HORA DE NOS SENTIRMOS CONFORTÁVEIS.

Lenço sendo jogado ao som de ADELE.

Conversamos sobre arte, ficção e artifício.
Nina falou em atritos. Fricção para chegar na cor que se deseja.
Penso na diferença entre fingimento, mentira -e Fred completa- sinceridade. Então penso um pouco mais e me vem a questão: podemos fingir uma mentira e podemos fingir uma verdade. questão de escolha....como diz Marília.

Rememoro que talvez uma das proesas do ator seja conseguir não ser RENDIDO pelo susto. Lembram? Diogo disse isso em algum passado recente.

Conversa sobre os personagens:

Dominique (Andréia)
- Mãos
- Cora Coralina
- Experiência
- Propositiva
- Servir

Vítor (Odilon)
- Poder do discurso, oratória
- Blogs de jornalistas nacionais e internacionais.
- Curioso
- Objetivo

Frederico (Inácio)
- filho da copeira
- estudou com bolsa
- tem uma questão com os números
- carinhoso

Nina (Cecília)
- Trabalho social em comunidade
- olhar o passado para ver o presente e modificar o futuro
- jogo de poderes
- a história dos vencidos
- registro (arquivo)
- poesia que se manifesta de forma prática e concreta.
- pai preso político
- defende a liberdade. Lilla e o suicídio, questão de escolha.

Marília (Rita)
- organização ensaiada e clássica da coisa
- inflexibilidade do Caco com relação ao suicídio da amiga Letícia.
- revendedora da Natura.
- cursou design de interiores
- filme "A pele"

PESQUISA DE CAMPO. INTENSIFICAR E EXPLORAR.

terça-feira, 19 de abril de 2011

ensaio 15

18/04, unirio, sala 301
diogo, flávia, fred, dominique, vítor, marília e nina.

AQUECIMENTO DE USO. radiohead. p.j.harvey. atenção aos olhos. ao estilizar em excesso.

PANO. ao som de lykke li. the white stripes. nina simone.

RESPOSTA KINESTÉTICA. um a um pelo espaço em linhas retas. tem um pequeno inseto jogando com eles. não sei se uma aranha ou pernilongo ou mesmo formiga. mas tá jogando.

PRÓLOGO.

o roubar do lenço de andréia.

FLUXOS TEXTUAIS.

RITA > eu meio que casei. eu meio que larguei a faculdade. eu meio que me apaixonei. meio que fui encontrá-lo naqueles dias.

ODILON > eu perguntei se o jornalismo era viável. eu perguntei porque não cortar os pulsos. eu perguntei porque andréia não fez nada. eu perguntei porque minha mãe e lilla viraram um mesmo lugar. eu perguntei porque minha vida tinha na infância sua melhor matéria. e perguntei se era fraco. e perguntei da dor. e perguntei qual é a esperança? e perguntei…

INÁCIO > você sabia que esse quadro vale muito lá fora? você sabia que ela sempre usava essa expressão, bateu o olho. você sabia que isso vale ouro? você sabia que eu quase larguei tudo pra viver só de arte? eu olhava e falava o que dava pra vender, ela olhava e falava o que arrepiou. você sabia que ela me chamava de zebra? você sabia que ela se jogou, né? você sabia que ela sempre morou no alto? você sabia que…

CECÍLIA > eu achava que eu nunca ia querer tanto assim guardar uma memória. eu achava que saudade era algo imaterial. eu achava que eu estava a salvo, que eu tinha a dimensão do que é a vida. eu achava que o all-star de onzinha fosse furar no pé dela e não no meu. eu achava que não haveria susto.

ANDRÉIA > na verdade tinha um gosto que parecia cortar. tinha um gosto expressivo. um gosto assim, nada pré-definido. às vezes até azedava. naquele dia tinha um gosto doce. tinha um gosto suave que te delicia e te faz querer alongar ou mastigar.

RODINHA DA POTÊNCIA DO SUICÍDIO VIDA.

Eu e Petulante.
Beijei ele embaixo da barraquinha de bebida.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

ensaio 14

15/04, unirio, sala 301
diogo, fred, nina, vítor, marília, dominique e gustavo.

hoje que a ameida neves não está presente, optei por propor uma outra coisa. ao invés de continuar o trabalho criando certa continuidade para tudo que estava sendo buscado, escolho marcar um keyframe em nosso processo de ensaio, ou seja, um ponto chave no qual seja possível ver uma síntese do que foi produzido até agora. uma síntese produtiva.

são 08h50 e os meninos estão se alongando. enquanto isso eu preparo o que dizer a eles: desperdiçar o ensaio; processo colaborativo; objetivo de montar o nosso prólogo; temos poucas horas para isso, portanto, começo delimitando o espaço. marquei com fita crepe, ao entrar na sala, um quadrado (não perfeito) que tem ao fundo uma parede suja, ferida e esburacada. tipo algo presente na obra do killian. tipo parede de apartamento recém-desmobiliado. falta a reforma. falta o reparo.

PRODUÇÃO DE PRESENÇA, Gombricht, sugere Gustavo;

aquecimento de uso + especulações de posições no espaço

montagem do PRÓLOGO

cecilia impaciente com a lista nas mãos, jogo do coçar entre os outros. espirro.

andreia – um mobile do quarto, tres almofadas verdes, a coleção de dvds e um abajur;
rita – uma cristaleira com vinte taças e a caixa de maquiagem
e o jorge amado e a sydnei sheldon e o hardware (o HD).
odilon - (OI?) – ficou com o laptop, os oito minicactos da janela, a coleção de lp antigo e revistas;
inácio – sofá da sala, o lustre, três quadros, liquidificador, cosméticos, uma cadeira de balança
também queria aquele all star dela de zebrinha, cano alto
cecilia – e eu fiquei com a coleção de livros e dois quadros (o do cavalo e o da menina) e com três pares de sapato alto.

sobrou uma pelúcia.

para ela parar de querer coordenar tudo, que a história não gira em torno dela.

inácio – de qualquer forma é curioso aquilo, né?

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parado em suas posições

lista de cecília (andreia, rita, odilon, inácio,

“o all star de cano alto de zebra” inácio e cecília falam juntos.

acomodam-se. sentam-se prócimos. escorrem apenas.

inácio - de qualquer forma é curioso isso, né? essa palavra free num cotoco de cigarro. vocês sabem o que significa? pra quem não sabe, como o odilon, free significa liberdade, livre… a lilla bem que podia ter ficado só no cigarro. se um de vocês tomar coragem e for até o quarto dela, tá cheio de liberdade querendo se jogar da janela dela.
cecília – você não consegue calar a boca não, inácio?
inácio – você não consegue parar de sofrer não, cecília?
cecília - não.
inácio – mas o que tava em jogo aqui era super simples. era dividir os pertences da lilla e pronto.
cecília – inácio, você tá sendo mesquinho. isso não é uma divisão de bens.
inácio – a gente faz dois meses página em branco. os quatro. (o tempo de deus é diferente da gente. ela pode ta feliz lá saltitando com as zebrinhas e dos anjinhos. a nososa historia é ha dois meses página em branco. vamos escrever alguma coisa também.)
cecília – a gente era seis faz pouco tempo. não é estranho? (a gente era seis ha muito pouco tempo. é estranho demais. hein, inácio, não é estranho? dá pra rir?)
inácio – então vamos tentar juntos. (então se apóia, vamos tentar junto. juntos. vamos tentar juntos. vamos? se ninguém responder fica dificil)
cecília - eu não to conseguindo.
rita – a gente pode marcar outro dia? na praia.
cecília – marcar outro dia?
rita - eu to com fome.
andréia - não tem comida não.
cecília – vinho.
inácio – olha o odilon ai, vamos beber  minalba.

inácio – rita, remédio. cecília. andreia, fanha

vcs juram que a gente vai ficar preso dentro desse apartaemento sem nem ao menos comer alguma coisa.

PORRADARIA

manda um email depois explicando o que fazer detalhadamente todo o dia.

piada de mal gosto. desculpa, falei um monte de merda, mas piada de mal gosto.

eu tô com fome.

não tem nada pra comer.

tudo bem, existe um mundo lá fora

então vamos doer?
então dói de verdade!

agendamento para dia 07 de maio um encontro no meu apartamento para assistirmos o filme O REENCONTRO e jantar (chefarantes) e ensaio no espaço do apartamento.

para segunda, os FLUXOS.

rever o prólogo só via aquecimento de uso.

terça-feira, 8 de março de 2011

especulações

humm… eu tô todo assim agora, especulativo. eu fico pensando em possibilidades para parir esse monstro coletivo. acostumando o olhar por sobre as coisas e por sobre as incongruências do dia-a-dia. testando o teclado novo deste netbook que comprei para escrever esta peça junto a vocês, em tentação, em sala de ensaio.

eu pensando neles passando por mim pelo meio da rua, entrando num mesmo ônibus ou metrô. eu pensando nela passando por mim indo rumo ao seu desbravar. é curioso imaginar esses personagens aqui perto de nós reunidos, ainda que em separado. é curioso imaginar que tenham vida e que sua ficção só é ficção porque está reunida numa sala (ou palco) ou numa dramaturgia impressa em folhas A4. porque tá tudo acontecendo. o absurdo que muita vezes dizemos existir é apenas uma forma de olhar o real. é apenas uma cor um filtro ou uma combinação pouco acostumada da luz do dia com uma dada intensidade de nossas dores.

sei lá. esses filmes são curiosos. combinam-se entre si sem fazer um sentido só. quer dizer, dão num tiroteio de referências e não conseguem se unir por igualdades. são heteróclitos. são de todos os tipos. ainda bem. é bem assim como eu os vejo. é bem assim como nós já somos. grandes pistoleiros com alvos distintos e pouco estáveis.

talvez lá adiante possamos mirar um mesmo alvo. talvez isso sequer se faça necessário. por enquanto, é especular.

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Diogo Liberano

domingo, 27 de fevereiro de 2011

STALKER, Tarkovsky


caramba, que filme.
caramba, que papel esse o nosso.

 
 

eu me apropriaria de uma fala do filme e a dirigiria aos nossos espectadores:

let everything that's been planed come true
let them believe
and let them have laugh at their passions
because what they call passion actually is not some emotional energy
but just the friction between their souls and the outside world
and most important
let them believe in themselves
let them be helpless like children
because weakness is a great thing
and strength is nothing



 o filme me atravessa porque não remói o perdido. constrói por sobre.