\\ Pesquise no Blog

Mostrando postagens com marcador encenação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador encenação. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O MANIFESTO DO RIO NEGRO

O MANIFESTO DO RIO NEGRO


Amazônia constitui hoje, sobre o nosso planeta, o "último reservatório", refúgio da natureza integral. 

Que tipo de arte, qual sistema de linguagem pode suscitar uma tal ambiência - excepcional sob todos os pontos de vista, exorbitante em relação ao senso comum? Um naturalismo do tipo essencialista e fundamental, que se opõe ao realismo e à própria continuidade da tradição realista, do espirito realista, além da sucessão de seus estilos e de suas formas. O espirito do realismo em toda a historia da arte não é o espirito da pura constatação, o testemunho da disponibilidade afetiva. O espirito do realismo é a metáfora; o realismo é, na verdade, a metáfora do poder: poder religioso, poder do dinheiro na época da Renascença, em seguida poder politico, realismo burguês, realismo socialista, poder da sociedade de consumo com a pop-art. 

O naturalismo não é metafórico. Não traduz nenhuma vontade de poder, mas sim um outro estado de sensibilidade, uma maior abertura de consciência. A tendência à objetividade do "constatado" traduz uma disciplina da percepção, uma plena disponibilidade para a mensagem direta e espontânea dos dados imediatos da consciência. Como no jornalismo, mas sendo este transferido ao domínio da sensibilidade pura, "o naturalismo é a informação sensível sobre a natureza". Praticar esta disponibilidade ante o natural concedido é admitir a modéstia da percepção humana e suas próprias limitações, em relação a um todo que é um fim em si. Essa disciplina na conscientização de seus próprios limites é a qualidade primeira do bom repórter : é assim que ele pode transmitir aquilo que vê - "desnaturando" o menos possível os fatos. 

O naturalismo assim concebido implica não somente maior disciplina da percepção, mas também maior na abertura humana. No final das contas a natureza é, e ela nos ultrapassa dentro da percepção de sua própria duração. Porém, no espaço-tempo da vida de um homem, a natureza é a medida de sua consciência e de sua sensibilidade. 

O naturalismo integral é alérgico a todo tipo de poder ou de metáfora de poder. O único poder que ele reconhece é o, poder purificador e catártico da imaginação a serviço da sensibilidade, e jamais o poder abusivo da sociedade. 

Este naturalismo é de ordem individual. A opção naturalista oposta à opção realista é fruto de uma escolha que engaja a totalidade da consciência individual. Essa opção não é somente critica, ela não se limite a exprimir o medo do homem frente ao perigo que corre a natureza pelo excesso de civilização industrial e a consciência planetária. Ela traduz o advento de um estado global da percepção, a passagem individual para a consciência planetária. Nos vivemos uma época de balanço dobrado. Ao final do século se junta o final do milênio, com todas as transferências de tabus e da paranóia coletiva que esta concorrência temporal implica - a começar pela transferência do medo do ano 1000 sobre o medo do ano 2000, o átomo no lugar da peste. 

Vivemos, assim, uma época de balanço. Balanço do nosso passado aberto sobre nosso futuro. Nosso Primeiro Milênio deve anunciar o Segundo. Nossa civilização judaico-cristã deve preparar sua Segunda Renascença. A volta do idealismo em pleno século XX supermaterialista, a volta de interesse pela historia das religiões e a tradição do ocultismo, a procura cada vez maior por novas iconografias simbolistas: todos esses sintomas são conseqüência de um processo de desmaterialização do objeto, iniciado em 1966, e que é o fenômeno maior da historia da arte contemporânea no Ocidente. 

Apôs séculos de "tirania do objeto" e seu clímax na apoteose da aventura do objeto como linguagem sintética da sociedade de consumo - a arte duvida de sua justificação material, ela se desmaterializa, se conceitua. Os andamentos conceituais da arte contemporânea só têm sentido se examinados através dessa ótica autocrítica. A arte é ela mesma colocada numa posição critica. Ela se questiona sobre sua imanência, sua necessidade, sua função. 

O naturalismo integral é uma resposta. E justamente por sua virtude de integracionista, de generalização e extremismo da estrutura da percepção, ou seja, da planetarização da consciência, hoje ela se apresenta como uma opção aberta - um fio diretor dentro do caos da arte atual. Autocrítica, desmaterialização, tentação idealista, percursos subterrâneos simbolistas e ocultistas: essa aparente confusão se organizará talvez um dia, a partir da noção do naturalismo - expressão da consciência planetária.

Esta reestruturação perceptiva refere-se á uma real mudança e a desmaterialização do objeto de arte, sua interpretação idealista, a volta ao sentido oculto das coisas e sua simbologia constituem um conjunto de fenômenos que se inscrevem como um preâmbulo operacional à nossa Segunda Renascença - etapa necessária para uma mutação antropológica final.

Hoje, vivemos dois sentidos da natureza: aquele ancestral, do "concedido" planetário, e aquele moderno, do "adquirido" industrial e urbano. Pode-se optar por um ou outro, negar um em proveito do outro; o importante é que esses dois sentidos da natureza sejam vividos e assumidos na integridade de sua estrutura antológica, dentro da perspectiva de uma universalização da consciência perceptiva - o Eu abraçando o mundo, fazendo dele um uno, dentro de um acordo e uma harmonia da emoção assumida como a única realidade da linguagem humana.

O naturalismo como disciplina de pensamento e da consciência perceptiva é um programa ambicioso e exigente que ultrapassa de longe as balbuciantes perspectivas ecológicas de hoje. Trata-se de lutar muito mais contra a poluição subjetiva do que contra a poluição objetiva - a poluição dos sentidos e do cérebro contra aqueda do ar e da água.

Um contexto tão excepcional como o do Amazonas suscita a idéia de um retorno à natureza original. A natureza original deve ser exaltada como uma higiene da percepção e um oxigênio mental: um naturalismo integral, gigantesco catalisador e acelerador das nossas faculdades de sentir, pensar e agir. 

Pierre Restany

Alto Rio Negro, quinta-feira, 3 de agosto de 1978.
Na presença de Sepp Baendereck e Frans Krajcberg.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Aproximação ---

São só vontades, intuições, colisões inventadas. Eu fiquei pensando - a coisa do apartamento - que seria interessante que a dramaturgia do acontecimento (mais trabalhada em outra espetáculo, VAZIO É O QUE NÃO FALTA, MIRANDA), agora pudesse se transformar em dramaturgia da situação. Temos uma situação dada, entendida, já revelada. E, no entanto, brincamos de situacionar. De nos colocar em situação.

Penso: sinto que a obra teatral deva nos colocar frente ao desconhecido, frente ao repressado, ao não-assumido (frente ao inconsciente - talvez nosso, talvez por isso mesmo, coletivo). Não pode haver pudor, nem frente ao desejo, nem frente ao terror. Logo, experimentar uma situação é fazer do teatro espaço para a vida (que se escondeu dentro de si, amedrontada). Eu não temo o suicídio porque a obra me deu a possibilidade de testar em meu corpo a sua façanha, a sua ousadia, a sua explosão e o consumo que seu fogo pode causar (ao meu corpo, cabeça e sentidos).

O teatro não deveria ser este edifício? Dos afetos? Da transformação? O corpo não deveria acessar o teatro - corpo-ator + corpo-espectador - e sair queimado, violado, alterado? A cada andar deste edifício uma legião de desconhecidos moradores, de desconhecidos afetos, pedindo pele na qual aportar. Afetos na ânsia por acontecimento.


Eu fico pensando na dramaturgia da situação e penso, inevitavelmente, em roteiro. Penso em performance, mas apenas no sentido de que temos o espetáculo (não queremos brincar de improvisar). Queremos ser sempre mentirosos e vivos ao mesmo tempo. A cada noite, o mesmo drama, mas verdadeiramente. Pois a cada noite, nos apresentamos em um novo espaço (e a psicologia do drama - do personagem que se suicida - será apenas dada pelo espaço e não previamente).


Quero dizer: a sinopse prevê o reencontro de cinco amigos após o suicídio de um amigo em comum. Quero dizer: eles se encontram no apartamento desse amigo que se mata - logo, é desse apartamento que a ficção nasce, mesmo tendo sido premeditada. A cada novo espaço ocupado (que fique claro: faremos a peça em apartamentos), um novo drama, uma nova situação (visto termos mudado o nosso amigo falecido).

Estaremos experimentando a morte do dono da casa. E a nossa capacidade de produzir e de lhe ser afeto.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

e depois da peça tem FESTA NA LAJE

DRAGÃO na GAMBOA

Venham todos e todas! Vai ser imperdível! Mesmo!

\\

Nesta sexta e sábado, tem DRAGÃO na GAMBOA

Cinco jovens se reencontram no apartamento de uma amiga em comum, dois meses após o seu suicídio. Esse é o ponto de partida do espetáculo Como Cavalgar um Dragão, da jovem companhia carioca Teatro Inominável. Com dramaturgia de Diogo Liberano, criada em processo colaborativo, a peça fala de uma geração em busca do acerto de contas com uma realidade contraditória que a perfura e desorienta. A estreia aconteceu em 2011, no TEMPO_FESTIVAL das Artes, seguida de uma temporada de sucesso durante dois meses no Teatro Municipal Maria Clara Machado.

A aposta cenográfica, assinada por Rafael Medeiros e Fernanda Abreu, parte do mote inaugural do projeto, "atravessamentos", para compor o espaço de um apartamento onde as paredes são telas de pintura cruas que evidenciam o universo representacional do espetáculo e, que passam a ser atravessadas pelos atores na evolução da dramaturgia. Para o crítico João Cícero Bezerra, em crítica publicada no site do TEMPO_FESTIVAL,  "(...) Eis um belo drama contemporâneo (...) uma investigação filosófica sobre a perda. Como Cavalgar um Dragão quer chegar à dimensão ética da linguagem, naquele momento em que a falta desestabiliza o todo, e surge a necessidade de recriar o sentido, a fim de que o jogo e a vida continuem em sua significação arriscada (...)".

Graduado em Direção Teatral pela UFRJ, Diogo Liberano assina a direção ao lado de Flávia Naves, graduada em Artes Cênicas pela UNIRIO. A produção é de Rômulo Corrêa e no elenco estão Dominique Arantes (Andréia), Fred Araújo (Inácio), Marília Misailidis (Rita), Nina Balbi (Cecília) e Vítor Peres (Odilon). O espetáculo foi contemplado pelo Fundo de Apoio ao Teatro – FATE, da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, e conta com a supervisão de Marina Vianna, atriz e co-autora do espetáculo/filme de Christiane Jatahy, A falta que nos move, importante referência no processo.

Ensaio de DRAGÃO

Para Antonio Guedes, diretor do Teatro do Pequeno Gesto, "Do ponto de vista da dramaturgia, o Dragão trabalha com personagens muito bem construídos. Contando com a parceria de ótimos atores, esses personagens, pelo contraste de temperamentos, nos apresentam um rico mosaico de reações possíveis diante do tema central: o suicídio. Mas do ponto de vista da encenação, esse conto não se deixa transformar numa narrativa simplista, realista, mero relato de uma história. Como plateia, experimentei a descoberta de cada modo de se colocar diante desse limite imposto sobre a vida."

Em 2012, o espetáculo começa o ano no Galpão Gamboa, dentro da mostra GamboaVista. Serão apenas duas apresentações, nessa sexta (21h30) e sábado (21h), dias 03 e 04 de fevereiro. Na sexta, logo após o espetáculo, haverá uma festa com o Bar Enchendo Linguiça e DJ’s convidados. Para quem assistir o espetáculo, a entrada é gratuita. Para quem chegar até 00h, apenas r$ 10. E pós 00h, r$ 20. Para maiores detalhes, acesse o blog do espetáculo (atravessar.blogspot.com) ou do Instituto Galpão Gamboa (www.galpaogamboa.com.br).

SOBRE O TEATRO INOMINÁVEL

Criado em 2008 pelo encontro de Adassa Martins + Dan Marins + Diogo Liberano + Flávia Naves + Helena Cantidio + Natássia Vello, jovens artistas com graduação em Artes Cênicas por universidades públicas brasileiras (Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ + Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO), durante poucos anos de existência, o Teatro Inominável criou quatro espetáculos: com NÃO DOIS (2009) pesquisamos a dramaturgia contemporânea da Argentina, num processo que durou onze meses por sobre a obra PASO DE DOS do dramaturgo Eduardo Pavlovsky. Nessa peça, nos debatemos contra o ditado popular “quem cala consente”, apresentando um drama sobre um torturador e uma torturada e a possibilidade do horror e do afeto coexistir num mesmo gesto; com VAZIO É O QUE NÃO FALTA, MIRANDA (2010), depois de dez meses em processo, descobrimos como o sentido é uma verdade movediça. Profanando a obra ESPERANDO GODOT de Samuel Beckett, nos debatemos contra outro ditado popular: “quem espera sempre alcança”. Nessa peça, diversas possibilidades para criação e cognição do sentido eram tentadas, numa encenação metáfora de si própria, na qual quatro atrizes e um diretor tentavam trazer aos palcos uma peça que nunca chegava a ser criada; em COMO CALVAGAR UM DRAGÃO (2011), apresentamos um reencontro de cinco amigos dois meses após o suicídio de uma amiga em comum. Partimos da busca e da necessidade de se permitir ser afetado pelo mundo e pelas relações, redescobrindo tudo aquilo que nos atravessa. DRAGÃO foi contemplado pelo Fundo de Apoio ao Teatro da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro e integrou a programação do TEMPO_FESTIVAL das Artes; com SINFONIA SONHO (2012) apresentamos uma tragédia contemporânea criada a partir de recentes tragédias envolvendo o massacre de crianças em espaço escolar no Rio de Janeiro. Nessa peça, a companhia busca falar sobre a infância e, por extensão, também do futuro. Em nossa investigação, priorizamos as questões do “agora” e também do “aqui”, numa busca constante por diálogo com o nosso país e cidade.

SERVIÇO

COMO CAVALGAR UM DRAGÃO
Classificação etária: 14 anos
Duração: 75 minutos
Sexta (03/02) as 21h30 e Sábado (04/02) as 21h
Instituto Galpão Gamboa
Rua da Gamboa, 279 – Barão da Gamboa – Rio de Janeiro
Clique aqui para saber como chegar
Informações:
(21) 2516-5929
Capacidade: 80 lugares
Ingressos: r$ 20, (inteira) e r$ 10, (meia-entrada)

\\

domingo, 15 de janeiro de 2012

pontos de vista para os próximos ensaios,,

meninos,

a partir de nossa reunião aqui em casa, tramei sete pontos de vista pelos quais acredito ser necessário passarmos, mirando cada cena novamente, uma a uma, tentando desdobrar aquilo que porventura esteja confuso, ou em falta, ou que tenha sido esquecido ou mesmo sequer ainda especulado. é uma maneira de olharmos para o que já temos e multiplicarmos as nossas implicações em expressão. é mais uma vez um jogo possível. mas tem que ser jogado. assim, o que descrevo abaixo não é nada inédito, mas sim um apanhado das questões que me pareceram mais recorrentes em nossas falas.

JOGO ou de que maneira - como - os atores expressam a cena, traduzem a dramaturgia;
BATIDA ou o tempo de cada cena (ou pedaço de cena), a duração e os inúmeros ritmos que constituem algum todo;
APROPRIAÇÃO ou em quais trechos ainda não se é confortável o jogo e como resolver isso, como ganhar a briga com as exigências da encenação e da dramaturgia;
CORPO-GESTO ou como o corpo de cada ator expressa aquilo inexprimível de sua personagem, um esboço de cada dragão (in)contido;
QUADRO ou como trazer a tona o que está soterrado sob o excesso de palavras e movimento, aquilo que é dito sem que as personagens percebam estar dizendo;
PARAGEM ou alguma maneira de permitir que a escuta aconteça, para que personagens bem como espectadores consigam deixar a ficha cair e tenham espaço-tempo para isso;
PERPLEXIDADE ou a tentativa em primeiro plano, como expressar alguma incompreensão que ali se encontra latente e em movimento.

como exposto, não é nada demais. os pontos de vista se confundem uns com os outros, mas é possível trabalhar solitariamente a partir de apenas um. pensar as cenas por tais olhares me parece determinante e extremamente proveitoso.

vejamos como vai ser isso.

\\
    

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

“Diálogo, mais ou menos ágil, com o desequilíbrio geracional”

Eis que a nossa primeira crítica é feita pelo crítico Macksen Luiz, que esteve presente em nossa estreia, no dia 11 de outubro. A opinião do crítico foi postada em seu blog [http://macksenluiz.blogspot.com/] e pode ser conferida abaixo (clique sobre a imagem para vê-la em tamanho maior):

critica macksen 18out copy

\\

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Release

logo-documentos

Cinco jovens se reencontram no apartamento de uma amiga em comum, dois meses após o seu suicídio. Novo espetáculo do Teatro Inominável, a peça Como Cavalgar um Dragão, dramaturgia de Diogo Liberano criada em processo colaborativo, fala de uma geração em busca do acerto de contas com uma realidade contraditória. A estreia será no TEMPO_FESTIVAL das Artes, nos dias 17 e 18 de setembro, no Espaço SESC. Em outubro, a montagem estará em cartaz no Teatro Municipal Maria Clara Machado.

Graduado em Direção Teatral pela UFRJ, Diogo Liberano assina a direção ao lado de Flávia Naves, graduada em Artes Cênicas pela UNIRIO e formada como atriz pela Casa de Artes Laranjeiras – CAL. No elenco, estão os atores Dominique Arantes (Andréia), Fred Araújo (Inácio), Marília Misailidis (Rita), Nina Balbi (Cecília) e Vítor Peres (Odilon).

A aposta cenográfica, assinada por Rafael Medeiros e Fernanda Abreu, parte do mote inaugural do projeto, "atravessamentos", para compor o espaço de um apartamento onde as paredes são telas de pintura cruas que evidenciam o universo representacional do espetáculo e, que passam a ser atravessadas pelos atores na evolução da dramaturgia.

O Inominável investiga a produção de uma cena capaz de dar voz à inquietação característica dos tempos atuais. “A intenção é abordar esta geração que, frente a situações extremas como a morte, não se permite ser indiferente. Não se trata de obter respostas, mas de cruzar os extremos”, explicam os diretores.

Criado em 2008, o Teatro Inominável (Adassa Martins + Dan Marins + Diogo Liberano + Flávia Naves + Helena Cantidio + Natássia Vello) vem se destacando no cenário teatral do Rio de Janeiro. Seus dois primeiros espetáculos, realizados de forma independente, continuam em cena: “Não Dois” (2009) do texto argentino Paso de Dos de Eduardo Pavlovsky e “Vazio é o que não falta, Miranda” (2010) da obra Esperando Godot de Samuel Beckett.

Contemplado pelo Fundo de Apoio ao Teatro – FATE, da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, o espetáculo conta com a supervisão de Marina Vianna, atriz e co-autora do espetáculo/filme de Christiane Jatahy, “A Falta que nos move”, importante referência no processo.

SOBRE DIOGO LIBERANO

Graduado em Direção Teatral pela UFRJ, Diogo Liberano vem se destacado como dramaturgo e diretor teatral. Este ano foi selecionado para o Seminario Intensivo de Dramaturgos, promovido pelo Panorama Sur, em Buenos Aires. Como diretor, foi convidado pela Cia do Atores a co-dirigir, ao lado de Cesar Augusto e Susana Ribeiro, o espetáculo “Peças de Encaixar”. Diretor Artístico do Teatro Inominável, dirigiu “Não Dois” (2009) e “Vazio é o que não falta, Miranda” (2010).

SOBRE FLÁVIA NAVES

Graduada em Artes Cênicas pela UNIRIO e formada como atriz pela Casa de Artes Laranjeiras – CAL, nos últimos anos, Flávia Naves vem realizando assistência de direção de diretores como Ana Kfouri (“Senhora dos Afogados”) e Ivan Sugahara (nos espetáculos “A Estupidez”, “Tempo de Solidão” e “Sem Ana”). Também integrante do Teatro Inominável, como atriz, está em “Vazio é o que não falta, Miranda” e agora assume a direção do novo espetáculo da companhia ao lado de Diogo Liberano.

 

SERVIÇO “COMO CAVALGAR UM DRAGÃO”
Classificação etária: 14 anos
Duração: 75 minutos

Temporada no Teatro Municipal Maria Clara Machado
Estreia dia 11 de outubro
Até 7 de dezembro

Terças e quartas, às 21h
Teatro Maria Clara Machado (Planetário da Gávea)
Rua Padre Leonel Franca 240 – Gávea
Informações: (21) 2274-7722
Capacidade: 80 lugares
Bilheteria: terça-feira à quinta-feira a partir das 18h; sextas, sábados e domingos a partir das 15h. Sempre até 21h. Aos domingos até 20h.
Ingressos: R$20 (inteira) R$10 (meia)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Notas sobre a dramaturgia – Oito

faz tempo que não escrevo sobre a nossa dramaturgia. nessa semana, ouvi de marina vianna que nosso processo é o mais textocêntrico de todos. entrei numa crise (rápida, passageira, porém sincera e contundente). a pergunta não é que dramaturgia criamos, mas sim de que maneira chegamos até ela. tenho a clareza absoluta agora de que o nosso drama foi erguido a partir do papel escrito e não necessariamente a partir de ires e vires do corpo ao papel e vice-e-versa. nenhuma problema. o processo é movimento, é erro e tentativa.

não sei porque estou escrevendo isso. temos a nossa estreia dentro do TEMPO_FESTIVAL das Artes no próximo sábado e foi apenas no sábado passado que eu terminei de escrever o texto. de sábado passado (início de setembro, mais precisamente no dia três) até hoje, quinta, muito texto já foi mexido e reescrito. eu, aliás, estou na cozinha da minha casa, tomando um café, enquanto me preparo para reescrever um trecho que espero ser o último até nossa estreia.

mentira. a dramaturgia é e sempre foi movediça. a cena quer entrar e quer se fazer escrita. se foi um processo textocêntrico? talvez por in_experiência, talvez por amadorismo = aquela febra dos que amam com cuidado e excesso de zelo. nenhum problema. respiro. o que ponho aqui escrito é relato sincero e preciso. estamos em tempo. os corpos se movem mais do que nunca ansiosos pelo encontro com o abismo.

chega de poesia. o final da peça escrito. PRÓLOGO (escrita automática) + CENA UM (despedida do ideal) + CENA DOIS (medida da trajetória) + CENA TRÊS (esse mau estar) + CENA QUATRO (rir das marcas) + CENA CINCO (desconhecer-se) + CENA SEIS (não nomear) + EPÍLOGO (profanare). os nomes sempre sintetizando aquilo que depois eu tento expressar por falas, discursos, personagens conflitos e cruzamentos.

enfim, eu queria dizer que eu não sei. que o texto chegou ao fim mas é desde já, desde sempre, coisa morta. que é bom, bonito e seguro. mas que precisa dos corpos, das investidas, das desmedidas, sim, sobretudo das desmedidas. o texto precisa trepidar, ser alvo dos soluços e dos respirares. eu tô tão óbvio. não importa. quis apenas vir até aqui e constatar: o quanto produzimos. o quanto ainda falta para concretizar.

vamos?

\\

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

alterações dramaturgia

FINAL DA CENA TRÊS

Inácio Rita, fica!

Rita Por que, Inácio, ficar por quê? Pra arranjar um culpado, alguém que possa ter feito com que a Lilla se matasse? Não, eu não fico, Inácio. Hoje é o primeiro dia que a gente se reencontra depois do enterro da Letícia e você não tem ideia do peso que as suas palavras ganham quando saem da sua boca e chegam ao nosso ouvido. Eu não tenho motivo pra ficar.

Inácio Rita, por favor, fica!

Rita Só se você me fizer acreditar que você sabe exatamente o que tá acontecendo aqui dentro, me faz acreditar que você tem a capacidade de abrir essa boca pra dizer alguma coisa realmente sincera e importante. Me faz acreditar agora, Inácio, a hora é agora, eu tô aqui na sua frente, mas não por muito tempo\

 

PARTITURA PRÓLOGO

1. ALMOFADA
2. BLUSA
3. MAIÔ
4. CAIXA
5. LIVROS
6. QUADRO
7. ABAJUR
8. MÓBILE
9. WALKMAN
10. PUFF
11. ALL-STAR
12. GUARDA-ROUPA

Andréia. Um par de sapatilhas brancas número 34; um par de patins pretos com rodinhas roxas número 37; dois pares de All Star, um branco básico e um vermelho de couro, ambos número 37; três almofadas que ficavam sobre a cama 1 (a vermelha, a amarela e a azul); uma blusa do Guaraná Antártica comemorativa da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1998; um vestido quadriculado 3 estilo toalha de mesa; todos os álbuns de fotografias 12 de 1994 até 1999; uma caixa de papelão 4 com todos os calendários da Caixa Econômica Federal desde 1999; uma caixa de papelão com dezesseis VHS de gravações diversas; três livros 5 sobre o Francis Bacon, um deles em inglês; cinco livros do Samuel Beckett; uma reprodução emoldurada do quadro 6 Icarus do Matisse; uma tela riscada com traços de tinta a óleo tentando reproduzir o quadro do Matisse; um abajur lilás 7 com franja que ficava na mesa de cabeceira; um móbile 8 de libélulas pequenininhas que ficava preso na janela; um Walkman 9 velho da Sony; um puff 10 quadrado e amarelo, com rodinhas; e um All  Star 11, o de cano alto de zebrinha número 37 que eu também quero pra mim mas a gente resolve isso depois.

Eu. Um par de All Star 11 cano alto de zebrinha número 37 que a Andréia também quer e que a gente resolve depois; ANDRÉIA ENTRA um par de salto alto verde 10 bebê número 37 ANDRÉIA É TOCADO; um par de sapato marrom trançado a couro número 37; um par de sapato vermelho (o da formatura) número 38; aquela blusa dos Beatles e aquela jaqueta que já estão lá em casa; um guarda-chuva preto; uma caixa de papelão com um baralho da drogaria Pacheco; um diário pequeno em branco; dois cadernos médios em branco; uma canga promocional do jornal O GLOBO; ANDRÉIA SAI e dois quadros 6, um do cavalo e um da menina.

Inácio. Uma casa de dois andares 12 da Barbie que tava desmontada sobre o guarda-roupas; um cavalete de madeira 9 com alturas ajustáveis; quatro gnomos  5 de madeira pintados; três duendes também de madeira, também pintados (sendo que um dos duendes tá sem o braço esquerdo); uma bola de vôlei 4; aquele brinquedo estranho, o Guru do Gugu; um Pense-Bem; um micro system AIWA; uma vitrola pequena sem marca; uma TV SANYO 14’ 6 com VHS embutido, mas sem controle remoto; um DVD player muito velho, sem controle; um LP da Xuxa 1 autografado pela Xuxa; um cd do É o Tchan no Havaí; sete livros do Harry Potter (e mais dois pequenos: um sobre quadribol e outro sobre animais fantásticos); INÁCIO ENTRA uma agenda da Cantão 7 do ano 2000 completamente usada; uma agenda telefônica tradicional 8 e usada, de papel; um pôster do Fidel Castro; um pôster das Spice Girls; três quadros intitulados Homens, Relógios e Da casa pegando fogo; um balde cheio de pincéis (eu não tive saco pra contar quantos, mas todos os pincéis vão ficar pro Inácio); um edredom de joaninha; uma toalha de banho verde musgo 2; um maiô acetinado cor cobre 3; sete calcinhas (eu não vou dizer quais são porque o Inácio foi o único que pegou calcinha); um par de pantufas cabeça de girafa 10; um pijama de flanela com botões na frente; uma camisa escrota Alguém que te ama muito foi a Trancoso e lembrou de você; um casaco da GAP que todo mundo sabe qual é; INÁCIO É TOCADO um óculos Ray-Ban que todo mundo sabe qual é; um Paco Rabanne usado; um Lancaster fechado; uma maleta grande com todas as maquiagens;um par de All Star cano alto de zebrinha número 37 que eu também quero então a gente resolve isso depois; um mapa-astral feito à mão; uma cadeira de praia com listras coloridas; uma foto emoldurada daquele dia no Jardim Botânico; uma caixa de papelão com todas as cartas trocadas com o Conrado; uma foto emoldurada daquele final de semana em Angra; e uma foto emoldurada do dia da nossa festa de formatura. INÁCIO SAI.

Odilon. Um vinil do John Lennon 9; cinco da Nina Simone 5; três CDs do Strokes; cinco da Rita Lee; dois do Los Hermanos, o Los Hermanos e o Bloco do Eu Sozinho; o Circuladô Vivo do Caetano 12; uma edição do Macunaíma do Mário de Andrade; A teus pés da Ana Cristina César; Para viver com poesia do Mário Quintana; Diário de um cucaracha do Henfil; A Gaivota do Tchékhov; dois volumes do Mil Platôs do Deleuze e do Guattari, o volume 1 e o 3, 6 sendo que o 1 ainda tá embrulhado e o 3 tá sem algumas páginas; oito pequenas telas riscadas 4; uma tela média toda pintada de verde; um laptop coberto de adesivos e com a tela trincada; um par de meias 2 cinzas e grossas que tavam sobre a cama; um lençol de solteiro 3 que tava na cama (aquele dos cavalinhos de corrida); um perfume\ 11 Alguém lembra o nome? Daquele sem rótulo, que ela usava pouco? Um vidro de perfume sem rótulo que ninguém sabe o nome e que ela usava pouco; uma garrafa térmica 10 marrom com tampa plástica mordida; um celular velho 7 com o visor estilhaçado; e seis mini-cactos da coleção dos sete mini-cactos que ficavam no parapeito da janela do quarto dela só que um deles deve ter caído\

RITA ENTRA Rita. Uma caixa com as aquarelas; um diário em branco; uma edição d’O Código da Vinci; um DVD Elas cantam Roberto; um porta incenso com guarda-cinza acoplado; um cinzeiro de vidro maciço; uma imagem de barro de São Jorge matando um dragão; uma camiseta de Trancoso que o Inácio também quer então vocês resolvem isso depois; e um par de sapatinhos plásticos e vermelhos sem número que parece ser de alguma boneca.

\\

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

passadão + cena quatro

espaço sesc, 29 de agosto, 09h30/13h
diogo, nina, flávia, vítor, fred, dominique e marília

PRÓLOGO

aposta de utilizar a faixa DRAGZ 2 feita pelo cabelo;
cecília usa um mp3 player;
boa dicção, porém a voz parece baixa (tentar impostar mais);
boa a chegada da andréia (o tempo, a parada ao lado de cecília);
é bom tocar a sujeira no chão, mas talvez não com as mãos e sim com um dos pés;
bom o toque no inácio;
bom o sorriso no “conrado”;
cecília – fechar partitura e ser rigorosa na repetição da mesma;
a trilha também se retira da cena e deixa cecília rendida?
tônus na lista de odilon que não cessa até o fim da lista da rita;

CENA UM

reação de rita ao “né, rita?” de cecília;
bom o “chantagem emocional”;
bom o tirar do casaco, cecília;
ótimo, nina! o esporro no inácio (deu pra ver que não é por conta de um tênis);
andréia entra com o “pára, rita” com um sorriso que parece sobrar;
a coisa da saudade precisa ser mais sincera (inácio e rita);
rita, entrar mais na fala “se quiser eu posso ir ao banheiro”;
cuidado com a agressividade e a finalização do jogo físico entre os dois meninos;
”lembrança pra lilla”, indicar o lenço como se fosse lilla;
”não, aquilo que a gente tinha pra fazer aqui”, falta intenção (ele tá sendo irônico, escroto);
resolver a coisa da pelúcia;

CENA DOIS

meninos, na andança durante o monólogo de odila, serem mais ágeis e práticos, saindo de cena sem ter que conferir nada;
ótimo o solilóquio, apenas atenção ao forçar da emoção e tomar cuidado com as caras e bocas;
boa a risada (podem debochar mais da coisa da beterraba);
meninas, cuidado com o “pseduo-falatório” enquanto odilon e inácio “brigam” sobre o dvd;
”eu não perguntei isso” tá muito gritado, vítor;
bom o choro da rita e boa a reação da cecília;
corte no texto da rita: do calmante falar direto da ligação do caco" (eu entrego o corte);
cecília e andréia precisam ganhar mais a discussão;
”não chora” ainda não funciona;

CENA TRÊS

afetação maior no “é isso” inicial de andréia, talvez a gente deva aumentar o texto dela;
cecília e rita estão ótimas e fortes dentro de suas convicções;
rita entrar mais direta com ”ela me ligou também”;
será que o texto do odilon é todo pra andréia?;
brinde > não estrangular o texto;
SENTA PRA ASSISTIR não é para o público;

CENA QUATRO

bom o engasgar, fred;
rita, bom “de somar todas essas lembranças e montar uma lilla que nunca existiu”;

\\

sábado, 20 de agosto de 2011

passadão

PRÓLOGO – 12h24

um doce início, nina. foi preciso.

é também preciso o tempo de relação (em silêncio) com andréia e seu corpo.

dois quadros andréia sai lenta e cecília gagueja dois quadros o do cavalo e o da menina: ótimo receio de perder, da falta.

dominique talvez possa se afetar bem pouquinho aos toques, com um ligeiro sorriso, ligeiro tremer, arrepio.

o que falta é só o corpo dela, a presença continua, volátil.

a lista de inácio inaugura um tempo outro.

inácio chega de costas. lento, cecília o toca.

é bom isso fred de enquanto estiver sendo tocado estar olhando o vazio do espaço.

a lista do odilon começa com inácio saindo, talvez por isso certa irritação, também precisa, nina.

alguém lembra o nome do perfume, aquele sem rótulo que a letícia usava pouco?

rita entra meio sorridente, brincando com os gestos de cecíla – elas se encontram.

rita – cecília tem o rosto da amiga nas mãos.

CENA UM – 12h33

ótimo, fred, gastando o jogo nas falas que podem explodir ainda mais a situação.

ótimo, nina, usar o jogo na fala da lista.

gosto da rita quase estática reagindo com as mãos.

ótimo, ótimo, ótimo, maravilhoso! diz cecília sobre andréia sair da divisão.

rita sai, odilon entra.

a colisão entre odila e andréia não funciona. vocês ou colidem ou abandonam a ideia.

odilon gasta um bom tempo observando a chatice

interessante a entrada de rita e andréia, com sorriso no rosto, andréia só tá cansada desse papo

isso faz a implicância com o odilon ficar mais clara

o gaguejar é ótimo, dô, isso é o que você tá querendo…

bom o lilla, lilla, piada de mau gosto

boa a discussão de relação

pombinho odilon pombinho andréia

boa a briga!

cecília cheira o lenço

a recepção ao lenço que chega ainda não rola

bom demais o A GENTE TERMINOU de andréia e odilon

mto boa discussão entre andréia e odilon sobre a tela

rita no chão

CENA DOIS

ótimo, odila

bom os comentários de odilon, RESTAURANTE

ótimo diálogo odilon andréia

BEIJO NA BOCA, ela também beijou na boca se é isso que tá faltando

discussão dvd tem que dosar, mas rola

bom o jogo, rita, de interferência no papo odilon-inácio

boa, nina, as repetições como a grossa, como a grossa, isso não te diz nada, que grande resolução a sua, perfeito, brilhante

CENA TRÊS – 12h57

fred, boa evolução no ganhar

boa, dô – desde o início soltar o horror e a raiva por ser colocada nesse lugar

bom o porquinho, a progressão da epifania > acho q é preciso transbordar

papo truncado a mini-discussão tira a mão da minha frente é ótimo

ótimo > aceleração eu não tenho obrigação nenhuma

não é exclusividade/é sim/não é…

boa, vítor, a repetição que que vc fez com a lilla

ótimo, dô, a aproximação com andréia e a fala de andréia silenciosa para, tentando afastá-lo

simultaneidade das reação inácio cecília e rita <<

boa, rita, precisa sim!!! boa argumentação!!! te ligou, pediu um beijo, despedida!

TODO MUNDO AQUI SABE QUE A LETÍCIA TINHA MANIA DE DAR BEIJO

andréia, se afetar com a confissão da despedida de andréia

UM BRINDE >>> BOA! DÁ O START PRA TUDO

FALA ANDRÉIA

cadê a afetação dos amigos?

boa, cecília, segurar rita

rita sai, odilon sai, rita volta odilon fica lá dentro

\\

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

ensaio 73

16/08:11, unirio, sala 604
vítor, dominique, fred, marília, flávia e diogo

nina não pôde vir. eu cheguei um pouco atrasado. eles estão jogando o PANO. em seguida, trabalharemos pedaços do primeiro ato = prólogo + cena um + cena dois + cena três. o pano hoje é laranja. diferente. tem um peso outro.

trabalhos em separado:

MARÍLIA E SEU PEQUENO SOLILÓQUIO
DIÁLOGOS ODILON + ANDRÉIA
FALAS SOLTAS DA ANDRÉIA
EMBATE ODILON + INÁCIO
SOLILÓQUIO ODILON
FINAL CENA 3 COM RITA E INÁCIO

\\

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

LISTA de ACONTECIMENTOS FINAIS

Seguem abaixo possíveis acontecimentos para desenvolvimento nas cenas quatro, cinco e seis do espetáculo:

ESGOTAMENTO PÓS-CENA 3;

DIÁLOGO ANDRÉIA E ODILON: sobre o beijo, sobre "a gente terminou";

DIÁLOGO CECÍLIA E RITA: sobre altura, sobre a sala, os móveis, sobre a coragem e/ou desespero de lilla, diálogo sobre se você quer ser minha melhor amiga;

LEMBRANÇA DA LILLA: sobre a pinta na coxa, sobre o repositor de leite do supermercado, sobre a festa e a bolsinha cheia de cacarecos;

DIÁLOGO INÁCIO E ALL-STAR CANO ALTO DE ZEBRINHA: sobre se sentir incapaz de dar conta do convite feito pelos amigos, sobre não conseguir ser outra coisa, sobre se reconhecer vencido e incapaz de aceitar toda essa instabilidade;

RITA E CACO: sobre não querer ir embora, sobre estar na casa da amiga suicida, sobre estar com os amigos, sobre foda-se!;

A CARTA: sobre quando encontram a carta deixada pela amiga;

O GURU DO GUGU: sobre o recurso encontrado para brincar com o sentido, sobre perguntas lançadas ao guru sobre tudo isso, sobre perder a importância de alguma resposta;

CUPCAKE: sobre a possibilidade de comemorar alguma coisa, um desaniversário, a morte, a vida, qualquer coisa, sobre a possibilidade de usar as velas do último aniversário de lilla, encontradas, sobre a possibilidade de adoçar a boca e aliviar o segundo;

CECÍLIA E A NOTÍCIA DE JORNAL: que a fez lembrar dos amigos, fala de um ato de resistência de um grupo de seis jovens contra a demolição de um teatro no rio de janeiro que termina com a morte dos seis, fala de como o jornal anunciou tudo isso, fala que a fez se lembrar dos seis amigos;

O JOGO DO LENÇO: que todo mundo sabe qual é.

\\

composições de hoje











terça-feira, 9 de agosto de 2011

68

Um dia de descanso e estamos de volta à sala de ensaio e agora ainda mais cedo: 08:00 horas da manhã.

Voltamos recheados dos comentários sobre o nosso processo. Sim, o que aconteceu no Tempo Festival causou e causará muitos estragos, no melhor dos sentidos. Não posso deixar de dizer que a sensação de compartilhar aquilo que com tanto cuidado fizemos nascer é das melhores possíveis.
Ainda hoje uma amiga me parou no corredor da Unirio com vontade de falar. Ela queria compartilhar comigo e com Diogo o que tinha achado do nosso processo, e ela veio se aproximando com brilho nos olhos, o brilho de quem quer trocar, de quem quer dizer pra se aproximar, pra construir junto aquilo que só tem sentido se junto estivermos. Nunca antes experimentei a sensação da troca de forma tão verdadeira. Eis que então reconheço a potência própria do teatro e me alegro por estar envolvida nesse bonito trabalho.

De volta à sala de ensaio: deixemos os meninos respirar, indaga o Diogo. Vamos ver no que vai dar. Assim começou nosso ensaio de hoje, Marília, Dominique, Frederico, Vítor e Nina refazendo prólogo, cena 1, cena 2 e cena 3 soltos pelo espaço, abandonando marcas e profanando indicações. O que disso aproveitaremos ainda é obscuro, mas já é possível compreender como é forte e potente quando o jogo acontece com o corpo e não só com a palavra. Sim, o corpo, por favor. Mesmo que errado, torto, estremecido, embaraçado, mesmo que pesado, ruidoso e envergonhado, o corpo quer participar da brincadeira, quer chegar junto, quer mostrar a que veio. E vocês atores voltaram a lembrar os gestos e resgataram os jogos que havíamos abandonado e só agora percebo o quanto minhas intuições estavam certas: eu no fundo sabia que as coisas abandonadas nunca foram esquecidas.
Obrigada pelo prólogo de hoje Nina, Fred, Vítor, Marília e Dominique.

Após cena 3, improviso da cena 4. a primeira fala após tantos minutos de silêncio anuncia o grau de destruição que virá a seguir, destruição tal como a traça faminta devorando um velho livro: corrói as palavras gastas, desenhando um novo caminho.

E logo em seguida, Odilon e Andréia. Parece bobo da minha parte mas tenho torcido por você Odilon, estou quase vestindo a camisa do seu time: aqui não tem corno nem frouxo! estou quase lá...quero ver se você me convence amanhã...

Cecília e Rita entram logo depois disso, Cecília hoje quase chora falando com a Rita, é Cecília, nem tudo precisa ser dito em palavras...

Todos em cena, trocam as roupas. Odilon com diadema na cabeça, Inácio com a sandália de salto da Andréia, Andréia descalça e com aquele short não precisa de mais nada pra parecer um menininho, eles trocam as identidades, agora é Letícia quem vem chegando, Odilon é a "Lilla que traga". Letícia fumava um cigarro atrás do outro, alguém diz, ela tinha uma tatuagem no braço, uma pinta, um outro corrige, uma pinta no pescoço, não, a pinta era na coxa, era preta? era marrom. cheia de pêlos. Ela nunca tirou aquela pinta, era a marca dela, alguém dizia.

A Letícia tinha voz rouca, no tom mais grave
Gostava de mascar trident de canela e halls maça verde
Ela dizia: tô ótima Brasil!
Meio Débora Falabella. Não, meio aquela namorada do Homem Aranha.
Ela tinha olhos verdes, cabelo louro acinzentado
A coisa mais bonita da Letícia eram suas mãos. Não, era a generosidade. Ah! conta outra.
Letícia era antipática. Só no primeiro momento. É, só no primeiro e no segundo e no terceiro, quem sabe no sétimo...
Ela chamava o pai de Jorge.
Extremista.
Arrotava.
Quando não escutava as pessoas dizia assim: o que? que foi? o que?
Violeta sua cor preferida.
Ela xingava, xingamentos direcionados: vai-tomar-no-seu-cú.
Lembra da risada? e do cheiro? e do choro? e de como ela dançava...

domingo, 7 de agosto de 2011

um primeiro momento

é chegado um momento. mais um momento especial neste rol de pequenos grandes acontecimentos. ontem, sábado, tivemos um ensaio com alguns amigos convidados. pela primeira vez ouvimos o que quem nos assiste está achando de tudo isso. foi tão bom, tão preciso. queremos fazer isso mais vezes, discutir, ouvir, dialogar, sugerir e perceber como a nossa ficção aporta em cada um que frente a ela se coloca.

hoje no primeiro tempo_festival das artes [http://tempofestival.com.br/programacao/?ano=2011&mes=8&dia=7&evento=53] estaremos fazendo o mesmo. de novo e mais uma vez estaremos nos abrindo o corpo e o peito para que todo e qualquer um nos diga onde foi que bateu. onde é que a coisa engasga ou flui tranquilamente. são medidas tão mutáveis. cada corpo recebe um dado de determinada maneira. não pretendemos ter esse controle, mas nossas escolhas serão feitas também a partir de tudo isso.

esta postagem é um desejo de dar os devidos parabéns a vocês, meninos do elenco. aos cinco. um parabéns pelo amadurecimento. e mais que isso: é também um chamar de atenção: para que não descansem. ainda não. estamos começando a construir o fim de nosso espetáculo. tudo em vocês precisa e deve ainda se manter inconformado, não-resolvido, à flor da pele... irritado! e por ai vamos...

o mais lindo, para mim, num processo de criação de um novo espetáculo é quando a peça (que ainda não temos) começa a se abrir, aos poucos, dia-a-dia. quando ela começa a se mostrar e a dizer o que gosta de fazer, ouvir e/ou comer. é quando percebemos que de tantas pessoalidades envolvidas na criação deste projeto, ele agora implora por liberdade, implora por nascimento. é o momento mais lindo esse que estamos passando. e digo mais, nada inédito, ele passa. daqui a pouco ficaram os registros no blog, os registros imateriais de nossas memórias.

mas por enquanto, vamos viver cada segundo com sua devida importância. é tão bom estar junto que a cecília chegou a nos dizer numa dada improvisação: é que depois da morte da Lilla eu percebi como é um desperdício não ter um melhor amigo.

estamos juntos. e o que temos em mãos: é lindo.

\\