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quarta-feira, 21 de agosto de 2013
O MANIFESTO DO RIO NEGRO
domingo, 24 de fevereiro de 2013
suicídio ou morte ---
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Aproximação ---
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
achar meios de expressão artística que contribuam para a preservação da natureza como um reservatório das formas naturais
domingo, 15 de janeiro de 2012
pontos de vista para os próximos ensaios,,
JOGO ou de que maneira - como - os atores expressam a cena, traduzem a dramaturgia;
BATIDA ou o tempo de cada cena (ou pedaço de cena), a duração e os inúmeros ritmos que constituem algum todo;
APROPRIAÇÃO ou em quais trechos ainda não se é confortável o jogo e como resolver isso, como ganhar a briga com as exigências da encenação e da dramaturgia;
CORPO-GESTO ou como o corpo de cada ator expressa aquilo inexprimível de sua personagem, um esboço de cada dragão (in)contido;
QUADRO ou como trazer a tona o que está soterrado sob o excesso de palavras e movimento, aquilo que é dito sem que as personagens percebam estar dizendo;
PARAGEM ou alguma maneira de permitir que a escuta aconteça, para que personagens bem como espectadores consigam deixar a ficha cair e tenham espaço-tempo para isso;
PERPLEXIDADE ou a tentativa em primeiro plano, como expressar alguma incompreensão que ali se encontra latente e em movimento.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Release
Cinco jovens se reencontram no apartamento de uma amiga em comum, dois meses após o seu suicídio. Novo espetáculo do Teatro Inominável, a peça Como Cavalgar um Dragão, dramaturgia de Diogo Liberano criada em processo colaborativo, fala de uma geração em busca do acerto de contas com uma realidade contraditória. A estreia será no TEMPO_FESTIVAL das Artes, nos dias 17 e 18 de setembro, no Espaço SESC. Em outubro, a montagem estará em cartaz no Teatro Municipal Maria Clara Machado.
Graduado em Direção Teatral pela UFRJ, Diogo Liberano assina a direção ao lado de Flávia Naves, graduada em Artes Cênicas pela UNIRIO e formada como atriz pela Casa de Artes Laranjeiras – CAL. No elenco, estão os atores Dominique Arantes (Andréia), Fred Araújo (Inácio), Marília Misailidis (Rita), Nina Balbi (Cecília) e Vítor Peres (Odilon).
A aposta cenográfica, assinada por Rafael Medeiros e Fernanda Abreu, parte do mote inaugural do projeto, "atravessamentos", para compor o espaço de um apartamento onde as paredes são telas de pintura cruas que evidenciam o universo representacional do espetáculo e, que passam a ser atravessadas pelos atores na evolução da dramaturgia.
O Inominável investiga a produção de uma cena capaz de dar voz à inquietação característica dos tempos atuais. “A intenção é abordar esta geração que, frente a situações extremas como a morte, não se permite ser indiferente. Não se trata de obter respostas, mas de cruzar os extremos”, explicam os diretores.
Criado em 2008, o Teatro Inominável (Adassa Martins + Dan Marins + Diogo Liberano + Flávia Naves + Helena Cantidio + Natássia Vello) vem se destacando no cenário teatral do Rio de Janeiro. Seus dois primeiros espetáculos, realizados de forma independente, continuam em cena: “Não Dois” (2009) do texto argentino Paso de Dos de Eduardo Pavlovsky e “Vazio é o que não falta, Miranda” (2010) da obra Esperando Godot de Samuel Beckett.
Contemplado pelo Fundo de Apoio ao Teatro – FATE, da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, o espetáculo conta com a supervisão de Marina Vianna, atriz e co-autora do espetáculo/filme de Christiane Jatahy, “A Falta que nos move”, importante referência no processo.
SOBRE DIOGO LIBERANO
Graduado em Direção Teatral pela UFRJ, Diogo Liberano vem se destacado como dramaturgo e diretor teatral. Este ano foi selecionado para o Seminario Intensivo de Dramaturgos, promovido pelo Panorama Sur, em Buenos Aires. Como diretor, foi convidado pela Cia do Atores a co-dirigir, ao lado de Cesar Augusto e Susana Ribeiro, o espetáculo “Peças de Encaixar”. Diretor Artístico do Teatro Inominável, dirigiu “Não Dois” (2009) e “Vazio é o que não falta, Miranda” (2010).
SOBRE FLÁVIA NAVES
Graduada em Artes Cênicas pela UNIRIO e formada como atriz pela Casa de Artes Laranjeiras – CAL, nos últimos anos, Flávia Naves vem realizando assistência de direção de diretores como Ana Kfouri (“Senhora dos Afogados”) e Ivan Sugahara (nos espetáculos “A Estupidez”, “Tempo de Solidão” e “Sem Ana”). Também integrante do Teatro Inominável, como atriz, está em “Vazio é o que não falta, Miranda” e agora assume a direção do novo espetáculo da companhia ao lado de Diogo Liberano.
SERVIÇO “COMO CAVALGAR UM DRAGÃO”
Classificação etária: 14 anos
Duração: 75 minutos
Temporada no Teatro Municipal Maria Clara Machado
Estreia dia 11 de outubro
Até 7 de dezembro
Terças e quartas, às 21h
Teatro Maria Clara Machado (Planetário da Gávea)
Rua Padre Leonel Franca 240 – Gávea
Informações: (21) 2274-7722
Capacidade: 80 lugares
Bilheteria: terça-feira à quinta-feira a partir das 18h; sextas, sábados e domingos a partir das 15h. Sempre até 21h. Aos domingos até 20h.
Ingressos: R$20 (inteira) R$10 (meia)
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Notas sobre a dramaturgia – Oito
faz tempo que não escrevo sobre a nossa dramaturgia. nessa semana, ouvi de marina vianna que nosso processo é o mais textocêntrico de todos. entrei numa crise (rápida, passageira, porém sincera e contundente). a pergunta não é que dramaturgia criamos, mas sim de que maneira chegamos até ela. tenho a clareza absoluta agora de que o nosso drama foi erguido a partir do papel escrito e não necessariamente a partir de ires e vires do corpo ao papel e vice-e-versa. nenhuma problema. o processo é movimento, é erro e tentativa.
não sei porque estou escrevendo isso. temos a nossa estreia dentro do TEMPO_FESTIVAL das Artes no próximo sábado e foi apenas no sábado passado que eu terminei de escrever o texto. de sábado passado (início de setembro, mais precisamente no dia três) até hoje, quinta, muito texto já foi mexido e reescrito. eu, aliás, estou na cozinha da minha casa, tomando um café, enquanto me preparo para reescrever um trecho que espero ser o último até nossa estreia.
mentira. a dramaturgia é e sempre foi movediça. a cena quer entrar e quer se fazer escrita. se foi um processo textocêntrico? talvez por in_experiência, talvez por amadorismo = aquela febra dos que amam com cuidado e excesso de zelo. nenhum problema. respiro. o que ponho aqui escrito é relato sincero e preciso. estamos em tempo. os corpos se movem mais do que nunca ansiosos pelo encontro com o abismo.
chega de poesia. o final da peça escrito. PRÓLOGO (escrita automática) + CENA UM (despedida do ideal) + CENA DOIS (medida da trajetória) + CENA TRÊS (esse mau estar) + CENA QUATRO (rir das marcas) + CENA CINCO (desconhecer-se) + CENA SEIS (não nomear) + EPÍLOGO (profanare). os nomes sempre sintetizando aquilo que depois eu tento expressar por falas, discursos, personagens conflitos e cruzamentos.
enfim, eu queria dizer que eu não sei. que o texto chegou ao fim mas é desde já, desde sempre, coisa morta. que é bom, bonito e seguro. mas que precisa dos corpos, das investidas, das desmedidas, sim, sobretudo das desmedidas. o texto precisa trepidar, ser alvo dos soluços e dos respirares. eu tô tão óbvio. não importa. quis apenas vir até aqui e constatar: o quanto produzimos. o quanto ainda falta para concretizar.
vamos?
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011
passadão + cena quatro
espaço sesc, 29 de agosto, 09h30/13h
diogo, nina, flávia, vítor, fred, dominique e marília
PRÓLOGO
aposta de utilizar a faixa DRAGZ 2 feita pelo cabelo;
cecília usa um mp3 player;
boa dicção, porém a voz parece baixa (tentar impostar mais);
boa a chegada da andréia (o tempo, a parada ao lado de cecília);
é bom tocar a sujeira no chão, mas talvez não com as mãos e sim com um dos pés;
bom o toque no inácio;
bom o sorriso no “conrado”;
cecília – fechar partitura e ser rigorosa na repetição da mesma;
a trilha também se retira da cena e deixa cecília rendida?
tônus na lista de odilon que não cessa até o fim da lista da rita;
CENA UM
reação de rita ao “né, rita?” de cecília;
bom o “chantagem emocional”;
bom o tirar do casaco, cecília;
ótimo, nina! o esporro no inácio (deu pra ver que não é por conta de um tênis);
andréia entra com o “pára, rita” com um sorriso que parece sobrar;
a coisa da saudade precisa ser mais sincera (inácio e rita);
rita, entrar mais na fala “se quiser eu posso ir ao banheiro”;
cuidado com a agressividade e a finalização do jogo físico entre os dois meninos;
”lembrança pra lilla”, indicar o lenço como se fosse lilla;
”não, aquilo que a gente tinha pra fazer aqui”, falta intenção (ele tá sendo irônico, escroto);
resolver a coisa da pelúcia;
CENA DOIS
meninos, na andança durante o monólogo de odila, serem mais ágeis e práticos, saindo de cena sem ter que conferir nada;
ótimo o solilóquio, apenas atenção ao forçar da emoção e tomar cuidado com as caras e bocas;
boa a risada (podem debochar mais da coisa da beterraba);
meninas, cuidado com o “pseduo-falatório” enquanto odilon e inácio “brigam” sobre o dvd;
”eu não perguntei isso” tá muito gritado, vítor;
bom o choro da rita e boa a reação da cecília;
corte no texto da rita: do calmante falar direto da ligação do caco" (eu entrego o corte);
cecília e andréia precisam ganhar mais a discussão;
”não chora” ainda não funciona;
CENA TRÊS
afetação maior no “é isso” inicial de andréia, talvez a gente deva aumentar o texto dela;
cecília e rita estão ótimas e fortes dentro de suas convicções;
rita entrar mais direta com ”ela me ligou também”;
será que o texto do odilon é todo pra andréia?;
brinde > não estrangular o texto;
SENTA PRA ASSISTIR não é para o público;
CENA QUATRO
bom o engasgar, fred;
rita, bom “de somar todas essas lembranças e montar uma lilla que nunca existiu”;
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sábado, 27 de agosto de 2011
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Sacola Plástica
Segue o trecho da Cena Quatro – Rir das Marcas a ser usado nas composições a serem criadas e apresentadas no ensaio de quarta-feira:
Cecília A primeira vez que eu a vi foi inegável o seu sentimento de voo. Era inexplicável a leveza que ela detinha ao riscar no ar qualquer contorno. Naquele dia eu percebi como que as coisas que não se conhecem também podem ser afins. As pessoas cruzando as ruas e calçadas e ela subindo, solitária e abusada. Ventava muito naquela tarde. E nisso ela se enchia de ar e desfilava saciada. Até que chegou ao topo de um prédio. Foi quando eu a vi e pensei na nossa amiga. Só que então o vento ventou mais forte e a sacola plástica foi, enfim, arrastada por um ar sem previsão, feito fosse um grito ou dor sem dono clamando por atenção. O ônibus parado no sinal e eu dentro dele pensando na altura que ela teria se jogado. E se ficou consciente o tempo todo. Eu pensando se o tempo todo incluia também o fim. Será que ela pensou em quem? O ônibus arrancou. Olhei através da janela e a vi despencar no meio da multidão. Feito um corpo que sobe até não mais poder, até se convencer de que realmente é preciso cair. E desde então eu não sei dizer pra onde ela foi, porque meu ônibus seguiu e agora eu tô aqui, parada com vocês, exatamente neste ponto\
domingo, 21 de agosto de 2011
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
CARTA DA SINCERIDADE
Estamos adiando a nossa vida. Adiaremos ela eternamente até que ela não possa mais acontecer. Para que então, impossibilitados pelo nosso imobilismo, declaremos satisfeitos que agora não dá mais. Nada mais a ser feito. Não deu.
Como não deu?
Estou farto. Farto dessa falsidade entranhada. Farto do seu olhar de cúmplice. Farto da nossa covardia. Farto de tanta decadência.
Por que não deu?
Escrever agora é como tomar um banho de sinceridade. Sabe, a gente precisa encarar de frente as coisas. Deixar o óbvio falar por si próprio. A gente tomou o caminho errado. O caminho do medo. O caminho do vício. O caminho da covardia. E nem eu nem você queremos consertar isso. Nos tornamos a nossa própria repetição. Como loucos, esperamos mudanças fazendo sempre a mesma coisa. As coisas não vão mudar.
As coisas tem que mudar.
E isso não é de graça. Não é receita pronta. Não é conforto. às vezes parece que você só quer conforto.
Cansei de esperar por você e seus amigos. Essa gente é tudo hipóteses. Procrastinadores.
Então decidi mudar por mim mesmo. Ter a coragem de ver que o mundo não se curvará aos anseios inertes que ensaiamos. Basta admitir isso. E não vou explicar as coisas aqui, isso ninguém precisa dizer.
Mas o que é importante é que entre ontem e hoje alguma coisa se perdeu. Lembra que a gente podia ficar horas imersos um no outro. Fechados em nossos mundos tinhamos acesso a todo e qualquer mundo. Lembra, como a gente se mergulhava? Como o mundo passava lento lento e distante?
Mas o mundo sempre esteve lá.
Essa é a grande diferença. Você queria esquecer. Eu queria lembrar. É o meu caminho. Eu sempre quis que você visse. Enxergasse. Mas os olhos não bastam. E eu te mostrei. Você sempre foi mais além e isso me fascinava. Bastava um leve princípio, você tinha em si tudo que precisava para criar. E você viu tudo. Mas ver não é suficiente.
Eu queria levar você junto.
Nós montamos o melhor dos mundos. Um mundo verdadeiramente nosso. Mas sempre faltou uma coisa. Amar esse mundo. Nós paramos um estágio antes. Antes do mundo virar mundo. Antes da existência.
Não existe amor ao impossível.
Sabe, antes de voltar para casa eu lí uma frase num muro:
“ Se não você, então quem?
se não agora, então quando?”
Ver é insuficiente,
Conrado"
Carta escrita para Letícia, a nossa Lilla, pelo meu amigo Conrado Costa. Linda e intensa contribuição para o nosso processo.
ensaio 73
16/08:11, unirio, sala 604
vítor, dominique, fred, marília, flávia e diogo
nina não pôde vir. eu cheguei um pouco atrasado. eles estão jogando o PANO. em seguida, trabalharemos pedaços do primeiro ato = prólogo + cena um + cena dois + cena três. o pano hoje é laranja. diferente. tem um peso outro.
trabalhos em separado:
MARÍLIA E SEU PEQUENO SOLILÓQUIO
DIÁLOGOS ODILON + ANDRÉIA
FALAS SOLTAS DA ANDRÉIA
EMBATE ODILON + INÁCIO
SOLILÓQUIO ODILON
FINAL CENA 3 COM RITA E INÁCIO
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terça-feira, 16 de agosto de 2011
Basilisco. Ou. Alucinação Crítica.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
LISTA de ACONTECIMENTOS FINAIS
ESGOTAMENTO PÓS-CENA 3;
DIÁLOGO ANDRÉIA E ODILON: sobre o beijo, sobre "a gente terminou";
DIÁLOGO CECÍLIA E RITA: sobre altura, sobre a sala, os móveis, sobre a coragem e/ou desespero de lilla, diálogo sobre se você quer ser minha melhor amiga;
LEMBRANÇA DA LILLA: sobre a pinta na coxa, sobre o repositor de leite do supermercado, sobre a festa e a bolsinha cheia de cacarecos;
DIÁLOGO INÁCIO E ALL-STAR CANO ALTO DE ZEBRINHA: sobre se sentir incapaz de dar conta do convite feito pelos amigos, sobre não conseguir ser outra coisa, sobre se reconhecer vencido e incapaz de aceitar toda essa instabilidade;
RITA E CACO: sobre não querer ir embora, sobre estar na casa da amiga suicida, sobre estar com os amigos, sobre foda-se!;
A CARTA: sobre quando encontram a carta deixada pela amiga;
O GURU DO GUGU: sobre o recurso encontrado para brincar com o sentido, sobre perguntas lançadas ao guru sobre tudo isso, sobre perder a importância de alguma resposta;
CUPCAKE: sobre a possibilidade de comemorar alguma coisa, um desaniversário, a morte, a vida, qualquer coisa, sobre a possibilidade de usar as velas do último aniversário de lilla, encontradas, sobre a possibilidade de adoçar a boca e aliviar o segundo;
CECÍLIA E A NOTÍCIA DE JORNAL: que a fez lembrar dos amigos, fala de um ato de resistência de um grupo de seis jovens contra a demolição de um teatro no rio de janeiro que termina com a morte dos seis, fala de como o jornal anunciou tudo isso, fala que a fez se lembrar dos seis amigos;
O JOGO DO LENÇO: que todo mundo sabe qual é.
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terça-feira, 2 de agosto de 2011
qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amor valerá.
não ligar pro que os outros vão dizer,
não é maldizer é dizer bem, é fazer acontecer, não é fazer o que bem entender e cagar pra todo resto, é fazer sem ofender mas sem também se retirar,
dizer a que veio honestamente, sinceramente, profundamente.
Esquecer o que se é, incorporar o que não sabe.
Vestir a camisa, comprar a briga e correr de olhos fechados.
Existe algo querendo nascer que não revela um rosto apenas um cheiro.
Por isso o fechar de olhos, assim farejamos melhor, assim amamos mais vezes uma mesma e tantas outras mesma coisa.
Profanar é amar o estranho, o não sabido, o proibido porque estranho, o mal falado porque não sabido.
Profanar é amar sem jeito, sem lugar pra acontecer, amar caindo abraçado na lagoa Rodrigo de Freitas, feito poste que despenca, feito pingüim de geladeira. Profanar é ser otário, bobo, ridículo, e tudo isso porque se ama, porque se morre de amor.
Profanar porque eu preciso da baba caindo no meu corpo, pra sentir que ainda existo em algum lugar inexplicável.
Profanar porque eu preciso da risada contagiante junto ao choro de pavor,
Profanar porque corre sangue, fezes e urina pelo meu corpo, corpo esse profanado desde o que dia em que nasceu.
Profanar porque meu corpo é testemunha de um horror sem precedentes, horror que me faz cúmplice de um crime que não cometi.
Transformo em palavras o que me pede pra ser digerido. Não sei qual o valor desse bolo estomacal, divido-o com vocês pra pensarmos juntos e propormos juntos. Não sei o que nos espera e isso me agrada muito.





