\\ Pesquise no Blog

Mostrando postagens com marcador critica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador critica. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Nesta sexta e sábado, tem DRAGÃO na GAMBOA

Cinco jovens se reencontram no apartamento de uma amiga em comum, dois meses após o seu suicídio. Esse é o ponto de partida do espetáculo Como Cavalgar um Dragão, da jovem companhia carioca Teatro Inominável. Com dramaturgia de Diogo Liberano, criada em processo colaborativo, a peça fala de uma geração em busca do acerto de contas com uma realidade contraditória que a perfura e desorienta. A estreia aconteceu em 2011, no TEMPO_FESTIVAL das Artes, seguida de uma temporada de sucesso durante dois meses no Teatro Municipal Maria Clara Machado.

A aposta cenográfica, assinada por Rafael Medeiros e Fernanda Abreu, parte do mote inaugural do projeto, "atravessamentos", para compor o espaço de um apartamento onde as paredes são telas de pintura cruas que evidenciam o universo representacional do espetáculo e, que passam a ser atravessadas pelos atores na evolução da dramaturgia. Para o crítico João Cícero Bezerra, em crítica publicada no site do TEMPO_FESTIVAL,  "(...) Eis um belo drama contemporâneo (...) uma investigação filosófica sobre a perda. Como Cavalgar um Dragão quer chegar à dimensão ética da linguagem, naquele momento em que a falta desestabiliza o todo, e surge a necessidade de recriar o sentido, a fim de que o jogo e a vida continuem em sua significação arriscada (...)".

Graduado em Direção Teatral pela UFRJ, Diogo Liberano assina a direção ao lado de Flávia Naves, graduada em Artes Cênicas pela UNIRIO. A produção é de Rômulo Corrêa e no elenco estão Dominique Arantes (Andréia), Fred Araújo (Inácio), Marília Misailidis (Rita), Nina Balbi (Cecília) e Vítor Peres (Odilon). O espetáculo foi contemplado pelo Fundo de Apoio ao Teatro – FATE, da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, e conta com a supervisão de Marina Vianna, atriz e co-autora do espetáculo/filme de Christiane Jatahy, A falta que nos move, importante referência no processo.

Ensaio de DRAGÃO

Para Antonio Guedes, diretor do Teatro do Pequeno Gesto, "Do ponto de vista da dramaturgia, o Dragão trabalha com personagens muito bem construídos. Contando com a parceria de ótimos atores, esses personagens, pelo contraste de temperamentos, nos apresentam um rico mosaico de reações possíveis diante do tema central: o suicídio. Mas do ponto de vista da encenação, esse conto não se deixa transformar numa narrativa simplista, realista, mero relato de uma história. Como plateia, experimentei a descoberta de cada modo de se colocar diante desse limite imposto sobre a vida."

Em 2012, o espetáculo começa o ano no Galpão Gamboa, dentro da mostra GamboaVista. Serão apenas duas apresentações, nessa sexta (21h30) e sábado (21h), dias 03 e 04 de fevereiro. Na sexta, logo após o espetáculo, haverá uma festa com o Bar Enchendo Linguiça e DJ’s convidados. Para quem assistir o espetáculo, a entrada é gratuita. Para quem chegar até 00h, apenas r$ 10. E pós 00h, r$ 20. Para maiores detalhes, acesse o blog do espetáculo (atravessar.blogspot.com) ou do Instituto Galpão Gamboa (www.galpaogamboa.com.br).

SOBRE O TEATRO INOMINÁVEL

Criado em 2008 pelo encontro de Adassa Martins + Dan Marins + Diogo Liberano + Flávia Naves + Helena Cantidio + Natássia Vello, jovens artistas com graduação em Artes Cênicas por universidades públicas brasileiras (Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ + Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO), durante poucos anos de existência, o Teatro Inominável criou quatro espetáculos: com NÃO DOIS (2009) pesquisamos a dramaturgia contemporânea da Argentina, num processo que durou onze meses por sobre a obra PASO DE DOS do dramaturgo Eduardo Pavlovsky. Nessa peça, nos debatemos contra o ditado popular “quem cala consente”, apresentando um drama sobre um torturador e uma torturada e a possibilidade do horror e do afeto coexistir num mesmo gesto; com VAZIO É O QUE NÃO FALTA, MIRANDA (2010), depois de dez meses em processo, descobrimos como o sentido é uma verdade movediça. Profanando a obra ESPERANDO GODOT de Samuel Beckett, nos debatemos contra outro ditado popular: “quem espera sempre alcança”. Nessa peça, diversas possibilidades para criação e cognição do sentido eram tentadas, numa encenação metáfora de si própria, na qual quatro atrizes e um diretor tentavam trazer aos palcos uma peça que nunca chegava a ser criada; em COMO CALVAGAR UM DRAGÃO (2011), apresentamos um reencontro de cinco amigos dois meses após o suicídio de uma amiga em comum. Partimos da busca e da necessidade de se permitir ser afetado pelo mundo e pelas relações, redescobrindo tudo aquilo que nos atravessa. DRAGÃO foi contemplado pelo Fundo de Apoio ao Teatro da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro e integrou a programação do TEMPO_FESTIVAL das Artes; com SINFONIA SONHO (2012) apresentamos uma tragédia contemporânea criada a partir de recentes tragédias envolvendo o massacre de crianças em espaço escolar no Rio de Janeiro. Nessa peça, a companhia busca falar sobre a infância e, por extensão, também do futuro. Em nossa investigação, priorizamos as questões do “agora” e também do “aqui”, numa busca constante por diálogo com o nosso país e cidade.

SERVIÇO

COMO CAVALGAR UM DRAGÃO
Classificação etária: 14 anos
Duração: 75 minutos
Sexta (03/02) as 21h30 e Sábado (04/02) as 21h
Instituto Galpão Gamboa
Rua da Gamboa, 279 – Barão da Gamboa – Rio de Janeiro
Clique aqui para saber como chegar
Informações:
(21) 2516-5929
Capacidade: 80 lugares
Ingressos: r$ 20, (inteira) e r$ 10, (meia-entrada)

\\

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

~GamboaVista


Está chegando a hora. Estão dizendo por ai que este ano é o ano do Dragão. Pois que assim seja. Nos dias 03 e 04 de fevereiro, o Teatro Inominável traz de volta aos palcos do Rio o seu espetáculo Como Cavalgar um Dragão.

A peça apresenta o reencontro de cinco amigos, dois meses após o suicídio de uma amiga em comum. De acordo com o crítico João Cícero Bezerra, "(...) Eis um belo drama contemporâneo (...) uma investigação filosófica sobre a perda. Como cavalgar um dragão quer chegar à dimensão ética da linguagem, naquele momento em que a falta desestabiliza o todo, e surge a necessidade de recriar o sentido, a fim de que o jogo e a vida continuem em sua significação arriscada (...)".

 

Clandestinos dragão

 

Será uma ótimo oportunidade realizar nosso espetáculo num espaço tão incrível como o Galpão Gamboa. A dramaturgia, criada em processo colaborativo e assinada por Diogo Liberano, tem direção do próprio em parceria com Flávia Naves, contando com a atuação e criação de Dominique Arantes, Fred Araújo, Marília Misailidis, Nina Balbi e Vítor Peres. A peça tem supervisão da atriz Marina Vianna e direção de produção de Rômulo Corrêa.

Para conhecer mais sobre o projeto Galpão Gamboa, acesse http://galpaogamboa.com.br/. Se quiser saber mais sobre a programação teatral, acesse o site do GamboaVista: http://gamboavista.com.br/.

\\

domingo, 15 de janeiro de 2012

pontos de vista para os próximos ensaios,,

meninos,

a partir de nossa reunião aqui em casa, tramei sete pontos de vista pelos quais acredito ser necessário passarmos, mirando cada cena novamente, uma a uma, tentando desdobrar aquilo que porventura esteja confuso, ou em falta, ou que tenha sido esquecido ou mesmo sequer ainda especulado. é uma maneira de olharmos para o que já temos e multiplicarmos as nossas implicações em expressão. é mais uma vez um jogo possível. mas tem que ser jogado. assim, o que descrevo abaixo não é nada inédito, mas sim um apanhado das questões que me pareceram mais recorrentes em nossas falas.

JOGO ou de que maneira - como - os atores expressam a cena, traduzem a dramaturgia;
BATIDA ou o tempo de cada cena (ou pedaço de cena), a duração e os inúmeros ritmos que constituem algum todo;
APROPRIAÇÃO ou em quais trechos ainda não se é confortável o jogo e como resolver isso, como ganhar a briga com as exigências da encenação e da dramaturgia;
CORPO-GESTO ou como o corpo de cada ator expressa aquilo inexprimível de sua personagem, um esboço de cada dragão (in)contido;
QUADRO ou como trazer a tona o que está soterrado sob o excesso de palavras e movimento, aquilo que é dito sem que as personagens percebam estar dizendo;
PARAGEM ou alguma maneira de permitir que a escuta aconteça, para que personagens bem como espectadores consigam deixar a ficha cair e tenham espaço-tempo para isso;
PERPLEXIDADE ou a tentativa em primeiro plano, como expressar alguma incompreensão que ali se encontra latente e em movimento.

como exposto, não é nada demais. os pontos de vista se confundem uns com os outros, mas é possível trabalhar solitariamente a partir de apenas um. pensar as cenas por tais olhares me parece determinante e extremamente proveitoso.

vejamos como vai ser isso.

\\
    

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O Dragão


É pessoal e intransferível.
Cada qual tem o seu.
Desde os inícios.
No entanto, por um tiro certeiro e preciso, eis que agora reina no centro da sala esvaziada, um dragão de ronco lento e pesaroso. Um dragão entristecido.
É que no exato instante em que Letícia se lançou pela janela, ela deixou o bicho preso ali dentro do quarto. Ela se lançou porque o dragão a sufocava o íntimo. E então, certeira, da forma como era preciso, ela desistiu.
Só que dragões são grandes e invisíveis. São metáforas não porque não existam, mas porque vê-los seria para o homem um risco final a cortar sua pele e revelar o próprio íntimo. Seria algo como a morte súbita e sem explicação.

Mas ele ainda existe.

Só que os pais de Letícia lacraram a janela do quarto. Poucos dias após sua morte, eles decidiram sem dizer palavra alguma que era preciso apagar o fato – duro como um muro de pedras – de que sua filha preferira o salto ao jantar.
De que Letícia preferiu partir do que tentar resolver tudo como sempre achavam terem resolvido: ao redor da mesa da sala.
Então o medo cegou seus olhos. O pavor da culpa, a tentativa de atar o que para sempre será desatado. Eles cimentaram a janela. Mas o horror persistiu no branco da parede do quarto. O horror voa solto em meio ao vento empoeirado.

Ele morre aos poucos.

No entanto, persiste no quarto já sem cama ou armário. Ele ali apavorado, sem compreender porque o mundo o repudia e se afasta do seu bafo (o baforar de um dragão é seu primeiro contato; sua forma quente de dizer prazer em conhecê-lo).
Ele ali dentro irritadiço e machucado, fazendo sobre as coisas de Lilla alvoroço e estrago. Despencando caixas, procurando comida, revirando roupas e seguindo o cheiro dela que partiu. O que ele procura talvez seja só o seu abrigo que ruiu. Mas como achá-lo se a janela foi lacrada?

Ele desde então não fechou os olhos.

Pois dois meses antes, dormia dentro de Lilla incontido. Queria ser o que a garota em seu íntimo alimentava em segredo. E o íntimo dela era ele, o dragão que agora repousa sem casa ainda é a Lilla, porém com a face desarranjada.
Dois meses depois, eis que ali se encontram os amigos de Letícia para dividir entre si os pertences dela que ainda ocupam o quarto. O apartamento vazio e semi-reformado, aguarda – ansioso – a saída desse dragão para ser vendido ou alugado.

Ele não foi brincado.

Porque Lilla não conseguiu cavalgá-lo. Por isso ele está preso no quarto, como se estivesse de castigo. Ela pediu licença sem pedir, ela fugiu sem deixar bilhete. Isso é tudo o que sabemos. Mas ali, dentro do seu quarto, o dragão se comove com o manuseio dos amigos que um a um, adentraram sua prisão e dela retiram todas aquelas coisas que ele mesmo já havia vasculhado. O dragão, preso dentro do quarto, aos poucos se sente menos enclausurado.
Cecília informou aos amigos: sobrou aquela pelúcia, alguém vai querer? Não, ninguém quis, ninguém disse nada. Dentro do quarto por agora só mesmo o dragão e uma pelúcia estranha, judiada e conhecida. Eles se olham. Estáticos. Que estranha semelhança essa que nos aprontaram, talvez um deles pense.

Ele brinca com a pelúcia e a destrói.

Enquanto na sala, os amigos não cavalgam aquilo que Lilla não soube cavalgar. Eles ali na sala reunidos hoje tentam cavalgar a si próprios (sem saber ao certo que coisa estranha é essa que carregam dentro de si). O vazio, o buraco, o silêncio, a azia, o tempo, a loucura, o mito, o que não tem nome, o inominável, o nó, o vácuo, o absurdo, este absurdo imenso que não parece fazer sentido e que, no entanto, dói.

Doo logo existo.
Então,

De que modo ultrapassar uma coisa que não admite resolução?
Eis o título de nosso espetáculo:

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

“Diálogo, mais ou menos ágil, com o desequilíbrio geracional”

Eis que a nossa primeira crítica é feita pelo crítico Macksen Luiz, que esteve presente em nossa estreia, no dia 11 de outubro. A opinião do crítico foi postada em seu blog [http://macksenluiz.blogspot.com/] e pode ser conferida abaixo (clique sobre a imagem para vê-la em tamanho maior):

critica macksen 18out copy

\\

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Release

logo-documentos

Cinco jovens se reencontram no apartamento de uma amiga em comum, dois meses após o seu suicídio. Novo espetáculo do Teatro Inominável, a peça Como Cavalgar um Dragão, dramaturgia de Diogo Liberano criada em processo colaborativo, fala de uma geração em busca do acerto de contas com uma realidade contraditória. A estreia será no TEMPO_FESTIVAL das Artes, nos dias 17 e 18 de setembro, no Espaço SESC. Em outubro, a montagem estará em cartaz no Teatro Municipal Maria Clara Machado.

Graduado em Direção Teatral pela UFRJ, Diogo Liberano assina a direção ao lado de Flávia Naves, graduada em Artes Cênicas pela UNIRIO e formada como atriz pela Casa de Artes Laranjeiras – CAL. No elenco, estão os atores Dominique Arantes (Andréia), Fred Araújo (Inácio), Marília Misailidis (Rita), Nina Balbi (Cecília) e Vítor Peres (Odilon).

A aposta cenográfica, assinada por Rafael Medeiros e Fernanda Abreu, parte do mote inaugural do projeto, "atravessamentos", para compor o espaço de um apartamento onde as paredes são telas de pintura cruas que evidenciam o universo representacional do espetáculo e, que passam a ser atravessadas pelos atores na evolução da dramaturgia.

O Inominável investiga a produção de uma cena capaz de dar voz à inquietação característica dos tempos atuais. “A intenção é abordar esta geração que, frente a situações extremas como a morte, não se permite ser indiferente. Não se trata de obter respostas, mas de cruzar os extremos”, explicam os diretores.

Criado em 2008, o Teatro Inominável (Adassa Martins + Dan Marins + Diogo Liberano + Flávia Naves + Helena Cantidio + Natássia Vello) vem se destacando no cenário teatral do Rio de Janeiro. Seus dois primeiros espetáculos, realizados de forma independente, continuam em cena: “Não Dois” (2009) do texto argentino Paso de Dos de Eduardo Pavlovsky e “Vazio é o que não falta, Miranda” (2010) da obra Esperando Godot de Samuel Beckett.

Contemplado pelo Fundo de Apoio ao Teatro – FATE, da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, o espetáculo conta com a supervisão de Marina Vianna, atriz e co-autora do espetáculo/filme de Christiane Jatahy, “A Falta que nos move”, importante referência no processo.

SOBRE DIOGO LIBERANO

Graduado em Direção Teatral pela UFRJ, Diogo Liberano vem se destacado como dramaturgo e diretor teatral. Este ano foi selecionado para o Seminario Intensivo de Dramaturgos, promovido pelo Panorama Sur, em Buenos Aires. Como diretor, foi convidado pela Cia do Atores a co-dirigir, ao lado de Cesar Augusto e Susana Ribeiro, o espetáculo “Peças de Encaixar”. Diretor Artístico do Teatro Inominável, dirigiu “Não Dois” (2009) e “Vazio é o que não falta, Miranda” (2010).

SOBRE FLÁVIA NAVES

Graduada em Artes Cênicas pela UNIRIO e formada como atriz pela Casa de Artes Laranjeiras – CAL, nos últimos anos, Flávia Naves vem realizando assistência de direção de diretores como Ana Kfouri (“Senhora dos Afogados”) e Ivan Sugahara (nos espetáculos “A Estupidez”, “Tempo de Solidão” e “Sem Ana”). Também integrante do Teatro Inominável, como atriz, está em “Vazio é o que não falta, Miranda” e agora assume a direção do novo espetáculo da companhia ao lado de Diogo Liberano.

 

SERVIÇO “COMO CAVALGAR UM DRAGÃO”
Classificação etária: 14 anos
Duração: 75 minutos

Temporada no Teatro Municipal Maria Clara Machado
Estreia dia 11 de outubro
Até 7 de dezembro

Terças e quartas, às 21h
Teatro Maria Clara Machado (Planetário da Gávea)
Rua Padre Leonel Franca 240 – Gávea
Informações: (21) 2274-7722
Capacidade: 80 lugares
Bilheteria: terça-feira à quinta-feira a partir das 18h; sextas, sábados e domingos a partir das 15h. Sempre até 21h. Aos domingos até 20h.
Ingressos: R$20 (inteira) R$10 (meia)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

"História repleta de vínculos passionais"

Matéria publicada no JORNAL DO COMMERCIO, sexta-feira 30 de setembro de 2011, clique sobre a imagem para vê-la maior

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Notas sobre a dramaturgia – Oito

faz tempo que não escrevo sobre a nossa dramaturgia. nessa semana, ouvi de marina vianna que nosso processo é o mais textocêntrico de todos. entrei numa crise (rápida, passageira, porém sincera e contundente). a pergunta não é que dramaturgia criamos, mas sim de que maneira chegamos até ela. tenho a clareza absoluta agora de que o nosso drama foi erguido a partir do papel escrito e não necessariamente a partir de ires e vires do corpo ao papel e vice-e-versa. nenhuma problema. o processo é movimento, é erro e tentativa.

não sei porque estou escrevendo isso. temos a nossa estreia dentro do TEMPO_FESTIVAL das Artes no próximo sábado e foi apenas no sábado passado que eu terminei de escrever o texto. de sábado passado (início de setembro, mais precisamente no dia três) até hoje, quinta, muito texto já foi mexido e reescrito. eu, aliás, estou na cozinha da minha casa, tomando um café, enquanto me preparo para reescrever um trecho que espero ser o último até nossa estreia.

mentira. a dramaturgia é e sempre foi movediça. a cena quer entrar e quer se fazer escrita. se foi um processo textocêntrico? talvez por in_experiência, talvez por amadorismo = aquela febra dos que amam com cuidado e excesso de zelo. nenhum problema. respiro. o que ponho aqui escrito é relato sincero e preciso. estamos em tempo. os corpos se movem mais do que nunca ansiosos pelo encontro com o abismo.

chega de poesia. o final da peça escrito. PRÓLOGO (escrita automática) + CENA UM (despedida do ideal) + CENA DOIS (medida da trajetória) + CENA TRÊS (esse mau estar) + CENA QUATRO (rir das marcas) + CENA CINCO (desconhecer-se) + CENA SEIS (não nomear) + EPÍLOGO (profanare). os nomes sempre sintetizando aquilo que depois eu tento expressar por falas, discursos, personagens conflitos e cruzamentos.

enfim, eu queria dizer que eu não sei. que o texto chegou ao fim mas é desde já, desde sempre, coisa morta. que é bom, bonito e seguro. mas que precisa dos corpos, das investidas, das desmedidas, sim, sobretudo das desmedidas. o texto precisa trepidar, ser alvo dos soluços e dos respirares. eu tô tão óbvio. não importa. quis apenas vir até aqui e constatar: o quanto produzimos. o quanto ainda falta para concretizar.

vamos?

\\

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

CARTA DA SINCERIDADE

"É sempre difícil começar uma carta assim como esta. Sabe o que é difícil? Dizer a verdade. Eu me acostumei a substituir a verdade pelo correto. Pouco importa que 1 + 1 = 2. Importa o que isso significa. 1 + 1 = 2, eis uma frase correta, mas ela é tão sem verdade quanto a nossa existência conformada. 1 + 1 =2 é uma frase vazia. A verdade nunca é vazia. Ela está sempre se intrometendo em nossas vidas. E nós estamos sempre fugindo dela. Isso é covardia. Nossa corretude é covardia, é prorrogação.

Estamos adiando a nossa vida. Adiaremos ela eternamente até que ela não possa mais acontecer. Para que então, impossibilitados pelo nosso imobilismo, declaremos satisfeitos que agora não dá mais. Nada mais a ser feito. Não deu.

Como não deu?

Estou farto. Farto dessa falsidade entranhada. Farto do seu olhar de cúmplice. Farto da nossa covardia. Farto de tanta decadência.

Por que não deu?

Escrever agora é como tomar um banho de sinceridade. Sabe, a gente precisa encarar de frente as coisas. Deixar o óbvio falar por si próprio. A gente tomou o caminho errado. O caminho do medo. O caminho do vício. O caminho da covardia. E nem eu nem você queremos consertar isso. Nos tornamos a nossa própria repetição. Como loucos, esperamos mudanças fazendo sempre a mesma coisa. As coisas não vão mudar.

As coisas tem que mudar.

E isso não é de graça. Não é receita pronta. Não é conforto. às vezes parece que você só quer conforto.

Cansei de esperar por você e seus amigos. Essa gente é tudo hipóteses. Procrastinadores.

Então decidi mudar por mim mesmo. Ter a coragem de ver que o mundo não se curvará aos anseios inertes que ensaiamos. Basta admitir isso. E não vou explicar as coisas aqui, isso ninguém precisa dizer.
Mas o que é importante é que entre ontem e hoje alguma coisa se perdeu. Lembra que a gente podia ficar horas imersos um no outro. Fechados em nossos mundos tinhamos acesso a todo e qualquer mundo. Lembra, como a gente se mergulhava? Como o mundo passava lento lento e distante?

Mas o mundo sempre esteve lá.

Essa é a grande diferença. Você queria esquecer. Eu queria lembrar. É o meu caminho. Eu sempre quis que você visse. Enxergasse. Mas os olhos não bastam. E eu te mostrei. Você sempre foi mais além e isso me fascinava. Bastava um leve princípio, você tinha em si tudo que precisava para criar. E você viu tudo. Mas ver não é suficiente.

Eu queria levar você junto.

Nós montamos o melhor dos mundos. Um mundo verdadeiramente nosso. Mas sempre faltou uma coisa. Amar esse mundo. Nós paramos um estágio antes. Antes do mundo virar mundo. Antes da existência.

Não existe amor ao impossível.

Sabe, antes de voltar para casa eu lí uma frase num muro:

“ Se não você, então quem?
se não agora, então quando?”

Ver é insuficiente,


Conrado"


Carta escrita para Letícia, a nossa Lilla, pelo meu amigo Conrado Costa. Linda e intensa contribuição para o nosso processo.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A GRANDE TRANSGRESSÃO

Mais uma contribuição do Juliano para o nosso processo:

"Cansei de carregar meu fim de mundo pra passear no bairro com o desastre atrás e o medo na frente. Essa boca também esgotou-se na tarefa de narrar escombros. Agora o vazio é bem vindo pois ele é lugar para guardar o amigo! Haverá agora em mim um outro olhar e quando eu viajar e ver o mar, ou ver um relógio de flores na cidade serrana, ou alguma pintura viva e turbulenta, estarei olhando pela Letícia e simultaneamente ela que estará olhando através de mim. Agora eu compreendo porque eu era feito de tanto vazio. É para que coubesse o outro, o mundo do outro. Essa imensidão que me ultrapassa tanto existirá em mim e por isso, eu serei menor e maior ao mesmo tempo.

Você sabe que uma vez eu fui com ela numa festa e ela carregava uma bolsinha esverdeada cheia de cacarecos. Durante a festa sentou-se no gramado e perdeu a bolsa. Quando foi embora passou a mão pelo jardim e pensou ter pego a tal bolsa, mas ela estava com uma tartaruguinha na mão. Já no carro alguém perguntou: o que você está fazendo com essa tartaruguinha no colo? E ela levou um grande susto, voltamos ao jardim e ficamos procurando a bolsa. As pessoas riam tanto junto dela que o mundo parecia estar sempre começando. Sempre perto de um caroço surreal, um núcleo mágico e abundante. É estranho que hoje se meçam as vidas pela longevidade quando muitas vezes uma longa vida jamais conheceu um grande sorriso como o dela.

Eu quis tanto experimentar e transgredir, mas agora percebo que a grande transgressão é o salto do outro para dentro de mim. Como é possível essa maravilha?"

AMIZADE E MORTE

o texto abaixo foi escrito pelo Juliano que através do seu olhar sobre nós, tem nos ajudado nesse momento especulatório pós cena 3. Compartilho com vocês as suas belas palavras.

"Eu acho que vocês deviam parar com esse barulho, esse zum-zum-zum acusatório. Eu penso naquela que se foi. É todo um mundo que partiu. Quem era a Letícia? Eu gostaria de falar dela. Ela era uma pétala e sua única defesa era o perfume. Acho que nós somos todos uns trogloditas comparados àqueles dois olhões que eram urnas verdes de silêncio. Sabe que um dia eu a encontrei numa calçada do Botafogo e ela recolhia folhas secas num saco plástico? Eu não entendi direito o que ela tava fazendo, mas esses dias me caiu a ficha: ela pegava as folhas avermelhadas, as folhas enferrujadas, como ela me disse, porque eram lindas demais! Eram lindas demais, vocês entendem? E ela carregava as folhas para o quarto dela. Vocês podem compreender que estes olhos estavam desenferrujados! Desenferrujados, sim.

- Você quer dizer que esta morte nos deixa recados?
- Você está dizendo que estamos surdos?

Falo da dor de não achar a palavra-espelho, a palavra-cesto para caber todo o infinito Letícia. Falo que o mundo da Letícia me tocou e eu me sinto pequena e humilde diante de tanta verdade. Me assusta que ela tenha passado desapercebida e que vocês não parem de falar para que a gente possa começar a falar dela. Vocês nunca repararam que a Letícia tinha uma pinta escura na coxa? Uma pinta cheia de pelos. Eu acho que aquilo era uma folha, um pedaço de árvore na perna dela. Sabe, todo mundo insistia para ela tirar, mas ela nunca tirou aquilo. Acho que era a digital da inocência. Vocês entendem? A Letícia não tinha perdido a digital da inocência.

- Vocês precisam parar de morder as próprias aftas. Não entendo: por que em mim subitamente abriu-se uma janela para outra estação? Por que de repente tornei-me delicada e extravagante? Vamos, eu proponho que falemos apenas dela. Ela morreu e isso não é ficção. Amizade e morte, é por isso que estamos aqui."



quarta-feira, 13 de julho de 2011

ensaio 50


12/07/11, unirio, sala 604
diogo, flávia, júlia, dominique, nina, marília, fred e vítor.

cheguei um pouco depois. coisas de quem é diabético. quando cheguei os meninos estavam jogando um jogo em que davam a fala (passando o lenço ao interlocutor direto). aproveitando as passagens para estudar o texto com os novos cortes (cenas 1 e 2).

o espaço estava bem reduzido, com limites feitos de tênis.

a júlia chegou e o trabalho sobre os figurinos foi até o fim do ensaio. cada um havia levado um punhado de roupas (sobretudo brancas, mas também algumas nas cores primárias). a júlia foi trocando peça de um com outro e deu nisso ai embaixo).


fotografei essa foto numa sala com paredes pretas. havia pinceladas de cor em cada um, ou em alguns. gosto do jogo com o branco porque descobrimos que no branco há mais brancos do que somente o branco. isso é sugestivo. essa profundeza que acorda apenas com um olhar persistente sobre o mesmo.

gosto, sobretudo, da cor da pele que salta dessa brancura toda. gosto da cor da pele. e de pensar que ela possa se alterar por conta da cena, da energia, dos estados e transbordamentos.

enquanto os meninos montavam essas composições (que serão usadas nos próximos ensaios), eu e flávia conversamos sobre tudo. sobre a nossa falta de história. sobre o porquê de repetirmos certas coisas que não deveriam mais ser repetidas. conversamos, sem saber, sobre como fazer diferença.

como?

eu pergunto a vocês, atores: neste espetáculo, por meio dele, que diferença vocês podem fazer? que diferença vocês querem fazer nascer?

\\

quarta-feira, 6 de julho de 2011

ensaio 46

06/07, unirio, sala 602
diogo, flávia, vítor, marília, dominique, nina e fred

CAFÉ.

com muitas frutas (banana, maça, carambola, biscoitos e talz).

TEXTO.

os meninos passaram o texto uma vez, tentando não colar. é chegada a hora!

PANO. ao som de THE KILLERS e MUMFORD AND SONS e ARCTIC MONKEYS.

com as indicações realizadas no ensaio 44. o jogo mudou completamente. nunca ouvi tanto barulho de respiração, nunca os pés falaram tão alto. ao mesmo tempo – PARADOXO – o pano caiu bastante e a queda dos corpos foi na maioria das vezes relutante. o erguer-se de novo é impactante. cabe jogar a coisa como ela é. se sabemos a regra: pronto. não há motivos para driblar nada.

outra alquimia. a flávia indica que vocês podem ficar mais tempo com o pano nas mãos antes de passar para o outro. e então vemos um ballet acontecer. o pano envolve os rostos e as partes dos corpos. muitas quedas de pano nos momentos mais inacreditavelmente idiotas. rs.

profanação horrorosa. sorriso da marília. o sutiã da nina. os meninos jogando futebol. e a dominique arrumando a calça; enquanto eu e flávia, aqui de dentro-fora, estudamos a relação espacial.

louco. porque o jogo do pano sem o pano me faz pensar onde haveria o pano nas situações mais simples da vida?

o dia até deixou o sol sair.

Jessie J – WHO YOU ARE

CENA.

artificialidade. maneiras distintas de se expressar o conteúdo da cena. o que é importante deixar explícito a partir do texto da cena um – despedida do ideal?

fizemos algumas passadas no espaço, com indicações precisas sobre espaço e com indicações que não se detinham ao espaço, mas sim à velocidade do texto, ao andamento.

confesso: saio deste ensaio convicto de que o tempo da experiência posta em cena é UM para as personagens, para a ficção, e OUTRO para eu, espectador, que assiste a tudo isso. precisamos editar essa obra.

bom ensaio!

domingo, 12 de junho de 2011

Notas sobre a dramaturgia - Quatro

O Rio de Janeiro de fato atrapalha o processo de escritura dessa peça (e de qualquer outra, sugiro). Cheguei ao Rio na sexta-feira, final da tarde. Só agora consigo sentar para escrever sobre essa escrita. São três e trinta e seis da madrugada. Tenho percebido cada vez mais que escrever dramaturgia pode ser algo eterno. Eu mudei várias vezes todas as cenas já escritas e amanhã tenho certeza que terei condições para seguir mudando. Aos poucos, eu acho, a coisa vai se firmando e criando raíz. Sendo assim, me parece, o meu papel mais do que plantar é podar. Pra ver nesse ato do corte aquilo que de fato tem força pra durar (e render frutos).

No segundo ensaio desta semana que se abre já já, eu levarei a vocês as primeiras cenas do espetáculo. Decidi que levá-lo inteiro seria por demais exagerado. Eu preciso de mais tempo para apurar as ideias e não deixar que as falas nasçam para suprir sentido ao leitor. As falas dessa peça tem função apenas para as personagens (a gente, literalmente, que se foda). Se elas estiverem se falando está tudo certo.

Um arrependimento me bateu com toda a intensidade: eu deveria ter criado um arquivo no Word para salvar tudo aquilo que foi escrito e que eu cortei. Gente, eu juro, já teria mais de quinze folhas de texto. Foram muitas cenas e muitas apostas que não duraram uma noite ou madrugada. Das falas que eu postei para vocês, talvez uma ou outra tenha sobrado. Nem sei.

Uma das minhas maiores preocupações quando pensei a dramaturgia desse projeto era justamente a de encontrar força dramática para fazê-lo durar. Eu sempre usei essa palavra, árida, para descrever a dramaturgia. Não conseguia ver muita coisa acontecendo. No início do processo, eu me agarrava a pequenos acontecimentos como por exemplo um jantar. Eu pensava, meu deus, eles podem jantar. Olha que máximo, eles têm uma ação concreta, preparar um jantar e não apenas ficar falando de suicídio ou de maneiras de seguir sem tombar.

Sorte a nossa que criamos estas personagens. Elas são o nosso porto-seguro. É preciso defendê-las para que suas diferenças não se harmonizem e morram, aos poucos, por preguiça ou descuido nosso de as preservar. É dessa diferença que nasceram todas as cenas que escrevi. Até agora eu não abri meu caderno ou arquivos com sugestões de falas, cenas, situações (arquivos que criei lá no início e fui enchendo com tudo que era produzido em ensaio). Ou seja: se eu escrevo RUMO, todas as personagens se movem ansiosas para dar o seu ponto de vista sobre o desafio que eu lancei.

Escrevi o prólogo, a primeira, a segunda, a terceira e a quarta cena. E parei. Sem vontade de seguir. As duas últimas cenas são duas pancadas que eu preciso me alimentar muito antes pra que nasçam assim de súbito. Estou esquematizando os desdobramentos, fazendo um roteiro, por exemplo, na cena cinco (intitulada DESCONHECER-SE), Rita discute com o Caco pelo telefone; Inácio revela que é gay para Rita; Andréia revela aos amigos que Odilon e Lilla haviam ficado… E isso explode muita coisa pra cena final. Ou seja, uma escolha dessas citadas, por exemplo, consome páginas e mais páginas de texto. Imaginem o que a cena final nos reserva…

Uma coisa que acho legal registrar aqui, já que estou – mesmo sem ter planejado – fazendo um pequeno diário da construção dramatúrgica, é a questão do som, da trilha, no momento em que escrevo. Eu não poderia dizer que cada personagem tem a sua trilha e que eu escuto uma trilha pra cada um. Mas, isso às vezes acontece. Eu tenho ouvido muito THE STROKES, ANTONY & THE JOHNSONS, BRIAN ENO, BJÖRK, NX ZERO, PHILIP GLASS, ADÈLE. Por vezes, as músicas me dão uma batida que é interessante para uma fala (principalmente com falas mais longas), mas às vezes a música dá o ritmo da cena, de uma discussão ou coisa assim. De outra forma, a trilha às vezes me deixa emocionado e nisso as palavras saem como um rio, escorrendo da minha boca e sendo desviadas pelas mãos sobre o teclado.

Isso têm sido sem dúvida o mais louco de tudo. Como algumas falas que são muito minhas, construídas a partir de sensações muito próprias (que eu vivi ou que pensei, enfim), como essas falas precisam do meu corpo e da minha voz para virarem palavras. Por vezes eu me encontro chorando, soluçando sem pensar falando falando e falando e nisso o texto vai nascendo já todo doído e a minha mão vai registrando. Depois eu desligo. E volto, sem chorar. Por vezes eu gasto o choro até fazê-lo secar e então a fala fica precisa. Ao ler uma palavra nela tudo em mim se instaura de novo e a coisa precipita.

Por último, gostaria de falar das rubricas. Comecei o texto usando rubricas para localizar a coisa de maneira geral e prática. Não suporto escrever (irritado) rubricas para indicar o tom ou intenção da fala e (após uma pausa) tenho bastante medo dos silêncio pré-estabelecidos. Então eu acabei desenvolvendo algumas apostas que vocês só saberão quando estiverem com o texto em mãos. Alguns códigos – por meio de símbolos, barras, espaços… – que significam uma maneira de ler o texto que não tem  que ser explicada por meio de palavras.

Vocês vão ter – realmente – que malhar a mandíbula, a boca os dentes línguas e lábios. Ao invés de quebrar o joelho, eu diria, será preciso engasgar a cada ensaio. Por hoje – que já é amanhã – eu vou deixar um trecho de uma cena. Pronto. Vou ali escolher e já volto. Escolhida:

[…]

Odilon Bonito isso.

Rita Mas é triste.

Cecília E cafona!

Odilon É solene.

Andréia É triste, Odilon, você opinar do que eu falo sem nem ter me dado um oi.

Inácio Humm...

Andréia E não foi só ele, viu, Inácio?

Inácio Ouviu, Cecília?

Andréia Não foi só ele que não me deu oi.

Rita Eu dei oi pra todo mundo.

Cecília Rita, você dá oi até quando a gente dá tchau.

Inácio Eu cheguei primeiro.

Rita Pára de me zombar.

Inácio Se eu cheguei primeiro, quem tem que dar oi é quem chegou depois.

Odilon Oi?

Andréia Oi.

Rita Oi!

Inácio Oi...

Cecília Oi, amigos. Eu precisava dizer como eu tô feliz por estar aqui. Mesmo. Mesmo com essa poeira, mesmo por tantas outras coisas. É só que eu não tô conseguindo esconder e não queria achar que é errado eu abrir isso pra vocês. Que eu tô […]

\\

quarta-feira, 25 de maio de 2011

ensaio 28

25/05, unirio, sala 301
flávia, fred, marília, dominique, nina, diogo e vítor.

RAIA.

- atenção ao desperdício de energia, pois o jogo começa intenso e vai se perdendo;
- o rigor na execução dos movimentos como são;
- arrumar a roupa? mexer no cabelo? sair do limite dado pela fita crepe?
- devemos usar a parede para conter a corrida ou devemos usar o corpo para conter a si próprio?
- não hesitar! (se você vai virar, vire! se vai pular, pule);
- não confundir duração com hesitação;
- o coçar do olho vira gesto dentro da raia;

[…]

deitar, andar, pular, gesto escolhido
andar, pular, gesto escolhido
andar, pular, gesto 1, gesto 2
andar, gesto 1, gesto 2
andar, gesto 1, gesto 2, gesto 3
os cinco comandos apenas

tem uma diferença em termos de expressividade dos cinco comandos que os gestos precisam explorar. mexem com planos, são suscetíveis a velocidades diferentes e já são conhecidos.

UNIVERSO GESTUAL (proposição da Nina a partir d’O DIA DO ENTERRO I e II)

TEXTO com Jogos (universo gestual, beijo que cala, 3:1:1).

2. UNIVERSO GESTUAL (a partir das proposições da Nina)
- universo gestual para cada personagem;
- a partir dos textos O DIA DO ENTERRO e O DIA DO ENTERRO – PARTE II.

4. BEIJO QUE CALA (a partir das proposições da Marília)
- para interromper a fala de alguém é preciso dar um beijo nessa pessoa;
- depois que isso acontece cada pessoa deve dar um beijo naquela que fala antes dela;
- o jogo só termina com um beijo na boca (que instaura um clima entre todos).

5. 3:1:1 (a partir das proposições da Dominique)
- o jogo começa com A, B, C ou D;
- A, B e C atacam D ou vice-e-versa (num jogo de repetição gestual e discursiva);
- o jogo chega ao fim com uma revelação trazida pelo jogador E (que estava de fora);
- E traz uma revelação ou ação que rende o discurso dos outros.

SEGUNDA TENTATIVA

inácio move os bolsos, dá adeus;
rita se abraça (na falta de corpo para abraçar);
cecília num encontro das mãos atrás do corpo e empurrando algo para fora de si;
rita mão na boca, no queixo…

marília > falar mais alto.
vítor > não engolir o início das falas.

pra quem vítor sinalizou?

rita agregadora.

BATE-PAPO COM JÚLIA MARINI E VINICIUS ARNEIRO > TEATRO INDEPENDENTE

> ABERTURA DE OUTRO ABISMO, ESSE DO PERSONAGEM, DA PROFISSÃO DE CADA PERSONAGEM – É UM LIMITE;

>> DE ALGUMA FORMA É IMPORTANTE BANCAR DENTRO DA FICÇÃO AS NOSSAS PESSOALIDADES, EM ALGUM LUGAR, ESSAS PESSOALIDADES SÃO FUNDAMENTAIS, POIR VÃO INCORPAR ESSES PERSONAGENS;

>>> ONDE SE FUNDE E ONDE SE SEPARA O PERSONAGEM E O ATOR QUE O INTERPRETA?;

>>>> CONSTRUÇÃO DE DENTRO PARA FORA (COMO VOCÊ SE PORTARIA MEDIANTE A TAL SITUAÇÃO?) – AUMENTO DA COMPLEXIDADE DO PERSONAGEM;

>>>>> PODEMOS PASSAR POR QUALQUER SITUAÇÃO E SABER QUE É UMA PASSAGEM, QUE SE PASSA POR ESSAS COISAS, ESSAS DIFERENÇAS;

>>>>>> O TRABALHO COM ATORES COM REGISTROS MUITO FORTES E INABALÁVEIS. ÀS VEZES É PRECISO ACESSAR UM OUTRO LUGAR QUE NÃO É O LUGAR PRIMEIRO DO ATOR. PARA QUE O ATOR NÃO ENTRE EM UMA SITUAÇÃO DE CONFORTO AO SE FICCIONALIZAR E NÃO DAR SEU CORPO À BATIDA E RESPIRAÇÃO DE UM DADO PERSONAGEM;

>>>>>>> PROPOSIÇÃO DA SINOPSE MAIS DESCRIÇÃO DOS PERSONAGENS. CADA PERSONAGEM LEVANTA UM UNIVERSO. HÁ UM UNIVERSO A SER LEVADO PARA SALA DE ENSAIO SEM CENA. INVESTIGAÇÃO DO JOGO. A ATMOSFERA DE CADA UM;

>>>>>>>> O COLABORATIVO DENTRO DA DRAMATURGIA. O DRAMATURGO PODE OU NÃO SE APROVEITAR DE TEXTOS PRODUZIDOS EM IMPROVISAÇÕES;

>>>>>>>>> DECORAR NEUTRO. O TEXTO EM SI ESTÁ ESCRITO. A QUESTÃO É O COMO. O TEXTO GANHA VIDA NO ATOR;

>>>>>>>>>> O USO DE LISTAS (COMPOSIÇÕES) A PARTIR DO MOMENTO EM QUE AS NOVAS CENAS CHEGAVAM. AFINAÇÃO COM OS OUTROS ATORES, TODOS FAZEM DOAÇÃO AO TRABALHO DO OUTRO. PARA A CRIAÇÃO DE UMA CENA, A PARTIR DO TEXTO RECEBIDO, PODE-SE PROPOR UMA LISTA GRANDE E UM TEMPO MAIOR PARA CRIAÇÃO;

>>>>>>>>> O QUE QUER DIZER ESSA MÚSICA QUE EU FALO? (NÃO NECESSARIAMENTE O QUE EU DIGO, MAS O QUE A SONORIDADE, O RITMO, O SOM ESTÁ DIZENDO);

>>>>>>>> O QUE EU QUERO DIZER COM ISTO QUE EU ESTOU FALANDO (E NÃO ISTO QUE EU ESTOU FALANDO)? – BRINCAR COM ISSO QUE PODE VIRAR ATÉ MESMO UMA ESTILIZAÇÃO;

>>>>>>> A RELAÇÃO DO ATOR COM O ESPAÇO, A CHEGADA, A RELAÇÃO COM O OUTRO. A DISTÂNCIA SUA EM RELAÇÃO AO OUTRO E À PLATÉIA. SE SE COLOCA LONGE OU PERTO;

>>>>>> O ACONTECIMENTO NÃO PRECISA DIZER ALGUMA COISA, ELE PRECISA SER. O TRABALHO COLABORATIVO É MAIS DE NEGAÇÃO DO QUE DE AFIRMAÇÃO. VOCÊ CRIA UMA QUANTIDADE DE NÃO MUITO GRANDE, POR ISSO VOCÊ APRENDE A ESCOLHER;

>>>>> A ESCOLHA DO QUE FICA É UMA ESCOLHA DA DIREÇÃO (E NÃO COLETIVA);

>>>> PERCEBER QUE NÃO É CAPAZ DE CONSEGUIR ATINGIR UM DADO LOCAL FAZ PARTE DO PROCESSO. PODE-SE NÃO SABER O QUE É IR PARA UM DADO ESTADO OU VIVER UMA TAL EMOÇÃO. A PRIMEIRA REAÇÃO É NÃO SABER, NÃO QUERER FAZER. MAS É PRECISO SE LANÇAR, EM SEGUIDA, A ESSE DESCONHECIDO;

>>> SE ATER AOS PEDAÇOS DE DRAMATURGIA QUE CHEGAM. NÃO SE PODE PREMEDITAR, VOCÊ PRECISA ACREDITAR, DEFENDER A CENA POR INTEIRO. O QUE VEM DEPOIS É UMA PEÇA OUTRA QUE SE ENCAIXA;

>> O PROCESSO COLABORATIVO, A MONTAGEM EM PROCESSO, PODERIA SUPOR UMA CENA DESMONTADA. MAS HÁ UMA COSTURA QUE SE DÁ NAS TRANSIÇÕES E QUE REVISTA AS CENAS ANTERIORES;

> NAS PRIMEIRAS CENAS SE DESCOBRE A LINGUAGEM DO ESPETÁCULO. É O TRECHO NO QUAL SE GASTA MAIS TEMPO DE MONTAGEM. A ATMOSFERA.

domingo, 22 de maio de 2011

ensaio 26

20/05, unirio, sala 301
flávia, fred, marília, dominique, nina, diogo, vítor e gustavo.

flávia começou o ensaio falando sobre o papo que teve com a atriz do teatro de autônomo. sobre ator e personagem, sobre autonomia. como admnistrar? tudo é para o trabalho, não por questões individuais. estamos aqui reunidos por conta da feitura coletiva de uma peça.

expressão. expressionista. a dramaturgia (talvez) dirá tudo em linhas legíveis. a encenação (talvez) transforme as palavras em sonho. portanto, caros atores, por favor, não dividam as coisas. tentem tudo ao mesmo tempo, sem necessidade de divisão. deixem que eu e flávia ordenamos toda essa expressividade.

(transcrevo agora as anotações que fiz sobre os jogos no meu caderno)

 

1) JOGO PROPOSTO PELO VÍTOR

ESTAGNAÇÃO NO DESEQUILÍOBRIO COM FORMAS NO ESPAÇO
MOVIMENTAÇÃO DE ENERGIA INTERNA

desequilíbrio, instabilidade, suporte, equilíbrio, ponta dos pés, inclinação, cadeira, pêndulo

escolhe uma posição e fica nela.

rita – será que quem desistiu não tentou?
inácio – eu não acredito nisso de antes só do que mal acompanhado… eu faço realmente questão…
odilon – seu filho da puta, o que você tá fazendo com o meu corpo?
andréia – eu não vou desistir. eu vou fatiar ele inteiro.

como se come um dragão? com que molho? come assado?…
acho bom ser assumidamente um jogo que os amigos (e não os atores) decidem jogar.

 

2) JOGO PROPOSTO PELA NINA

CONJUNTO DE GESTOS PARA CADA PERSONAGEM A PARTIR DO TEXTO “O Dia do Enterro”

andança, malha, quadriculada, abraço, observação, gestus, pegar das mãos, súbito, correr, tentativa, estica, volta, aperta o queixo, abandonar, raia, erguer do chão, puxar, recusa, dar tchau, selinho, espelho, transferência de peso…

tive a sensação de que os personagens poderiam ter um número fechado de gestos a serem explorados durante toda a peça. a significarem novos significados em cada novo contexto dentro do qual são lançados.

penso na automatização, em como estes personagens talvez ainda estejam repetindo os gestos e movimentos do dia do enterro, ali onde ficaram cravados e onde o horror criou raíz e desde então não mais os abandonou…

 

3) JOGO PROPOSTO PELA MARÍLIA

IR AO CHÃO, SÓ PARAR DE FALAR QUANDO BEIJAR, ELE SÓ SE CALA COM BEIJO

rita – eu não tenho nada contra dragões… o caco nem sabe que eu tô aqui com um dragão.
inácio – eu não faço questão nenhuma de você entre os meus amigos.
cecília – escuta ela não que ela tá maluca.
odilon – a gente tem que aceitar esse filha da puta desse dragão.
andréia – como que se pode fazer com isso? o que se pode fazer com isso?
odilon – vocês já perceberam que é como música, que afeta a gente mas não dá pra pegar?

criatura mágica que põe ovo, cospe fogo e tem sono profundo.
o beijo passa a fala.

odilon – foi davi que matou um dragão?

 

4) JOGO PROPOSTO POR FRED

CONSTRUÇÃO DRAMATÚRGICA A PARTIR DE LILLA,
SEMPRE QUE SURGISSE UM CONTRAPONTO, SE APROPRIAR DELE E SEGUIR FALANDO
O JOGO TERMINARIA COM UMA FALA E/OU AÇÃO INESPERADA

lilla tinha 1,70m
ela nunca soube o que fazer da vida dela
inácio, o meu sonho é ficar preto que nem você
lilla não sabia sambar nada
ela ficou em dúvida entre artes plásticas e cênicas
agressiva na pintura
firme
ela era uma pessoa feliz

quando eu tinha a sua idade eu também pensava assim, dizia lilla
a gente ficou um ano sem se falar, disse cecília
eu nunca fumei baseado, disse cecília
você tá querendo enganar o dragão, só se for, disse inácio
madurinha, diz odilon sobre rita

mostra o seu dragão pra gente
gente, tá na hora do dragão acordar. a lilla me falou que ela acordava 12h15.
o dragão é dragoa e ele gosta de beatles.
tem que tratar que nem cachorro!
domesticar o dragão. coleira. ser amigo dele.

ele pode ficar um tempo na casa de cada um.

fica de castigo na casa do odilon, que é um pouco pequena.
gente, não tô legal de inventar brincadeira pra não falar do problema. tem um dragão.
INSETIZAN. apareceu um dragão e agente liga pro insetizan.
uma coisa que eu aprendi com minha amiga historiadora é se não podemos vencer um inimigo, vamos ser amigo dele.

 

5) JOGO PROPOSTO PELA DOMINIQUE

3 JOGADORES (A,B, C)CONTRA 1 (D), O OUTRO RESTANTE (E) SE DISTANCIA DA DISCUSSÃO E SOBRA FORA, ATÉ QUE INTERROMPE A DISCUSSÃO FAZENDO UMA REVELAÇÃO SOBRE O DRAGÃO

sensação de coro (duplas, trios) gesticulando e falando a mesma coisa para uma única pessoa
extremamente opressor
o beijo cala a boca de novo

TIÃO, o amigo do caco que pode resolver isso de matar o dragão (revelação!)

 

os jogos foram dados. discutimos sobre a diferença entre sistemas dramatúrgicos e jogos que estimulem a criação de formas, gestos, movimentações… estamos em busca desses outros jogos. mas, de tudo o que foi lançado, faremos uma decupagem e encontraremos nosso jogos!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Lenha > devidamente colocada < na fogueira

Marília comentou uma postagem anterior:

Li "A Morte do Autor" e vou colocar lenha nessa fogueira.Alguns trechos me lembram indicações sobre como poderiamos explorar o VP.Como uma escrita livre,sem se preocupar em fazer sentido.Quem reúne tudo é o leitor.Para que ele nasça é preciso que o Autor morra...
Identifico esses elementos,mas tenho dificuldade em visualizar sua prática.Me parece um debate teórico interessante para a renovação dos críticos tradicionais.Mas não alcanço todo seu extremismo.
Minha impressão é que todos fazem sentido.Será que as coisas precisam morrer porque não puderam coexistir?Será que é preciso dizer da morte do autor apenas para dar espaço ao leitor?Todos deveriam ter espaço,inclusive,como lembram os linguistas,as próprias palavras.Não?

Como eu vejo:

Sim, são indicações para vocês, atores. Vocês são autores dessa parada. Por vezes, é menos o que eu acho e mais o que a minha presença ali é capaz de formar. Não vamos dar conta de todos os sentidos. Por isso, eu e Flávia (“do lado de fora”) somos mais leitores do que autores. Somos mais espectadores do que diretores.

Paradoxo. Total. Ora, como eu peço a vocês que escrevam e como peço, ao mesmo tempo, que deixem o corpo escrever sem pensar nem se preocupar em caprichar no que estão dizendo? Não tenho resposta para essa pergunta. Para mim, algumas questões morrem solteiras, sem resposta.

Dificuldade em visualizar sua prática. Claro. Você não tem que visualizar nada. Não estou sendo grosseiro. Estou sendo sincero. Você não visualiza. Você realiza. E há um abismo entre uma ação e outra.

Sua impressão de que todos fazem sentido. Bom, mais uma vez, devo dizer, quem disse que é pra fazer sentido? Assim, se questionarmos essa verdade universal (?!), acabamos por nos ter com o básico: não tem que fazer sentido. Não necessariamente. Isso tira de nós uma exigência histórica e libera o corpo para a façanha de estar vivo e afetante, afetável.

Quais questões são questões e quais questões são falácias?

Selecionar o drama.

Não vale à pena morrer por qualquer coisa.

\\

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Entrevista com Juliano Garcia Pessanha



Pessoal, a entrevista é curta e ficou muito boa. O depoimento do Juliano acerca da escrita que só pode vir se estiver colada ao corpo, da fala que só pode aparecer se a ferida se abrir, se aproximam e se amigam daquilo que no momento estamos tocando. Vale a pena assistir.