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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

ensaios remarcados

Segunda 16.01
09h a 12h na UFRJ

Quarta 18.01
19h a 23h na UNIRIO
(Vitor chega até 20h)
CENA UM

Quinta 19.01
19h a 23h na UNIRIO
(Vitor chega até 20h)
CENA DOIS

Sexta 20.01
09h a 12h na UNIRIO
Apenas com Marília e Nina
PRÓLOGO + SOLILÓQUIOS

Domingo 22.01
10h a 14h na UNIRIO
CENA TRÊS

Segunda 23.01 >>> apresentação da dramaturgia do figurino <<<

Segunda 23.01
09h a 12h na UFRJ
CENA QUATRO

Terça 24.01
09h a 12h na UFRJ
Apenas Dominique e Fred
EPÍLOGO + SOLILÓQUIOS

Quarta 25.01
19h a 23h na UNIRIO
(Vitor chega até 20h)
CENA CINCO

Quinta 26.01
19h a 23h na UNIRIO
(Vitor chega até 20h)
CENA SEIS

Segunda 30.01
09h a 15h na UFRJ
GERAL

Terça 31.01
18h a 23h na UNIRIO
(Vitor chega ate 20h)
GERAL

Dias 03 e 04, sexta e sábado
Chegada na Gamboa entre 17h e 19h

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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

“Diálogo, mais ou menos ágil, com o desequilíbrio geracional”

Eis que a nossa primeira crítica é feita pelo crítico Macksen Luiz, que esteve presente em nossa estreia, no dia 11 de outubro. A opinião do crítico foi postada em seu blog [http://macksenluiz.blogspot.com/] e pode ser conferida abaixo (clique sobre a imagem para vê-la em tamanho maior):

critica macksen 18out copy

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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Release

logo-documentos

Cinco jovens se reencontram no apartamento de uma amiga em comum, dois meses após o seu suicídio. Novo espetáculo do Teatro Inominável, a peça Como Cavalgar um Dragão, dramaturgia de Diogo Liberano criada em processo colaborativo, fala de uma geração em busca do acerto de contas com uma realidade contraditória. A estreia será no TEMPO_FESTIVAL das Artes, nos dias 17 e 18 de setembro, no Espaço SESC. Em outubro, a montagem estará em cartaz no Teatro Municipal Maria Clara Machado.

Graduado em Direção Teatral pela UFRJ, Diogo Liberano assina a direção ao lado de Flávia Naves, graduada em Artes Cênicas pela UNIRIO e formada como atriz pela Casa de Artes Laranjeiras – CAL. No elenco, estão os atores Dominique Arantes (Andréia), Fred Araújo (Inácio), Marília Misailidis (Rita), Nina Balbi (Cecília) e Vítor Peres (Odilon).

A aposta cenográfica, assinada por Rafael Medeiros e Fernanda Abreu, parte do mote inaugural do projeto, "atravessamentos", para compor o espaço de um apartamento onde as paredes são telas de pintura cruas que evidenciam o universo representacional do espetáculo e, que passam a ser atravessadas pelos atores na evolução da dramaturgia.

O Inominável investiga a produção de uma cena capaz de dar voz à inquietação característica dos tempos atuais. “A intenção é abordar esta geração que, frente a situações extremas como a morte, não se permite ser indiferente. Não se trata de obter respostas, mas de cruzar os extremos”, explicam os diretores.

Criado em 2008, o Teatro Inominável (Adassa Martins + Dan Marins + Diogo Liberano + Flávia Naves + Helena Cantidio + Natássia Vello) vem se destacando no cenário teatral do Rio de Janeiro. Seus dois primeiros espetáculos, realizados de forma independente, continuam em cena: “Não Dois” (2009) do texto argentino Paso de Dos de Eduardo Pavlovsky e “Vazio é o que não falta, Miranda” (2010) da obra Esperando Godot de Samuel Beckett.

Contemplado pelo Fundo de Apoio ao Teatro – FATE, da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, o espetáculo conta com a supervisão de Marina Vianna, atriz e co-autora do espetáculo/filme de Christiane Jatahy, “A Falta que nos move”, importante referência no processo.

SOBRE DIOGO LIBERANO

Graduado em Direção Teatral pela UFRJ, Diogo Liberano vem se destacado como dramaturgo e diretor teatral. Este ano foi selecionado para o Seminario Intensivo de Dramaturgos, promovido pelo Panorama Sur, em Buenos Aires. Como diretor, foi convidado pela Cia do Atores a co-dirigir, ao lado de Cesar Augusto e Susana Ribeiro, o espetáculo “Peças de Encaixar”. Diretor Artístico do Teatro Inominável, dirigiu “Não Dois” (2009) e “Vazio é o que não falta, Miranda” (2010).

SOBRE FLÁVIA NAVES

Graduada em Artes Cênicas pela UNIRIO e formada como atriz pela Casa de Artes Laranjeiras – CAL, nos últimos anos, Flávia Naves vem realizando assistência de direção de diretores como Ana Kfouri (“Senhora dos Afogados”) e Ivan Sugahara (nos espetáculos “A Estupidez”, “Tempo de Solidão” e “Sem Ana”). Também integrante do Teatro Inominável, como atriz, está em “Vazio é o que não falta, Miranda” e agora assume a direção do novo espetáculo da companhia ao lado de Diogo Liberano.

 

SERVIÇO “COMO CAVALGAR UM DRAGÃO”
Classificação etária: 14 anos
Duração: 75 minutos

Temporada no Teatro Municipal Maria Clara Machado
Estreia dia 11 de outubro
Até 7 de dezembro

Terças e quartas, às 21h
Teatro Maria Clara Machado (Planetário da Gávea)
Rua Padre Leonel Franca 240 – Gávea
Informações: (21) 2274-7722
Capacidade: 80 lugares
Bilheteria: terça-feira à quinta-feira a partir das 18h; sextas, sábados e domingos a partir das 15h. Sempre até 21h. Aos domingos até 20h.
Ingressos: R$20 (inteira) R$10 (meia)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Notas sobre a dramaturgia – Oito

faz tempo que não escrevo sobre a nossa dramaturgia. nessa semana, ouvi de marina vianna que nosso processo é o mais textocêntrico de todos. entrei numa crise (rápida, passageira, porém sincera e contundente). a pergunta não é que dramaturgia criamos, mas sim de que maneira chegamos até ela. tenho a clareza absoluta agora de que o nosso drama foi erguido a partir do papel escrito e não necessariamente a partir de ires e vires do corpo ao papel e vice-e-versa. nenhuma problema. o processo é movimento, é erro e tentativa.

não sei porque estou escrevendo isso. temos a nossa estreia dentro do TEMPO_FESTIVAL das Artes no próximo sábado e foi apenas no sábado passado que eu terminei de escrever o texto. de sábado passado (início de setembro, mais precisamente no dia três) até hoje, quinta, muito texto já foi mexido e reescrito. eu, aliás, estou na cozinha da minha casa, tomando um café, enquanto me preparo para reescrever um trecho que espero ser o último até nossa estreia.

mentira. a dramaturgia é e sempre foi movediça. a cena quer entrar e quer se fazer escrita. se foi um processo textocêntrico? talvez por in_experiência, talvez por amadorismo = aquela febra dos que amam com cuidado e excesso de zelo. nenhum problema. respiro. o que ponho aqui escrito é relato sincero e preciso. estamos em tempo. os corpos se movem mais do que nunca ansiosos pelo encontro com o abismo.

chega de poesia. o final da peça escrito. PRÓLOGO (escrita automática) + CENA UM (despedida do ideal) + CENA DOIS (medida da trajetória) + CENA TRÊS (esse mau estar) + CENA QUATRO (rir das marcas) + CENA CINCO (desconhecer-se) + CENA SEIS (não nomear) + EPÍLOGO (profanare). os nomes sempre sintetizando aquilo que depois eu tento expressar por falas, discursos, personagens conflitos e cruzamentos.

enfim, eu queria dizer que eu não sei. que o texto chegou ao fim mas é desde já, desde sempre, coisa morta. que é bom, bonito e seguro. mas que precisa dos corpos, das investidas, das desmedidas, sim, sobretudo das desmedidas. o texto precisa trepidar, ser alvo dos soluços e dos respirares. eu tô tão óbvio. não importa. quis apenas vir até aqui e constatar: o quanto produzimos. o quanto ainda falta para concretizar.

vamos?

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O BEIJO

Olha as marcas cravadas no meus pulsos, ela disse, eu sei o que você está sentindo, eu compartilho da sua dor, eu sei o que é perder a visão mesmo estando certa que meus olhos continuam a enxergar, eu sei o que é sentir o gosto amargo da saliva escorrer pela boca e encharcar o corpo inteiro, eu também já senti esse bicho estranho que ganha força aqui dentro e te pedi pra voar, as palavras sem esforço saiam da sua boca e ele que ouvia tudo mas nada escutava foi aos poucos se rendendo àquela voz suave que a seus ouvidos chegava na gentileza de uma canção, ele que com esforço hesitava entre soltar ou não soltar os dedos que agarravam o parapeito da janela, cinco dedos apenas agarrados ao cimento branco, a outra mão agarrada à faca que molhada de suor insistia na queda daquele corpo que ainda hesitava, ele que ainda hesitava foi se deixando levar pela boca insistente, e então o beijo, a boca dela nos lábios dele, os lábios dela no pavor dele e ele, surpreendido e embriagado pela faísca invisível do amor, ele agora apenas, o instante que não vingou.


passadão + cena quatro

espaço sesc, 29 de agosto, 09h30/13h
diogo, nina, flávia, vítor, fred, dominique e marília

PRÓLOGO

aposta de utilizar a faixa DRAGZ 2 feita pelo cabelo;
cecília usa um mp3 player;
boa dicção, porém a voz parece baixa (tentar impostar mais);
boa a chegada da andréia (o tempo, a parada ao lado de cecília);
é bom tocar a sujeira no chão, mas talvez não com as mãos e sim com um dos pés;
bom o toque no inácio;
bom o sorriso no “conrado”;
cecília – fechar partitura e ser rigorosa na repetição da mesma;
a trilha também se retira da cena e deixa cecília rendida?
tônus na lista de odilon que não cessa até o fim da lista da rita;

CENA UM

reação de rita ao “né, rita?” de cecília;
bom o “chantagem emocional”;
bom o tirar do casaco, cecília;
ótimo, nina! o esporro no inácio (deu pra ver que não é por conta de um tênis);
andréia entra com o “pára, rita” com um sorriso que parece sobrar;
a coisa da saudade precisa ser mais sincera (inácio e rita);
rita, entrar mais na fala “se quiser eu posso ir ao banheiro”;
cuidado com a agressividade e a finalização do jogo físico entre os dois meninos;
”lembrança pra lilla”, indicar o lenço como se fosse lilla;
”não, aquilo que a gente tinha pra fazer aqui”, falta intenção (ele tá sendo irônico, escroto);
resolver a coisa da pelúcia;

CENA DOIS

meninos, na andança durante o monólogo de odila, serem mais ágeis e práticos, saindo de cena sem ter que conferir nada;
ótimo o solilóquio, apenas atenção ao forçar da emoção e tomar cuidado com as caras e bocas;
boa a risada (podem debochar mais da coisa da beterraba);
meninas, cuidado com o “pseduo-falatório” enquanto odilon e inácio “brigam” sobre o dvd;
”eu não perguntei isso” tá muito gritado, vítor;
bom o choro da rita e boa a reação da cecília;
corte no texto da rita: do calmante falar direto da ligação do caco" (eu entrego o corte);
cecília e andréia precisam ganhar mais a discussão;
”não chora” ainda não funciona;

CENA TRÊS

afetação maior no “é isso” inicial de andréia, talvez a gente deva aumentar o texto dela;
cecília e rita estão ótimas e fortes dentro de suas convicções;
rita entrar mais direta com ”ela me ligou também”;
será que o texto do odilon é todo pra andréia?;
brinde > não estrangular o texto;
SENTA PRA ASSISTIR não é para o público;

CENA QUATRO

bom o engasgar, fred;
rita, bom “de somar todas essas lembranças e montar uma lilla que nunca existiu”;

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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

ensaio 73

16/08:11, unirio, sala 604
vítor, dominique, fred, marília, flávia e diogo

nina não pôde vir. eu cheguei um pouco atrasado. eles estão jogando o PANO. em seguida, trabalharemos pedaços do primeiro ato = prólogo + cena um + cena dois + cena três. o pano hoje é laranja. diferente. tem um peso outro.

trabalhos em separado:

MARÍLIA E SEU PEQUENO SOLILÓQUIO
DIÁLOGOS ODILON + ANDRÉIA
FALAS SOLTAS DA ANDRÉIA
EMBATE ODILON + INÁCIO
SOLILÓQUIO ODILON
FINAL CENA 3 COM RITA E INÁCIO

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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Prescrição

Um atravessar deixa uma marca. Os amigos entram no apartamento da amiga Letícia com um objetivo: dividir os pertences dela.
Terminada essa etapa eles podem seguir, sim, podem, cada um pra sua casa carregando consigo os objetos escolhidos. Mas....
Não saem, não se vão. Ao cumprirem a tarefa solicitada algo ficou insuficiente, mas afinal, "o que é isso que nos tomou de assalto e que está nos engolindo? Porque estamos nos ferindo, nos agredindo quando poderíamos nos amar, nos tocar, nos tranqüilizar, nos entender?”
Quando a incompreensão do que está se passando ali dentro adquire a sua forma mais extrema e agressiva um dos amigos anuncia o ato radical que acabara de fazer: “eu acabei de trancar a porta e engolir a chave desse apartamento”.
Está feito.
Agora eles estão unidos sem possibilidade de dispersão, agora eles terão que se agüentar até que reúnam forças suficientes para abrir a porta e seguir, eles ali trancados exigindo do tempo uma pausa, uma parada, exigindo da vida um descanso, uma trégua, para que se compreenda minimamente onde cada um está dentro dessa história e onde cada um irá depois dessa narrativa. Eles precisam desse assentar, desse calar da boca e fechar da porta para que possam se olhar novamente depois do fato que inevitavelmente modificou rostos e nele desenhou traços. É impossível passar por um atravessamento sem ter o corpo por ele marcado.

Van Gogh

“Um dia eu dormi sentindo a dor da perda, a perda de um amor. Sonhei com as árvores e o céu de Van Gogh, sonhei com aquela paisagem embaçada, borrada, como se dedos sujos de tinta tivessem arranhado toda a beleza da paisagem que eu via.
Acordei assustada e com um medo pavoroso de olhar pela janela, medo de olhar as folhas, as árvores, as nuvens e só encontrar a tinta borrada no meu sonho, mas não foi isso que aconteceu, pela janela as folhas, as árvores e as nuvens ainda eram folhas, árvores e nuvens.
Suspirei, um longo suspiro de alívio e me lembro de agradecer com todas as minhas forças por não ter morrido em vida.

Acho que a Lilla acordou, olhou pro céu e só viu borrão de tinta.”

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

LISTA de ACONTECIMENTOS FINAIS

Seguem abaixo possíveis acontecimentos para desenvolvimento nas cenas quatro, cinco e seis do espetáculo:

ESGOTAMENTO PÓS-CENA 3;

DIÁLOGO ANDRÉIA E ODILON: sobre o beijo, sobre "a gente terminou";

DIÁLOGO CECÍLIA E RITA: sobre altura, sobre a sala, os móveis, sobre a coragem e/ou desespero de lilla, diálogo sobre se você quer ser minha melhor amiga;

LEMBRANÇA DA LILLA: sobre a pinta na coxa, sobre o repositor de leite do supermercado, sobre a festa e a bolsinha cheia de cacarecos;

DIÁLOGO INÁCIO E ALL-STAR CANO ALTO DE ZEBRINHA: sobre se sentir incapaz de dar conta do convite feito pelos amigos, sobre não conseguir ser outra coisa, sobre se reconhecer vencido e incapaz de aceitar toda essa instabilidade;

RITA E CACO: sobre não querer ir embora, sobre estar na casa da amiga suicida, sobre estar com os amigos, sobre foda-se!;

A CARTA: sobre quando encontram a carta deixada pela amiga;

O GURU DO GUGU: sobre o recurso encontrado para brincar com o sentido, sobre perguntas lançadas ao guru sobre tudo isso, sobre perder a importância de alguma resposta;

CUPCAKE: sobre a possibilidade de comemorar alguma coisa, um desaniversário, a morte, a vida, qualquer coisa, sobre a possibilidade de usar as velas do último aniversário de lilla, encontradas, sobre a possibilidade de adoçar a boca e aliviar o segundo;

CECÍLIA E A NOTÍCIA DE JORNAL: que a fez lembrar dos amigos, fala de um ato de resistência de um grupo de seis jovens contra a demolição de um teatro no rio de janeiro que termina com a morte dos seis, fala de como o jornal anunciou tudo isso, fala que a fez se lembrar dos seis amigos;

O JOGO DO LENÇO: que todo mundo sabe qual é.

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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A GRANDE TRANSGRESSÃO

Mais uma contribuição do Juliano para o nosso processo:

"Cansei de carregar meu fim de mundo pra passear no bairro com o desastre atrás e o medo na frente. Essa boca também esgotou-se na tarefa de narrar escombros. Agora o vazio é bem vindo pois ele é lugar para guardar o amigo! Haverá agora em mim um outro olhar e quando eu viajar e ver o mar, ou ver um relógio de flores na cidade serrana, ou alguma pintura viva e turbulenta, estarei olhando pela Letícia e simultaneamente ela que estará olhando através de mim. Agora eu compreendo porque eu era feito de tanto vazio. É para que coubesse o outro, o mundo do outro. Essa imensidão que me ultrapassa tanto existirá em mim e por isso, eu serei menor e maior ao mesmo tempo.

Você sabe que uma vez eu fui com ela numa festa e ela carregava uma bolsinha esverdeada cheia de cacarecos. Durante a festa sentou-se no gramado e perdeu a bolsa. Quando foi embora passou a mão pelo jardim e pensou ter pego a tal bolsa, mas ela estava com uma tartaruguinha na mão. Já no carro alguém perguntou: o que você está fazendo com essa tartaruguinha no colo? E ela levou um grande susto, voltamos ao jardim e ficamos procurando a bolsa. As pessoas riam tanto junto dela que o mundo parecia estar sempre começando. Sempre perto de um caroço surreal, um núcleo mágico e abundante. É estranho que hoje se meçam as vidas pela longevidade quando muitas vezes uma longa vida jamais conheceu um grande sorriso como o dela.

Eu quis tanto experimentar e transgredir, mas agora percebo que a grande transgressão é o salto do outro para dentro de mim. Como é possível essa maravilha?"

AMIZADE E MORTE

o texto abaixo foi escrito pelo Juliano que através do seu olhar sobre nós, tem nos ajudado nesse momento especulatório pós cena 3. Compartilho com vocês as suas belas palavras.

"Eu acho que vocês deviam parar com esse barulho, esse zum-zum-zum acusatório. Eu penso naquela que se foi. É todo um mundo que partiu. Quem era a Letícia? Eu gostaria de falar dela. Ela era uma pétala e sua única defesa era o perfume. Acho que nós somos todos uns trogloditas comparados àqueles dois olhões que eram urnas verdes de silêncio. Sabe que um dia eu a encontrei numa calçada do Botafogo e ela recolhia folhas secas num saco plástico? Eu não entendi direito o que ela tava fazendo, mas esses dias me caiu a ficha: ela pegava as folhas avermelhadas, as folhas enferrujadas, como ela me disse, porque eram lindas demais! Eram lindas demais, vocês entendem? E ela carregava as folhas para o quarto dela. Vocês podem compreender que estes olhos estavam desenferrujados! Desenferrujados, sim.

- Você quer dizer que esta morte nos deixa recados?
- Você está dizendo que estamos surdos?

Falo da dor de não achar a palavra-espelho, a palavra-cesto para caber todo o infinito Letícia. Falo que o mundo da Letícia me tocou e eu me sinto pequena e humilde diante de tanta verdade. Me assusta que ela tenha passado desapercebida e que vocês não parem de falar para que a gente possa começar a falar dela. Vocês nunca repararam que a Letícia tinha uma pinta escura na coxa? Uma pinta cheia de pelos. Eu acho que aquilo era uma folha, um pedaço de árvore na perna dela. Sabe, todo mundo insistia para ela tirar, mas ela nunca tirou aquilo. Acho que era a digital da inocência. Vocês entendem? A Letícia não tinha perdido a digital da inocência.

- Vocês precisam parar de morder as próprias aftas. Não entendo: por que em mim subitamente abriu-se uma janela para outra estação? Por que de repente tornei-me delicada e extravagante? Vamos, eu proponho que falemos apenas dela. Ela morreu e isso não é ficção. Amizade e morte, é por isso que estamos aqui."



domingo, 7 de agosto de 2011

67

O que importa um número? Importa muito. Hoje no parque Lage através do Tempo Festival completaremos sessenta e sete ensaios. Sessenta e sete vezes em que estivemos juntos trocando cheiros, palavras, olhares, idéias, pensamentos, saberes, incompreensões, frustrações, conquistas. Cinco atores, cinco amigos, dois diretores, sete amigos, juntos numa sala de ensaio na tentativa de devolver ao mundo o que dele receberam.

Nesses sessenta e sete ensaios talvez o que mais tenhamos feito é encontrar a melhor forma de dizer: estamos aqui, continuaremos aqui e juntos, e mesmo que tudo indique o contrário ainda sorrimos. Sim, talvez seja esse o nosso dizer, ainda sorrimos mesmo quando a vida nos abre janelas que são ao mesmo tempo um salto e uma queda. Um convite ao adentrar no mundo ao mesmo tempo que uma possibilidade de se retirar do mesmo. Janelas que são ponte: um salto na vida ou uma queda pra morte.

Compreender que a vida é feita de contradição, que somos fruto das nossas escolhas e que nosso corpo em sua batida irrevogável clama desesperadamente por poesia e canção, são apenas algumas das questões que nos envolveram durante esses sessenta e sete ensaios e que hoje as 18:00 horas gostaríamos de compartilhar com aqueles que nos visitarão.

Sejam muito bem vindos.

sábado, 30 de julho de 2011

Mudança de Parâmetro


parâmetro 
(para- + -metro) 
s. m.

1. [Geometria]  Linha constante que entra na equação ou construção de uma curva, e serve de medida fixa para comparar as ordenadas e asabcissas.

2. Característica ou variável que permite definir ou comparar algo.

Parto do posto acima para desenhar algum percurso possível do que possa ser essa parada do processo colaborativo. Havíamos sentado, lá nos inícios, para discutir o que poderia ser, para discutir papéis, funções, maneiras de se fazer. Pois bem, entendendo ou não alguma coisa, seguimos tramando ideias, propondo coisas e escrevendo com a caneta que nos era possível ter em mãos.

Mas, no último ensaio, percebi que estar em processo - e nele estamos - pressupõe uma constante reavaliação de parâmetros. De acordo com o verbete acima, "parâmetro", trata-se de uma varíavel que permite definir ou comparar algo, ora, estamos falando de um dado, uma linha, um limite que nos dá a medida de todo o resto. Ou seja: qual é o parâmetro que nos diz se a cena tal deve ou não continuar no espetáculo? O que nos permite saber que é mais acertado o texto chegar mais acelerado ao invés de mais lento?

Poderiam ser muitos parâmetros. Eles foram. No entanto, não coexistem muitos parâmetros porque a curva, a evolução de acontecimentos que estamos construindo, já não diz respeito mais a nós mesmos, ao nosso processo de criação, as nossas ideias e vontades. Hoje, a curva tem nome, se chama Dramática, e diz respeito ao nosso esforço por tornar possível e sensível que nossas personagens vivenciem essa história, essa dramaturgia (por nós, claro, tramada).

Vejamos: qual parâmetro então pode dar limite, corpo, a tudo o que vem sendo testado e abandonado? Qual parâmetro é capaz de organizar esse caos presente em cada ator, que vaga acumulado, atores vagando quase que saturados com tudo o que já foi feito e, no entanto, com apenas um pedaço de cena para nela dar sentido a tudo isso?

Se o parâmetro agora fosse aquele mesmo dos inícios, toda a angústia se justificaria e encontraria abrigo. Mas não é. Não pode ser. Não é. O nosso parâmetro agora é mais livre e diz respeito à cena, diz respeito à direção. Somos dois diretores, movidos pelo desejo e empenho de tornar essa história sensível, de tornar ela possível a quem nos vê. Nós somos os espectadores que vocês sempre terão. Isso não é pouco, isso não é pouco. De fato, não é.

Portanto, vamos deixar as medidas tombarem e outras novas assumirem nosso destino. Vamos acreditar que nem tudo deve voltar, nem tudo é hoje necessário para criar isto que estamos construindo. O sentido de cada personagem é também movediço. Isso é processo, ora, estamos em processo. Não funciona que sejam vocês inflexíveis, atores. Isso não é acusação. Não estamos aqui pra isso. Estou dizendo que a inflexibilidade às vezes está no pensamento que não se permite ser outra coisa que não aquilo, descoberto lá atrás, aquilo que faz todo sentido. Não estamos buscando sentido. Estamos buscando atravessá-lo.

Tudo isso pressupõe movimento, pressupõe inconstância, pressupõe dança e respiro. Ora, então não vamos falar do corpo dando a ele o parâmetro dicionário. Não vamos endurecer o parâmetro se a coisa toda quer degringolar e correr livre e solta.

Essas palavras são um sutil aposta na noção de processo. Não vamos perder a nossa imensa capacidade em lidar com o que não sabemos. Até agora, tudo o que temos partiu desse embate com o desconhecido. Sigamos nisso. Eu e Flávia estamos atentos para já já, deixar claro a vocês, o porquê de tudo isso.

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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Notas sobre a dramaturgia – Sete

Faz tempo que não me sento para escrever sobre a nossa dramaturgia. O tempo que tenho tido é usado para de fato escrevê-la. Pensar sobre o que escrevo, pensar sobre o que estamos escrevendo, é tarefa póstuma. Mas cabe hoje um pouco esse desgaste, esse revirar das ideias, essa tentativa vã, porém sempre saudável, de tentar se ver lá na frente.

Terminamos juntos de escrever essa cena três. CENA TRÊS - ESSE MAU ESTAR. De qual mau estar estamos falando? Da morte? Da culpa? Estamos falando da incompreensão? Não importa responder. Importa, acreditam as personagens, especular o que possa ter acontecido. Algo que possa suprir a categoria "explicação", que comporta todo um mundo de possibilidades. Eles querem explicar - cada um a seu modo - como pôde essa coisa ter invadido seus corpos e ter criado morada. Eles não sabem. Caso soubessem, não haveria dramaturgia.

Eles tentam, eles persistem e se precipitam. Eles se machucam, mas também ferem, não são santos, são tentativas. Eles tentam a todo custo lidar com a burrice do outro. Eles tentam a todo custo lidar com a sua inteligência, hoje, porém, incapaz de ditar resolução que sirva. Somos burros, talvez um deles deva pensar. Ou então, talvez um pense, isso que estamos tentando entender agora voa dançante entre a gente no meio dessa sala.

Eles não percebem. A dor é capaz de cegar. A dor engole os princípios e transforma a vida em ciranda-desespero. Os beijos viram cortes, o piscar do olho instaura um tiroteio. Mas se acalmem. Eles já já vão se deparar com o desconhecido. Eles em breve perceberão que se chama Lilla tudo isso.

E então cena quatro chega para confortar. Não quer dizer alegria, felicidade, essas coisas capa de revista. Quer dizer que o tempo agora age de outra forma. O toque se testa de novo e a pergunta primeira não é acusação, mas sim tá tudo bem contigo? CENA QUATRO - RIR DAS MARCAS. Que marca é essa, Jesus? Só pode ser Lilla. É ela que se tira deles e ao mesmo se crava em cada respiro, em cada investida que cada um deles dá no mundo. Ela se crava e vira cicatriz que não cessa de rachar a cada dia. Só pelo divertimento que é se descobrir capaz de morrer e viver de novo, sempre novamente a cada manhã nascida.

Acreditem. Só nos falta falar dela. Não há mais nada. É só isso. Eles estão ali para viver um pouco mais tudo isso. Não é pra resolver. É pra dividir os espectros e formar um corpo menos propício ao esquecimento. Eles estão ali para juntarem os restos de cheiro, os restos das roupas e das coisas da Letícia, dos brinquedos, dos pincéis e para assegurarem, uns aos outros, que ela estará protegida. Ela que os costurava agora continua agindo. Que tarefa difícil, não?

Dar existência ao invisível.

Estou me perdendo? Talvez. Não faz mal. Vamos seguindo que o que estamos construindo tem força suficiente para se perder e se achar. Vocês estão me emocionando, vocês estão, aos poucos - perversos - atravessando,
    

sexta-feira, 22 de julho de 2011

ensaio 57

22/07/11, unirio, sala 604
diogo, vítor, fred, marília, nina e dominique

aquecimento de uso. muitos sorrisos. intensidade. depois, pelo espaço, andamentos cada vez mais mais. abaixar/erguer/seguir andando. empunhar a espada (sem comandos). tudo bem com vocês? a coisa toda coloca o corpo num lugar que eu nem sei.

figurino. aquecimento vocal (precisamos adequar o aquecimento ao trabalho de 08h30 às 09h, talvez de 08h30 às 09h15. isso é essencial para os próximos encontros.

trabalho com cenas. primeiro no papel: cortes. depois na cena: prólogo, cena um e cena dois.

prólogo: as entradas e saídas estão mais claras. o lugar conquistado para o inácio é determinante. nada excede ou extravaza. ele entra por conta do all star. apenas. não se entende a princípio, mas tudo bem, alguns minutos depois será perfeitamente compreendido. a entrada de rita talvez deva sugerir algo mais com o lenço. era da lilla? ela brinca, joga o lenço, pede à cecília, cecília responde a ela e ela sai? dramaturgia. a(u)tor. pensar nessas proposições e seguir testando. vítor ganhando o jogo com a nina. será que ele é grosso com cecília? será que ele é bruto? mas mesmo que ele seja, por quê? por que ele seria e o que isso desbrava nela? há uma grande importância nesse estresse. tenho a sensação de que odilon deva abrir demais a questão para vermos cecília se resguardar no seu esconderijom forjado (mp3 player). andréia é precisa na impaciência (não se acostumar a ela, seguir impaciente, abandonar a coleira no chão mas permanecer ereta, atenta na lista). saídas e entradas devem ser precisas e diretas. para a próxima semana, vamos investigar quais entradas e quais saídas a cecília se permite responder e/ou perceber. 

cena um: batidão total. entrar e sair. posso ouvir o som das portas se abrindo e batendo, quase nunca sendo fechadas. não segurem o texto. vamos segurar quando for preciso, mas quase nunca é preciso nessa cena. emburacar no drama das personagens. vocês estão cada vez mais pertos dele. vocês estão descobrindo como é doce e cruel brincar de ser o outro. sigam brincando. tá ficando lindo vendo a dor deles se discernindo em vocês. menos por querer e intencionar e mais pelo jogo. pelo simples jogar. repitam o texto, repitam até encaixar, até o corpo de vocês estremecer e pedir pelo corte. ele virá. as coisas se esquentam nessa cena mas são redirecionadas. o mau-estar do quadro trazido por cecília é abrandado com a dança do inácio com o quadro. boa proposição fred, sutil e esmagadora. revela um inácio que não conhecíamos, mas que pode existir tranquilo. inácio diz que não veio pra chorar porque está louco pra desabar, só por isso. olha como ficamos mais forte quando não sublinhamos sempre o que é dito.

CORTE SECO, odilon vira para nós, espectadores, e conta o seu trajeto após o dia do enterro. tem que sabê-lo de frente pra trás e de trás pra frente. caso contrário, não dá pra jogar com você. e é preciso jogar muito esse texto. vamos fazer isso juntos: decorando primeiro.

cena dois: apostei com vocês numa quebra que não visa estender a cena anterior. apesar de muitas propostas interessantes (quase um montar da sala, com objetos, quadro na parede...) acho importante sabermos cortar para facilitar a chegada de novos estados. é bruta essa virada, acho que não devemos intencionar costurar cena um na dois. temos um intermezzo, que é o texto do odilon.

boa chegada dos meninos. dodô, como lidar com a fala do sucessinho? como torná-la possível e natural? isso é preciso. apostar na simultaneidade, sem medo, sem hesitação. vocês fizeram um bom trabalho hoje, seguir, porque pode ser que lá na frente seremos simultâneos e completamente intercalados, dando ao público uma experiência intensa de simultaneidade arranjada. a cena dois se configurou como um pré-buraco (que é a cena três).

hoje mexerei na dramaturgia e envio. mas, saibam, independente do meu envio ou não, decorem o que vocês têm. estudem. estudem. no final da próxima semana teremos cenas novas, ou seja, quanto mais estudarem o que temos melhor.

sobre a cena dois, enfim: boa a progressão. percebemos como é preciso se afetar com aquilo que afeta o outro. em que lugar cada coisa bate em cada um. bom trabalho, marília e dodô, pela força com que vocês estão ganhando o texto e deixando por meio deles vazar a dor dessas personagens. bom trabalho, mesmo. nina, vítor e fred: seguir na construção dessa afetação. odilon perdido entre o horror que ele achou que soubesse qual era, mas que se atualiza na sua frente e deixa ele meio sem ar. odilon entre andréia e a situação da lilla. inácio roubado de si pelo horror dos amigos. meio atônito, sem fazer força, apenas pela entrega simples de ouvir o que é dito. cecília sem saber como se diz isso tudo. sentindo, se perfurando, mas não sabendo como se diz tudo aquilo.

andréia fala - que bom que você resolveu explicar. porque toda vez que você abre a boca a gente entende tudo, menos isso.

percepção aguda de que o ritmo influencia tudo. caramba, não chora, deixa ela chorar, eu não tô chorando, tá sim que eu tô vendo, rita você tá maldosa, não chora, deixa ela chorar... DEIXA ELA CHORAR (por que cecília insiste tanto nisso?). é normal se sentir culpada.

a cena três emerge no meio da sala.

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quinta-feira, 21 de julho de 2011

ensaio 55


20/07/11, unirio, sala lucília peres
diogo, flávia, dominique, nina, marília, fred e vítor.

começamos atrasados, bastante atrasados. o ensaio hoje foi de tarde e isso altera tudo. em breve voltaremos ao horário habitual. alongar, aquecer a voz (sempre). acreditar na periodicidade (não somente do trabalho com as cenas), mas também na periodicidade e rigor com o próprio corpo.

ouvimos caetano enquanto jogavam o pano. depois, voltamos a brincar de empunhar a espada, porém, dessa vez, foi pedido que os meninos encontrassem um momento juntos - sem combinação - para atacar. foi muito interessante. depois, flávia sugeriu que eles substituíssem o estocar das espadas imaginárias por abraços. outra composição que rendeu imagens muito interessantes.

figurinos colocados. aquecimento de voz feito. conversas soltas sobre as primeiras cenas. solicitações aos atores para não perdermos aquilo que é preciso ficar. fizemos um trabalho mais focado no prólogo, dizendo quem entra e em qual momento. por mais que não tenhamos marcado, nos próximo dias será a partir dessa estrutura que fixaremos o restante.

fizemos duas passadas da cena um, independente do prólogo. os meninos encontraram coisas ótimas, lugares até então não desbravados. o "abrir e fechar" das portas cria uma movimentação para a cena que não estamos conseguindo abandonar. está interessante. esses fluxos que não cessam, mas tão somente se coloquem, se impõem.

descobertas da nina quanto ao prólogo, no sentido de como lançar para o corpo uma ação, gesto ou forma de dar o texto que faz o corpo dizer ainda mais, de forma mais sincera e sensível. ela grita com o inácio e nisso a lágrima vem vindo.

tiramos algumas fotos do ensaio para usarmos na divulgação do 1º tempo_festival das artes.

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