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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

ensaios remarcados

Segunda 16.01
09h a 12h na UFRJ

Quarta 18.01
19h a 23h na UNIRIO
(Vitor chega até 20h)
CENA UM

Quinta 19.01
19h a 23h na UNIRIO
(Vitor chega até 20h)
CENA DOIS

Sexta 20.01
09h a 12h na UNIRIO
Apenas com Marília e Nina
PRÓLOGO + SOLILÓQUIOS

Domingo 22.01
10h a 14h na UNIRIO
CENA TRÊS

Segunda 23.01 >>> apresentação da dramaturgia do figurino <<<

Segunda 23.01
09h a 12h na UFRJ
CENA QUATRO

Terça 24.01
09h a 12h na UFRJ
Apenas Dominique e Fred
EPÍLOGO + SOLILÓQUIOS

Quarta 25.01
19h a 23h na UNIRIO
(Vitor chega até 20h)
CENA CINCO

Quinta 26.01
19h a 23h na UNIRIO
(Vitor chega até 20h)
CENA SEIS

Segunda 30.01
09h a 15h na UFRJ
GERAL

Terça 31.01
18h a 23h na UNIRIO
(Vitor chega ate 20h)
GERAL

Dias 03 e 04, sexta e sábado
Chegada na Gamboa entre 17h e 19h

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domingo, 15 de janeiro de 2012

pontos de vista para os próximos ensaios,,

meninos,

a partir de nossa reunião aqui em casa, tramei sete pontos de vista pelos quais acredito ser necessário passarmos, mirando cada cena novamente, uma a uma, tentando desdobrar aquilo que porventura esteja confuso, ou em falta, ou que tenha sido esquecido ou mesmo sequer ainda especulado. é uma maneira de olharmos para o que já temos e multiplicarmos as nossas implicações em expressão. é mais uma vez um jogo possível. mas tem que ser jogado. assim, o que descrevo abaixo não é nada inédito, mas sim um apanhado das questões que me pareceram mais recorrentes em nossas falas.

JOGO ou de que maneira - como - os atores expressam a cena, traduzem a dramaturgia;
BATIDA ou o tempo de cada cena (ou pedaço de cena), a duração e os inúmeros ritmos que constituem algum todo;
APROPRIAÇÃO ou em quais trechos ainda não se é confortável o jogo e como resolver isso, como ganhar a briga com as exigências da encenação e da dramaturgia;
CORPO-GESTO ou como o corpo de cada ator expressa aquilo inexprimível de sua personagem, um esboço de cada dragão (in)contido;
QUADRO ou como trazer a tona o que está soterrado sob o excesso de palavras e movimento, aquilo que é dito sem que as personagens percebam estar dizendo;
PARAGEM ou alguma maneira de permitir que a escuta aconteça, para que personagens bem como espectadores consigam deixar a ficha cair e tenham espaço-tempo para isso;
PERPLEXIDADE ou a tentativa em primeiro plano, como expressar alguma incompreensão que ali se encontra latente e em movimento.

como exposto, não é nada demais. os pontos de vista se confundem uns com os outros, mas é possível trabalhar solitariamente a partir de apenas um. pensar as cenas por tais olhares me parece determinante e extremamente proveitoso.

vejamos como vai ser isso.

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próximos ensaios de DRAGÃO

Abaixo, os próximos ensaios agendados:


Segunda 16.01
09h a 12h na UFRJ
trabalho sobre CENA UM


Quarta 18.01
19h a 23h na UNIRIO
(Vitor chega até 20h)
trabalho sobre CENA UM/DOIS


Quinta 19.01
19h a 23h na UNIRIO
(Vitor chega até 20h)
trabalho sobre CENA DOIS/TRÊS


Domingo 22.01
10h a 14h na UNIRIO
trabalho sobre CENA TRÊS


Segunda 23.01
09h a 12h na UFRJ
trabalho sobre CENA QUATRO


Quarta 25.01
19h a 23h na UNIRIO
(Vitor chega até 20h)
trabalho sobre CENA CINCO


Quinta 26.01
19h a 23h na UNIRIO
(Vitor chega até 20h)
trabalho sobre CENA SEIS


Segunda 30.01
09h a 15h na UFRJ
passadões e ajustes gerais


Terça 31.01
18h a 23h na UNIRIO
(Vitor chega ate 20h)
passadões e ajustes gerais


Dias 03 e 04/02, sexta e sábado
17h para arrumação, concentração e reconhecimento do espaço
21h início das apresentações na Gamboa

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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

“Diálogo, mais ou menos ágil, com o desequilíbrio geracional”

Eis que a nossa primeira crítica é feita pelo crítico Macksen Luiz, que esteve presente em nossa estreia, no dia 11 de outubro. A opinião do crítico foi postada em seu blog [http://macksenluiz.blogspot.com/] e pode ser conferida abaixo (clique sobre a imagem para vê-la em tamanho maior):

critica macksen 18out copy

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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Release

logo-documentos

Cinco jovens se reencontram no apartamento de uma amiga em comum, dois meses após o seu suicídio. Novo espetáculo do Teatro Inominável, a peça Como Cavalgar um Dragão, dramaturgia de Diogo Liberano criada em processo colaborativo, fala de uma geração em busca do acerto de contas com uma realidade contraditória. A estreia será no TEMPO_FESTIVAL das Artes, nos dias 17 e 18 de setembro, no Espaço SESC. Em outubro, a montagem estará em cartaz no Teatro Municipal Maria Clara Machado.

Graduado em Direção Teatral pela UFRJ, Diogo Liberano assina a direção ao lado de Flávia Naves, graduada em Artes Cênicas pela UNIRIO e formada como atriz pela Casa de Artes Laranjeiras – CAL. No elenco, estão os atores Dominique Arantes (Andréia), Fred Araújo (Inácio), Marília Misailidis (Rita), Nina Balbi (Cecília) e Vítor Peres (Odilon).

A aposta cenográfica, assinada por Rafael Medeiros e Fernanda Abreu, parte do mote inaugural do projeto, "atravessamentos", para compor o espaço de um apartamento onde as paredes são telas de pintura cruas que evidenciam o universo representacional do espetáculo e, que passam a ser atravessadas pelos atores na evolução da dramaturgia.

O Inominável investiga a produção de uma cena capaz de dar voz à inquietação característica dos tempos atuais. “A intenção é abordar esta geração que, frente a situações extremas como a morte, não se permite ser indiferente. Não se trata de obter respostas, mas de cruzar os extremos”, explicam os diretores.

Criado em 2008, o Teatro Inominável (Adassa Martins + Dan Marins + Diogo Liberano + Flávia Naves + Helena Cantidio + Natássia Vello) vem se destacando no cenário teatral do Rio de Janeiro. Seus dois primeiros espetáculos, realizados de forma independente, continuam em cena: “Não Dois” (2009) do texto argentino Paso de Dos de Eduardo Pavlovsky e “Vazio é o que não falta, Miranda” (2010) da obra Esperando Godot de Samuel Beckett.

Contemplado pelo Fundo de Apoio ao Teatro – FATE, da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, o espetáculo conta com a supervisão de Marina Vianna, atriz e co-autora do espetáculo/filme de Christiane Jatahy, “A Falta que nos move”, importante referência no processo.

SOBRE DIOGO LIBERANO

Graduado em Direção Teatral pela UFRJ, Diogo Liberano vem se destacado como dramaturgo e diretor teatral. Este ano foi selecionado para o Seminario Intensivo de Dramaturgos, promovido pelo Panorama Sur, em Buenos Aires. Como diretor, foi convidado pela Cia do Atores a co-dirigir, ao lado de Cesar Augusto e Susana Ribeiro, o espetáculo “Peças de Encaixar”. Diretor Artístico do Teatro Inominável, dirigiu “Não Dois” (2009) e “Vazio é o que não falta, Miranda” (2010).

SOBRE FLÁVIA NAVES

Graduada em Artes Cênicas pela UNIRIO e formada como atriz pela Casa de Artes Laranjeiras – CAL, nos últimos anos, Flávia Naves vem realizando assistência de direção de diretores como Ana Kfouri (“Senhora dos Afogados”) e Ivan Sugahara (nos espetáculos “A Estupidez”, “Tempo de Solidão” e “Sem Ana”). Também integrante do Teatro Inominável, como atriz, está em “Vazio é o que não falta, Miranda” e agora assume a direção do novo espetáculo da companhia ao lado de Diogo Liberano.

 

SERVIÇO “COMO CAVALGAR UM DRAGÃO”
Classificação etária: 14 anos
Duração: 75 minutos

Temporada no Teatro Municipal Maria Clara Machado
Estreia dia 11 de outubro
Até 7 de dezembro

Terças e quartas, às 21h
Teatro Maria Clara Machado (Planetário da Gávea)
Rua Padre Leonel Franca 240 – Gávea
Informações: (21) 2274-7722
Capacidade: 80 lugares
Bilheteria: terça-feira à quinta-feira a partir das 18h; sextas, sábados e domingos a partir das 15h. Sempre até 21h. Aos domingos até 20h.
Ingressos: R$20 (inteira) R$10 (meia)

domingo, 9 de outubro de 2011

PRIMEIRA TEMPORADA

Nesta terça-feira, 11 de outubro as 21h, o Teatro Inominável entra em cartaz com COMO CAVALGAR UM DRAGÃO. O espetáculo, contemplado pelo Fundo de Apoio ao Teatro – FATE – da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, havia se apresentado duas vezes dentro do TEMPO_FESTIVAL das Artes, em setembro.

DRAGÃO - Estreia

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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Notas sobre a dramaturgia – Oito

faz tempo que não escrevo sobre a nossa dramaturgia. nessa semana, ouvi de marina vianna que nosso processo é o mais textocêntrico de todos. entrei numa crise (rápida, passageira, porém sincera e contundente). a pergunta não é que dramaturgia criamos, mas sim de que maneira chegamos até ela. tenho a clareza absoluta agora de que o nosso drama foi erguido a partir do papel escrito e não necessariamente a partir de ires e vires do corpo ao papel e vice-e-versa. nenhuma problema. o processo é movimento, é erro e tentativa.

não sei porque estou escrevendo isso. temos a nossa estreia dentro do TEMPO_FESTIVAL das Artes no próximo sábado e foi apenas no sábado passado que eu terminei de escrever o texto. de sábado passado (início de setembro, mais precisamente no dia três) até hoje, quinta, muito texto já foi mexido e reescrito. eu, aliás, estou na cozinha da minha casa, tomando um café, enquanto me preparo para reescrever um trecho que espero ser o último até nossa estreia.

mentira. a dramaturgia é e sempre foi movediça. a cena quer entrar e quer se fazer escrita. se foi um processo textocêntrico? talvez por in_experiência, talvez por amadorismo = aquela febra dos que amam com cuidado e excesso de zelo. nenhum problema. respiro. o que ponho aqui escrito é relato sincero e preciso. estamos em tempo. os corpos se movem mais do que nunca ansiosos pelo encontro com o abismo.

chega de poesia. o final da peça escrito. PRÓLOGO (escrita automática) + CENA UM (despedida do ideal) + CENA DOIS (medida da trajetória) + CENA TRÊS (esse mau estar) + CENA QUATRO (rir das marcas) + CENA CINCO (desconhecer-se) + CENA SEIS (não nomear) + EPÍLOGO (profanare). os nomes sempre sintetizando aquilo que depois eu tento expressar por falas, discursos, personagens conflitos e cruzamentos.

enfim, eu queria dizer que eu não sei. que o texto chegou ao fim mas é desde já, desde sempre, coisa morta. que é bom, bonito e seguro. mas que precisa dos corpos, das investidas, das desmedidas, sim, sobretudo das desmedidas. o texto precisa trepidar, ser alvo dos soluços e dos respirares. eu tô tão óbvio. não importa. quis apenas vir até aqui e constatar: o quanto produzimos. o quanto ainda falta para concretizar.

vamos?

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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Sacola Plástica

Segue o trecho da Cena Quatro – Rir das Marcas a ser usado nas composições a serem criadas e apresentadas no ensaio de quarta-feira:

Cecília A primeira vez que eu a vi foi inegável o seu sentimento de voo. Era inexplicável a leveza que ela detinha ao riscar no ar qualquer contorno. Naquele dia eu percebi como que as coisas que não se conhecem também podem ser afins. As pessoas cruzando as ruas e calçadas e ela subindo, solitária e abusada. Ventava muito naquela tarde. E nisso ela se enchia de ar e desfilava saciada. Até que chegou ao topo de um prédio. Foi quando eu a vi e pensei na nossa amiga. Só que então o vento ventou mais forte e a sacola plástica foi, enfim, arrastada por um ar sem previsão, feito fosse um grito ou dor sem dono clamando por atenção. O ônibus parado no sinal e eu dentro dele pensando na altura que ela teria se jogado. E se ficou consciente o tempo todo. Eu pensando se o tempo todo incluia também o fim. Será que ela pensou em quem? O ônibus arrancou. Olhei através da janela e a vi despencar no meio da multidão. Feito um corpo que sobe até não mais poder, até se convencer de que realmente é preciso cair. E desde então eu não sei dizer pra onde ela foi, porque meu ônibus seguiu e agora eu tô aqui, parada com vocês, exatamente neste ponto\

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

72

Ensaio 72. Unirio. sala 604.

Cecília e Rita

(Rita mão na cintura, Cecília a imita)

(Rita mão no cabelo, Cecília a imita)

Rita, perdi meu brinco

é ruim perder coisas né? Um dia desses eu também perdi uma coisa

uma amiga?

(risos)

eu tô cansada

eu sei

essa sensação de ter perdido alguma coisa, já faz dois meses, eu tô cansada

Andréia e Inácio

você tá estranho

(escutam e observam os ruídos no espaço)

(Vão se aproximando os corpos se tocam, eles se abraçam e começam a dançar, a dança vai ficando agressiva, eles giram rápido, muito rápido, rápido demais, Andréia começa a chorar, eles param e se abraçam)

Eu podia ter estado lá pra segurar ela, a gente podia ter estado lá

Eu te seguro se você quiser

Eu quero te pedir um favor, não me deixa mais de cinco segundos sozinho e não fica mais de um braço distante de mim

Inácio e Odilon

Se tocam de olhos fechados

Andréia e Inácio

O que vc tá fazendo?

lembrando...

Aqui tinha a tv, aqui duas almofadas grandes, ali o abajur

(Andréia segue recordando o que havia no espaço e com FITA CREPE reconstitui os objetos)

o tapete aqui, mas não vou fazer o tapete

Andréia e Cecília

para com isso vc tá acabando com a fita crepe

não pula no sofá Cecília

pulo sim

(as duas pulam juntas no sofá feito de FITA CREPE, pulam muito até cansarem)

saem do sofá

quer fazer um climinha? liga o abajur

(Andréia deita em uma das “almofadas”)

Cecília liga a tv?

Andréia eu queria conversar....fala do dia com a lilla, fala do beijo

ela falou que a gente precisava beijar outras bocas, falou que não era nada, mas que a gente precisava se abrir, eu e Odilon, eu fiquei bem irritada

a gente falou de outras coisas

eu falei ainda tô chateada

ela falou para

eu falei não consigo

ela falou para

eu falei vou tentar

a gente se despediu, ela fez questão de me levar na porta

Odilon e Cecília

Oi

sua braguilha tá aberta

tudo bem?

tudo bem

Cecília, você tem uma cicatriz aqui na boca eu nunca tinha visto, o que foi?

olha, olha a minha cara, parece uma massinha branca

(eles fazem careta)

Cecília, Inácio, Rita, Andréia e Odilon

Cecília, com quantos anos a Lilla perdeu a virgindade?

15

Errou, foi com 13, com 15 ela fez o aborto. Vai levar torta na cara!

calma aí, a gente precisa de outra pessoa pra dizer se é ou não verdade

Rita, com quantos anos a lilla perdeu a virgindade?

com 16

não

Andréia, com quantos anos a lilla perdeu a virgindade?

com 15

não foi

foi sim

e você Andréia?

com 15, perdi a virgindade com 15

você e a Lilla perderam a virgindade juntas? Hummmm

Inácio para de fantasiar, tá vendo muito filme pornô

eu só falo porque gosto muito de você Rita

eu não sei o que dizer Cecília, é difícil dá a sensação que você vai achar ridículo

eu não vou achar ridículo

as vezes eu tenho a vontade de tentar outras coisas, fazer outras coisas

outras coisas como? Tipo ir pro Egito?

É. Vamos pro Egito? Todo mundo?

(cupcake)

se pegar fogo a gente morre porque não tem como sair daqui

Odilon me dá

não você já comeu

você tá com o dente sujo

você tá com a cara suja

isso aqui tá muito sujo tia Anita vai ficar puta

olha o guru, ele morreu

Será que se forçar o vômito a chave sai?

(Cecília começa a ler a carta da lilla em primeira pessoa, Andréia toma a carta da mão dela e continua a leitura também em primeira pessoa, Rita toma a carta da Andréia e continua a leitura agora em terceira pessoa.)

sábado, 13 de agosto de 2011

71

Ensaio de número 71, Unirio, sala 604.

Composição das cenas 4, 5 e 6.

Inácio e Andréia

espalham objetos pela sala
Cantam juntos música da Xuxa "bola bola que rima com cola..."
Inácio tenta dizer para Andréia o que lhe aflige. O que escutamos são apenas tentativas de dizer sempre abortadas pela incapacidade de expressar em palavras o que se sente.
O que vemos é o corpo conseguindo dizer o que as palavras não conseguem, gestos agudos, precisos, repetitivos. Andréia consegue aos poucos traduzir o que vê, Inácio aos poucos se acalma, eles agradece, ela agradece, eles se vão.
curioso como alguns gestos do Inácio pareciam com os da Andréia....

Cecília e Odilon

Eles se olham, querem se encarar mas não conseguem, Cecília tenta fazer com que Odilon a abrace, ele não cede ao seu apelo, ela então pula em cima dele, aflita e desesperada começa a falar da altura do prédio, de como é alto, de como a Lilla se jogou de muito alto, ela então suplica para que Odilon a segure porque não quer cair, não quer despencar dali de cima, ele não cede, ela pergunta porque, porque o Odilon segura a Rita, a Andréia e até o Inácio mas não a segura, ele então finalmente cede, a agarra com força e não a deixa cair, ele pergunta de está bem assim, ela responde que sim, se abraçam e se vão.

Rita e Inácio

Inácio e Rita na sala. Inácio tem em mãos um par de meias, cada mão segura um par, com delicadeza e suavidade brinca com as meias como se estas caminhassem pelo espaço, passo a passo as meias desfilam. Rita observa, Inácio levanta as meias até o mais alto que seu braço alcança, em seguida solta as meias que caem no chão.
Rita e Inácio colocam as meias nos pés e percorrem o espaço deslizando os pés calçados. Marília sobe em cima de Inácio e logo em seguida desmancha-se no chão. Inácio toca seu corpo como se quisesse faze-la reagir, como se não a quisesse morta. Rita se ergue abraça Inácio, eles agarram o corpo um do outro, Rita soluça e chora, com esforço se desprendem um do outro, agora estão ligados por uma mão apenas, não querem se desprender totalmente, não querem, o esforço é inútil, aogra apenas um dedo os une, rita soluça, chora e ri, os dedos finalmente se libertam, eles se olham e se vão.

Andréia e Odilon

Andréia diz não quere ter certeza de felicidade
Odilon a beija, e mais uma vez a beija e mais outra e mais outra.
Andréia diz não querer ter certeza de felicicade, não agora, não nesse momento.

Cecília e Rita

Rita atende o telefonema de Caco, desmente o que havia dito pra ele, diz que está no apartamento da amiga morta com os amiguinhos que ele não gosta, diz que não vai sair, diz que não pode sair porque o Inácio trancou a porta do apartamento e engoliu a chave. Não precisa de bombeiro, eu quero ficar aqui.
Cecília tenta ajudar, Rita a repele, Cecília fica puta, Rita idem.
Cecília diz não querer ser amiga de uma escrava
Rita diz que as coisas não são simples assim.

A força das palavras e das imagens acima conseguem traduzir o que eu não conseguiria dizer. Estou encantada, apaixonada, inauguramos um espaço ainda mais íntimo, ainda mais intenso, estamos pegando fogo e isso é imenso.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

LISTA de ACONTECIMENTOS FINAIS

Seguem abaixo possíveis acontecimentos para desenvolvimento nas cenas quatro, cinco e seis do espetáculo:

ESGOTAMENTO PÓS-CENA 3;

DIÁLOGO ANDRÉIA E ODILON: sobre o beijo, sobre "a gente terminou";

DIÁLOGO CECÍLIA E RITA: sobre altura, sobre a sala, os móveis, sobre a coragem e/ou desespero de lilla, diálogo sobre se você quer ser minha melhor amiga;

LEMBRANÇA DA LILLA: sobre a pinta na coxa, sobre o repositor de leite do supermercado, sobre a festa e a bolsinha cheia de cacarecos;

DIÁLOGO INÁCIO E ALL-STAR CANO ALTO DE ZEBRINHA: sobre se sentir incapaz de dar conta do convite feito pelos amigos, sobre não conseguir ser outra coisa, sobre se reconhecer vencido e incapaz de aceitar toda essa instabilidade;

RITA E CACO: sobre não querer ir embora, sobre estar na casa da amiga suicida, sobre estar com os amigos, sobre foda-se!;

A CARTA: sobre quando encontram a carta deixada pela amiga;

O GURU DO GUGU: sobre o recurso encontrado para brincar com o sentido, sobre perguntas lançadas ao guru sobre tudo isso, sobre perder a importância de alguma resposta;

CUPCAKE: sobre a possibilidade de comemorar alguma coisa, um desaniversário, a morte, a vida, qualquer coisa, sobre a possibilidade de usar as velas do último aniversário de lilla, encontradas, sobre a possibilidade de adoçar a boca e aliviar o segundo;

CECÍLIA E A NOTÍCIA DE JORNAL: que a fez lembrar dos amigos, fala de um ato de resistência de um grupo de seis jovens contra a demolição de um teatro no rio de janeiro que termina com a morte dos seis, fala de como o jornal anunciou tudo isso, fala que a fez se lembrar dos seis amigos;

O JOGO DO LENÇO: que todo mundo sabe qual é.

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composições de hoje











terça-feira, 9 de agosto de 2011

68

Um dia de descanso e estamos de volta à sala de ensaio e agora ainda mais cedo: 08:00 horas da manhã.

Voltamos recheados dos comentários sobre o nosso processo. Sim, o que aconteceu no Tempo Festival causou e causará muitos estragos, no melhor dos sentidos. Não posso deixar de dizer que a sensação de compartilhar aquilo que com tanto cuidado fizemos nascer é das melhores possíveis.
Ainda hoje uma amiga me parou no corredor da Unirio com vontade de falar. Ela queria compartilhar comigo e com Diogo o que tinha achado do nosso processo, e ela veio se aproximando com brilho nos olhos, o brilho de quem quer trocar, de quem quer dizer pra se aproximar, pra construir junto aquilo que só tem sentido se junto estivermos. Nunca antes experimentei a sensação da troca de forma tão verdadeira. Eis que então reconheço a potência própria do teatro e me alegro por estar envolvida nesse bonito trabalho.

De volta à sala de ensaio: deixemos os meninos respirar, indaga o Diogo. Vamos ver no que vai dar. Assim começou nosso ensaio de hoje, Marília, Dominique, Frederico, Vítor e Nina refazendo prólogo, cena 1, cena 2 e cena 3 soltos pelo espaço, abandonando marcas e profanando indicações. O que disso aproveitaremos ainda é obscuro, mas já é possível compreender como é forte e potente quando o jogo acontece com o corpo e não só com a palavra. Sim, o corpo, por favor. Mesmo que errado, torto, estremecido, embaraçado, mesmo que pesado, ruidoso e envergonhado, o corpo quer participar da brincadeira, quer chegar junto, quer mostrar a que veio. E vocês atores voltaram a lembrar os gestos e resgataram os jogos que havíamos abandonado e só agora percebo o quanto minhas intuições estavam certas: eu no fundo sabia que as coisas abandonadas nunca foram esquecidas.
Obrigada pelo prólogo de hoje Nina, Fred, Vítor, Marília e Dominique.

Após cena 3, improviso da cena 4. a primeira fala após tantos minutos de silêncio anuncia o grau de destruição que virá a seguir, destruição tal como a traça faminta devorando um velho livro: corrói as palavras gastas, desenhando um novo caminho.

E logo em seguida, Odilon e Andréia. Parece bobo da minha parte mas tenho torcido por você Odilon, estou quase vestindo a camisa do seu time: aqui não tem corno nem frouxo! estou quase lá...quero ver se você me convence amanhã...

Cecília e Rita entram logo depois disso, Cecília hoje quase chora falando com a Rita, é Cecília, nem tudo precisa ser dito em palavras...

Todos em cena, trocam as roupas. Odilon com diadema na cabeça, Inácio com a sandália de salto da Andréia, Andréia descalça e com aquele short não precisa de mais nada pra parecer um menininho, eles trocam as identidades, agora é Letícia quem vem chegando, Odilon é a "Lilla que traga". Letícia fumava um cigarro atrás do outro, alguém diz, ela tinha uma tatuagem no braço, uma pinta, um outro corrige, uma pinta no pescoço, não, a pinta era na coxa, era preta? era marrom. cheia de pêlos. Ela nunca tirou aquela pinta, era a marca dela, alguém dizia.

A Letícia tinha voz rouca, no tom mais grave
Gostava de mascar trident de canela e halls maça verde
Ela dizia: tô ótima Brasil!
Meio Débora Falabella. Não, meio aquela namorada do Homem Aranha.
Ela tinha olhos verdes, cabelo louro acinzentado
A coisa mais bonita da Letícia eram suas mãos. Não, era a generosidade. Ah! conta outra.
Letícia era antipática. Só no primeiro momento. É, só no primeiro e no segundo e no terceiro, quem sabe no sétimo...
Ela chamava o pai de Jorge.
Extremista.
Arrotava.
Quando não escutava as pessoas dizia assim: o que? que foi? o que?
Violeta sua cor preferida.
Ela xingava, xingamentos direcionados: vai-tomar-no-seu-cú.
Lembra da risada? e do cheiro? e do choro? e de como ela dançava...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amor valerá.

Profanar, rasgar o verbo, o corpo,
não ligar pro que os outros vão dizer,
não é maldizer é dizer bem, é fazer acontecer, não é fazer o que bem entender e cagar pra todo resto, é fazer sem ofender mas sem também se retirar,
dizer a que veio honestamente, sinceramente, profundamente.
Esquecer o que se é, incorporar o que não sabe.
Vestir a camisa, comprar a briga e correr de olhos fechados.
Existe algo querendo nascer que não revela um rosto apenas um cheiro.
Por isso o fechar de olhos, assim farejamos melhor, assim amamos mais vezes uma mesma e tantas outras mesma coisa.

Profanar é amar o estranho, o não sabido, o proibido porque estranho, o mal falado porque não sabido.
Profanar é amar sem jeito, sem lugar pra acontecer, amar caindo abraçado na lagoa Rodrigo de Freitas, feito poste que despenca, feito pingüim de geladeira. Profanar é ser otário, bobo, ridículo, e tudo isso porque se ama, porque se morre de amor.

Profanar porque eu preciso da baba caindo no meu corpo, pra sentir que ainda existo em algum lugar inexplicável.
Profanar porque eu preciso da risada contagiante junto ao choro de pavor,
Profanar porque corre sangue, fezes e urina pelo meu corpo, corpo esse profanado desde o que dia em que nasceu.
Profanar porque meu corpo é testemunha de um horror sem precedentes, horror que me faz cúmplice de um crime que não cometi.


Transformo em palavras o que me pede pra ser digerido. Não sei qual o valor desse bolo estomacal, divido-o com vocês pra pensarmos juntos e propormos juntos. Não sei o que nos espera e isso me agrada muito.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

ressonância do acontecimento


Significado de Ressonância

s.f. Ato ou efeito de ressonar, de repercutir.
Propriedade de aumentar a duração ou a intensidade do som: a ressonância de uma sala.
Modo de transmissão das ondas sonoras por um corpo.
Ruído confuso resultante do prolongamento ou reflexão de um som.
Fig. Repercussão, reação: sua proposta não teve a menor ressonância.
Física. Ressonon.
Grande aumento da amplitude de uma oscilação sob a influência de impulsões regulares de igual frequência.
Ressonância elétrica, fenômeno da mesma natureza, produzido por indução a distância.
Caixa de ressonância, o mesmo que ressonador.
Química Particularidade de certas moléculas orgânicas que não podem ser representadas a não ser por um conjunto de estruturas que diferem pela localização dos elétrons.
Ressonância magnética, método de análise espectroscópica baseada nas transições induzidas entre certos níveis de energia de um átomo, de um íon, de uma molécula, submetidos a um campo magnético.





Significado da Ressonância dos Acontecimentos Vivenciados por Andréia, Cecília, Inácio, Odilon e Rita

Aumento da duração e da intensidade
Ruído confuso resultante do prolongamento de uma situação ou proveniente da reflexão (do pensar sobre a coisa)
Reação a um dado estímulo externo (ou interno)
Grande aumento da amplitude de uma oscilação sob a influência de impulsões regulares de igual frequência, ou seja, repetição que se enerva
Indução a distância, ou seja, o quanto se afetam mesmo quando não diretamente um ao outro
Certas moléculas orgânicas que não podem ser representadas e que ao tentarmos, colocamos o nosso corpo à prova e em exposição
Transições induzidas entre certos níveis de energia ou estados, quer dizer, aquile estado ou local para o qual sou forçado (levado, induzido, estimulado) a ir, mesmo não querendo, mesmo não sabendo

Ressoar >>> verbo de ação.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

ensaio 48

08/07/11, unirio, sala 602
fred, nina, marília, dominique, vítor, flávia, diogo, marina vianna, rodrigo marçal, júlia marini, rafael medeiros, philippe baptiste, fernanda abreu e tamires nascimento.

TEXTO. flávia propôs um trabalho com o texto, apontando momentos específicos, falas específicas. ao mesmo tempo, confesso, eu estou aqui escrevendo esse relatório, vendo o ensaio e também com as mãos e olhos cravadas na dramaturgia, que brotou hoje com uma ideia reveladora e (…)

PANO. com todos nós. ao som de beyoncé, the strokes, rihanna, damien rice e hot chip.

ESPADA. empunhar e neutralizar.

FRAGMENTOS PARA POSSÍVEIS LINGUAGENS

hoje o figurino está mais colorido. mais diverso.

eu. ótimo. falar pra si mesma.

rita enche a sala de objetos. genial. como criar calor?

nina afirma as coisas ao invés de perguntar perplexa. isso é curioso e estranho.

rita e odilon conversam enquanto os três quebram o pau.

rita ping-pong entre odilon e andréia,

patada nos meus amigos

ótimo jogo > usar mais nomes quebrando as falas

ouviu, inácio? diz odilon no meio de sua fala

cecília joga a pelúcia com descuido ao chão

odilon – então eles apareceram.

 

Os meninos realizaram apostas muito interessantes durante o improviso a partir do prólogo, cena um e cena dois. Foram dados os seguintes direcionamentos:

PRÓLOGO

cecília em cena

rita precisa realizar seis entradas e cinco saídas

odilon e andréia entram quantas vezes quiserem, mas é preciso deixar claro que suas entradas e saídas tem alguma relação

inácio não entra no prólogo

cecília pode investir num arroubo da dramaturgia já escrita

cecília deve se afetar com as entradas e saídas

CENA UM

inácio entra com a sua primeira fala, na cena um

investimento num naturalismo da cena, num lugar de ação e comportamento verossímel a nossa lida diária

investimento no discurso do corpo (ações paralelas, intimidades, gestos, toques, encontros > maneiras distintas de se escrever algo que não seja pelo uso do texto, mas sim do corpo)

investimento no andamento da cena, num jogo propositivo e intencional dos gráficos (ora mais rápido, ora num tempo mediano, ora mais devagar > variações)

CENA DOIS

investir na sequência dos acontecimentos, já que a cena não está decorada de maneira muito firme

cada personagem deve estar olhando para um dos outros quatro, sem o olhar, o olhar de todos se visitando o tempo inteiro

“RESULTADO”:

uma improvisação viva
tanto pela imprevisibilidade e jogo na solução dos “problemas”
tanto pelo domínio – cada vez maior – da cena um (a mais trabalhada até agora)
descobertas
muitas descobertas
e um corpo que de fato se permite ser afetado
um corpo capaz de afetar
de surpreender
(em todos vocês).

decorar segunda cena para segunda.

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quinta-feira, 7 de julho de 2011

ensaio 47

07/07/11, unirio, sala 301
diogo, marília, dominique, fred, vítor, flávia, nina, verônica machado e tamires nascimento.

LONGA CONVERSA DE UMA HORA E CATORZE MINUTOS.

PANO. com diogo e flávia.

PRIMEIRA CENA.

posições no espaço;

nas quatro cadeiras;

composição:

UMA PROPOSTA DE ESPAÇO
UMA PROPOSTA DE FIGURINO
DUAS PROPOSTAS DE ANDAMENTOS DIFERENTES PARA O TEXTO
UMA IMAGEM ESTÁTICA
UMA REVELAÇÃO
UMA LÁGRIMA
UMA RISADA
UMA REPETIÇÃO DO TEXTO
UM ESTRANHAMENTO COLETIVO

descrição da composição:

os meninos chegam bem vestidos. parece fazer frio onde estão. todos usam sapatos. e isso faz toda a diferença. as roupas são de cores fechadas, mas compostas. há sobreposições, cintos, cachecóis, camisas sobrepostas, meias expostas. no entanto, alguns pontos muito miúdos de cor super aparecem. por exemplo: um copo plástico vermelho que passa, sutilmente, de mão em mão (sem a obrigação de passar por todos). a mochila azul que a cecília usa. o detalhe da marca opção – vermelho – na calça de odilon. as cores todas aparecem muito quando não há cor no geral. eles se espremem dentro de um recorte retangular e pequeno feio com uma marca de uma fita crepe hoje já extinta. eles se movem sem sentido. eles se perfuram e atravessam, eles não conseguem ficar parados. mas ficam. mas voltam a se mover. apostas interessantes que dão ao texto outros significados. exemplo: na hora em que traz a pelúcia, cecília tira sua camisa e fica de sutiã. colocando a camisa estendida no chão. os meninos então saem de dentro da fita crepe e agora a área por ela demarcada vira justamente o espaço no qual eles não entram. é interessante o uso do andamento e da repetição. pequenas repetições de trechos grandes ou apenas um frase provocam de imediato uma intensificação da coisa dita. é também muito interessante o texto sendo derramado, literalmente, sem preocupação de que o sentido acompanhe o sair de toda a fala. não importa. num dado momento, é nítida a aposta num andamento mais lento, como se as palavras custassem a sair, eu poderia dizer como se fosse duro e penoso falar do que está sendo falado. mas eu não me lembro o que foi falado, apesar de conservar a sensação de estarem os cinco andando sobre cacos de vidro. lembro da bota da cecília pisando lenta no chão. os limites de crepe sendo confrontados. sobretudo, me lembro de quanta coisa além-texto foi expressada quando se percebe que há outros meios de expressão que não somente a fala. é o corpo, o olhar, o gesto, a expressão facial. eles têm intimidade e a intimidade escorre por todo o lugar. ser íntimo é ser invisível. em virtude do jogo, do se colocar em experiência, o texto por vezes se atualiza e isso é fundamental. falas mais ágeis por vezes funcionam melhor. frases mais lentas, só quando intencionalmente desenhadas dentro de uma proposta (pouco individual) mais coletiva também funcionam. experiência. excelente aproveitamento da composição para libertação dentro do texto. quando mais ele estiver firme e entendido, mas poderosa será a sua transformação, as alterações de tempo e intenção.

PREPARAÇÃO VOCAL. com verônica machado.

ganho de peso. densidade. dor. em todas as vozes.

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quarta-feira, 6 de julho de 2011

ensaio 46

06/07, unirio, sala 602
diogo, flávia, vítor, marília, dominique, nina e fred

CAFÉ.

com muitas frutas (banana, maça, carambola, biscoitos e talz).

TEXTO.

os meninos passaram o texto uma vez, tentando não colar. é chegada a hora!

PANO. ao som de THE KILLERS e MUMFORD AND SONS e ARCTIC MONKEYS.

com as indicações realizadas no ensaio 44. o jogo mudou completamente. nunca ouvi tanto barulho de respiração, nunca os pés falaram tão alto. ao mesmo tempo – PARADOXO – o pano caiu bastante e a queda dos corpos foi na maioria das vezes relutante. o erguer-se de novo é impactante. cabe jogar a coisa como ela é. se sabemos a regra: pronto. não há motivos para driblar nada.

outra alquimia. a flávia indica que vocês podem ficar mais tempo com o pano nas mãos antes de passar para o outro. e então vemos um ballet acontecer. o pano envolve os rostos e as partes dos corpos. muitas quedas de pano nos momentos mais inacreditavelmente idiotas. rs.

profanação horrorosa. sorriso da marília. o sutiã da nina. os meninos jogando futebol. e a dominique arrumando a calça; enquanto eu e flávia, aqui de dentro-fora, estudamos a relação espacial.

louco. porque o jogo do pano sem o pano me faz pensar onde haveria o pano nas situações mais simples da vida?

o dia até deixou o sol sair.

Jessie J – WHO YOU ARE

CENA.

artificialidade. maneiras distintas de se expressar o conteúdo da cena. o que é importante deixar explícito a partir do texto da cena um – despedida do ideal?

fizemos algumas passadas no espaço, com indicações precisas sobre espaço e com indicações que não se detinham ao espaço, mas sim à velocidade do texto, ao andamento.

confesso: saio deste ensaio convicto de que o tempo da experiência posta em cena é UM para as personagens, para a ficção, e OUTRO para eu, espectador, que assiste a tudo isso. precisamos editar essa obra.

bom ensaio!