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domingo, 15 de janeiro de 2012

pontos de vista para os próximos ensaios,,

meninos,

a partir de nossa reunião aqui em casa, tramei sete pontos de vista pelos quais acredito ser necessário passarmos, mirando cada cena novamente, uma a uma, tentando desdobrar aquilo que porventura esteja confuso, ou em falta, ou que tenha sido esquecido ou mesmo sequer ainda especulado. é uma maneira de olharmos para o que já temos e multiplicarmos as nossas implicações em expressão. é mais uma vez um jogo possível. mas tem que ser jogado. assim, o que descrevo abaixo não é nada inédito, mas sim um apanhado das questões que me pareceram mais recorrentes em nossas falas.

JOGO ou de que maneira - como - os atores expressam a cena, traduzem a dramaturgia;
BATIDA ou o tempo de cada cena (ou pedaço de cena), a duração e os inúmeros ritmos que constituem algum todo;
APROPRIAÇÃO ou em quais trechos ainda não se é confortável o jogo e como resolver isso, como ganhar a briga com as exigências da encenação e da dramaturgia;
CORPO-GESTO ou como o corpo de cada ator expressa aquilo inexprimível de sua personagem, um esboço de cada dragão (in)contido;
QUADRO ou como trazer a tona o que está soterrado sob o excesso de palavras e movimento, aquilo que é dito sem que as personagens percebam estar dizendo;
PARAGEM ou alguma maneira de permitir que a escuta aconteça, para que personagens bem como espectadores consigam deixar a ficha cair e tenham espaço-tempo para isso;
PERPLEXIDADE ou a tentativa em primeiro plano, como expressar alguma incompreensão que ali se encontra latente e em movimento.

como exposto, não é nada demais. os pontos de vista se confundem uns com os outros, mas é possível trabalhar solitariamente a partir de apenas um. pensar as cenas por tais olhares me parece determinante e extremamente proveitoso.

vejamos como vai ser isso.

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domingo, 3 de julho de 2011

G E S T O

Um movimento envolvendo uma parte ou partes do corpo; Gesto é Forma com início, meio e fim. Gestos podem ser feitos com as mãos, os braços, a cabeça, a boca, os olhos, os pés, o estômago, ou qualquer outra parte ou combinação de partes que possam ser isoladas. O Viewpoint Gesto é dividido em:

1. GESTO COMPORTAMENTAL. Pertence ao concreto, ao mundo físico do comportamento humano da forma como observamos em nosso dia-a-dia. É o tipo de gesto que você vê num supermercado ou metrô: alguém riscando um papel, apontando, cheirando um alimento, cumprimentando outro alguém, fazendo uma saudação. Um GESTO COMPORTAMENTAL pode dar informações sobre o caráter, sobre uma época, saúde física, uma circunstância específica, clima, roupas, etc. Geralmente é definido pelo caráter de uma pessoa ou pela época e local nos quais ela vive. Também pode ter um pensamento ou intenção por trás. Um GESTO COMPORTAMENTAL pode ser dividido e trabalhado em GESTO PRIVADO e GESTO PÚBLICO, distinguidos por ações que são feitas quando sozinho ou quando sob atenção ou proximidade de outros.

2. GESTO EXPRESSIVO. Expressa um estado interior, uma emoção, um desejo, uma ideia ou valor. É abstrato e simbólico em vez de representativo. É universal e atemporal e não é algo que você veria alguém fazendo normalmente num mercado ou metrô. Por exemplo, um GESTO EXPRESSIVO deve ser expressivo de, ou capaz de veicular, emoções como “alegria”, “dor” ou “raiva”. Ou deve expressar a essência interior de Hamlet como um dado ator a sente. Ou, numa produção de Tchékhov, você pode criar e trabalhar com GESTOS EXPRESSIVOS do tempo ou para expressar “tempo”, “memória” ou “Moscou”.

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Tradução de Diogo Liberano.

BOGART, Anne; LANDAU, Tina. The Viewpoints Book – A Pratical Guide to Viewpoints and Composition. New York: Theatre Communications Group, 2005, p. 9-10.

T O P O G R A F I A

O panorama (a vista), o padrão de piso, o design que criamos em movimento pelo espaço. Na definição da vista, por exemplo, podemos decidir que a área mais baixa do palco tem grande densidade, o que dificulta o movimento através dela, enquanto a área de cima tem uma densidade menor e, portanto, envolve maior fluidez e tempos mais rápidos. Para entender o padrão de piso, imagine que o fundo dos seus pés estão pintados de vermelho; assim que você se movimento pelo espaço, a imagem que se forma no chão é o padrão de piso que evolui no correr do tempo. Em adição, uma encenação ou marcação de uma performance sempre envolve escolhas sobre o tamanho e a forma do espaço em que trabalhamos. Por exemplo, nós podemos escolher trabalhar em uma faixa estreita de três pés por toda a área baixa do palco ou numa enorme forma triangular que cobre todo o chão, etc.

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Tradução de Diogo Liberano.

BOGART, Anne; LANDAU, Tina. The Viewpoints Book – A Pratical Guide to Viewpoints and Composition. New York: Theatre Communications Group, 2005, p. 11-12.

F O R M A

O contorno que o corpo (ou corpos) faz(em) no espaço. Toda Forma pode ser dividida em Forma com (1) linhas; (2) curvas; (3) uma combinação de linhas e curvas.

Portanto, no treinamento com Viewpoints, nós podemos criar Formas que são arredondadas, formas que são angulares e formas que são uma mistura dessas duas.

Somado a isso, uma Forma também pode ser (1) sem movimento; (2) em movimento (pelo espaço).

Por último, Forma pode ser feita por uma das três maneiras: (1) com o corpo no espaço; (2) com o corpo em relação com à arquitetura (criando Formas); (3) o corpo em relação com outros corpos (criando Formas).

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Tradução de Diogo Liberano.

BOGART, Anne; LANDAU, Tina. The Viewpoints Book – A Pratical Guide to Viewpoints and Composition. New York: Theatre Communications Group, 2005, p. 9.

R E L A Ç Ã O_E S P A C I A L

A distância entre coisas no palco, especialmente (1) um corpo para outro; (2) um corpo (ou corpos) para um grupo de corpos; (3) o corpo para a arquitetura.

Qual é a gama total de possibilidades de distâncias entre coisas no palco? Que tipos de agrupamentos nos permitem ver com maior clareza uma imagem no palco? Quais agrupamentos sugerem um acontecimento ou emoção, expressam uma dinâmica? Tanto na vida real como no palco, nós tendemos a nos posicionar a dois ou três pés de distância de quem estamos conversando. Quando começamos a atentar para a possibilidade expressiva da Relação Espacial sobre o palco, começamos também a trabalhar com menos educação, porém, com distâncias mais dinâmicas de extrema aproximação ou extremo afastamento.

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Tradução de Diogo Liberano.

BOGART, Anne; LANDAU, Tina. The Viewpoints Book – A Pratical Guide to Viewpoints and Composition. New York: Theatre Communications Group, 2005, p. 11.

A R Q U I T E T U R A

O ambiente físico no qual você está trabalhando e como a consciência dele afeta o seu movimento. Quantas vezes assistimos à peças em que há um cenário suntuoso e intricado cobrindo todo o palco e os atores, ainda assim, permanecem com dificuldade na exploração da arquitetura que os envolve? No trabalho da Arquitetura como Viewpoint, nós aprendemos a dançar com o espaço, a estar em diálogo com a sala, a deixar o movimento (especialmente Forma e Gesto) evoluir para fora de nosso próprio espaço. Arquitetura é dividida em:

  1. MASSA SÓLIDA. Paredes, chãos, tetos, mobiliário, janelas, portas, etc;
  2. TEXTURA. Se a massa sólida é de madeira ou metal ou tecido modifica o tipo de movimento que criamos em relação com ela;
  3. LUZ. As fontes de luz na sala, as sombras que fazemos em relação a estas fontes, etc;
  4. COR. Criando movimento a partir das cores no espaço, como uma cadeira vermelha entre inúmeras outras pretas afetaria a nossa coreografia em relação a ela;
  5. SOM. Som criado pela arquitetura e a partir dela, o som dos pés no chão, o ranger de uma porta, etc.

No trabalho com Arquitetura nós criamos metáforas espaciais, dando forma a sentimentos como “eu estou contra a parede”, “preso entre as rachaduras”, “preso”, “perdido no espaço”, “no limiar”, “alto como uma pipa”, etc.

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Tradução de Diogo Liberano.

BOGART, Anne; LANDAU, Tina. The Viewpoints Book – A Pratical Guide to Viewpoints and Composition. New York: Theatre Communications Group, 2005, p. 10-11.

sábado, 11 de junho de 2011

O ano do dragão,

A verdade é que a Lilla amava Harry Potter. Na madrugada do dia 15 de julho de 2011, uma sexta-feira, ela estava na Barra da Tijuca vendo a estreia do episódio final da série. Na bolsa, tinha levado chocolate e uma caixa imensa de lenços de papel. Saiu chorando e reclamando o fato do filme ter sido o menor de toda a série. No sábado, dia 16 de julho, ela acordou Andréia com um telefonema aproximadamente às 08h15. As amigas se encontraram depois do almoço e pedalaram sem parar até o início da noite. Lilla obrigou Andréia a jantar com ela. Naquela madrugada, com as pernas doloridas de felicidade, na virada do dia 16 para o 17, Letícia pediu licença às coisas de seu quarto e se jogou no mundo, literalmente.

Lilla morreu no dia 17 de julho de 2011

Como não quis chamar muita atenção, ela apenas moveu, lenta, uma das duas cortinas de sua janela. Encostou-se contra a janela para dar uma última olhada em seu quarto. Viu Matisse, preso na parede em frente à cama. Viu sobre a cama o lençol dos cavalinhos agitados pela tentativa de um sono já tão distante. Ela pensou, vendo o mosaico de cores que seu quarto havia se transformado: minha tela tem movimento.

Depois, avançou à cama, pegando sobre ela uma caneta e um pequeno diário. Guardou-os dentro da gaveta da mesa de cabeceira. Desligou o interruptor da parede e acendeu o pequeno abajur com franjas. O quarto se aqueceu rapidamente. Ela foi em direção ao guarda-roupas, abriu a primeira gaveta e escolheu, lentamente, as cores de cada par de meias. Sentou-se na cama, colocou um par, depois outro e ainda outro mais. Pisou macia sobre o chão de madeira corrida e, agora, escorregando, deslizou novamente em direção à janela.

Recostou-se para ver o quarto, novamente, mas seu olhar foi tragado pelo móbile das pequenas libélulas de vidro, preso na quina superior da janela. Estão agitadas, constatou. E então fechou os olhos e soprou nelas um ventinho quente que as pudesse acalmar. Estava tão frio. As libélulas trocaram confidências ao som de ligeiros trincos e Letícia fez força com os dois braços para se sentar no parapeito. Abriu os olhos, pela última vez, apenas para conferir se a pelúcia ia ver realmente aquilo que ela estava pronta para realizar.

Feito isso, fechou os olhos também pela última vez. Subiu as pernas rumo ao parapeito, ergueu-se sem usar mão ou braço. O rosto cândido e frio esbarrou de leve nas libélulas informando à Lilla que ela estava no máximo daquilo que poderia se chamar de alto. Resmungou um sorriso leve quando uma das libélulas passou a asa fria pela ponta de seu nariz. Recuou-se para, enfim, voltar-se ao que restava da vida. Deu um passo com o pé esquerdo. Deu outro, em seguida, com o direito. Avançou escorregando, lentamente, dedo a dedo, mas,

o polegar do pé direito esbarrou num dos sete mini-cactos enfileirados no parapeito. E então o tempo parou. Lilla ouviu o potinho de barro batendo no mármore frio do parapeito. Ouviu as pequenas pedrinhas brancas rolarem janela abaixo. Tinha dado a sua largada. Vamos eu e o cacto. E o vasinho rolou, hesitante. Entre ir e não ir, entre partir e ficar. Mas a escolha já feita fez o tempo descongelar:

E então vieram os corpos, de Letícia e de seu mini-cacto, dançando o desejo de pertencimento, envoltos na efêmera ilusão do tempo - que é o vento –, para, enfim, se cravar no chão do mundo. Para outra vez, de outra forma, com outro princípio, germinar a vida.

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segunda-feira, 30 de maio de 2011

ensaio 30

30/05, unirio, sala 301
flávia, fred, marília, dominique, nina, diogo e vítor.

AQUECIMENTO DE USO. ao som de AIR (The Virgin Suicides OST), Beatles, Karen O The Kids…

a atmosfera que se forma a partir de todos esses elementos.

Nina said SUSPENSÃO para traduzir a atmosfera do momento. CINZA, said Vítor. MISTÉRIO, said Fred. ESCURO, said Dominique. And Marília said ATENÇÃO.

Vocês são lindos.

RAIA (The Strokes, Joan as Police Woman, Beatles)

- que exigência corporal uma longa duração ou um andamento lento trazem ao corpo?;

GESTO

trabalho para criação de um repertório gestual, um UNIVERSO GESTUAL.

Gestos MARÍLIA
mãos na cintura e pé no joelho;
1 2 3 com a mão;
cala-se com a mão;
cabelo
soco no estômago

Gestos DOMINIQUE
adeus com dedo
coçar tireóide
três vezes no cabelo
tentar com as mãos
purgar com as mãos (4X)

Gestos NINA
mexo no brinco
cebolitos com dedos
coçada no pé
puxa-me
tira-me

Gestos FRED
bolsos pra que te quero (8X)
espirro
amarrar-se
solução
tonteante

Gestos VÍTOR
orelhinha
respirar fundo
mesquinhez
recolher-se
sem nome

ESTUDO DOS GESTOS a partir de:
- planos (baixo, médio, alto)
- partes do corpo (cabeça, ombros, peito, braços, mãos, quadril, pernas, pés…)
- gradação de velocidade
- o que esse gesto entrega do meu personagem?
- qualidades antagônicas (leve/pesado, rápido/lento, sutil/violento, retilíneo/curvilíneo…)

Comentários:
- inúmeras significações;
- gesto com o texto ressignifica o texto;
- cinco gestos talvez sejam pouco;
- dar um corpo para o personagem;
- repertório de escolhas para ativar;
- é bom quando o gesto não sublinha a fala;
- o corpo diz uma coisa e o texto diz outra;
- a intenção do gesto é crucial para criá-lo;
- SABER ABANDONAR;
- não costurar os gestos;

PARA QUARTA-FEIRA
criar um UNIVERSO GESTUAL de 10 gestos (6 comportamentais e 4 expressivos)

3 comportamentais já foram criados
2 expressivos também
faltam:

2 expressivos
2 comportamentais
e 1 comportamental que será criado por outro ator:

fred criará um gesto comportamental para > RITA
marília > ANDRÉIA
dominique > ODILON
vítor > CECÍLIA
nina > INÁCIO

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

ensaio 29

27/05, unirio, sala 301
flávia, fred, marília, dominique, nina, diogo, vítor e gustavo.

TEXTO.

trabalho sobre o texto (da última cena escrita). atmosfera (chekhov). gráfico vocal. vontade de estar ali dialogando com o outro.

GRID. RAIA. DURAÇÃO E ANDAMENTO.

mais uma vez, rigor nos cinco movimentos (sentar, deitar, pular, andar e correr)
não existe agachar, fred
sotf focus ou foco suave > olhar periférico
não existe deitar com a barriga para baixo, dodô
não se usa a parede
não se arruma o cabelo, vítor
é um treinamento, sem sala de ensaio, não uma apresentação (certos cuidados deixam de ser cuidado e viram frescura, desatenção)
nina e vítor, não existe deitar de barriga para baixo
usar a parede é tão desnecessário quanto usar a testa. não é preciso nem uma coisa nem outra
cambalhota não existe nesse jogo, vítor
é um grande teste esse tipo de jogo, porque te abre a vontade de fazer certas coisas que não devem ser feitas (não por simples impedimento, mas unicamente para que saibamos lidar com limites)

CENAS.

fred, nina e vítor (e flávia)
uso dos jogos: beijo que cala, lilla que traga, quedar…

dominique e marília (e diogo)
uso dos jogos: beijo que cala, universo gestual…

as cenas revelaram como o texto pode ganhar outro lugar com os jogos. como a cena escreve muito mais do que está escrito apenas como fala textual, no papel.

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Demos uma olhada em algumas passagens do Michael Chekhov (PARA O ATOR). Gustavo também nos trouxe um trecho de um livro de Gabriel Tarde, escritor e poeta francês, no qual fala sobre a possibilidade, a escolha, a liberdade.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

ensaio 28

25/05, unirio, sala 301
flávia, fred, marília, dominique, nina, diogo e vítor.

RAIA.

- atenção ao desperdício de energia, pois o jogo começa intenso e vai se perdendo;
- o rigor na execução dos movimentos como são;
- arrumar a roupa? mexer no cabelo? sair do limite dado pela fita crepe?
- devemos usar a parede para conter a corrida ou devemos usar o corpo para conter a si próprio?
- não hesitar! (se você vai virar, vire! se vai pular, pule);
- não confundir duração com hesitação;
- o coçar do olho vira gesto dentro da raia;

[…]

deitar, andar, pular, gesto escolhido
andar, pular, gesto escolhido
andar, pular, gesto 1, gesto 2
andar, gesto 1, gesto 2
andar, gesto 1, gesto 2, gesto 3
os cinco comandos apenas

tem uma diferença em termos de expressividade dos cinco comandos que os gestos precisam explorar. mexem com planos, são suscetíveis a velocidades diferentes e já são conhecidos.

UNIVERSO GESTUAL (proposição da Nina a partir d’O DIA DO ENTERRO I e II)

TEXTO com Jogos (universo gestual, beijo que cala, 3:1:1).

2. UNIVERSO GESTUAL (a partir das proposições da Nina)
- universo gestual para cada personagem;
- a partir dos textos O DIA DO ENTERRO e O DIA DO ENTERRO – PARTE II.

4. BEIJO QUE CALA (a partir das proposições da Marília)
- para interromper a fala de alguém é preciso dar um beijo nessa pessoa;
- depois que isso acontece cada pessoa deve dar um beijo naquela que fala antes dela;
- o jogo só termina com um beijo na boca (que instaura um clima entre todos).

5. 3:1:1 (a partir das proposições da Dominique)
- o jogo começa com A, B, C ou D;
- A, B e C atacam D ou vice-e-versa (num jogo de repetição gestual e discursiva);
- o jogo chega ao fim com uma revelação trazida pelo jogador E (que estava de fora);
- E traz uma revelação ou ação que rende o discurso dos outros.

SEGUNDA TENTATIVA

inácio move os bolsos, dá adeus;
rita se abraça (na falta de corpo para abraçar);
cecília num encontro das mãos atrás do corpo e empurrando algo para fora de si;
rita mão na boca, no queixo…

marília > falar mais alto.
vítor > não engolir o início das falas.

pra quem vítor sinalizou?

rita agregadora.

BATE-PAPO COM JÚLIA MARINI E VINICIUS ARNEIRO > TEATRO INDEPENDENTE

> ABERTURA DE OUTRO ABISMO, ESSE DO PERSONAGEM, DA PROFISSÃO DE CADA PERSONAGEM – É UM LIMITE;

>> DE ALGUMA FORMA É IMPORTANTE BANCAR DENTRO DA FICÇÃO AS NOSSAS PESSOALIDADES, EM ALGUM LUGAR, ESSAS PESSOALIDADES SÃO FUNDAMENTAIS, POIR VÃO INCORPAR ESSES PERSONAGENS;

>>> ONDE SE FUNDE E ONDE SE SEPARA O PERSONAGEM E O ATOR QUE O INTERPRETA?;

>>>> CONSTRUÇÃO DE DENTRO PARA FORA (COMO VOCÊ SE PORTARIA MEDIANTE A TAL SITUAÇÃO?) – AUMENTO DA COMPLEXIDADE DO PERSONAGEM;

>>>>> PODEMOS PASSAR POR QUALQUER SITUAÇÃO E SABER QUE É UMA PASSAGEM, QUE SE PASSA POR ESSAS COISAS, ESSAS DIFERENÇAS;

>>>>>> O TRABALHO COM ATORES COM REGISTROS MUITO FORTES E INABALÁVEIS. ÀS VEZES É PRECISO ACESSAR UM OUTRO LUGAR QUE NÃO É O LUGAR PRIMEIRO DO ATOR. PARA QUE O ATOR NÃO ENTRE EM UMA SITUAÇÃO DE CONFORTO AO SE FICCIONALIZAR E NÃO DAR SEU CORPO À BATIDA E RESPIRAÇÃO DE UM DADO PERSONAGEM;

>>>>>>> PROPOSIÇÃO DA SINOPSE MAIS DESCRIÇÃO DOS PERSONAGENS. CADA PERSONAGEM LEVANTA UM UNIVERSO. HÁ UM UNIVERSO A SER LEVADO PARA SALA DE ENSAIO SEM CENA. INVESTIGAÇÃO DO JOGO. A ATMOSFERA DE CADA UM;

>>>>>>>> O COLABORATIVO DENTRO DA DRAMATURGIA. O DRAMATURGO PODE OU NÃO SE APROVEITAR DE TEXTOS PRODUZIDOS EM IMPROVISAÇÕES;

>>>>>>>>> DECORAR NEUTRO. O TEXTO EM SI ESTÁ ESCRITO. A QUESTÃO É O COMO. O TEXTO GANHA VIDA NO ATOR;

>>>>>>>>>> O USO DE LISTAS (COMPOSIÇÕES) A PARTIR DO MOMENTO EM QUE AS NOVAS CENAS CHEGAVAM. AFINAÇÃO COM OS OUTROS ATORES, TODOS FAZEM DOAÇÃO AO TRABALHO DO OUTRO. PARA A CRIAÇÃO DE UMA CENA, A PARTIR DO TEXTO RECEBIDO, PODE-SE PROPOR UMA LISTA GRANDE E UM TEMPO MAIOR PARA CRIAÇÃO;

>>>>>>>>> O QUE QUER DIZER ESSA MÚSICA QUE EU FALO? (NÃO NECESSARIAMENTE O QUE EU DIGO, MAS O QUE A SONORIDADE, O RITMO, O SOM ESTÁ DIZENDO);

>>>>>>>> O QUE EU QUERO DIZER COM ISTO QUE EU ESTOU FALANDO (E NÃO ISTO QUE EU ESTOU FALANDO)? – BRINCAR COM ISSO QUE PODE VIRAR ATÉ MESMO UMA ESTILIZAÇÃO;

>>>>>>> A RELAÇÃO DO ATOR COM O ESPAÇO, A CHEGADA, A RELAÇÃO COM O OUTRO. A DISTÂNCIA SUA EM RELAÇÃO AO OUTRO E À PLATÉIA. SE SE COLOCA LONGE OU PERTO;

>>>>>> O ACONTECIMENTO NÃO PRECISA DIZER ALGUMA COISA, ELE PRECISA SER. O TRABALHO COLABORATIVO É MAIS DE NEGAÇÃO DO QUE DE AFIRMAÇÃO. VOCÊ CRIA UMA QUANTIDADE DE NÃO MUITO GRANDE, POR ISSO VOCÊ APRENDE A ESCOLHER;

>>>>> A ESCOLHA DO QUE FICA É UMA ESCOLHA DA DIREÇÃO (E NÃO COLETIVA);

>>>> PERCEBER QUE NÃO É CAPAZ DE CONSEGUIR ATINGIR UM DADO LOCAL FAZ PARTE DO PROCESSO. PODE-SE NÃO SABER O QUE É IR PARA UM DADO ESTADO OU VIVER UMA TAL EMOÇÃO. A PRIMEIRA REAÇÃO É NÃO SABER, NÃO QUERER FAZER. MAS É PRECISO SE LANÇAR, EM SEGUIDA, A ESSE DESCONHECIDO;

>>> SE ATER AOS PEDAÇOS DE DRAMATURGIA QUE CHEGAM. NÃO SE PODE PREMEDITAR, VOCÊ PRECISA ACREDITAR, DEFENDER A CENA POR INTEIRO. O QUE VEM DEPOIS É UMA PEÇA OUTRA QUE SE ENCAIXA;

>> O PROCESSO COLABORATIVO, A MONTAGEM EM PROCESSO, PODERIA SUPOR UMA CENA DESMONTADA. MAS HÁ UMA COSTURA QUE SE DÁ NAS TRANSIÇÕES E QUE REVISTA AS CENAS ANTERIORES;

> NAS PRIMEIRAS CENAS SE DESCOBRE A LINGUAGEM DO ESPETÁCULO. É O TRECHO NO QUAL SE GASTA MAIS TEMPO DE MONTAGEM. A ATMOSFERA.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

ensaio 27

23/05, unirio, sala 301
flávia, fred, marília, dominique, nina, diogo e vítor.

AQUECIMENTO DE USO. Adele, Rufus Wainwright, Yann Tiersen, Los Hermanos, Florence and the Machine, Nina Simone, Michael Nyman, The Strokes e Radiohead.

RAIA. imagem final simétrica porém invertida. que bom estar junto de vocês.

CRIAÇÃO DOS JOGOS.

1. (DES)EQUILÍBRIO (a partir das proposições do Vítor)
- construção de formas do corpo no espaço;
- intensificação da qualidade de escuta e no estado;
- pode ser jogado por um jogador (ou mais);
- quando jogado por mais de um jogador (estes devem estabelecer uma relação de quem dura mais tempo no equilíbrio de seu desequilíbrio – sem manifestar tal disputa);
- jogo que pressupõe esse gráfico de energia e termina com um auge de estafamento corporal.

2. UNIVERSO GESTUAL (a partir das proposições da Nina)
- universo gestual para cada personagem;
- a partir dos textos O DIA DO ENTERRO e O DIA DO ENTERRO – PARTE II.

3. QUEDAR (a partir das proposições da Nina)
- um dado personagem cai de súbito > vai ao chão;
- ele pode ser ignorado pelos outros (mas é preciso ver esse ato de ignorar sua queda);
- ele pode ser erguido por um ou mais personagens;
- ele só pode sair do chão um outro o levantar;
- aquele que cai é obrigado a ceder ao levantamento.

4. BEIJO QUE CALA (a partir das proposições da Marília)
- para interromper a fala de alguém é preciso dar um beijo nessa pessoa;
- depois que isso acontece cada pessoa deve dar um beijo naquela que fala antes dela;
- o jogo só termina com um beijo na boca (que instaura um clima entre todos).

5. 3:1:1 (a partir das proposições da Dominique)
- o jogo começa com A, B, C ou D;
- A, B e C atacam D ou vice-e-versa (num jogo de repetição gestual e discursiva);
- o jogo chega ao fim com uma revelação trazida pelo jogador E (que estava de fora);
- E traz uma revelação ou ação que rende o discurso dos outros.

6. A LILLA QUE TRAGA (a partir das proposições de Fred)
- se permitir ser tragado pela Lilla;
- como esse movimento de ser tragado se manifesta? (sempre via um contraponto ao estado anterior);
- se estabele a proporção 4:1;
- os outros não percebem (ou percebem e ignoram);
- a pessoa tragada só sai desse jogo se alguém a tirar (por ação ou verbo) ou se ela chorar.

TEXTO com Jogos.

PRIMEIRA TENTATIVA
sensação de que os (des)equilíbrios deveriam ser mais vigorosos e arriscados;
melhorar a dramaturgia da descrição do apartamento;
interessante como o jogo do (des)equilíbrio cria um estado na fala;
quedar (aconteceu de termos quatro no chão);
usaram a pergunta “O QUÊ?” quando não conseguiam ouvir o texto;
BAGULHO NÃO É DROGA, são todos os objetos dela;

Para Quarta-Feira > trazer decupado os gestos de cada personagem a partir dos textos O DIA DO ENTERRO e O DIA DO ENTERRO – PARTE II.

domingo, 22 de maio de 2011

ensaio 26

20/05, unirio, sala 301
flávia, fred, marília, dominique, nina, diogo, vítor e gustavo.

flávia começou o ensaio falando sobre o papo que teve com a atriz do teatro de autônomo. sobre ator e personagem, sobre autonomia. como admnistrar? tudo é para o trabalho, não por questões individuais. estamos aqui reunidos por conta da feitura coletiva de uma peça.

expressão. expressionista. a dramaturgia (talvez) dirá tudo em linhas legíveis. a encenação (talvez) transforme as palavras em sonho. portanto, caros atores, por favor, não dividam as coisas. tentem tudo ao mesmo tempo, sem necessidade de divisão. deixem que eu e flávia ordenamos toda essa expressividade.

(transcrevo agora as anotações que fiz sobre os jogos no meu caderno)

 

1) JOGO PROPOSTO PELO VÍTOR

ESTAGNAÇÃO NO DESEQUILÍOBRIO COM FORMAS NO ESPAÇO
MOVIMENTAÇÃO DE ENERGIA INTERNA

desequilíbrio, instabilidade, suporte, equilíbrio, ponta dos pés, inclinação, cadeira, pêndulo

escolhe uma posição e fica nela.

rita – será que quem desistiu não tentou?
inácio – eu não acredito nisso de antes só do que mal acompanhado… eu faço realmente questão…
odilon – seu filho da puta, o que você tá fazendo com o meu corpo?
andréia – eu não vou desistir. eu vou fatiar ele inteiro.

como se come um dragão? com que molho? come assado?…
acho bom ser assumidamente um jogo que os amigos (e não os atores) decidem jogar.

 

2) JOGO PROPOSTO PELA NINA

CONJUNTO DE GESTOS PARA CADA PERSONAGEM A PARTIR DO TEXTO “O Dia do Enterro”

andança, malha, quadriculada, abraço, observação, gestus, pegar das mãos, súbito, correr, tentativa, estica, volta, aperta o queixo, abandonar, raia, erguer do chão, puxar, recusa, dar tchau, selinho, espelho, transferência de peso…

tive a sensação de que os personagens poderiam ter um número fechado de gestos a serem explorados durante toda a peça. a significarem novos significados em cada novo contexto dentro do qual são lançados.

penso na automatização, em como estes personagens talvez ainda estejam repetindo os gestos e movimentos do dia do enterro, ali onde ficaram cravados e onde o horror criou raíz e desde então não mais os abandonou…

 

3) JOGO PROPOSTO PELA MARÍLIA

IR AO CHÃO, SÓ PARAR DE FALAR QUANDO BEIJAR, ELE SÓ SE CALA COM BEIJO

rita – eu não tenho nada contra dragões… o caco nem sabe que eu tô aqui com um dragão.
inácio – eu não faço questão nenhuma de você entre os meus amigos.
cecília – escuta ela não que ela tá maluca.
odilon – a gente tem que aceitar esse filha da puta desse dragão.
andréia – como que se pode fazer com isso? o que se pode fazer com isso?
odilon – vocês já perceberam que é como música, que afeta a gente mas não dá pra pegar?

criatura mágica que põe ovo, cospe fogo e tem sono profundo.
o beijo passa a fala.

odilon – foi davi que matou um dragão?

 

4) JOGO PROPOSTO POR FRED

CONSTRUÇÃO DRAMATÚRGICA A PARTIR DE LILLA,
SEMPRE QUE SURGISSE UM CONTRAPONTO, SE APROPRIAR DELE E SEGUIR FALANDO
O JOGO TERMINARIA COM UMA FALA E/OU AÇÃO INESPERADA

lilla tinha 1,70m
ela nunca soube o que fazer da vida dela
inácio, o meu sonho é ficar preto que nem você
lilla não sabia sambar nada
ela ficou em dúvida entre artes plásticas e cênicas
agressiva na pintura
firme
ela era uma pessoa feliz

quando eu tinha a sua idade eu também pensava assim, dizia lilla
a gente ficou um ano sem se falar, disse cecília
eu nunca fumei baseado, disse cecília
você tá querendo enganar o dragão, só se for, disse inácio
madurinha, diz odilon sobre rita

mostra o seu dragão pra gente
gente, tá na hora do dragão acordar. a lilla me falou que ela acordava 12h15.
o dragão é dragoa e ele gosta de beatles.
tem que tratar que nem cachorro!
domesticar o dragão. coleira. ser amigo dele.

ele pode ficar um tempo na casa de cada um.

fica de castigo na casa do odilon, que é um pouco pequena.
gente, não tô legal de inventar brincadeira pra não falar do problema. tem um dragão.
INSETIZAN. apareceu um dragão e agente liga pro insetizan.
uma coisa que eu aprendi com minha amiga historiadora é se não podemos vencer um inimigo, vamos ser amigo dele.

 

5) JOGO PROPOSTO PELA DOMINIQUE

3 JOGADORES (A,B, C)CONTRA 1 (D), O OUTRO RESTANTE (E) SE DISTANCIA DA DISCUSSÃO E SOBRA FORA, ATÉ QUE INTERROMPE A DISCUSSÃO FAZENDO UMA REVELAÇÃO SOBRE O DRAGÃO

sensação de coro (duplas, trios) gesticulando e falando a mesma coisa para uma única pessoa
extremamente opressor
o beijo cala a boca de novo

TIÃO, o amigo do caco que pode resolver isso de matar o dragão (revelação!)

 

os jogos foram dados. discutimos sobre a diferença entre sistemas dramatúrgicos e jogos que estimulem a criação de formas, gestos, movimentações… estamos em busca desses outros jogos. mas, de tudo o que foi lançado, faremos uma decupagem e encontraremos nosso jogos!

sábado, 14 de maio de 2011

ensaio 24

13/05, unirio, sala 301
flávia, fred, marília, dominique, nina, diogo, vítor e gustavo.

AQUECIMENTO DE USO. dois em um. um em um. afagar, apertar, ferir, machucar,…, boca, mãos, o seu nela, o seu nele.
RAIA. [nina dominique vítor fred marília]

poderíamos nos perguntar qual é o motivo real de trazermos, a essa altura de nosso processo, o trabalho com raias. bom, claramente trata-se de uma busca, de um aperfeiçoamento da escuta entre vocês, atores deste espetáculo. busca-se também um corpo mais uno, mesmo que feito de partes distintas e específicas. a capacidade de vocês serem uma mesma correnteza, um mesmo ânimo, uma mesma dor ou notícia. tudo isso pode vir deste treinamento. enfim, estou aqui escrevendo e pela minha visão periférica, se assim podemos chamar (se assim pudermos acreditar), eu vejo o jogo de vocês. e não é para ser chato, mas me soa estranho como ele combina. como em muitos momentos o outro correu porque o outro lá da ponta correu também. quase como se fosse uma tentativa de encaixe, de fazer sentido. não é bem isso (nem o que está acontecendo, nem o que deve ser objetivado nesse jogo). o que está em jogo literalmente é eu saber que tenho um arsenal específico de movimentos, de ações, de cartas. e saber que lanço mão dessas cartas menos por escolher e mais pela imediatez da minha resposta. eu treino o meu corpo para ser instântaneo, eu treino meu organismo para ser espasmo, para inscrever no tempo a sua incompreensão (traduzida em salto corrida sentada ao chão deitada e andança). quer dizer, você passou por mim e antes mesmo de eu dizer você passou por mim, meu corpo já emitiu resposta. meu corpo pulou, sei lá, correu, meu corpo parou quando alguém lá na ponta pulou e estremeceu o chão. mas eu não busco o sentido enquanto jogo. eu jogo. o sentido quem faz é quem vê. a beleza do encontro, dos encaixes, das simetrias e assimetrias, sou eu espectador que faço, sou eu quem me divirto. exige uma desconfiança eterna. pode ser que eu, diogo, esteja escrevendo besteira. mas é só como vejo. fred se ergueu, depois marília, vítor virou e ao perder tempo para acentuar o “i” de seu nome, eu não pude responder à nina, nem sequer à dominique e tudo se perdeu. quero dizer: raia não é jogo para dar nome, é jogo para dar corpo e sentido. sorte a nossa que o passarinho lá fora piou e levantou o vítor e o jogo saiu daquela meia-pausa falseada, onde todo mundo quer se mover mas ao mesmo tempo todo mundo espera um estímulo para sair do lugar. não esperem, não se dêem essa função. vocês não devem procurar nada. tudo está dado. o corpo de vocês é o estímulo primeiro para correr saltar e morder. pulem, saltem, inscrevem e apaguem, façam e refaçam. esses momentos de silêncio não existem. num jogo de raia, quando vocês se descolam da parede inicial (com todos lado a lado e equisdistantes) a coisa toda só pode parar quando alguém de fora gritar PAROU!

Antony & the Johnsons – KNOCKIN’ ON HEAVENS DOOR
Adele – LOVESONG
Kate Nash – MERRY HAPPY
Air – EMPTY HOUSE
Radiohead – SUPERCOLLIDER
Damien Rice – GREY ROOM e ME, MY YOKE AND I
Hot Chip – HAND ME DOWN YOUR LOVE

ESPAÇO.

ocupar as quinas desse espaço.
entradas e saídas.
formas e gestos.
velocidade.
posição no espaço.
inácio sai carregado pelos outros.

COMPOSIÇÕES.

1) DESCOBERTA DE UMA CARTA SUICIDA DEIXADA POR LETÍCIA.

- uma carta
- um grito
- uma cadeira
- um líquido que escorre
- um uso da parede
- uma proposta de relação espacial que ao surgir perdura até o fim

Fred, Dominique e Marília.

Rita e Inácio dançam.

Onde se achou isso?
A Rita que me deu.
Rita, onde você achou isso?
No quarto da Lilla.

Não muda nada. Só faz doer mais um pouco.

A QUESTÃO ERA UMA SURPRESA, UMA INCÓGNITA, QUE SE DESVENDAVA ATÉ TODO MUNDO SABER DE UMA FORMA SOLITÁRIA, NÃO FALADA. E TALVEZ TER POUCA FALA.
UMA AGITAÇÃO, UMA EUFORIA, AO MESMO TEMPO TINHA ALGO POR TRÁS (ERA SINCERO, EUFÓRICO, MAS TINHA UMA QUESTÃO). OUTRO CLIMA APARECE QUANDO SURGE A CARTA. SAI O COBERTOR VEM O FRIO.

2) SOBRE A CULPA PELA MORTE DA AMIGA.

- um gesto
- uma repetição
- uma falta de ar
- uma proposta de figurino
- um lápis
- uma proposta radical de espaço

Nina e Vítor.

Eu tenho claustrofobia.
Eu tô passando mal, é sério.
Isso é piti.
Me conta uma história de lugar aberto.
Paineras. Pensa na Paineras.
Que que você disse pra Lilla?
Nada, Cecília. Melhorou?
Você é muito Maria Homem.
Eu falei, Lilla, vamos se tacar? Eu tenho coragem.
Como é que eu ia saber? Que quatro anos depois ela ia fazer isso?
Eu quero ficar uma hora sem falar com você.
Odilon, desculpa.
Acabou a falta de ar?
Acabou.
Acabou a composição então.

SITUAÇÃO LIMITE QUE EXIGIU UMA RESOLUÇÃO COLETIVA.
TINHAM BRIGADO E INÁCIO OS PRENDEU NO ARMÁRIO PARA QUE SÓ SAÍSSEM QUANDO ESTIVESSEM DE BEM.
DESCOBRIR JUNTOS UMA SAÍDA (A PORTA NÃO ESTAVA TRANCADA).

sexta-feira, 29 de abril de 2011

ensaio 19

29/04, unirio, sala 301
diogo, flávia, fred, dominique, marília, nina, vítor e gustavo.

STOP UM A UM. START UM A UM.

AGRUPAMENTO PULADO. que não funcionou muito bem. então flávia juntou todos eles e numa roda apertadinha, falou alguma coisa que resultou numa costura linda entre eles. então eu pude ver seus sorrisos. a manhã nascendo de novo por causa do bom grade com que se permitiram jogar e receber (tudo de novo, como se fosse inédito).

Aquecimento de uso precisa voltar. Mas como dar um start no corpo por outras vias que não essa?

PANO (COM E SEM PANO – AO SOM DE BRITNEY)

SISTEMAS

Frase Feita

Tema \\ Explodir memória(s)

CECÍLIA - O que me incomoda em você é…
RITA - Não é a primeira vez que você…
INÁCIO - Você se lembra o que você…?
ANDRÉIA - Uma vez eu te pedi…
ODILON - Você não devia…

>>>

o que me incomoda no caco é que ele não fala as coisas. ele olha.

rita, você merecia coisa melhor.

o que me incomoda no hipoglós é que ele faz trabalho escravo.

vocês não deviam falar isso, se vocês não se lembram.

você não devia nem ter pedido pra eu comprar hipoglós.

o que me incomoda no homem é essa preguiça.

você é muito preguiçoso, odilon.

você sabia que amigo não tem hora pra servir amigo?

você não devia raspar tão baixo assim o cabelo?

o que tá me incomodando no cabelo do inácio é que fica um cabeção.

você sabia que vendem perucas aqui em copacabana.

você sabia que dizem que o vinicius de morais e o tom jobim ó…

você não devia dizer isso…

o que me incomoda em boate gay é que não tem assedio.

ah, odilon isso ai a gente resolve no quarto.

você não devia dizer isso.

vocês lembra né, quando a rita entrou pro grupo?

a gente tava onde, gente?

no apartamento do oscar, amigo da lilla. que morava em copacabana.

o que me incomoda em você, rita, é que você esquece o seu passado.

o que me incomoda em você, rita, é que você muda de assunto.

enfim, mas lembra dessa festa. a gente entrou. a lilla também não conhecia ninguém. ai eu pedi pra dar bebida pra rita, porque ela tava toda travada.

a primeira frase da rita foi “não posso beber porque quando eu bebo eu tenho vontade de tirar a roupa”.

<<<

COMPOSIÇÕES

Composição Um (Fred e Vítor)

UMA RELATIVIZAÇÃO
UM FILME
UMA CITAÇÃO
UM ENCONTRO
UMA REVOLUÇÃO
UMA RESPIRAÇÃO DO DRAGÃO

>>>

Jornal e Garrafa com água. Inácio vê TV e Odilon tenta ler o jornal.

Você gostou?
Muito. Muito mesmo.
Você tá falando sério?
Tô. Você não gostou?
Não vi

Beleza é fundamental.

A Andréia, eu super entendo. Tem tudo ali menos beleza. Tipo: ela cozinha bem, ela é legal…
Ah, tem sim.
Eu acho a Rita linda. Agora a Andréia, mora sozinha, cozinha… Mas eu entendo você gostar dela. A Rita, por exemplo, que tem um potencial de beleza muito grande. Mas é apagada.
Eu já não sei. A Rita eu não sei…
Mas a Cecília tem um quê de macho. Eu acho que ela tem piru.
Você já ficou com ela?
Já.

Você pode ver, ela não é bonita a filha do Vinicius.
Eu fico bobo, cara. Ela se suicidou e eles escrevem essa coisa.

Cantam Olha que coisa mais linda mais cheia de graça… E parece que se lembram de Lilla.

É eu concordo contigo.
Mas eu agora concordo contigo.
Beleza é fundamental.
A gente pode talvez se apaixonar por outras coisas.
A Andréia é linda sim, é linda, é, claro que é. Ela é linda.
Tem uma pizza que ela faz… Tomate seco com manjericão.
Mas às vezes você quer comer uma portuguesa.
Eh…

<<<

Composição Dois (Dominique, Marília e Nina)

UM GRITO
UMA COREOGRAFIA
UM CULPADO
UMA MEMÓRIA
UMA REVELAÇÃO DE ESPAÇO
UM MEXER DE ASAS DO DRAGÃO

>>>

Casa da Andréia.

Festa de quinze anos. Fiquei encarregada do bolo e dos docinhos.
Onde é que é a festa?
No Alto da Boa Vista.
Você se lembra daquela festa?
Da sobrinha do Odilon.
A gente teve que dançar.
Odilon eu te odeio pra sempre.
Cecília catou um menininho pra dançar, super fofinho.
19 anos.
Ih, gente, pedofilia tá super em voga.
Inácio é muito fofo, mas não podia encostar na roupa que fazia assim…
O Inácio tava quase melhor vestido do que a princesa da festa.
Odilon usava um brinquinho trash.

Gente, não! Gente, eles comeram o bolo!
Oi, queria encomendar um bolo de três andares.
Alguém tem 140 reais?
Inácio.

Gente, eu tô desempregada.

<<>

quarta-feira, 27 de abril de 2011

ensaio 18

27/04, unirio, sala 301
diogo, flávia, fred, dominique, marília e nina.

PANO ao som de Antony and the Johnsons, Kid Abelha e Nina Simone.

SISTEMA (Dominique, Fred e Marília) SITUAÇÃO LIMITE.

Primeira Tentativa

O gestual de Marília arrumando o cabelo.

Toda a cerimônia de Inácio e Andréia para contar algo grave à Rita.

Segunda Tentativa

Eu tô muito preocupada com o Odilon. Você quer me dizer alguma coisa que você não tá me dizendo?

A Cecília tava voltando de Minas. Na estrada, na madrugada. Ela tava de moto.

Uma moto velha, essas coisas, que ela pegou na fazenda.

Ela não veio no Petulante?

Mas tá tudo bem, ela tá em coma normal, não induzido. A gente só vai esperar um pouco a chuva passar e…

Terceira Tentativa

Eu fiquei menstruada mas não era pra ficar. Eu achei que eu tivesse grávida. Mas o Caco tava achando que eu tava grávida. Por causa do remédio. Se ele ficar sabendo disso ele vai achar que eu não posso ter filho. Eu tinha que tá grávida mas eu não tô.

Rita, você quer um absorvente?

Gente, olha isso aquela gota.

Quarta Tentativa

Olha, gente. A coisa da água.

Quinta Tentativa

Não tem comida, eu não trouxe comida, eu trouxe um. QUal o nome daquele negócio que faz assim? Eu trouxe um não é não é coisa da boca… A gente sempre fala que eu cozinho. Não tinha macarrão. Era a minha vez. Gente, não tem fogão. Um panetone. Não cospe na cozinha. Páta de cuspir. Que vai embora, EU NÃO TROUXE A COMIDA!

COMPOSIÇÕES.

Dominique e Nina > sobre o término do namoro de Andréia e Odilon.

UM PEDIDO DE DESCULPAS
UM SUSTO
UM DRAGÃO QUE POUSA NO MEIO DA SALA
UM ABRAÇO
UM SILÊNCIO LONGO

O que foi, Andréia? Eu sei que você tava lá. Você não é culpada. Você não quer me dar um abraço?

Você tinha como saber.

Eu tinha como saber?

Tá todo mundo me perguntando. Eu quero saber que tipo de afinidade a gente tem.

Você tá maluca, você tá muito doida.

Silêncio.

Desculpa.

Por você ter me acusado?

Não, porque eu tô chorando. Ele tava bêbado no dia do enterro. A gente tá faz dois meses sem se ver.

Você tá com saudade dele? Foi você que terminou?

Ei terminei porque… Eu terminei… Ele tava numa vida estranho. Não dá pra ficar com alguém que te carrega pra baixo o tempo todo. Eu não sei se ele tá com outra pessoa.

Você não sabe nada? Se ele tá com alguém?

Não. Você falou com ele?

Eu acho que você tá confundindo as coisas. Você tá confusa. Não, ele não tá com ninugém. Ele não tinha um posicionamente correto. Você não quer mais ficar com ele. Você não quer mais saber do Odilon, não é verdade?

Acho que tem isso tudo, mas eu não sei, eu quero ficar com ele, eu não sei se alguma coisa de fato mudou.

Ai… Você ouviu? Que coisa estranha…

Cadê a Rita?

Era alguma coisa querendo dizer alguma coisa a gente não sabe que coisa tava querendo dizer essa coisa. Passou, já disse.

 

Fred e Marília > sobre a relação entre Inácio e Rita.

UMA CULPA
UMA DESISTÊNCIA
UM COPO QUASE QUEBRANDO
UMA SOLUÇÃO
UMA RISADA

No elevador – Rita diz a Inácio que perdeu a hora ao acordar e que isso afeta a sua relação com Caco. Inácio se ofereceu para ligar para ela toda manhã.

 

Todos.

Uma garrafa.

Cadê o Odilon?

Tá aqui: garrafa de minalba.

Odilon, você que tá ai, que não é transparente não embora pareça. Que é tudo mentira, que fica com esse chapeuzinho azul, não é inocente, que fica calado esse tempo todo. Olha pra mim, na minha cara, fala agora o que de fato a gente tem ou a gente não tem. Vou ficar aqui esperando a resposta.

Odilon esse silêncio tá constrangedor.

Ele nunca fez nada, Andréia?

Eu vou beber o Odilon.

Odilon, você vai ficar chateado se a gente contar?

Ahm gente, ele fez o quê?

Então, Andréia, a gente quer te contar uma coisa.

Ele não pode saber que a gente vai te contar um negócio que a gente vai te contar.

Então, Odilon preparou uma surpresa pra você.

Antes de a gente terminar?

Mas o Odilon chamou a gente pra fazer um serenata. A gente ficou escondido atrás do carro. A gente ensaiou. Caixa de chocolate. E ele fez a barba. Ele tava do jeito que você realmente gosta. Ele tocou a campanhia e você não tava lá.

COREOGRAFIA.

Que merda, pára! Então… Eu tava lá e não abri a porta. Desculpa, gente.

Muito bom, senhorita Andréia. É bem a sua cara.

Você sempre se faz de sonsa. Lembra aquele dia?

Todo mundo com fome. Não tem comida, não tem ingrediente. Tinha tudo. Você ficou prometendo e deixou todo mundo na mão. Você fingiu que não tinha comida. Tinha tudo.

E por que não cortou a cebola e picou o alho?

Além de sonsa desvia o assunto.

Olha, tá fazendo a Rita chorar.

Ah, vocês são muito cruéis. Por causa de um macarrão.

terça-feira, 19 de abril de 2011

ensaio 15

18/04, unirio, sala 301
diogo, flávia, fred, dominique, vítor, marília e nina.

AQUECIMENTO DE USO. radiohead. p.j.harvey. atenção aos olhos. ao estilizar em excesso.

PANO. ao som de lykke li. the white stripes. nina simone.

RESPOSTA KINESTÉTICA. um a um pelo espaço em linhas retas. tem um pequeno inseto jogando com eles. não sei se uma aranha ou pernilongo ou mesmo formiga. mas tá jogando.

PRÓLOGO.

o roubar do lenço de andréia.

FLUXOS TEXTUAIS.

RITA > eu meio que casei. eu meio que larguei a faculdade. eu meio que me apaixonei. meio que fui encontrá-lo naqueles dias.

ODILON > eu perguntei se o jornalismo era viável. eu perguntei porque não cortar os pulsos. eu perguntei porque andréia não fez nada. eu perguntei porque minha mãe e lilla viraram um mesmo lugar. eu perguntei porque minha vida tinha na infância sua melhor matéria. e perguntei se era fraco. e perguntei da dor. e perguntei qual é a esperança? e perguntei…

INÁCIO > você sabia que esse quadro vale muito lá fora? você sabia que ela sempre usava essa expressão, bateu o olho. você sabia que isso vale ouro? você sabia que eu quase larguei tudo pra viver só de arte? eu olhava e falava o que dava pra vender, ela olhava e falava o que arrepiou. você sabia que ela me chamava de zebra? você sabia que ela se jogou, né? você sabia que ela sempre morou no alto? você sabia que…

CECÍLIA > eu achava que eu nunca ia querer tanto assim guardar uma memória. eu achava que saudade era algo imaterial. eu achava que eu estava a salvo, que eu tinha a dimensão do que é a vida. eu achava que o all-star de onzinha fosse furar no pé dela e não no meu. eu achava que não haveria susto.

ANDRÉIA > na verdade tinha um gosto que parecia cortar. tinha um gosto expressivo. um gosto assim, nada pré-definido. às vezes até azedava. naquele dia tinha um gosto doce. tinha um gosto suave que te delicia e te faz querer alongar ou mastigar.

RODINHA DA POTÊNCIA DO SUICÍDIO VIDA.

Eu e Petulante.
Beijei ele embaixo da barraquinha de bebida.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

ensaio 13

13/04, unirio, sala 301
diogo, fred, flávia, nina, vítor, marília e dominique.

09h > AQUECIMENTO DE USO com motes, sentimentos, apostas mais precisas; provocar o outro (EU FICO MUITO ANGUSTIADO COM ISSO);

10h >> IMPROVISAÇÃO COM JORNAL

cecília com uma notícia de jornal e uma caneta, sobre a mesa. inácio com o pé na mesa.

odilon – inácio tira o pé da mesa.
inácio – deixa assim, odilon, pelo amor de deus.

odilon – existe algo mais sensacionalista do que isso: o mundo é cruel, …
rita – eu acho que realmente assim a gente pode ter críticas em relação ao formato e tal, eu acho que muitas vezes existe um mundo com o mesmo discurso, as pessoas parecem tão inteligente
cecília – não entendo a sua posição.
rita – eu acho que também existe um sensacionalismo da felicidade.
cecília – isso aqui é um posicionamento totalmente…
andréia – a felicidade é comprar um carro.
cecília – cara, a inglaterra colonizou uma série de países e isso é hipocrisia, porque eles querem a paz deles e não mundial…
rita – eu sinceramente quero viver melhor. e se eu quero lutar por isso. vamos fazer alguma coisa pra gente viver melhor.
cecília – primeiro a gente rasga essa notícia.
rita – as pessoas precisam de ajuda. eu tenho ajuda do meu amigo.
odilon – o que vc acha do fome zero?
inácio – eu concordo com a rita. as pessoas que não têm dinheiro não são pessoas. eu discordo em parte com essa reportagem, principalmente no início quando ele diz que a pobreza do outro afeta a nossa.
odilon – cala a boca.
inácio – essas pessoas só vão ser consideradas seres humanos se tiverem dinheiro sim. eu tô mentindo?
cecília – tá mentindo.
odilon – pra mim você tá doente.
inácio – você tá feliz?
rita – você queria que a gente tivesse mais junto? aconteceu alguma coisa importante aqui. para com esse papinho.
inácio – a minha felicidade independe da infelicidade dos outros. o fato de eu estar feliz não me impede de ajudar o outro. eu acabei de falar que eu vou comprar um ebook pra cecília.
rita – é não ou sim? fiquei meio confusa?
inácio – você devia tomar o seu remédio.
rita – mais alguma ofensa ou vc vai responder a minha pergunta.
inácio – sendo que vc deixou de trabalhar na sua profissão pra ser sustentada pelo seu marido.
rita – não é assim…
inácio – então não fala que não precisa de dinheiro.
rita – eu ajudo ele.
inácio – ah, você ajuda ele dando uma colônia da avon pra ele. a gente deu…
rita – eu quero saber do que ele acredita. eu sei o que eu acredito. eu trouxe aqui uma matéria que é super concreta.
cecília – ah, gente, que papo chato. ah, gente, ah, odilon…
inácio – não é que eu esteja pouco se fudendo com isso.
odilon – eu acho que ele tá falando algo sério.
inácio – eu trabalhei e tenho meu dinheiro.
rita – eu trouxe uma matéria e ele tá falando exatamente a matéria. e tá todo mundo cagando.
cecília – eu não tô cagando pra matéria.
inácio – então até que ponto… faz diferença ter uma amiga tomando remédio pra conseguir ficar viva e outra que se jogou pela janela?
rita – faria diferença pra vc se eu não estivesse tomando remédio e se a lilla não tivesse se matado?
odilon – você não tem mais cuidado com o que vc fala. tem que ter mais cuidado.
inácio – vocês preferem frango à passarinho ou gurjão de peixe?
cecília – frango à passarinho…
odilon – gurjão de peixe…
inácio – odilon, vc nunca pensou em escrever pra um jornal de verdade ao invés de ficar escrevendo pra um blog?
rita – quem é que tá decorando seu apto?

 

IMPROVISAÇÃO 2 - 10h55

odilon – já percebeu a mão da andréia, é diferente, de tanto trabalhar…
andréia – toda cortada.
cecília – cadê a rita?

rita – gente não tem mais nenhuma cadeira.
odilon – eu ia te convidar pra sentar no meu colo, mas pode ser que o caco passa por ai.
rita – li uma matéria no jornal outro dia sobre felicidade…
cecília – eu li. negócio de movimento global pela felicidade. da inglaterra.
andréia – mas do que fala a matéria em si?

odilon – é uma coisa mais pra viabilizar…

andréia cai da cadeira.

andréia – po, não sei, fiquei irritada com esse fato. tai, alguem pode incentivar minha felicidade pegando minha cadeira.

inácio troca as cadeiras.

inácio traz uma cadeira.

inácio – a lilla tá entre a gente.

cecília retira a cadeira.

cecília – quem é stella?
rita – a cerveja da lilla.
cecília – achei quer era a namorada do odilon.

11h >>> SISTEMAS

- CINCO VEZES (Marília e Fred)

Marília realiza uma ação contínua. Fred fala para Marília uma frase detonante. Marília reage com uma ação. Fred repete cinco vezes a sua frase detonante. Depois de cinco vezes, Marília começa um monólogo (com a descrição da ação que está realizando naquele momento – mantendo em subtexto o que talvez quisesse falar). Depois que Marília conclui o monólogo, a cena deverá ser concluída (Fred não pode impedí-la de dizer o monólogo).

>>>

frente a frente. inácio bebe água e rita passa a mão sobre a mesa. ela sorri para ele e ele apenas bebbe e fecha a garrafa. ela segue passando a mão sobre a mesa. ele abre a garrafa, bebe e fecha. ela recosta, mas continua passando a mão sobre a mesa. ele segue na garrafa. ela bate as mãos

o caco é gay e já deu em cima do odilon.

ela se levanta, ri, põe a mochila e se senta.

vou colocar minha mochila e colocar ela aqui e passar a mão bem em cima e ficar com a mochila comigoposso colocar ela aqui minhas coisas tão todas aqui eu posso pegar a minha mochila e cada mão tá numa das alas e a mão direita na aklca direita e a esquerda na esquerda e eu posso embora e ta tudo meu aqui comiogo eu levantei eu coloquei a minha mochila e tá tudo certo ela fica nas minhas costas e ta pendurada em mim e eu faço o que eu quiser ela é minha é um peso leve esse negocio aqui que fica de uma lado mais e de um lado menos tanto faz nao me incomioda com a mao direita aqui pra baixo e a esquerda aqui bem nas minhas costas.

<<<

- SABE QUAL É O PROBLEMA DELA? (Nina, Dominique e Vítor)

Vítor fala sobre Dominique para Nina. Vítor nunca fala diretamente à Dominique.
Dominique ouve o que Vítor fala e de vez em quando faz perguntas a ele, que por sua vez pode não responder ou falar algo para Nina (que não ouvimos).
Nina faz uma ação enquanto ouve Vítor falar de Dominique e dialoga com eles das seguintes formas: Nina repete perguntas que Dominique fez para Vítor; Nina pode interromper de Vítor com um pequeno monólogo sobre a ação que está fazendo; Nina pode sair e voltar para a cena quantas vezes quiser.
Quando Nina pergunta algo a Vítor ele pode responder da forma como quiser ou pode até nem responder.
Quando Nina sai de cena, Vítor e Dominique se percebem e se afetam, mas não podem se falar.
A cena acaba quando Vítor se dirige completamente à Dominique.

 

>>>

Odilon – Oh, cecília, fala pra andréia que tem massa de tomate na cozinha que ela pode fazer o que ela quiser,
Cecília -

Que que vc tem Odilon?
Que que eu te fiz?
Você parou de fumar?
Quantos cafés vc toma por dia?
Porque você tá nervoso?
Você prefere parmesão ou mussarela?

Mas fala pra ela parar de estalar o dedo. Eu tô puto.
Porque que vc tá puto comigo?
Eu não tô puto contigo.
Eu to tentando tirar essa fita crepe tá grudando no meu dedo.
Eu to achando que a gente tá ficando maluco dentro desse apartamento.

Cecília, fala pra essa pessoa que tá do seu lado ir fazer a comida. Se ela puder.
Cecília, fala pra essa pessoa ir pra cozinha.

Eu to mexendo nessa janela. Porque tem uma lagartixa.
Eu to falando com vc, cecilia.
Cecília!

Cecília fala pra essa pessoa que se chama andreia
Por que vc não tá falando comigo?
Fala para Andreia.
Por que que vc nao vai embora?

Fala pra andreia ligar pra um chaveiro.

Porque vc ta colocando a culpa em mim?

Olha só eu to com mta fome a gente ta preso aqui por conta da andreia fala pra ela fazer a porra dessa comida.
Você pode comer miojo.
Eu fico puto pq no dia da lilla no dia do the end essa andreia tava lá.
Vc não quer comer miojo?
Pergunta pq ela não toca nesse assunto.

Não fala comigo.

<<<

12h00 >>>> RODINHA DA POTÊNCIA SUICÍDIO-VIDA

terça-feira, 12 de abril de 2011

ensaio 12

11/04, unirio, sala 301
diogo, fred, flávia, nina, vítor, marília e dominique.

AQUECIMENTO DE USO, inácio odilon cecília andréia, diz rita. chão chão chão sentir olhos costas ai sobre as pernas embaixo cabeça mexer cintura gesta chão mão toque cabeça cabelos enrolados cabeça esfregar sentir cabeça mãos costas alongar necessidade voa ai necessidade braço peso contra-peso puxar sentir chão pêndulo pendurar grudar ai falar corpo parece uma mãos massagem toque mãos ai toque carinho bicho abraço suave chão tem várias cores massagem cabelo tem rosto sentir boca testa suor boca peso contra-peso divisório a parede em duas partes não divide mãos braços quente gelado […] do gesto cotidiano explode-se a poesia. abraço, tirar cabelo do ombro, um pedido de desculpas, um esporro, maltratar um corpo, brincar com o outro, brigar com.

10h >>> CENA 1, com objetivos:

primeira tentativa

odilon – exposição lenta da irritação;
andréia – ações paralelas para não sucumbir às provocações;
rita – devoção a cada palavra dita pelos amigos (para bem ou mal);
cecília – oferecer sempre um contra-argumento ao que julgar equivocado;
inácio – querer alegrar os amigos;

>

começam caminhando pelo espaço, dispersos. todos param, só cecília e inácio que andam.

inácio – é curioso isso, essa palavra free num cotoco de cigarro. vocês sabem o que significa? não? não? não? significa liberdade. a lilla bem que podia ter ficado só no cigarro.

andréia fecha janelas.

cecília – você tá sendo mesquinho, inácio.
inácio – eu tô na real faz tempo.
cecília – você tá transformando tudo isso numa divisão de bens.

inácio levanta cecília. odilon o afasta dele e o derruba no chão. andréia explode com inácio. inácio carrega andréia no colo e a faz de cachorro. os amigos a acodem.

cecília – tá tudo bem?
inácio – tá. machuquei um pouco. eu tenho plano de saúde.

< fred continua numa segunda tentativa:

inácio tomba cadeiras.
cecília as põe na posição normal.
inácio, depois de tentar se relacionar com os amigos, acaba fazendo aquecimento de uso com a cadeira e fica preso.

cecília – você é muito babaca.
odilon – olha pra mim, eu falei pra você parar.
inácio – vai me bater? eu tô no alto.
cecília – então vamos comer alguma coisa?
odilon – vamos comer alguma coisa.
inácio – vamos comer alguma coisa.
odilon – vamos comer alguma coisa?

cecília tira a cadeira de inácio.

segunda tentativa: reescrever o texto a partir do entendimento da cena escrita (inácio não quer ficar sofrendo como os amigos e gostaria ao menos de rir da situação)

>

inácio quer ver os amigos sorrindo.

inácio – casa tá suja, hein, gente?

odilon – é perigoso, hein, andreia?
andréia – tá tudo bem.

inácio – meio retrô isso, hein, cecília?

rita – bom, então é isso, né, gente? é isso ai…
odilon – é. você fica.
rita – eu não sei.

inácio – será que eles tavam sem dinheiro pra trocar as lâmpadas?
cecília – o apartamento tá parada faz dois meses.
inácio – falta de dinheiro?
cecília – nada disso.
inácio – odilon, tira a mão da lâmpada. não quero mais ninguém morrendo não.
andréia – inácio!

rita – gente, a gente já faz tudo. já dividiu as coisas.

inácio – a casa diz muito da pessoa. se jogar pela janela é a busca pela luz. essa casa tá escura.
cecília – cala a boca. você tá achando engraçado?
inácio – por que, você tá querendo ficar sofrendo?
cecília – você é insensível!
inácio – vocês ficam tapando o sol com a peneira?
odilon – vem cá. as meninas não tão gostando.
inácio – vamos enfrentar a nossa realidade?
cecília – você tá me machucando!
inácio – pára de gritar.
cecília – você tá desrespeitando a gente. a gente tá aqui por um motivo específico, mano.

andréia – cala a boca…

inácio – que grupo de amigos é esse? eu tô falando e vocês não tão me ouvindo?
odilon – não é isso, inácio. ninguém tá fingindo que não aconteceu. você não me escuta. tá cada um indo pra um lado.
rita – talvez a gente devia ficar um pouco em silêncio.

cecília – você devia ter ido no lugar da lilla.
rita – ai, não, né…
inácio – isso é preconceito racial.

rita – não acredito que você queimou a comida.
andréia – não queimei.
rita – você queimou a comida?!

inácio – e a gente não come, então? a gente vai ficar o dia inteiro aqui falando da lilla?
rita – e beber um pouco.
inácio – odilon não pode beber.

cecília – você tá sendo grosso. você é egoísta. ninguém escuta.
inácio – o grosso tá te escutando.

andréia limpa o apartamento.

cecília – andréia, porque você tá fazendo isso?
andréia – a rita é alérgica.
rita – sabe o que eu ouvi outro dia, que poeira é pele morta. vocês sabiam?
andréia – é, a gente morre todo dia.

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11h >>> COMPOSIÇÃO, tempo de 20 minutos para criação, tema geral: amizade

Composição Um (para dupla) – VÍTOR E DOMINIQUE

viewpoints;
proposta de espaço;
discussão intensa;
quebra de expectativa;
um objeto;
uma revelação;
um abraço;
um grito;
as falas: “não importa, mas e agora?” e “eu não vivo de poesia”.

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dominique cozinha. vítor chega por trás, lento. ela mistura a panela. mexe no fogo. limpa as mãos e respira. ele coça a boca, vai dizer não diz. ele a puxa e a abraça.
tá terminando já, pode avisar pro pessoal que tá quase pronto.
pq vc tá fungindo de mim
nao rto fungindo ta tudo normal
ta
to fazenco comida nao foi esse o combinado ta tudo certo
vitor bate a mao contra a parede
dominique – que foi?
ele retira do bolso uma carta. meio
ela abre a carta.
dominique – que que é isso agora?
você amassou?
isso não faz mais sentido
é pq não tem mais sentido que a lilla morreu. não mudou nada.
ai, detesto falar seu nome. até nisso a gente é cafona. que que é para de rir.
vc não tá falando a verdade.
para de inisitir numa coisa que não aconteceu.
para vc de rir, de insistir numa coisa que não tem mais sentido
quer que eue fique como?
não sei.
vai avisar pra todo mundo que a comida tá pronta.
fica comigo. eu preciso.
não importa. agora. eu não vivo só de poesia. eu preciso de concretude.
abraçam-se.

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Composição Dois (para trio) – NINA, FRED E MARÍLIA

viewpoints;
proposta de espaço;
silêncio;
uma fuga seguida de aprisionamento;
uma promessa;
um beijo na boca;
um tapa na cara;
uma revelação;
um bater de palmas;
as falas: “desculpa!” e “é mentira!”.

>

espaço retangular

nina entra, coçando a boca, olha a platéia. dá beijinhos na mão e toca a nossa boca. fred vem e faz o mesmo. ele entra no espaço, cabisbaixo. marília se ergue e dá seus beijinhos. eu fico muito constrangido. mas adoro. nina coça o queixo. todos os três virados contra a parede, as meninas avançam. andam, caminham, viram. cruzamentos. nina bate palma. os dois param. voltam. fred bate palma.

eu prometo que eu vou parar de falar, eu prometo que eu vou tentar ouvir vocês não quero parecer que eu tô falando falando. nina bate em fred. marília grita mentira!. nina diz desculpa. mãos da nina se movendo “eu tô grávida”. abraçam-se.

ai, quanta fofura.

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12h00 >>> RODINHA DO SUICÍDIO e da potência de vida (em breve)

lilla é atravessada por alguma coisa que a mantém perplexa e a faz desistir, a faz se retirar do mundo – morrer. é essa experiência dela que se configura como um atravessar que perfura os amigos e abre a eles um mundo real e capaz de devastá-los. a partir desse buraco, eles se perguntam como continuar… é isso.

sábado, 9 de abril de 2011

ensaio 11

08/04, unirio, sala 301
diogo, fred, vítor, flávia, marília, dominique, nina e gustavo.

AQUECIMENTO DE USO. ou aula de anatomia. fluxo de pensamento. eu acho que se um deles tentar ir embora, um outro é capaz de pular sobre essa pessoa e fazê-la ficar, pelo peso.

ESPADA. PANO (descubram a hora de deixar o pano cair, juntos).

acho que talvez pela primeira vez os vi capazes de manejarem essa dificuldade toda. assim, reunidos, em círculo, com os corpos suados, os panos cortados, sem pestanejar, sem evitar, sem “não me toques”. momento para colocar uma música, disse Flávia. concordo. já já começaremos a dançar esses corpos.

IMPROVISO A PARTIR DA CENA PRODUZIDA. uns decoram o texto, outros não. e daí? nós que da os vemos não precisamos saber disso. não devemos sabê-lo. DESLOCAMENTOS.

como re-construir a comunhão em cena após um desentendimento?

TRABALHO PARA CONSTRUÇÃO DE SEGREDOS. por favor, não queiram ouvir o do outro, porque nesse movimento o seu escapa.

COMO ACABAR COM A FICÇÃO DO OUTRO?

Ninguém quer falar sobre.

NINA
Sacola branca. 3 dias depois. Ela tava dentro do ônibus. Você preferiria deixá-la voando? Foi de sábado para domingo.

DOMINIQUE
A gente tava andando de bicicleta em Copacabana, tinha um porquinho rosa. A Lilla achou lindo. Era um porquinho rosa. A gente viu… Tinha uma galera meio que comentando. Mas o porco foi indo. Não sei como surge assim. Não conheço muito Copacabana. A Lilla. Thiago tava também. Ela e Lilla almoçaram juntas na casa de Lilla, onde estavam seus pais e o irmão. O tal do Thiago.

A bicicleta da garota do silêncio profundo ficou na garagem de Lilla.

MARÍLIA
Nunca pensei que tivesse tanta poeira na Voluntários da Pátria. Acho que tem essa coisa de poluir menos, aquecimento global. Eu gosto de olhar para o céu. Engraçado. É uma coisa que eu gosto. Chamava Bernardo (tive um encontro com ele em 2006. Eu tô com Caco desde 2004. Ele fica 15 dias aqui e 15 dias na plataforma. Só por causa da morte da Lilla vocês começaram a implicar.

Ela aponta para o interlocutor que não falou com ela.

Para segunda, trazer questão respondida que foi feita a cada um (escrever no papel recebido). Para a próxima sexta-feira, trazer FLUXO TEXTUAL a partir dos motes recebidos em sala de ensaio. Não precisa decorar, o importante é escrever e montar uma apresentação deste fluxo, seja uma leitura…

RODINHA DO SUICÍDIO. para encostarmos mais nesse horror. ou não.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

ensaio 10

06/04, unirio, sala 301
diogo, fred, vítor, flávia, marília e dominique.

hoje o ensaio será sem a nina, que está em casa (com suspeita de dengue ou de alguma outra coisa). combinamos que ela não viria ao ensaio mas iria ao hospital. portanto, nina, se estiver lendo isso, vá ao hospital caso não tenha ido.

AQUECIMENTO DE USO. dominique camisa vermelha e short bege claro. vítor short vermelho e camisa grafite. fred camisa branca e short cinza escuro. marília camisa amarela e calça grafite. dominique com camisa interna preta. marília com camisa interna azul bebê.

o abraço como diálogo mais concreto.

OLHARES. não necessariamente algo dentro, mas sem dúvida algo fora, na superfície.

lembrando à marília e ao fred que comentem na postagem ENSAIO 06 a pergunta que foi solicitada. lembrando que havia sido solicitado que todos postassem algo sobre o ensaio de segunda para o vítor, que não esteve presente. ainda é necessário ouvir o que cada um tem a tirar deste encontro.

NEGOCIAÇÕES COM JANELAS. E PANO.

IMPROVISAÇÃO 01

10h26

o cara do celular chega lento pega a chave sob o tapete, abre a porta e mais lento ainda a empurra encostando-a em seguida. olha apenas, sorri de leve, quase não faz som e revista todas as paredes. limpa uma delas. posiciona uma mão e da parede se aproxima. respira fundo. e chora. erguendo as duas mãos.

a garota do cambalear entra. lenta. e o vê. ele com os braços abertos bate as mãos contra a parede. ela parada no centro da sala. ela se aproxima lenta e ele se vira. eles se abraçam e ela o conforta.

cambalear – tá tudo bem. eh, pode chorar.

ele silencia, preso no abraço.

celular - é muito difícil pra mim, sabe? mas tá tudo bem.
cambalear – não, não tá tudo bem.
celular – tá. tá ótimo.
cambalear – não, não tá.
celular – tá. inferno astral. tá tudo bem. bati com o carro. inquilino no meu apartamento. essa tsunami no japão. como é que você tá?
cambalear – eu tô bem.

a garota do silêncio profundo se aproxima da porta e chora com a mão no rosto, sem conseguir entrar.

celular - eu cheguei três minutos antes de você, bati o olho nessa foto e me lembrei do meu passado. foi forte pra mim. eu usava chinelo. eu acho que eu chorei porque eu queria esquecer meio disso que eu fui.
cambalear - por quê?

ele se aproxima por trás dela, já recostada na parede. ele recua.

cambalear – nunca te faltou nada.
celular – sempre me faltou tudo.
cambalear – você não tá sozinho na foto.
celular – eu joguei fora.
cambalear – você jogou fora a nossa foto?

ele a contempla ainda. ela sobre o chão tentando se dar conta. levanta se vira e o vê.

profundo – oi.

o cara do café vai até ela e a abraça.

celular – você não se sente culpada, não? aquela fantasia de borboleta? ela se joga pela janela achando que tá voando.
cambalear – é uma fantasia de carnaval.
celular – mas eu pensei muito nisso. nada é por acaso.

café – é feio escutar pela porta.
profundo – não tava escutando.
café – e você?
profundo – tá tudo bem. fora o fato tá tudo bem.

cambalear – e você, vai ficar aqui?
celular – eu hoje tirei o dia pra ficar com a lilla. só se eu me jogar pela janela.
cambalear – como cresceu a empresa não?
celular – chega uma hora da vida que você tem que sair de casa. construir a sua casa.
cambalear – e o coração, como é que tá?
celular – deixa eu te perguntar uma coisa… você não retornou a ligação dela por falta de crédito?
cambalear – eu acho…
celular – ela se foi sem você se desculpar dela?

os meninos espiam pela porta enquanto

celular – a pessoa morreu brigada com você e você quer levar as coisas dela.
cambalear – mas deixa não ficar bem. você não pode falar como se me acusasse.
celular – mas você não vai brigar comigo porque você tá traumatizado com isso de brigar com amigo?

a garota do cambalear abre a porta e recebe os outros dois.

café – vamos entrar.
profundo – daqui a pouco.
café – a gente já vai entrar tá terminando um assunto.
celular – quer que feche a porta pra vcs terminarem?

eles se cumprimentam. o cara do café e o do celular.

cambalear – acho melhor pegar a mala no seu carro pra pegar as coisas.
celular – e se você escrevesse uma carta. muita gente faz isso. pede desculpas.

a garota do cambalear faz cócegas nele.

cambalear – isso é hora pra rir?
celular – eu vou brigar contigo igual a lilla brigou contigo.
cambalear – vocês não vão entrar?
profundo – tô esperando o vítor.
celular – a saveiro é pra levar só as suas coisas?
cambalear – não. pode ser de todo mundo.
celular – de quem é a saveiro?
cambalear – do caco.
celular – o caco nunca gostou da lilla, né?

café – confia em mim. olha pra mim que eu tô falando com você.
profundo – tá tudo bem. já falei a gente conversou foi só isso. tá? eu nem sinto culpa.

celular – foi preciso alguém morrer pra que a gente tivesse aqui.
cambalear - chega de criar sofrimento. todo mundo sofre.
celular – você sofre?
cambalear – claro.

[…]

cambalear – e ai, gente? tudo bem?
celular – o que vocês tão esperando?
profundo – a nina.
cambalear – ela vai atrasar, ela ligou, ela vai atrasar um pouco.
celular – até que enfim.
profundo – pára de ser implicante, fred.
celular – vem cá olha esse céu. será que a pessoa se arrepende do ato do suicídio. será que até ela chegar lá embaixo até morrer será que ela se arrepende durante a trajetória eu acho que na hora do suicídio a pessoa se arrepente. o que que você acha, jornalista? aobre o suicídio?
café – eu não acho nada. nada.

aproxima-se da porta.

café – o que você vai levar, fred?
cambalear – ele vai levar nosso retrato.
celular – dodô, esse negócio de ficar calada e introspectiva não vem com isso. pode parar com isso de ser passarinho, borboleta…

10h56.

IMPROVISAÇÃO 02

11h05

Ele beija o quadro. Ela lenta caminha em sua direção. Ele se vira. Abraçam-se.

cambalear – pode chorar.
celular – pode chorar você.
cambalear – você.
celular – chora você.
cambalear – pára, você tá me assustando.

Ela avança até a porta e chora. Ele chega por trás e a conforta.

café – tá tudo bem?
profunda – tá.

celular – tô aqui de guarda da janela. dodô fica muito introspectiva e ai minha mãe sempre fala nisso.

11h25

 

O lugar do conforto. Não existe. De acordo com Fred, precisa ser expressado.

LEITURA. Pensar sobre as didascálias.

Falamos sobre o TEMPO_FESTIVAL e sobre o ensaio anterior.