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sexta-feira, 10 de junho de 2011

ensaio 34

10/06, unirio, sala 602
flávia, gustavo, marília, vítor, fred e nina

08:50 chego na sala 602. Marília e Gustavo pregam jornais na janela, Vítor ajeita um livro em cima de um puf preto e Nina envolve um palitó no encosto da cadeira. Fred chegou depois, retirou da mochila uma toalha branca e a posicionou no chão da sala. Dominique não veio.

A sala agora perdeu um pouco da luz, preenchem o espaço tons avermelhados e um branco opaco. a porta da sala está escancarada, a luz do sol grita do lado de fora, ali dentro o silêncio e a espera.

Nina está sentada ao lado de uma cadeira sem tampo. No encosto da cadeira, vemos um palitó vinho com duas flores de plástico penduradas em seus bolsos, uma de cada lado, no chão a identidade da Nina pode ser vista através do espaço vazado da cadeira sem tampo, logo na frente da cadeira um relógio antigo e o livro do desassossego do Fernando Pessoa aberto com um trecho do livro grifado.

Nina fala que as flores de plástico estão ali porque não morrem, o palitó indica que uma pessoa esteve ali, na cadeira sem tampo, na cadeira que tem um buraco, na cadeira que vaza. A identidade da Nina indica o quanto a NINA esteve ali o tempo todo, o relógio que faz barulho quando os segundos passam, ali está pra dizer do tempo, o tempo que pra Nina é tão precioso, o tempo que naquela sala vazia de paredes brancas só acontece porque os amigos ali se encontram. O tempo que só é possivel porque os amigos decidem se encontrar, o tempo da peça, o tempo do encontro..

Fred agora está sentado debaixo da porta, no limite entre a entrada e a saída da sala. Na sua frente uma toalha branca e em cima da toalha duas cartas, dois envelopes e um pequeno bilhete escrito: o seu personagem vai se chamar Inácio, ok?. Fred começa a ler a primeira carta entre engasgos e lágrimas que escorrem, lê a segunda carta, olha pra gente e sorri tímido.

Fred comenta que a vida não para pra gente chorar nossa dor, enquanto ele lia as cartas o garoto na sala ao lado não parava de falar. É assim mesmo, somos atravessados por tantas coisas ao mesmo tempo, a vida é muito mais difícil que um filme ou uma peça de teatro. O tio do Fred que se chamava Inácio (com G!) morreu, a tia também, e pensar que um dia eles escreveram essas cartas. Fred fala sobre o tempo, a justaposição do tempo.

Marília nos coloca do lado de fora da sala. Em cima de um tecido vinho estão dispostos alguns "kits", ela pede para cada um escolher o seu, alguns "kits" tem lenços e velas e outros fósfóros e vendas. Escolho o "kit" que tem um óculos escuro, uma vela e um bilhete escrito: encontre um lugar para quedar. Coloco os óculos escuros, acendo a minha vela com ajuda do fósforo do Vítor e entro na sala. As luzes estão apagadas, o centro da sala está vazio, caminho devagar até o fundo da sala onde estão duas janelas cobertas por jornal e uma cortina vinho. Na frente da janela uma cadeira permanece inabitada. Olho ao redor, procuro encontrar um lugar para quedar, escuto barulhos e vejo Nina arrancando com força os pedaços de jornal que cobrem a janela, ela arranca também com força a cortina vinho, Inácio na outra extremidade faz o mesmo com as janelas escondidas por conta de um recuo na sala. Agora jornais amassados e rasgados estão espalhados pelo chão, a sala se iluminou, Gustavo sentou na cadeira antes inabitada e agora árvores e folhas desenham a paisagem da janela da sala.

Vítor acende três velas e as dispõe no desenho de um triângulo, o livro de Jó repousa aberto no puf preto, ele pede para lermos em silêncio, enquanto isso, Vítor contorce o corpo como se quisesse jogar alguma coisa muito grande e pesada pra fora, a sua boca está aberta, dela vemos cair baba. O seu rosto se expande em desespero, a imagem é forte e dolorosa, assim como a passagem do livro de Jó.

Vítor fala em levar ao extremo aquilo identificamos habitar o nosso corpo, se é cansaço intensificar o cansaço, se é alegria intensificar a alegria e foi isso o que ele fez com algo que o envolveu com força durante todo nosso processo: a dor e a perda.

ELEMENTOS UTILIZADOS NAS CENAS APRESENTADAS

jornal
cortina vinho
velas
fósforo
livro de Jó
livro do Desassossego
cadeiras
lenços
óculos
relógio
cartas
toalha branca
flores de plástico
palitó
identidade

ALGUMAS PALAVRAS E IMAGENS QUE FICARAM DE TUDO QUE FOI FEITO

o reconhecimento do outro pelo cheiro
finito
alvo
chorar pela boca
flagelo
rasgar
abrir
voar
felicidade
necessidade de se perder
necessidade de ser qualquer um
chegadas e saídas
sol contra folha de papel
dentro denso, fora suave
a beleza de cada um
ritual
tempo
perda

COMPOSIÇÃO FINAL

combinar uma composição com o tema: Festa de despedida da Dominique
ATENÇÃO: Não são as PERSONAGENS em cena, são VOCÊS MESMOS

lista:
- uma proposta de espaço
- uma coreografia
- uma canção
- utilização FREQUENTE dos gestos destacados de cada personagem
- uma gargalhada longa
- um choro falso
- uma recordação
- utilização de algum objeto usado nas composições anteriores
- um tapa
- um brinde
- uma queda

notas:
1- eles ligaram pra Dominique enquanto faziam a improvisação.
2- se confundiram algumas vezes e chamaram o outro pelo nome da personagem
3- o Fred espirrou (fazendo o gesto do Inácio) e os amigos pela primeira vez disseram: SAÚDE!

Bom bom bom!!!!!!!

7 comentários:

Flávia Naves disse...

meninos por favor, postem o registro que fizeram do exercício com os gestos. Nina, faça o seu exercício até amanhã por favor. bjs

Dominique Arantes disse...

Fiquei emocionada só de ler.

AH!
Agora entendi tudo.
Essa ligação. rs

beijos

Fred disse...

- 'vejo Nina arrancando com força os pedaços de jornal que cobrem a janela, ela arranca também com força a cortina vinho, Inácio na outra extremidade faz o mesmo com as janelas escondidas por conta de um recuo na sala'. Inácio.. rs.

- preciso expressar que para mim o nosso brinde entrou para a história de Dragão (assim como o lagarto da Marília). 'Dodô. a cidade luz. ficará mais iluminada. com a sua presença.'

- Dodô. vc fez esta composição com a gente. lov.

Flávia Naves disse...

Fred, não acredito! escrevi Inácio!! ahh!!!

Diogo Liberano disse...

como se morre de amor?
tô querendo!

ler o relatório deste ensaio me deu forças suficientes para verticalizar aquilo que tinha medo de pôr em palavras.

vai ficar pior. mais intenso. graças a vocês.

bjos e até já!

Vitor disse...

Poxa Flavinha, voce entendeu o que quis dizer no exercício e na explicação. Descreveu melhor do que pude na hora. Fico muito feliz

Marília Misailidis disse...

Se alguém quer matar-me de amor,que me mate no Estácio...bem no compasso,bem junto ao passo,da passista,da escola de samba do largo do estácio...

Dodo,minha linda,que falta você fez.Espero que esteja melhor.Beijo grande!