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quinta-feira, 2 de junho de 2011

A OBEDIÊNCIA DO CORPO

No nosso último trabalho com as Raias falamos sobre a possibilidade do corpo de vocês responder aos estímulos externos com mais agilidade e destreza, como se fosse possível FREAR um impulso imediato IMEDIATAMENTE após ele ter acontecido, abrindo assim a possibilidade de responder, também imediatamente, a outros estímulos. Penso que esse corpo atingiria um nível de esperteza que não saberíamos mensurar. Auto-controle, consciência pura, ator-atleta, rigor e selvageria.

Lendo o livro "O teatro laboratório de Jerzy Grotowski" encontrei o trecho de um texto onde ele discursa sobre o trabalho com o corpo do ator, respondendo à questão sobre como resolver o problema da OBEDIÊNCIA DO CORPO DO ATOR ele diz que existem duas abordagens diversas:

"Uma primeira abordagem é colocar o corpo em estado de obediência, domando-o. É possível fazer uma comparação com a abordagem no balé ou em certos tipos de atletismo. O perigo dessa abordagem é que o corpo se desenvolva como uma entidade muscular, portanto não bastante flexível e vazio para ser o canal para as energias.

A outra abordagem é desafiar o corpo. Desafiá-lo dando-lhe tarefas, objetivos que parecem ultrapassar as capacidades do corpo. Trata-se de convidar o corpo ao impossível e de fazê-lo descobrir que se pode decompor o impossível em pequenos pedaços e tornar possível. Nessa segunda abordagem o corpo se torna obediente sem saber que deve ser obediente. Tornar-se um canal aberto às energias e encontra a conjunção entre o rigor dos elementos e o fluxo da vida (a espontaneidade). O corpo então se sente como um animal domado ou doméstico, mas antes como o animal selvagem e digno. A gazela perseguida por um tigre corre com uma leveza, uma harmonia de movimentos incrível. Se a olhamos em câmera lenta em um documentário essa corrida da gazela e do tigre dá uma imagem da vida plena e paradoxalmente alegre. As duas abordagens são totalmente legítimas. No entanto, na minha vida critaiva, sempre estive mais interessado na segunda abordagem."

Trecho retirado do texto "Da companhia teatral à arte como veículo"

3 comentários:

Vitor disse...

forma e impulso né? Eu confesso que ja me enrolei tentando seguir algo assim, me orientar por algo assim. No trabalho com o lenço por exemplo, sempre tentei deixar o impulso seguir seu caminho e ter controle sobre isso mesmo que eu me obrigasse ir ao chão e ir ao ar, mas me parece que assim eu estaria fora. No trabalho dos gesto, eu me lembro agora, não quis sair das indicações e sim segui-las com rigor o que gerou tanta energia(fluxo de vida) que acabei saindo das indicações. As coisas se transformam e se transformam mesmo quando não se pára nunca.
Sinto tambem que o processo ta se tornando mais potente com o trabalho de gestos, jogos e um certo amadurecimento das raias. Vamos lá

Vitor disse...

"Trata-se de convidar o corpo ao impossível e de fazê-lo descobrir que se pode decompor o impossível em pequenos pedaços e tornar possível. (...)
Tornar-se um canal aberto às energias e encontra a conjunção entre o rigor dos elementos e o fluxo da vida (a espontaneidade)".

Diogo Liberano disse...

show,,
nada a acrescentar!