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sábado, 11 de junho de 2011

trabalho gestual > vítor

Sobre o trabalho de repetição com gestos(não chorar, óculos, ser estranho, abrir e fechar a mão, e lavadeira):

Provoca APROPRIAÇÃO. Me parece que o Odilon tá frio. E os gestos são a negação da emoção ao mesmo tempo que o lugar por onde escorre o desconforto. Claro, tem a exceção que é o gesto da "lavadeira" em que "eu" esfrego as mãos sobre a coxa e mostro descaradamente a aflição, os outros não, são sutis.

O trabalho dos gestos junto com o trabalho da atmosfera me deixou menos embaçado que o Odilon, depois de tudo com a Lila, vem se equilibrando: "certas coisas poderiam ser só esquecimento". E essa dramaturgia do esquecimento pode estar no corpo dele também se manifestando através dos gestos.

Um comentário:

Fred disse...

Fazer os cinco gestos traz a sensação de que o personagem não está se aguentando no próprio corpo e que os gestos entram como expressão do íntimo, de algo recolhido e que aparentemente está dentro e protegido.

Os gestos do Inácio entram sem pedir licença, fazem barulho e causam estranheza. Todos eles têm uma legenda: "oi, eu estou aqui! Me reparem ! Quero ser visto e ouvido. Não sejam indiferentes à minha presença !".

Às vezes me parece que o Inácio é um bebê chorão que faz tudo para chamar a atenção e para que cuidem dele, menos chorar de fato. A união de todos os gestos nesta peça é a tentativa não de cavalgar mas de desenhar um dragão. Talvez se faça um dragão com dez gestos.

saúde.