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quarta-feira, 15 de junho de 2011

experimentação com gestos

EXPERIMENTAÇÃO COM OS GESTOS
Do brinco – o gesto me traz uma contenção delicada. É de uma dor fina, e não revelada, nem pro corpo. A repetição deixa a orelha vermelha e cansada. Causa uma estafa especifica, que não é cansada, mas histérica.
Do sapatinho – o gesto faz duas coisas ao mesmo tempo. Ele é ágil, esperto, e fugidio ao mesmo tempo.  As pernas se dobram de um jeito delicado. Nessa hora eu tenho um pouco de pena da Cecília, vejo ela frágil. Talvez, na volta da cabeça, no fim do gesto, ela esteja com olhos vermelhos.
Não grito  - retomada de fôlego , auto-carinho, desistência, tentando acordar a face e abrir os olhos. As vezes é sincero, as vezes é um comentário sobre a sensação de fazer aquilo sinceramente. É um gesto que pode ser um compartilhamento.  O rosto, depois de um tempo, está cansado de ser arrastado. Arrastado para baixo. Acho que o mundo está alisando o rosto da Letícia para baixo, e ela está retomando o fôlego.
Impaciência – não acho mais que seja apenas isso. Acho que uma preocupação sincera, um sentir-se em apuros.  A testa é o lugar da tentativa de raciocinar para sair da situação difícil. É quase um instinto do corpo. Eu não tenho gostado de colocar a mão no meu rosto, tenho achado estranho.
Isso e aquilo- o movimento não é da mão, é do braço. O braço fica MUITO tensionado, é foda. Parece que eu estou levantando peso. A mão fica frouxa, sacudindo a histeria dos músculos do braço inteiro. Toda a força da argumentação contra o silencio, e nada mais.
Lenço – um auto-carinho na nuca (eu seria a Cecília de tão carinhosa que ela é consigo mesma. Ela mesma se compra.) o cabelo fino na minha mão me dá intimidade com meu corpo./ estou em livrando de insetos que estão presos na minha nuca, enganchados no meu cabelo. Eles descem um pouco pelo meu pescoço, eu jogo fora com raiva e pavor, e aliso os dedos, para saber que eles não sobraram no meu corpo.
Faltando – é divertido, uma dança. A volta que o corpo faz atrás do braço é um caminho curioso. Ele deságua em dois lugares: um vazio. Um mundo inteiro, do outro lado, aquele que eu não tinha visto antes.
Sexyyy –  na verdade não é sexy, como eu achava no inicio. A unha curta e suja vem na boca, encosta no dente, salgada. É uma coisa que ela não faria se não tivesse realmente em outra vibração. Aquilo é um despudor. É até meio vergonhoso, salivar nas unhas.
Suor das mãos - é triste e infantil. Não gosto de fazer esse gesto e acho que ele não tem nada com a Ceci, mas é por isso mesmo que eu acho legal deixar ele aí, existindo. Acho que ele ainda vai dizer à que veio, mas nessa experimentação eu só consegui sentir algo fraco e triste.

Um comentário:

Marília Misailidis disse...

Adoro ouvir as suas palavras,Vendetta.Que bom estar contigo nisso.