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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Atravessar é Preciso

Jovens meninos antigos tinham uma frase gloriosa:
"Atravessar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo
e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.


Fernando Pessoa

8 comentários:

Vitor disse...

eu acredito nisso. penso que a minha lenha é acreditar que a vida é criar mesmo que o corpo e a alma precisem ser a lenha.

me vejo defendendo isso que foi escrito por outro em quase qualquer discussao.

mas e quando a realidade bate no meio da sua cara?
Tem tanta gente que precisava criar e se matou por amargar uma vida miseravel por essa escolha...
Até onde temos poder de escolha?

Tava em Minas e pela primeira vez desde que moro no Rio me deu uma vontade de voltar a viver aquela vida simples no meio do mato.
Sem competição, sem muito dinheiro pra conseguir, em contato com o aqui agora, meu corpo e a natureza.

Adoro o caos, odeio o caos. Quero hoje a poesia das coisas simples-essa frase é de alguém, não é?sinceramente.

Não tenho mta preocupaçao com a qualidade da peça ou como vai ser(estranho isso).. penso muito na peça, ou melhor, nos encontros, no Blog. Mal conheço vcs, mas ja confio bastante.

Diogo Liberano disse...

vitor,
talvez isso que você sente e transcreve, seja uma saída para o nosso espetáculo
ou, que seja, uma saída para esses personagens...

Vitor disse...

chega uma hora que arte e vida se misturam claramente.

Vitor disse...

No segundo Caderno do Globo desse fim de semana o Caio Blat falou uma poucas coisas interessantissimas sobre sensibilidade e citou a tal psicologa que sumiu sem botar a culpa em ninguem, simplesmente estava cansada disso tudo.

Flávia Naves disse...

Vítor que psicóloga é essa?

Diogo, o poema é lindo! Não entendo quando ele começa, a primeira frase é sua? "Jovens meninos antigos tinham uma frase gloriosa"
Achei a frase lindíssima. Engraçado que acabo de ler um blog onde a menina fala sobre a diferença de ser VELHO e ser ANTIGO, posto aqui pra vocês lerem:

"neste sábado, observando da varanda,o tempo que avança,senti mais uma vez um respeito imenso por essas pessoas a quem chamo de antigas. não,essas que eu tenho visto não são velhas, são antigas. velhas são aquelas pessoas que, mesmo jovens, não estão abertas para viver nada. antigas são as pessoas que, como preciosidades em antiquários, são cheias de detalhes, vivências, alegrias,restauros invisíveis,passagens por lugares felizes e tristes,e em que tudo brilha, tem presença.é claro que existem os velhos,como os móveis baratos e frágeis de um brechó pobre e decadente, que passaram uma vida inteira só para acumularem poeira, lamentações e mau humor"

Flávia Naves disse...

Vítor, voltar à vida simples no mato esse é o meu objetivo. nãoficarei aqui por muito tempo...a vida é maior que isso. Acho também Diogo que essa pode ser uma saída possível. beijos

Diogo Liberano disse...

eu não acho,,,
eu alterei o poema do fernando pessoa
já não sei em que grau e intensidade
o original é
NAVEGAR É PRECISO
!!!

Flávia Naves disse...

Diogo, quando eu disse que eu também achava "que essa pode ser uma saída possível" eu estava concordando com você que concordava com o Vítor, logo ali em cima, entendeu?

com relação ao poema eu sei que o original do Fernando Pessoa é Navegar é preciso, não estou perguntando disso, é sobre a primeira frase "jovens meninos antigos" é sobre ela que pergunto se foi vc que escreveu
beijos