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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

achei que merecia um novo post.




acho que é por aí mesmo..

gosto quando um personagem pega a garrafa e vai em direção ao outro: acho que tem briga e quase agressão física no nosso dragão.

gosto quando eles cantam juntos uma mesma música: aquela música da viagem ou a que ela cantou na festa de formatura ou a do show do araketu

gosto de alguém estar de cueca: acho que eles são íntimos.

gosto do cenário que é apartamento

fico pensando qual dos amigos bebe a cerveja no gargalo e qual usa copo. Fico pensando qual cerveja os amigos bebem. e qual deles vai querer coca light.

8 comentários:

Diogo Liberano disse...

que ótimo, fred
me fez pensar nisso também
tenho a sensação de que o espaço é mais arena q italiano
não sei
pode ser tanta coisa
mas essa frontalidade me mata!

Vitor disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vitor disse...

"Um dia ele apareceu na porta de casa. Roberto e eu moravámos numa casa na Sena Martins, perto do Zerão. O Geraldo e o Batata moravam com a gente, mas eles foram embora. Ficamos só nos dois. E aí ele apareceu na porta de casa e falou: "Oi, eu sou o Clóvis, sou amigo do Beto. Ele me convidou pra uma festa que vai ter aqui hoje" Olhei pra cara dele e pensei: "Então vai ter festa hoje? De novo?" Sempre tinha festa lá em casa. Alguns malucos e malucas apareciam com garrafas de vinho e a zona se prolongava durante a madrugada. Entrei e encontrei o Beto na cozinha. Falei: "O teu amigo Clóvis tá aí. Disse que veio pra festa". Beto deu uma olhada na sala. Clovis já tava bem à vontade mexendo nos meus discos. Então o Beto falou: "Eu não sou amigo dele. Ele me viu na rua e acenou pra mim. Eu acenei de volta. Foi só isso". Bem, mais uma noite na velha república do Zerão. Eu tava a fim de escrever e tudo o que eu não precisava era um bando de malucos ouvindo música, bebendo vinho e fumando maconha na minha sala. Soltei um foda-se e fui pro meu quarto. Naquela noite o Clovão enlouqueceu, arrancou a roupa e dançou pelado no meio da sala. Na tarde seguinte, eu tava dormindo e bateram na porta. Fui atender. Era o Clóvis. De novo. Só que dessa vez ele tinha um colchão debaixo do braço. "Gostei daqui. Vou morar com vocês". Fiquei desarmado. Foi a primeira invasão do Clóvis. A primeira invasão autênticamente bárbara. Naquela mesma noite fomos pra um festival de rock. Clovis ficou bêbado e quis voltar pra casa pra dormir. A gente deu a chave de casa pra ele. Nossa única chave. Quando voltamos de madrugada, batemos e ele evidentemente não acordou. Tivemos que arrombar nossa própria casa. Clovão se tornou um grande amigo. Entrou pro Grupo e começou como operador técnico. Era o pior operador técnico do mundo. Ele errava todas. Mas como ator, era um dos sujeitos mais carismáticos que já vi em cena. Ele nunca acertava o texto, mas isso não parecia ser problema para a platéia. Eles adoravam o Clovão. Vivemos várias situações juntos. Dava pra escrever um livro. Com certeza foi o amigo que mais saiu na porrada comigo. Quebramos vários bares em Londrina. Mas a gente sempre voltava a ficar em paz. Era impossível não continuar gostando do Clovão. A Chris e o Marcião me ligaram agora há pouco e me disseram que tavam indo pro velório. Eu não tava mais a fim de escrever textos pessoais nesse blog, mas não podia deixar de prestar essa homenagem (do único jeito que sei fazer) à um velho e grande amigo. Agora vou sair e beber, Clovão. Vou beber uma por nós. Tenho certeza que esse seria o jeito que você iria escolher pra me homenagear. Boa viagem, meu Amigo. "(Atire no Dramaturgo - um blog de Mário Bortolotto)

Vitor disse...

"Eu o conheci a muito tempo no Festival de Teatro de São José do Rio Preto. Era 1.989. A gente tava lá com a peça "Uma Fábula Podre". Acho que ele era jurado ou jornalista convidado do Festival. Não me lembro direito. Mas eu sabia que ele era um crítico de teatro de São Paulo. Acho que ele escrevia pro jornal "O Estado de São Paulo" ou o "Jornal da Tarde", não tenho certeza. Quando me mudei pra São Paulo, foi um dos primeiros críticos a resenhar favoravelmente o espetáculo "Medusa de Rayban" e depois fez várias outras críticas bacanas do nosso trabalho. Me lembro particularmente de sua ótima crítica do espetáculo "Getsêmani". Ele dizia que eu era uma espécie de Plinio Marcos que frequentou a universidade. Eu nunca frequentei a universidade. Fiquei uma semana no curso de Letras e foi só. Deu pra mim. Mas eu entendi o que ele quis dizer. Era que apesar de eu trafegar num universo similar ao do Plínio, minhas referências eram outras, mais literárias, por assim dizer. Tomei como um grande elogio, pelo Plínio e pelas referências. Achei uma definição muito próxima do que era meu trabalho e desfazia de maneira elegante (por mais que possa parecer o contrário) as constantes comparações apressadas e errôneas que faziam do meu trabalho com o do Plínio. Depois acompanhei sua saída do jornalismo pra ingressar de vez no mundo do teatro propriamente dito. Guzik finalmente se tornava o ator que sempre quis ser graças ao seu trabalho junto ao Grupo dos Satyros. Nos primeiros trabalhos, achava sua voz monocórdia e de difícil digestão. Depois fui me habituando ou será que foi o Guzik que foi se aperfeiçoando e se tornando verdadeiramente o ator que sempre quis ser? Fico com a segunda opção. A sua última interpretação foi com o texto do meu amigo Marcelo Mirisola: "O monólogo da velha apresentadora" em que Guzik entrava na pele de uma apresentadora de tv preconceituosa e muito engraçada decididamente inspirada em apresentadoras conhecidas do grande público. Lembro de me encontrar sempre com Guzik no "La Barca" (bar que fica ao lado dos Satyros onde costumamos almoçar de vez em quando) e de ficar conversando com ele amenidades sobre a vida e impressões sobre trabalhos em que estavamos envolvidos. Ele sempre parecia muito feliz com a escolha que tinha feito. Parecia que havia vivido uma espécie de libertação escapando do jornalismo crítico pra cair de vez na difícil tarefa de viver exclusivamente de "arte", justamente a arte que ele estava acostumado a criticar. Mais popularmente falando, tinha parado de ser pedra pra se tornar vidraça. Mas o mais importante pra mim é que o Guzik me parecia feliz.

Mais ou menos quando entrei no hospital, depois de ter levado os três tiros no final do ano passado, Guzik também entrou pra tentar se tratar de sua doença. Eu saí do hospital um mês depois, milagrosamente. Guzik continuou por lá, lutando heróicamente por sua vida. A vida que ele tinha reconquistado. E que agora estava injustamente perdendo. Ele se foi. Hoje. Fiquei sabendo pelo blog do Ivan Cabral (grande amigo de Guzik). Na verdade eu já sabia que ia acontecer. A Folha de São Paulo me ligou há dois dias atrás me pedindo um depoimento. O quadro dele era irreversível. Guzik se foi. Nós ficamos por aqui, mais sozinhos, um pouco mais desamparados e um pouco ainda mais tristes. Mas o mais importante pra mim é que o Homem Alberto Guzik fez uma opção de vida. Em tempo. Abandonou tudo o que não queria. E abraçou só o que queria. É bem mais do que a maioria consegue. E podem ter certeza: ele tava feliz." (Atire no Dramaturgo - um blog de Mário Bortolotto)

Flávia Naves disse...

Pessoas que se foram, o que dizer sobre elas, o que delas fica, o que delas não conseguimos deixar de dizer, o que delas foi tão forte que a todo momento em uma conversa retornam, que traços que características marcaram essa pessoa, pra nós, pra mim, somente pra mim.
Fiquei pensando nessas coisas ao ler essas postagens do Vítor. Porque também acho Diogo que "lembrar é uma forma de estar perto"

Dominique Arantes disse...

" tinha parado de ser pedra pra se tornar vidraça"

acho que é isso. Ser atravessado é tornar-se vidro. para quebrar e viver dos cacos, e juntas feitas.

Vitor disse...

compartilho

Fred disse...

obrigado, vitor.. sinto que preciso estar mais perto das coisas que o Bortolotto escreve.

me arrepiam.