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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

NA CASA DELA

A casa é dela. A casa onde eles estão, onde eles se encontram é a casa dela. Ali estão os livros que ela lia, os filmes que ela assistia, as coisas que ela gostava, os talheres que ela usava, as músicas que ela escutava, eles estão ali, como ali chegaram eu não sei, se todos chegaram juntos eu não sei, se um já ali estava e os outros chegaram depois eu não sei. Gosto muito da idéia deles já estarem ali quando a peça começa, e não sei se tem tanta importância tentar entender porque eles estão ali, na casa, dela, estão porque talvez a mãe dela (ou um parente) ligou para os amigos dizendo que iria se desfazer do apartamento,então se os amigos quisessem passar ali e levar as coisas dela que ficassem a vontade pois não gostaria de ficar com nada, talvez a mãe dela não tenha coragem de entrar no apartamento e pediu então para os amigos entrarem e levarem tudo. Ou não, também não sei se é preciso criar tanta história, as vezes penso que esse lugar é a casa dela (isso não me sai mais da cabeça) mas não precisa ser um espaço configurado como tal, não precisa se caracterizar como casa ou apartamento com todos os móveis que precisam caracterizar uma casa, penso que a casa dela é um pedaço de cada um de nós, nós enquanto artistas, nós enquanto Diogo, Marília, Fred, é um pedaço nosso e não dos personagens, pra mim ela era uma artista, não sei se atriz, escritora, decoradora, cozinheira, dentista, a questão é que ela era uma criadora, ela criava, ela era pura fertilidade e os personagens, pessoas comuns que talvez (e aí digo talvez mesmo) não alcançavam a complexidade que era essa artista, então se encontram ali naquela casa e mesmo sem querer entram em contato com essa vida que clamava, que pulsava, que pedia. Eles não precisam tentar entender porque ela fez isso, nem apontar culpados, acho legal que isso se vier que seja então do público, eles, o público, encaixarão as peças como quiserem, (o público pode pensar que talvez o filme tal tenha a influenciado, ou o livro tal a tenha instigado, tudo isso é bobagem), a questão é como as coisas surgem dali, aquelas pessoas, aqueles amigos naquele espaço, espaço vivo, cheio de beleza, idéias, criações, obras, fantasias, e como cada um vai entrando em contato com isso.

Não tenho certeza de nada apenas uma coisa eu volto a dizer: a casa é dela.

4 comentários:

Marília Misailidis disse...

Oba!

Diogo Liberano disse...

eu te disse, gosto disso... não precisa de detalhe algum. não precisam nem saber disso. eles sabem. e isso é o que importa.

Fred disse...

preciso expressar minha felicidade extrema quando leio posts escritos por nós mesmos, aspirantes a pilotos de dragões.

Gosto de referências externas e de autores outros mas confesso que tenho uma paixão avassaladora quando sinto que as palavras escritas são de um de nós. Talvez isso me dê a sensação de estar mais perto de vcs.

Marília Misailidis disse...

É verdade, Fred.É muito bom.Também gosto muito.Faço menos do que gostaria...to tentando entregar mais...