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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

começar no meio

é se permitir ser processo. aliás, mais que isso, ao falarmos em meio é inegável não chegar a noção de atravessar. porque um meio de atravessar é assumindo que há o meio, esse lugar, esse espaço, esse pedaço de tempo - essa espessura de tempo - na qual coexistem as pontas que me ligam ao que fui e ao que serei.

começa a fazer mais sentido pensar então eles assim ali no meio perdidos. perdidos não porque assim serão eternamente. mas porque naquele momento eles não sabem de fato o que os espera adiante. eles não compreendem sequer o antes, mas como o tempo passa, é possível sim seguir sem saber nada.

eu estou aqui pensando, são 07h37 desta segunda, o café já na segunda xícara tocando um pop no meu quarto. caramba. como estender a lógica do atravessar ao espetáculo? ok, não quer dizer que isso são escolhas, falo antes de especulações... como seria o espaço na lógica do atravessado. ele teria a porta entre a cena e a rua aberta? os telefones dos atores estariam em cena e não seriam silenciados?

que parcela de nosso peito - de nossa peça - podemos assumir assim, meio ao meio, meio que não fechada, meio que carente e ansiosa por ser atravessada? só especulações, para começar a semana engasgando e desengasgando, ou seja, em movimento.


Um comentário:

Marília Misailidis disse...

Ela podia ser uma peça de rua,não?Atravessada pela vida e pelo espaço.Por que só celulares?Que tal no coreto da praça são salvador?Com cachorros,moradores de rua,crianças brincando...Eles se reuniam sempre lá para uma cerveja?Penso que já decidimos que eles estudaram e se conheceram ou viveram no Rio.Penso que o enterro foi no Rio,pois queremos sempre entender e para isso trazemos nossas referencias.Onde estamos.Não?