\\ Pesquise no Blog

domingo, 16 de janeiro de 2011

videotape

ao som de radiohead eu queria escrever, apenas
a dominique está na sala, vendo o fantástico
eu tomei uma xícara de café
comprei uma cartela de dorflex por R$ 3,95 e tomei um comprimido
tomei um banho quente, estou já sem dor
mas continuo pensando em tudo
pensando no ISTO
nisto ao qual estamos nos destinando a construir
que difícil
que incrível
que sincero e capaz de doer
é engraçado porque não temos muito
temos muito pouco, é verdade
mas pela primeira vez isso não parece importar
é pouco mas preenche bastante
a dominique veio e pediu para eu abrir o vestido dela
e foi tomar banho
radiohead toca profundo e eu pensando que poderia ficar escrevendo para o resto da minha vida
que deixaria de ser diretor, de ser ator, de ser dramaturgo, de ser pessoa
para ficar existindo em meio às palavras
e vomitando combinações variadas
sempre mais e mais
até morrer,
sei lá
acho mesmo que não importa secar os assuntos
não vamos ter a pretensão de esgotar nada
porque nada se esgota
desde que se possa olhar um dado assunto ou objeto por outro ângulo
então
nada de esgotar o suicídio
nada de esgotar o esgotamento
apresentamos ao público o encontro de alguns amigos que estão um pouco que perdidos num dado momento, talvez porque acabaram de perder uma amiga em comum (como ela se foi talvez só nós saberemos), mas ela se foi e ao partir abriu em nosso meio esse buraco, essa coisa que não se explica mas que exige de nós seu reconhecimento. é muito difícil no final das contas, mas é coisa de um segundo, de um encontro que poderia ter rendido outra coisa. mas é que eles ali acabam se emocionando, se vendo e se percebendo e sendo assim, descobrem que está difícil seguir, está tudo engasgado
sei lá, gente
sem pretensão de eternidade
sem pretensão de totalidade
é um encontro
em tempo real
talvez
terá uma hora?
duas?
terá uma hora e meia?
será que quando o público entra eles já estão ali e já choraram tudo o que tinha para chorar?
a gente bem que podia começar já no meio
privando o público de saber de nossas angústias
mas dividindo com eles o nosso corpo doído e contorcido
golpe da dramaturgia
gráfico
não tentativa de explicação
não queremos ser aceitos
porque existimos independente de qualquer autorização
agora toca marisa
dizendo aonde vc for eu vor
e quando eu perguntei
ouvi você dizer que eu era tudo o que você sempre quis
mesmo triste eu tava feliz
e acabei acreditando em ilusões
eu fico pensando
ela se tirou de nossas vidas
no entanto
nos deixou aqui com nossas vidas (agora sem a dela)
é foda isso
é um furar de olhos
é um puxão de tapete
dá uma oxigenada profunda
dá uma tremedeira violenta
é quase ser afogado por um tsunami e sobreviver
é quase sofrer um terremoto e conseguir de novo se erguer
e só assim pude entender
que o grande mal que eu fiz foi a mim mesmo
sabe
eu comecei em 2008
um ano após ao suicídio da minha melhor amiga
eu comecei a desenvolver a dramaturgia e a direção de um monólogo
sobre suicídio
eu estava só pensando nisso desde quando minha amiga partiu
então, estava meio inevitável
o ideal seria produzir em cima disso para o assunto não me desesperar a alma
enfim, comecei o processo
ele se chamava FARPA
um dia vou fazê-lo, mas eu precisei parar
é engraçado porque a assistente de direção, uma amiga
um ano depois
cometeu suicídio também
e sabe?
eu não me perco em especulações
em culpas
em indícios pistas erros coisas assim que pudessem me fazer sentir culpado ou me fazer querer entender alguma coisa
eu não entendo nada
e essa afirmação é tão forte
tão sincera e real
tão inevitável, eu sinto
daí queria compartilhar com vocês o blog do processo
que está desabitado desde então
está parado
esperando força para ser vingado
esperando sorriso para apagar a dor sublinhada em cada investida
enfim
http://farpaprocesso.blogspot.com/
talvez minhas amigas nos ajudem a entender essa ficção que estamos querendo criar
é ficção cheia de vida
é ficção-invenção-da-vida
é fricção-da-vida
pararunderarurá
pararunderarurá
pararunderarurá
pararunderarurá
magamalabares aqua marã
ANCORAR NO MISTÉRIO, marília
NOTAS MUSICAIS, fred
OS LIVROS NÃO SÃO SINCEROS, flávia
NO MUNDO NÃO ESTÁ SOZINHO, diogo
FLORES QUE OFERTAMOS, nina
SUA VIDA É BEM VINDA, dodô
OUVINDO SININHOS, vitor
pararunderarurá
pararunderarurá
pararunderarurá
pararunderarurá
pararunderarurá

2 comentários:

Vitor disse...

por aqui sinto que a peça corre

escutar radiohead lendo vc, dps o blog e escutar magamalabares é uma viagem sem fim.

Flávia Naves disse...

senti seu coração pulsar aqui do outro lado da cama, do outro lado da tela. o que você disse me chega em carne viva, e esse misturar, esse misturar-se, esse ser tudo e mais um pouco, esse não abandono, esse querer tudo, sim, querer tudo, misturar tudo, escutar Rhiana e Marisa Monte, falar de morte e de flores, dançar um tango e ler Deleuze, fazer ovo mexido e tomar café com leite, dizer oi pra criança da janela e escutar os gritos da vizinha, olhar o céu, rir do nada, ligar para um amigo, escrever versos, gritar de alegria, chorar de infinita dor...isso é viver, essa é a vida, a VIDA e sem perguntas vamos seguindo, sem descartar nada, absolutamente nada, aguentar o feio e acolher o belo. Rir da queda e entender o tropeço. Falar de amor, fazer amor, ser amor!!!!
Ai meu Deus, estou fervendo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!