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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Joanna.

Acabei de chegar da Cobal. Ontem foi aniversário da Joanna e hoje foi o dia da comemoração. Éramos 5 amigos ao redor da aniversariante: fred, natasha, fernanda, rodrigo e bim. O bim namorou a fernanda por mais de 4 anos e terminaram não faz nem 2 meses (achei muito civilizado eles estarem dividindo a mesma mesa). O rodrigo nutre um amor platônico pela fernanda mas parece que ele realmente nunca terá uma chance (ela acabou de me contar que já está quase namorando com outro, um jornalista do trabalho). A natasha e a fernanda não se bicam muito mas também souberam dividir civilizadamente a mesma mesa. Eu encontrei com o bim dia desses numa festa gay e fiquei com a pulga atrás da orelha. Confesso que não sabia se podia tocar no assunto da festa ou não. Achei melhor perguntar da festa num momento mais reservado e ele disse que curtiu. E eu continuo sem saber o que achar.

A joanna foi a minha primeira melhor amiga. Nos conhecemos no primeiro dia da quinta série e nos víamos regularmente de segunda à sexta até o último dia do terceiro ano. Era aquele tipo de amizade de passar o dia todo junto e ainda ligar quando se chega em casa. Ela sempre esteve em todas as minhas peças, aplaudindo de pé da primeira fileira. Se um dia eu ficar famoso, é a Joanna que vai falar no Arquivo Confidencial do Faustão. Vivemos muita coisa juntos. Foram muitas risadas. Eu era o palhaço e ela era a santa que me fazia rir. Lembro que a Joanna nunca saía com a gente, perdia vários passeios e toda vez que a gente a chamava para algum lugar ela mandava o já esperado "vou ver..". Todo mundo ficava puto. Ela era filha de uma das professoras do colégio. Queria fazer teatro e a mãe não deixava. Queria fazer espanhol e a mãe só deixava o inglês. Queria ir à praia mas se achava gorda. Ela sempre gostou de Igreja e aquilo, naquela época, para nós, adolescentes, era meio incompreensível. As menininhas falavam das boates da moda enquanto a joanna batia ponto na igreja todo domingo. Aos poucos a gente foi percebendo o quanto esta adoração católica era estranha. Ou o quanto, talvez, nós éramos preconceituosos. Todos achavam que um dia ela ia virar freira. Ou santa.

Pois bem. Há poucos dias recebo um e-mail da Joanna falando que ela ia se mudar para Curitiba. Ela decidiu viver numa comunidade em regime integral. Tá largando toda a vida que ela construiu aqui para morar em outro lugar. Tive medo de perguntar se ela ia virar freira. Poderia ser ofensivo. Mas naquela mesa, hoje, todos pensavam em fazer esta mesma pergunta mas ninguém teve coragem. Na verdade, todos sabiam que uma hora aquilo ia acontecer. Eu não quero causar polêmica, respeito a decisão da Joanna mas tenho muita dificuldade em compreender esta decisão. Eu queria que a joanna vivesse. que ela fosse desmedida. que fosse mais Amy e menos Sandy. beijasse 5 na mesma noite. transasse sem camisinha uma única vez. bebesse tequila. fumasse um. dançasse até as pernas ficarem bambas. voltasse da night só na hora do almoço. visse mais o pôr-do-sol. fosse à praia comigo. gritasse. fizesse uma mechas loiras no cabelo. usasse um vestidinho curtinho de vez em quando. passasse batom, rímel e blush. que ela mandasse alguém tomar no cú.

Às vezes eu acho que a joanna nunca viveu de verdade. Hoje, no abraço de despedida, eu me senti abrançando um corpo sem vida. Como a gente mudou da quinta série até hoje.. Eu acho que ir para Curitiba é um suicídio na vida dela. Existem formas mais complexas de se suicidar. A joanna morreu mas ninguém tem o atestado de óbito dela.

7 comentários:

Vitor disse...

bem legal isso que escreveuu.
mas acho que ela nao está suicidando. acho que é uma escolha e tem seu preço. que preço estamos pagando hoje?

Flávia Naves disse...

Gostei de ler essa sua postagem, as imagens vinham fortes na minha cabeça e fiquei curiosa em conhecer cada uma dessas pessoas. Não sei o que pensar da Joana, entendo que te machuca ver uma vida desperdiçando vida. Mas é assim mesmo, cada um com as suas escolhas, talvez a Joana nunca fosse feliz com mechas no cabelo e cigarro na boca, talvez o mundo pra ela esteja em outro lugar, difícil de compreender porque muito distante de nós, mas existe sim felicidade em lugares que a gente nem imagina, até mesmo no mendigo da rua. estranho né?

Marília Misailidis disse...

Puxa,Fred.Obrigada.Essa história enriquece tanto nosso encontro.A parte isso,adoro ouvir histórias.Fiquei imaginando tudo.Tão cuidadoso,tão carinhoso, vc com todos.Também penso nessa morte em vida.Acho que chamaria de congelamento.Aquele que procurou o lugar seguro demais e vive sempre uma vida fosca,morna,sem extase.Acredito que haja felicidade nisso também.Mas se a vida é infinita e borbulhante e nunca vivemos o extase,acho que algo matamos.É como rir mas não gargalhar.Acho que é difícil ter conciência e acho que isso está na vida de todos.Tudo está na vida de todos.A diferença são as proporções.E que diferença...

Flávia Naves disse...

sim Marília, as proporções..

Diogo Liberano disse...

sei lá, acho a joanna mto foda
mto foda
mto mesmo.

ela aprendeu a domar a própria liberdade.
eu não.
eu tô longe disso.
e é justamente isto que me colapsa.
quanto mais livre
mais aéreo
mais sem gravidade
mais capaz de ser ver solto
e capaz de partir.

ela talvez tenha se dado um chão
firme
sólido
(não imutável)
mas pelo menos
menos movediço q o nosso

sei lá,
acho ela mto foda

Fred disse...

a gente tem que fazer a nossa peça em Curitiba para ela poder ver da primeira fileira. ;)

Marília Misailidis disse...

Não sei se acredito nessa maneira de domar a liberdade...Mas deviamos fazer em Curitiba com certeza!Ela faz parte deste projeto agora.