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sexta-feira, 25 de março de 2011

ensaio 05

25/03, unirio, sala 602
diogo, dodô, flávia, nina, fred, vítor, marília, amiga da flávia e gustavo guimarães.

SUZUKI

Eu tava na C&A quando eu recebi a notícia.
Eu tava na C&A comprando roupa quando o telefone tocou e eu recebi a notícia.

TRAJETÓRIA

Relembrar a trajetória de forma prática; VÍTOR + NINA + DOMINIQUE + MARÍLIA + FRED

VÍTOR + NINA + DOMINIQUE – parágrafo do Fred

A fala de Fred sobre a chegada da mãe no enterro cria outro tempo (mais presencial) que se aglutina à cena, visto que faz com que a ação dos meninos seja lida como algo já passado. É interessante pensar nisso. Como inserir o dia do enterro dentro do encontro presente entre os amigos, dentro do encontro que acontece três meses após o enterro?

VÍTOR + NINA + DOMINIQUE + MARÍLIA + FRED – Dominique olhando sempre para Marília

Salta muito. Por isso é importante saber ser neutro. Para fazermos saltar o que nos interessa.

VÍTOR + NINA + DOMINIQUE + MARÍLIA + FRED – Todos se olhando e desolhando

Ar de total desconforto e comunhão de algum segredo que só eles sabem.

Gente, eu estava chorando fazia já quase um dia que acabou me dando vontade de rir. Por que não? Ah, eu ri mesmo. E vocês não me condenem porque foi eu mostrar os dentes que todos começaram imediatamente a rir também. Então é tudo palhaço. Vocês viram a cara dela? Eu sei que na hora que a gente riu o caixão já tava fechado, mas vocês se lembram antes? Ela tava com um sorriso escondido no canto da boca. Filha da puta.

IMPROVISAÇÃO

Nina posiciona os braços na cintura. Vítor olha o céu e Dominique se vira, caminhando lenta para lá e pra cá. Marília segue buscando um olhar onde ficar e Fred parado não diz nada.

Nina se retira e volta ao banco. Junto com Dominique. Vítor abraça Fred e todos recuam em direção ao banco. Os moços sentam-se no chão.

Silêncio. Nina batuca o tempo. Nina tosse. Os olhares perdidos. Nina vigia a todos e Vítor se levanta. Angustiado. Fred com o olhar congelado no adiante. Nina impaciente. Duas falas ao mesmo tempo.

Vocês não querem comer lá em casa?

Eu vou pra casa.

Pra minha?

Não.

Eu queria que todo mundo ficasse junto.

Vamos, Dô.

Eu prefiro ir pra casa mesmo.

E se a gente fosse pra sua casa todo mundo?

Todo mundo?

E se a gente marcasse amanhã?

Amanhã eu posso.

Tá querendo ficar sozinha?

A casa perto da repressa tá rolando?

Aluguei. Não.

Eu não posso.

Amanhã de noitinha?

Você pode quando?

Vítor esmurra a parede e chora.

É melhor pegar um café pra ele.

Acho que ele já bebeu o bastante.

Um cafezinho.

Obrigado. Obrigado.

Gente, então, não sei. Quando?

Posso hoje, posso… Posso depois de amanhã. Eu vou ficar um mmês fora.

A gente pode se encontrar quando o Fred voltar.

Em maio?

Daqui a um mês?

Tô meio sem saber. Eu sei dizer agora. Daqui a um mês eu não sei. Vou ficar meio assim, a mercê dos compromissos.

Marquem o dia que vocês podem e eu dou um jeito.

Sabe o que eu acho? Eu acho que a gente gosta de tá junto, mas a gente…

Vamos se encontrar?

Quem não pode amanhã?

Nina levanta o dedo.

Vocês podem se encontrar sem mim.

Não faz sentido.

Vocês perceberam que a Tia Anita não fala que ela se matou?

Então é isso?

Acho que a gente se liga, Fred?

E a gente se atende?

Eu acho que a gente tem que ficar junto. Não tem que esperar alguém morrer pra gente ficar junto.

Mas eu entendo a Dodô.

Eu vou pegar algumas coisas no apartamento da Lila e a gente pode se reencontrar.

É. Tem que esvaziar o apartamento no mês que vem.

Vamos fazer isso rápido.

Mas a gente tem que tirar as coisas do apartamento.

 

IMPROVISAÇÃO 2

Fred se dirige imediatamente ao banco, desolado.

Nina se retira de costas, com as mãos na cintura , disanciando-se do todo e vigiando os outros.

Vítor se ajoelha e fala com a amiga.

Fred aponta para alguma coisa e causa leveza em todos. Comentam alguma lápide.

Sabe que uma vez eu vi um texto assim, de lápide…

Eu escreveria Enfim magro…

Vítor corre.

Nina – Vítor, chega ai, vamos conversar…

Vítor grita CAROL!!! VOA!!! E retorna ao banco, Desculpa, eu prometi isso pra ela…

Vou comer bolo no cemitério?

A tia Anita (comendo) pediu pra gente ir ao apartamento. Pegar as coisas.

Vamos hoje?

Eu acho o seguinte. Eu acho que a melhor maneira é beber.

Desculpa, mas eu não vou poder hoje não.

Dodô, olha pra mim. Vamos beber.

Dodô, eu te deixo em casa depois. Ou aonde você quiser.

Gente, não. Não dá.

Eu tô com a cópia da chave do apartamento dela, a gente vai comprar várias Stelas, que é a cerveja que ela gosta.

Vamos, Dods?

Não.

Eu não quero ir assim faltando gente.

Faltando gente já vai tá.

Então não, né?

(FALTAM TRÊS MINUTOS)

Sábado?

Eu viajo domingo.

Quando você volta?

Eu volto na quinta.

Acho melhor antes.

Mas não sei, se for depois eu acho melhor depois.

Dodô, eu voto sexta.

Você não entendendo, Dodô.

Eu não tô entendendo o que tá acontecendo aqui.

Todo mundo pode sexta?

Não senti firmeza.

E a gente?

A gente vai tá junto.

Ela disse que não pode.

Eu vou de táxi.

Eu ligo qualquer coisa.

Como sempre.

 

IMPROVISAÇÃO – REPETIÇÃO

Fred – O que não mata engorda.

Vai deixar os pais fazerem esse trabalho. A gente tem que fazer esse trabalho.

Eu vou daqui a pouqinho no meu carro maior.

 

IMPROVISAÇÃO – REPETIÇÃO – TROCA DE PAPÉIS

Vítor interpreta Fred
Fred interpreta Vítor
Nina interpreta Dodô
Dodô interpreta Marília
Marília interpreta Nina

Esse jogo testa a nossa capacidade de observação do outro. Observar o outro é observar a si mesmo.

Vocês sabem o meu número: 967048.

Nina e Fred se olham, sentados, enquanto ele estala os dedos. Aqui jazz.

 

IMPROVISAÇÃO – FRED E NINA

Pós-enterro. São estranhos. No banco do cemitério.

Oi.

Oi.

E ai?

Você não vai me perguntar se tá tudo bem, né? Porque não está.

Tirando…

Tá melhor agora.

[…]

Eu tô bem também.

Eu sei.

[…]

Eu pergunto por você.

Ah, que coisa linda, Fred. Eu tava com saudade.

Não são estranhos. Estavam distantes.

Você fez outra tatuagem

 

IMPROVISAÇÃO – Marília e Dodô

Tá bom.

 

VÍDEO DA MAY FLOWER.


Referências:

“As Horas” – Para Dominique
”Requiem para um sonho” – Para Marília

Um comentário:

Marília Misailidis disse...

ontem,voltei p casa depois do ensaio louca p tomar um banho e descançar.Quando desci no ponto de casa,ao invés de ir direto para meu predio,passei antes no Cate pra pegar um açaí e na locadora pra pegar uns filmes.
Que boa idéia.Entre eles peguei "Quincas berro d'água".
Sinto,Di.Mas "Réquiem para um sonho" não é o filme da minha personagem.
"Quincas bérro d'água" é.
Minha personagem é brasileira.Sinto falta de mais referências brasileiras na nossa lista.
"Réquiem"me remete a tudo que não pareciamos nos propor.A exposição do sofrimento interminavel da vida,lamentações e dramas sem fim.
A vida quer viver.Meu personagem quer viver.
Nosso velório me parece carregado de culpa e de coisas que não queremos dizer.
Eu quero o velório de Quincas.Os amigos juntos querem no fundo pegar aquele corpo e se apoderar dele.Transitar com ele pelos lugares que transitavam.Beber cachaça e não wisky.Embarcar juntos numa jangada com o corpo em meio a tempestade.Num grande aquecimento de uso em grupo.Em dado momento o corpo sem vida é jogado ao mar,onde passará a navegar pela eternidade.
Assim,nos encontraremos novamente com ela junto ao mar.

É difícil dizer isso.Mas sei que temos liberdade,personalidade e existência para isso.

Com todo amor.