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quinta-feira, 10 de março de 2011

Os filmes

Tento digerir tantas informações...Desculpem se não fizer sentido.Levem consigo o que lhes parecer melhor.

Me sinto indo para o front de batalha.

Vamos lá:

Ontem fui ver Biutiful.
Iñarritu tem um longo trabalho com a morte e me perguntei muito se este filme deveria estar na nossa bibliografia/filmografia.
Ele faz a escolha de mostrar a vida em uma esfera social diferente da que figura em nossos filmes.
Temos já definido que trabalharemos com nossa classe social?
Acho extremamente tocante como ele sabe captar a vida e o amor,ao mesmo tempo que capta a doença e a morte.Que sensibilidade.
Me doeu muito.Respeito o trabalho dele,acho que ele fala com propriedade e maestria do que se propoe.Mas de certo modo me sinto testemunha da miséria humana de uma maneira que pessoalmente não me interessa.Essa maneira de enfatizar que o homem chafurda na sua miséria.Me identifico certamente mais com o olhar metafórico de Stalker.

Me incomoda o avalanche de informações sobre a miséria e a falência do mundo como o conhecemos.Os jornais,a tv,o cinema...
Acho que o mundo é tão vasto e temos ainda uma capacidade tão limitada de apreendê-lo.
Acho que há uma arrogância na fala do homem.Como se tudo já tivesse sido digerido e alguém já decretou o fim.Quem disse que já entendemos e vivemos tudo?

Quando vemos "Ponto de Mutação" acho que isso fica evidente nas falas finais.A física fala de uma maneira muito arrogante.Parece em certo momento que os físicos já compreenderam todo o mundo.Então,o poeta diz que sente muito mas que não se identifica com a descrição dela ou do político de seres humanos.Nós somos algo mais.Algo talvez ainda sem nome.É preciso silêncio.É preciso ouvir o universo.

A vida é tão criativa.Me interessa explorar sua criatividade.

Lembro do video de Fernando Birri falando sobre o cinismo.Como as pessoas estão cínicas e divulgam esse olhar cínico do mundo.

Não me retiro de nada disso.A personagem da física me ajudou a compreender tanta coisa.A renovar o olhar.

O medo da dor não me endurece aqui.Mas queria positivamente me posicionar contra o cinismo.
Isso me parece extremamente importante.

Se o homem é ainda um universo a ser explorado e recriado a partir de sua criatividade.Se atravessamos um momento que identificamos como ponto de mutação.Quero recolher a memória do que é ser humano e nos reinventarmos.Deixar meu corpo vibrar seus espaços vazios no vazio do universo infinito.E começar por não achar me mais inteligente ou melhor que qualquer outra espécie viva ou não viva.Pois a terra,o fogo,as pedras e o mar são para mim fundamentais como abelhas.

Ainda ontem me disseram que um homem fazia calculos complexissimos a uma velocidade inimaginavel usando uma parte do cerebro que comanda os movimentos!

De todas as vastas possibilidades que temos.De tudo que não usamos.Quero deixar o cinismo para ultimo caso.

Me marcam agora as palavras:

-transgredir;
-cinismo;
-ponto de mutação;
-criatividade;
-beijar a energia pura;
-nós somos feitos de espaços vazios.

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