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sábado, 14 de maio de 2011

ensaio 24

13/05, unirio, sala 301
flávia, fred, marília, dominique, nina, diogo, vítor e gustavo.

AQUECIMENTO DE USO. dois em um. um em um. afagar, apertar, ferir, machucar,…, boca, mãos, o seu nela, o seu nele.
RAIA. [nina dominique vítor fred marília]

poderíamos nos perguntar qual é o motivo real de trazermos, a essa altura de nosso processo, o trabalho com raias. bom, claramente trata-se de uma busca, de um aperfeiçoamento da escuta entre vocês, atores deste espetáculo. busca-se também um corpo mais uno, mesmo que feito de partes distintas e específicas. a capacidade de vocês serem uma mesma correnteza, um mesmo ânimo, uma mesma dor ou notícia. tudo isso pode vir deste treinamento. enfim, estou aqui escrevendo e pela minha visão periférica, se assim podemos chamar (se assim pudermos acreditar), eu vejo o jogo de vocês. e não é para ser chato, mas me soa estranho como ele combina. como em muitos momentos o outro correu porque o outro lá da ponta correu também. quase como se fosse uma tentativa de encaixe, de fazer sentido. não é bem isso (nem o que está acontecendo, nem o que deve ser objetivado nesse jogo). o que está em jogo literalmente é eu saber que tenho um arsenal específico de movimentos, de ações, de cartas. e saber que lanço mão dessas cartas menos por escolher e mais pela imediatez da minha resposta. eu treino o meu corpo para ser instântaneo, eu treino meu organismo para ser espasmo, para inscrever no tempo a sua incompreensão (traduzida em salto corrida sentada ao chão deitada e andança). quer dizer, você passou por mim e antes mesmo de eu dizer você passou por mim, meu corpo já emitiu resposta. meu corpo pulou, sei lá, correu, meu corpo parou quando alguém lá na ponta pulou e estremeceu o chão. mas eu não busco o sentido enquanto jogo. eu jogo. o sentido quem faz é quem vê. a beleza do encontro, dos encaixes, das simetrias e assimetrias, sou eu espectador que faço, sou eu quem me divirto. exige uma desconfiança eterna. pode ser que eu, diogo, esteja escrevendo besteira. mas é só como vejo. fred se ergueu, depois marília, vítor virou e ao perder tempo para acentuar o “i” de seu nome, eu não pude responder à nina, nem sequer à dominique e tudo se perdeu. quero dizer: raia não é jogo para dar nome, é jogo para dar corpo e sentido. sorte a nossa que o passarinho lá fora piou e levantou o vítor e o jogo saiu daquela meia-pausa falseada, onde todo mundo quer se mover mas ao mesmo tempo todo mundo espera um estímulo para sair do lugar. não esperem, não se dêem essa função. vocês não devem procurar nada. tudo está dado. o corpo de vocês é o estímulo primeiro para correr saltar e morder. pulem, saltem, inscrevem e apaguem, façam e refaçam. esses momentos de silêncio não existem. num jogo de raia, quando vocês se descolam da parede inicial (com todos lado a lado e equisdistantes) a coisa toda só pode parar quando alguém de fora gritar PAROU!

Antony & the Johnsons – KNOCKIN’ ON HEAVENS DOOR
Adele – LOVESONG
Kate Nash – MERRY HAPPY
Air – EMPTY HOUSE
Radiohead – SUPERCOLLIDER
Damien Rice – GREY ROOM e ME, MY YOKE AND I
Hot Chip – HAND ME DOWN YOUR LOVE

ESPAÇO.

ocupar as quinas desse espaço.
entradas e saídas.
formas e gestos.
velocidade.
posição no espaço.
inácio sai carregado pelos outros.

COMPOSIÇÕES.

1) DESCOBERTA DE UMA CARTA SUICIDA DEIXADA POR LETÍCIA.

- uma carta
- um grito
- uma cadeira
- um líquido que escorre
- um uso da parede
- uma proposta de relação espacial que ao surgir perdura até o fim

Fred, Dominique e Marília.

Rita e Inácio dançam.

Onde se achou isso?
A Rita que me deu.
Rita, onde você achou isso?
No quarto da Lilla.

Não muda nada. Só faz doer mais um pouco.

A QUESTÃO ERA UMA SURPRESA, UMA INCÓGNITA, QUE SE DESVENDAVA ATÉ TODO MUNDO SABER DE UMA FORMA SOLITÁRIA, NÃO FALADA. E TALVEZ TER POUCA FALA.
UMA AGITAÇÃO, UMA EUFORIA, AO MESMO TEMPO TINHA ALGO POR TRÁS (ERA SINCERO, EUFÓRICO, MAS TINHA UMA QUESTÃO). OUTRO CLIMA APARECE QUANDO SURGE A CARTA. SAI O COBERTOR VEM O FRIO.

2) SOBRE A CULPA PELA MORTE DA AMIGA.

- um gesto
- uma repetição
- uma falta de ar
- uma proposta de figurino
- um lápis
- uma proposta radical de espaço

Nina e Vítor.

Eu tenho claustrofobia.
Eu tô passando mal, é sério.
Isso é piti.
Me conta uma história de lugar aberto.
Paineras. Pensa na Paineras.
Que que você disse pra Lilla?
Nada, Cecília. Melhorou?
Você é muito Maria Homem.
Eu falei, Lilla, vamos se tacar? Eu tenho coragem.
Como é que eu ia saber? Que quatro anos depois ela ia fazer isso?
Eu quero ficar uma hora sem falar com você.
Odilon, desculpa.
Acabou a falta de ar?
Acabou.
Acabou a composição então.

SITUAÇÃO LIMITE QUE EXIGIU UMA RESOLUÇÃO COLETIVA.
TINHAM BRIGADO E INÁCIO OS PRENDEU NO ARMÁRIO PARA QUE SÓ SAÍSSEM QUANDO ESTIVESSEM DE BEM.
DESCOBRIR JUNTOS UMA SAÍDA (A PORTA NÃO ESTAVA TRANCADA).

Um comentário:

Diogo Liberano disse...

nosso blog voltou, mas peço que cada um por favor tenha salvo no computador aquilo que posta, ok?

bjo! lindo ensaio o de sexta,,