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quarta-feira, 18 de maio de 2011

ensaio 25

18/05, unirio, sala 301
flávia, fred, marília, dominique, nina, diogo e vítor.

PANO.
RAIA.

Mais uma vez esse tipo de jogo me levanta trilhões de questões. Por exemplo, o que significa um ator agachar ao invés de se sentar? Parece preocupação boba, implicância, mas para mim é sobretudo algo de fato transtornante. Esse jogo se dá na manutenção de seus limites, de suas regras. Quando estas são ultrapassadas, pode-se dizer que um novo (ou mesmo outro) jogo se cria. E não é esse o interesse aqui.

Dos atores é cobrado o olhar na linha do horizonte. Não se pede necessariamente inexpressividade, pede-se apenas que deixem a articulação de seus movimentos sob autoria do acaso, da resposta automática (e não acostumada). Nós que aqui de fora estamos vamos juntando as partes e fazendo o todo ser sensível.

É um exercício para não fazer sentido. É, antes, para fazer sensação. Agragados sensíveis. Para dar arrepio. E, via isso, promover comunhão.

Não é ballet de movimentos precisos. É antes resposta. Eu não respondo ao nada, eu sou resposta concreta a alguma coisa que me afeta, resposta a algo que me perfure e invada. Mas não há tempo de teorização. Não há tempo para isso que aqui eu escrevo. Eu, jogador, eu, ator, devo estar atento ao instante apenas no qual meu corpo é atravessado pelo seu (mesmo quando não juntos).

ENTRADAS E SAÍDAS.

Rita > SALA; MENINOS
Inácio > QUARTO > SALA BU! > QUARTO IDIOTA;
Cecília > SALA OI > QUARTO ELE;
Odilon > SALA RITINHA;
Rita > SALA > PORTA DE ENTRADA ANDRÉIA;
Cecília > QUARTO > SALA ODILON;
Inácio > QUARTO > SALA VEM;
Andréia e Rita > PORTA DE ENTRADA > SALA OLHA FORÇA;
Cecília e Inácio > SALA > QUARTO VEM CADERNINHO;
Andréia > SALA > QUARTO TROUXE > SALA JANELA;
Odilon > SALA > QUARTO VOCÊ VIU;
Cecília, Inácio e Odilon > QUARTO > SALA PAREDE BAGULHO FECHADO.

TEXTO.

cheguei qualquer coisa eu tô aqui tá?

bu!
não, eu tô cansada.

oi, você tá com medo?
estranho fica comigo.
tô lá no quarto.

18 andares.
eu não quero falar sobre isso.
custava ficar parado.
andréia.

ele não sabe dividir.

vem, cecília, pra depois não falar que eu tô roubando.

palhaçada.

olha.

vem, bloco de notas.

eu não trouxe comida. a gente veio aqui pra resolver coisa prática.
eu posso ir ao banheiro.
não tem nada.
você viu?
seus olhos?
sim.
pano de chão, tudo empoeirado.
eu vou ver no quarto.
deixa a rita.
tá sendo complicado.
alguém achou que ia ser tranquilo.
restaurante.
ninguém tá falando disso.

como você tá fazendo pra se esconder?
me esqueci.
como você explica isso?

vocês viram o que eles fizeram, as janelas tá tudo cimentado.
como se não tivesse nada ali, como se tivesse sido tudo daquele jeito.

temos que dividir as coisas.
eu quero embora.
cala a boca, inácio.
eu achei uma puta escrotice.
eu tô com fome.
para de fingir tranquilidade.
cada um vai e pega uma coisa.
isso aqui não é shopping center.
vai, gente, não vamos ser velho.
vai ser divertido.
acabar logo com isso.

ESTÍMULOS PARA CRIAÇÃO DOS JOGOS:

1) ESTÍMULO GERAL:

Futura postagem intitulada O DRAGÃO POR ELES CAVALGADO;

2) ESTÍMULOS ESPECÍFICOS:

Fred – texto produzido para ensaio O DIA DO ENTERRO;

Nina - texto produzido para ensaio O DIA DO ENTERRO – PARTE II;

Dominique – cena produzida para ensaio iniciada com a rubrica Sala imensa de paredes vagas recém-pintadas a branco cor de morte…;

Marília - cena produzida para ensaio iniciada com a fala de Inácio – Conta pra eles, Rita;

Vítor - cena produzida para ensaio iniciada com a fala de Rita - (entrando) Meninos? Tia Anita? A Rita chegou. Tem alguém aqui?

 

Do blog de VAZIO É O QUE NÃO FALTA, MIRANDA, retiro o seguinte trecho de um relatório de ensaio:

Por último, a Flávia comentando a improvisação disse que enquanto jogava no registro META, tudo o que era feito lhe soava como DESISTÊNCIA. Enquanto que no registro TEATRO, os movimentos sugeriam TENTATIVA. Desbravando sua fala, percebemos, que tudo o que no regristro VIDA soa como desistência, pelo TEATRO se converte em tentativa. E isso é lindo. E sinceramente, sincero ao extremo.

 

Ler os relatórios dos ensaios, sobretudo, a parte sobre as raias.

Cronograma dos próximos ensaios.

3 comentários:

Marília Misailidis disse...

Nesse ensaio destacou-se para mim:

-A releitura do aquecimento de uso;
-Entrega ao lenço verde;
-A necessidade de entender como jogar VP;
-Apesar de cairmos na energia novelinha para tentar entender os personagens,não é o que buscamos.É preciso sair desse lugar;
-É preciso partir precisamente do texto.Decorar com mais firmeza;
-Criar novo jogo apartir de jogos passados;
-Vamos falar com outras pessoas para entender melhor o que estamos nos propondo.

Esse último ponto me marcou especialmente.Vejo como nos colocamos em campo movediço em todos os sentidos possíveis e imagináveis.(Lembro da Nina dizendo:"Vocês sabem da gravidade disso tudo?!")Talvez isso filtre comunicações e resultados.Vide o que acontece no VP.


Fica a vontade de seguir tentando jogar VP e entregar me a real proposta e não ao que fiz dela.

Desencontros a parte,acho que estamos num incrível caminho.Não paro de me surpreender com a grandeza do que estamos nos propondo e da força e amor que temos para nos propor isso.

beijo na bunda e até sexta ;o)

Diogo Liberano disse...

exato
nossos comentários servem para tudo menos para frear o caminho!
estou escrevendo a postagem do DRAGÃO
já vou postar.
bjos e até sexta,

diogo

Flávia Naves disse...

Nesse ensaio, nossa conversa sobre COMO A IRONIA SE MANISFESTA EM CADA PERSONAGEM é algo que não podemos esquecer. revelador...