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sábado, 14 de maio de 2011

ensaio 24

Ontem eu chorei. Assistia à improvisação da Marília, do Fred e da Dominique e me emocionei. Já estava sensibilizada por conta da improvisação anterior realizada pela Nina e pelo Vítor. Sabem o que aconteceu? Eu vi vocês. Ali naquele espaço, naquela sala de ensaio da sala 301 da Unirio eu vi vocês inteiros, eu vi vocês sofrendo e rindo, eu vi vocês lutando com esse dragão que foi colocado no meio da sala, eu vi tudo isso e pensei: que crueldade estamos fazendo, eles tem tanta alegria, tanta felicidade, tanta vontade e estão sendo atravessados por uma dor inaudita e invencível, porque não poderíamos tê-los deixado em paz? PORQUE DECIDIMOS ENTRAR EM GUERRA?
Meu pensamento de mãe. Ali naquele momento me reconheci como uma mãe se reconheceria, a mãe que quer proteger o filho de todo o mal, a mãe que quer carregar o filho debaixo do braço e que pede a Deus pra deixar que todo o horror e sofrimento sejam descarregados nela e não nele. Eu sou mãe, eu tenho um filho, resolvi pari-lo e ao contrário dessa mãe que de tanto proteger o olho do filho o deixa cego, por mais que eu sangre, decidi dividir com ele todas as minhas alegrias e também todas as minhas dores. E esse filho agora me escorre lágrimas nos olhos porque está compreendendo melhor do que eu aquilo que me engolia, esse filho me mostrou que sabe, as coisas são assim mesmo, belas e trágicas, feias e lindas, tristes e mágicas. Só posso agradecer....

COISAS QUE FICAM

A tensão que existia durante todo o improviso de vocês.

No improviso da Nina e do Vítor,
A MISTURA ENTRE:
brincar e falar sério
dar tapa e dar beijo
xingar e sorrir
gritar e acalmar
ficar e partir

os dois fazendo a cena, e os outros três do lado de fora, mas sentados tão juntinhos e Nina e Vítor por vezes se dirigiam a eles que acabei vendo uma cena em que Inácio forçou Cecília e Odilon a ficarem juntos em um espaço apertado, até que eles fizessem as pazes. Como se fosse uma brincadeira proposta pelo Inácio, um jogo como tantos que eles fazem e que só eles, esses amigos fazem.

No improviso de Dominique, Frederico e Marília,

A dança, a música, aquela música, música que faz parte da história deles, música que quando toca eles se olham e GRITAM e começam a cantar e dançar juntos, e é nesse momento e não outro, é nesse momento que Rita toma coragem pra mostrar a carta aos amigos, a carta-suicídio da Lilla, um por um recebe a carta, a lê e para de dançar, param virados para a parede, de costas para o público, agora são eles parados, de costas e a música continua, aquela música.

PRMEIRA PARTE DO ENSAIO

Aquecimento de uso, explorar a boca, o rosto, a mão,
Não se desligar do corpo do outro, tentar deixar o seu corpo em contato constante com o corpo do outro.
esfregar, bater, arranhar, apertar, morder, afagar, deslizar, percorrer

Exercício das raias colocando-os em escuta, ampliando os sentidos, abrindo o olho, a boca, o nariz, o ouvido.

Trabalho no espaço delimitado pela fita crepe, o espaço do apartamento
Observação do espaço, tocar o espaço, provocar o espaço, conhecer os limites desse espaço, as possibilidades desse espaço.

Atenção à forma e aos gestos do corpo NO ESPAÇO.

ATENÇÃO ÀS ESCOLHAS

No espaço, juntos:
- eles tentam arrancar os pregos da parede
- eles tentam trocar uma lâmpada
- se colocam de cabeça pra baixo na parede
- eles deitam todos no chão

Um comentário:

Marília Misailidis disse...

Nunca entendi como pessoalmente me marca a questão de estarmos juntos ou separados como entendo quando estou com vocês.Que trabalho de entregar,abandonar a cabeça dispersa para chegar ao encontro.São tantas tentativas de encontro em sequência.O aquecimento de uso,as raias,entrar e sair juntos do espaço,compor juntos.

Me marcou nesta sexta o encontro nas raias,por um momento nos encontramos.Eu não podia ver,mas sentia os incrívelmente junto comigo.E o entrar e sair juntos daquele espaço.

A idéia de cecilia e odilon juntos no armário me lembrou uma cena de E.T.

Queria aprender a fazer durar mais a energia que surge quando estamos juntos.

Que ambição...

Talvez deva apenas aprender a admirá-la ao passar por nós...

Talvez.