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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Para Inácio,

Débito

Mais uma dose. Eu peço,
e preencho a caneca novamente com café.
Que óbvio eu sou, não? Eu penso.
Que seja. É bem assim que tem que ser.
Estás cansado? Pergunto-me.
Sim, talvez um pouco, sim. Nunca respondo.
É que fora, eu acho, percorre plena de mim a minha vida.
Ela indo nas escolhas que não fiz
Ela indo no que ainda não fui capaz,
mas voltando
toda noite
feito vida que se redunda em sonho.
Mais outra dose. É doce,
eu então desisto e peço a conta. É caro.
Eu passo o cartão. Eu vou consumindo tudo até ficar só
e refém da sua ajuda da sua cooperação da sua presença.
Estás pobre? Pergunto-me.
Sim, talvez sempre estive, sim. Retiro-me.
É que dentro, ser pobre, diz respeito a todo o mistério.
Ele indo junto no passar dos segundos
Ele ficando fixo no seu sorriso ou no escuro
mas voltando
toda noite
feito sexo assumidamente inseguro,
mas preciso.

3 comentários:

Fred disse...

é..

quando o inácio achou que a partir de então seria só riqueza e abundância, a lilla instaurou novamente a pobreza nele. a podreza de dentro;

Fred disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fred disse...

É caro.
Tudo isso é muito caro para mim.
Eu passo o cartão.
Eu vou consumindo tudo até ficar só.
Débito.
Cartão de débito;