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sábado, 2 de abril de 2011

Tatuagem

Dois ambientes. Cozinha e sala divididos apenas por uma coluna. Um ambiente agregava, gerava conflito, tinha a cor forte, tinha corpo e ouvidos, palavra e movimento (sala) o outro era silencioso, paciente, era como um regaço pra chorar, uma mão para acolher, tinha a cor branca, a solidão e a calmaria (cozinha). Nos dois ambientes nenhum móvel. Abraços fortes. Quase pude ver Nina e Vítor se cumprimentando com um beijo, senti frio na barriga. Marília e Vítor se jogam no chão ao mesmo tempo. eles deitam no chão. eles sentam no chão. Fred uma metralhadora, é bom com as palavras, perde o amigo mas não perde a piada. Marília que chegou quase sem cor foi perdendo o pouco da cor que tinha. Vítor calmo com uma linda camisa. Nina sente muita vontade de fumar. Fred passa dos limites. Dominique deixa a comida queimar.
Marília sai da sala entra na cozinha, Vítor chega em seguida e ela desabafa fazendo um gesto como se quisesse jogar alguma coisa na cabeça do Fred, ela e Vítor conversam eu nada escuto mas consigo compreender do que ele estão falando. Marília e Dominique sentem mais necessidade do que os outros de tomarem fôlego na cozinha.
Todos juntos um ao lado do outro sentados no chão da sala encostados na parede, lembram de situações em que estiveram juntos: não dá pra esconder o que sinto por você ará, não dá, não dá , não dá, não dá, só sei que o corpo estremece, as pernas desobedecem....cantam juntos, despretensiosamente, sem esforço, por vezes em tons diferentes, riem um pouco e logo voltam ao vazio em que se encontram.

2 comentários:

Fred disse...

gosto do momento em que conversávamos freneticamente e, de repente, paramos de falar. Eis que os sons que fazíamos durante a fala aparecem. Seja um calcanhar que batia na parede ou o estalar dos dedos. Acho que o momento de suspensão da fala dá voz à voz do corpo.

Marília Misailidis disse...

bonito isso:"a suspensão da fala dá voz à voz do corpo"