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sábado, 16 de abril de 2011

15/04

Hoje Flavinha não pode estar presente em nossa sala de ensaio e esta é a minha tentativa de passar a ela um pouco do que vivemos juntos hoje.Por outro lado,sinto que dessa vez também me disponho a algo novo.Dessa vez não sento em frente a tela apenas para descrever,mas para,como co-autora registrar o que para mim ficou.

Confuso?

É que hoje,após chegarmos e nos esticarmos um pouquinho individualmente como sempre fazemos, tão logo sentamos em roda o Di disse mais ou menos o que escreveu no post mudança de planos:
"como estarei conduzindo o ensaio sozinho nesta sexta – sem ameida neves – optei por desperdiçá-lo. claro que ainda há a possibilidade de tornarmos nosso encontro algo muito potente, por isso, levo uma proposta radical que poderemos cumprir ou não. o negócio é tentar e fazer. mas parto do pressuposto de que tudo já está perdido."

E, sem dizer exatamente o que iamos tentar fazer ainda, continuou dizendo que conseguimos um edital que na verdade parece ter pago para ver como realizaremos o que nos propusemos.A medida que levamos isso a frente surgem as questões:

-O que é processo colaborativo?Ou por outra:como funciona o nosso processo colaborativo?

Idéias que ficaram para essa questão:ainda sintetizarei em texto a parte.

-(pensando apartir do comentário que o Fred fez no blog)O que ficou dos ensaios que já fizemos?

Idéias que ficaram para essa questão:ainda sintetizarei em texto a parte

Então, fez a proposta de hoje:

Vamos fazer a 1a cena da peça hoje?

Di contou um pouco do processo da peça "Rebu".Como Jô trazia uma cena,os atores pensavam sobre,propunham outra coisa,Jô trazia novo material,eles montavam sem saber qual seria a próxima cena...

Dados importantes antes de começar:

1-)Vamos montar o prólogo no espaço delimitado no chão.Vamos plantar aí todos os problemas que veremos no desenrolar dessa história.Ele é como um campo minado que contém as indicações de como vamos continuar e de tudo que explodirá a seguir;

2-)A cena indica uma história já em processo.Ela "começa no meio" de algo(indicação importante:todos já sabem o que vão levar);

(obs curiosa e importante:"na sala vianinha escolhemos,cada um,um número aleatório e dissemos esse número para o Di.Pois bem,ele se refere a um dos capítulos do livro "A Arte da Ficção".O número que dissemos é o número do capítulo que marcará nossos personagens.)

(Nesse momento Gustavo se junta a nós)

3-)Eles estão sentados,desolados (como na foto tirada por Di em ensaio anterior) lendo lista das coisas que vão levar (a questão da lista tinha a ver com o número do capítulo escolhido por Nina,ela deve fazer e ler a lista);

Do que se seguiu ficou:

Inácio,Rita,Cecília,Andréia e Odilon sentados no canto direito da parede ao fundo.Uma parede como essas de casa então ocupada e agora com marcas de quadros,furos de pregos.Vazia e cheia de vestígios.
Aprendi nesse momento um pouco mais do que são esses dois meses que se passaram desde o enterro.Eles tem força o suficiente para ir até lá,decidir o que vão levar,mas a visão do apartamento despedaçado,o peso do primeiro encontro sem a sexta amiga paira denso no ar.Eles estão ali desolados, com os corpos enraizados, abandonados ao chão, mas com um olhar que vai aos poucos respondendo a estímulos exteriores.
Inácio faz o movimento inicial para tentarem sair dali.Cecília incomodada retruca.Rita no meio do tiroteio, após tentar tampar os dois ouvidos diz que talvez seja melhor remarcar para outro dia, ela tem fome, isso a irrita, essa vida gritando nela neste momento a irrita mas ao mesmo tempo ela quer ouvila. Essa é sua maneira de tentar sair do chão, de somar-se a voz de Inácio que lembra que devemos continuar. Mas eles não tem comida. Andréia trouxe um vinho.Inácio acha melhor tomarem Minalba provocando/protegendo Odilon.
Inácio levanta e provoca um a um da fileira que está ao chão.Odilon vai para cima de Inácio.Cecília e Rita tentam conter. Cecília segue segurando Odilon. Rita começa a achar inadmissível aquele tipo de agressividade naquele momento.
Formam-se dois grupos,cada um de um lado da sala. Um Inácio e Andréia,que de repente parecem estar um igreja evangélica. Do outro, Odilon, que fala com Cecília, que fala com Rita,que diz que vai embora.
Rita:Eu vou embora,eu vou embora,eu vou embora,eu vou embo(splash!)Inácio rouba lenço de Andréia e joga na cara de Rita que joga pra...e joga pra...e joga pra...e joga.
 
Obs:Sinto que a preocupação em criar texto é talvez o mais difícil durante as improvisações.A cabeça restringe.Agora que estruturamos uma proposta de começo,adoraria refazê-la só nas intenções,só no aquecimento de uso.Cada um na sua lista de intenções.Aprofundando,crescendo e limpando esses corpos.Que tal?
 
"A vida inventa!
A gente principia as coisas no não saber por que,
e desde aí perde o poder de continuação
-porque a vida é mutirão de todos
-por todos remexida e temperada"

"Grande sertão:veredas";Guimarães Rosa

2 comentários:

Marília Misailidis disse...

Amores,
Pensando e buscando sobre processo colaborativo,descobri este valioso trabalho:
Dissertação de Mestrado usp
"Da cena ao texto:dramaturgia em processo colaborativo"
Autora:Adélia Maria Nicolette Abreu

O trecho de Guimarães acabo de achar na tese dela.Estou lendo e está sendo útil para mim.Deixo aqui essas informações caso alguém mais se interesse.

Diogo Liberano disse...

quanta coisa bonita vc registrou, marília
lembrando apenas que vcs não devem se limitar na produção do texto em cena, deixem fluir, não se preocupem
estamos do lado de fora escolhendo e tramando as escolhas,,,
mas vcs é que as lançam
então
lancem mesmo!!

amazing,,,,,