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terça-feira, 19 de abril de 2011

Tinha um gosto.

Tinha um gosto feito cebola, que arde e corta e fica na sua boca por um longo tempo, por mais que os dentes sejam escovados ele fica ali. E que também  é um detalhe essencial em todos nos pratos, apesar de nunca ser o principal.   Na verdade, tinha um gosto que parecia cortar, como quando se corta a língua quando o tempero de é de maracujá, ou quando a laranja está azeda.  Não era feito macarrão alho e óleo, que nos serve para matar a fome, mas não para ser experiência. Tinha um gosto expressivo, porém não era um gosto de uma receita francesa requintado, parecia mais farfelli com berinjela e manjericão, que é uma mistura de quase tudo, de origens e gostos. Porque era um gosto assim, nada pré-definido, feito receita que você reinventa para parecer ser de verdade e não só cumprir.  Às vezes azedava, podia dar enjôo.  Naquele dia, tinha um gosto doce, como quem quer adiantar a sobremesa, e como quem nega toda aquela burocracia da etiqueta do jantar, sem precisar da entrada e do prato principal. Era um gosto suave que você delicia e que te faz querer alongar  o mastigar.

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