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quinta-feira, 7 de abril de 2011

para a moça do depois:

o que fica de hoje:

- já temos uma ausência que sempre grita. Não aguentamos outra.

- fizemos uma improvisão em que trabalharíamos a simultaneidade de 2 improvisações. Eu e marília na sala do apartamento da Lilla. Vítor e Dôdo no corredor. Meu mote era: entrar primeiro no espaço e, sozinho, me permitir vivenciar algo não possível de continuar sendo vivenciado quando Marília chegasse. E, durante a improvisação, meu objetivo era inverter o jogo e dar à Marília aquilo que eu estava sentindo quando estava só. Me parece que só tive êxito no meu objetivo na segunda vez que tentamos. Confesso que me pareceu ser muito forte eu chorando abraçado à Marília e, ao mesmo tempo, sendo porta-voz de uma discurso que era para mim ("chora não.. força.. tá tudo bem.. olha, eu tô aqui."). Tinha um ruído na comunicação, corpo\situação e fala não estavam dialogando. Achei isso bom e desesperado.

- Nesta segunda improvisação tínhamos um objetivo claro: rir, gargalhar até que diogo ou flavinha determinasse o fim. Ou seja, nossa improvisação terminaria numa gargalhada histérica. Quase como aquelas de segunda-feira.. no corredor.. pós-aranha. Na segunda fizemos, mas hoje não conseguimos reproduzir. Falhamos ? Nem todos entenderam a proposta.. chegamos à conclusão que é muito importante OUVIR as propostas. Talvez falar menos, comer menos.. não sei.

- agora o mais imporante foi saber hoje que existe na improvisação um espaço possível de experimentação que pode beirar o inverossímel. Não podemos temer o ridículo e o grotesco. Temos que propor.e ir fundo na proposta. Podemos abandoná-la quando quisermos mas vamos até o fim primeiro. Deixa a lapidação para mais tarde. Podemos ser fake agora, né ? acho que é o momento da descoberta. Ou seja, se é para rir, vamos gargalhar e pode ficar no automático\no cumprir com as regras\pode parecer que não é verdade mas vamos até o fim. Não adianta a gente estar sentindo o dragão dentro e não expressar. É como se pedissem para gente uma ultrasonografia para o dragão aparecer em imagem. Penso mesmo que tudo pode ser maior. Mais explorado. Talvez isso explique para mim a questão do estar cômodo. Penso que compulsão pode ser uma boa palavra neste momento. Temos que experimentar.

p.s.: mas não acho que este espaço que agora está claro para mim tenha sido exposto antes. Parece que é a partir de hoje que temos que lidar com esta possibilidade.

- conversamos sobre o nosso futuro. Sobre o Tempo Festival e queria dividir isso: não podemos deixar que as possibilidades futuras (novas para todos nós e lindas e tentadoras) vire um dragão. É bom saber que tudo isto existe mas não vamos nos deixar paralisar. Existe um trabalho do agora que é mais importante que o futuro duvidoso. Talvez saber de tudo isto só nós dê mais força ainda para a descoberta desta cavalgada.

- para os diretores: qual a importância dos lugares sugeridos para a ambientação das improvisações ? será que não seria bom a gente sair um pouco daquele apartamento ? um domingo no parque ?


pensamentos de um insone.

7 comentários:

*Vendetta* disse...

estado de gato

Diogo Liberano disse...

sim, sairemos do apto
não há dúvida,,

Diogo Liberano disse...

lembrando algo que foi falado no ensaio: pensar que quando a dramaturgia for entregue (e vcs receberão um texto fechado e pronto) a partir desse momento nós precisaremos efetuar - de fato - a construção dos personagens
por enquanto, por mais que saibamos várias coisas, a ordem é se contradizer e tentar tudo

!!!
tá complexo, né?
ainda bem!
bjos,

Flávia Naves disse...

MARAVILHA FRED É ISSO MESMO!

Marília Misailidis disse...

Minha querida moça do depois,os comentários redundantes que se seguem são minhas anotações do ensaio de quarta para você:

Improvisação:

-Não importa ver a cena pronta,importa nos explodir novos materiais;

-esqueçamos o que selecionamos para nossa personagem,devemos saltar rumo ao desconhecido e seguir as propostas até o fim.Não precisa ser convincente,o importante é ir até o fim;

-Esta semana tivemos 2 baixas.2f não tivemos Vitor e hj não temos Nina.Talvez Nina esteja com dengue;

-precisamos aperfeiçoar o jogo do lenço;

-não basta que as coisas se passem dentro de você,é preciso externá-las,entregá-las para o mundo;

-Abril e Maio trabalharemos propostas de improvisação para Di e Flavinha modelarem;

-Em dado momento di vai trazer pronto o texto que ele criou apartir de tudo que estamos fazendo;

-vamos sair da vibe dramaturgia para a vibe levantar a peça,é nesse segundo momento que os personagens se firmarão em detalhes;

-Maryna estréia novo trabalho 11 de abril e depois ela começará a frequentar os ensaios;

-NÓS ESTAMOS SUPER DENTRO DO TEMPO FESTIVAL!!!!mas ainda vamos receber as datas de estréia,firmar contrato e etc...;

-em julho,como parte de nosso trabalho no festival,apresentamos algo que represente o nosso processo.

Bem,é isso Ninoca.E aí,foi no médico?Bom te ver,mesmo que de longe,ontem.Sinto que a apresentação de Ten Xi foi entre muitas,muitas coisas um bom exemplo do lugar que as improvisções e a entrega podem nos levar.Sai de onde estava no 1o ato para chegar mais perto no segundo.E fiquei quietinha e saí de fininho para manter ao máximo todo aquele encanto.Mande novas quando puder.

Dominique Arantes disse...

o que mais fica:

Precisamos sair da compreensão e dizer com o corpo, voz e presença. Ultrapassar o conforto. Explodir, para depois saber o que se joga fora.

É complexo pq vira escolha, contradiz a abertura proposta nos primeiros ensaio, onde nos propomos abrindo e deixamos o espectador escolha. Mas é totalmente compreensível: momentos somos escolhas e momentos somos abertura.. É isso, ou não. P

Vitor disse...

fred concordo com vc em quase tudo. e com a flavinha quando diz que somos como grao de areia, que ha dragao entre nós mesmos. mas discordo quando diz que faltou escuta pelo mesmo motivo que concordo com a Dodo ao dizer:"contradiz a abertura proposta nos primeiros ensaio". nao estou criticando a complexidade. ha ruidos compreensiveis e repito que talvez seja essa identidade, caso digerida, uma grande força do processo. é o que consigo pensar agora. inquietação é uma palavra recorrente nos ultimos dias e o que disse é o que consigo entender com ela. talvez esteja completamente errado. quero escutar voces. ate amanha na sala.