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terça-feira, 12 de abril de 2011

ensaio 12

11/04, unirio, sala 301
diogo, fred, flávia, nina, vítor, marília e dominique.

AQUECIMENTO DE USO, inácio odilon cecília andréia, diz rita. chão chão chão sentir olhos costas ai sobre as pernas embaixo cabeça mexer cintura gesta chão mão toque cabeça cabelos enrolados cabeça esfregar sentir cabeça mãos costas alongar necessidade voa ai necessidade braço peso contra-peso puxar sentir chão pêndulo pendurar grudar ai falar corpo parece uma mãos massagem toque mãos ai toque carinho bicho abraço suave chão tem várias cores massagem cabelo tem rosto sentir boca testa suor boca peso contra-peso divisório a parede em duas partes não divide mãos braços quente gelado […] do gesto cotidiano explode-se a poesia. abraço, tirar cabelo do ombro, um pedido de desculpas, um esporro, maltratar um corpo, brincar com o outro, brigar com.

10h >>> CENA 1, com objetivos:

primeira tentativa

odilon – exposição lenta da irritação;
andréia – ações paralelas para não sucumbir às provocações;
rita – devoção a cada palavra dita pelos amigos (para bem ou mal);
cecília – oferecer sempre um contra-argumento ao que julgar equivocado;
inácio – querer alegrar os amigos;

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começam caminhando pelo espaço, dispersos. todos param, só cecília e inácio que andam.

inácio – é curioso isso, essa palavra free num cotoco de cigarro. vocês sabem o que significa? não? não? não? significa liberdade. a lilla bem que podia ter ficado só no cigarro.

andréia fecha janelas.

cecília – você tá sendo mesquinho, inácio.
inácio – eu tô na real faz tempo.
cecília – você tá transformando tudo isso numa divisão de bens.

inácio levanta cecília. odilon o afasta dele e o derruba no chão. andréia explode com inácio. inácio carrega andréia no colo e a faz de cachorro. os amigos a acodem.

cecília – tá tudo bem?
inácio – tá. machuquei um pouco. eu tenho plano de saúde.

< fred continua numa segunda tentativa:

inácio tomba cadeiras.
cecília as põe na posição normal.
inácio, depois de tentar se relacionar com os amigos, acaba fazendo aquecimento de uso com a cadeira e fica preso.

cecília – você é muito babaca.
odilon – olha pra mim, eu falei pra você parar.
inácio – vai me bater? eu tô no alto.
cecília – então vamos comer alguma coisa?
odilon – vamos comer alguma coisa.
inácio – vamos comer alguma coisa.
odilon – vamos comer alguma coisa?

cecília tira a cadeira de inácio.

segunda tentativa: reescrever o texto a partir do entendimento da cena escrita (inácio não quer ficar sofrendo como os amigos e gostaria ao menos de rir da situação)

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inácio quer ver os amigos sorrindo.

inácio – casa tá suja, hein, gente?

odilon – é perigoso, hein, andreia?
andréia – tá tudo bem.

inácio – meio retrô isso, hein, cecília?

rita – bom, então é isso, né, gente? é isso ai…
odilon – é. você fica.
rita – eu não sei.

inácio – será que eles tavam sem dinheiro pra trocar as lâmpadas?
cecília – o apartamento tá parada faz dois meses.
inácio – falta de dinheiro?
cecília – nada disso.
inácio – odilon, tira a mão da lâmpada. não quero mais ninguém morrendo não.
andréia – inácio!

rita – gente, a gente já faz tudo. já dividiu as coisas.

inácio – a casa diz muito da pessoa. se jogar pela janela é a busca pela luz. essa casa tá escura.
cecília – cala a boca. você tá achando engraçado?
inácio – por que, você tá querendo ficar sofrendo?
cecília – você é insensível!
inácio – vocês ficam tapando o sol com a peneira?
odilon – vem cá. as meninas não tão gostando.
inácio – vamos enfrentar a nossa realidade?
cecília – você tá me machucando!
inácio – pára de gritar.
cecília – você tá desrespeitando a gente. a gente tá aqui por um motivo específico, mano.

andréia – cala a boca…

inácio – que grupo de amigos é esse? eu tô falando e vocês não tão me ouvindo?
odilon – não é isso, inácio. ninguém tá fingindo que não aconteceu. você não me escuta. tá cada um indo pra um lado.
rita – talvez a gente devia ficar um pouco em silêncio.

cecília – você devia ter ido no lugar da lilla.
rita – ai, não, né…
inácio – isso é preconceito racial.

rita – não acredito que você queimou a comida.
andréia – não queimei.
rita – você queimou a comida?!

inácio – e a gente não come, então? a gente vai ficar o dia inteiro aqui falando da lilla?
rita – e beber um pouco.
inácio – odilon não pode beber.

cecília – você tá sendo grosso. você é egoísta. ninguém escuta.
inácio – o grosso tá te escutando.

andréia limpa o apartamento.

cecília – andréia, porque você tá fazendo isso?
andréia – a rita é alérgica.
rita – sabe o que eu ouvi outro dia, que poeira é pele morta. vocês sabiam?
andréia – é, a gente morre todo dia.

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11h >>> COMPOSIÇÃO, tempo de 20 minutos para criação, tema geral: amizade

Composição Um (para dupla) – VÍTOR E DOMINIQUE

viewpoints;
proposta de espaço;
discussão intensa;
quebra de expectativa;
um objeto;
uma revelação;
um abraço;
um grito;
as falas: “não importa, mas e agora?” e “eu não vivo de poesia”.

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dominique cozinha. vítor chega por trás, lento. ela mistura a panela. mexe no fogo. limpa as mãos e respira. ele coça a boca, vai dizer não diz. ele a puxa e a abraça.
tá terminando já, pode avisar pro pessoal que tá quase pronto.
pq vc tá fungindo de mim
nao rto fungindo ta tudo normal
ta
to fazenco comida nao foi esse o combinado ta tudo certo
vitor bate a mao contra a parede
dominique – que foi?
ele retira do bolso uma carta. meio
ela abre a carta.
dominique – que que é isso agora?
você amassou?
isso não faz mais sentido
é pq não tem mais sentido que a lilla morreu. não mudou nada.
ai, detesto falar seu nome. até nisso a gente é cafona. que que é para de rir.
vc não tá falando a verdade.
para de inisitir numa coisa que não aconteceu.
para vc de rir, de insistir numa coisa que não tem mais sentido
quer que eue fique como?
não sei.
vai avisar pra todo mundo que a comida tá pronta.
fica comigo. eu preciso.
não importa. agora. eu não vivo só de poesia. eu preciso de concretude.
abraçam-se.

<

Composição Dois (para trio) – NINA, FRED E MARÍLIA

viewpoints;
proposta de espaço;
silêncio;
uma fuga seguida de aprisionamento;
uma promessa;
um beijo na boca;
um tapa na cara;
uma revelação;
um bater de palmas;
as falas: “desculpa!” e “é mentira!”.

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espaço retangular

nina entra, coçando a boca, olha a platéia. dá beijinhos na mão e toca a nossa boca. fred vem e faz o mesmo. ele entra no espaço, cabisbaixo. marília se ergue e dá seus beijinhos. eu fico muito constrangido. mas adoro. nina coça o queixo. todos os três virados contra a parede, as meninas avançam. andam, caminham, viram. cruzamentos. nina bate palma. os dois param. voltam. fred bate palma.

eu prometo que eu vou parar de falar, eu prometo que eu vou tentar ouvir vocês não quero parecer que eu tô falando falando. nina bate em fred. marília grita mentira!. nina diz desculpa. mãos da nina se movendo “eu tô grávida”. abraçam-se.

ai, quanta fofura.

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12h00 >>> RODINHA DO SUICÍDIO e da potência de vida (em breve)

lilla é atravessada por alguma coisa que a mantém perplexa e a faz desistir, a faz se retirar do mundo – morrer. é essa experiência dela que se configura como um atravessar que perfura os amigos e abre a eles um mundo real e capaz de devastá-los. a partir desse buraco, eles se perguntam como continuar… é isso.

2 comentários:

Fred disse...

"rita – sabe o que eu ouvi outro dia, que poeira é pele morta. vocês sabiam?

andréia – é, a gente morre todo dia."


inácio, depois de tentar se relacionar com os amigos, acaba fazendo aquecimento de uso com a cadeira.

Vitor disse...

rs