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quarta-feira, 6 de abril de 2011

ensaio 10

06/04, unirio, sala 301
diogo, fred, vítor, flávia, marília e dominique.

hoje o ensaio será sem a nina, que está em casa (com suspeita de dengue ou de alguma outra coisa). combinamos que ela não viria ao ensaio mas iria ao hospital. portanto, nina, se estiver lendo isso, vá ao hospital caso não tenha ido.

AQUECIMENTO DE USO. dominique camisa vermelha e short bege claro. vítor short vermelho e camisa grafite. fred camisa branca e short cinza escuro. marília camisa amarela e calça grafite. dominique com camisa interna preta. marília com camisa interna azul bebê.

o abraço como diálogo mais concreto.

OLHARES. não necessariamente algo dentro, mas sem dúvida algo fora, na superfície.

lembrando à marília e ao fred que comentem na postagem ENSAIO 06 a pergunta que foi solicitada. lembrando que havia sido solicitado que todos postassem algo sobre o ensaio de segunda para o vítor, que não esteve presente. ainda é necessário ouvir o que cada um tem a tirar deste encontro.

NEGOCIAÇÕES COM JANELAS. E PANO.

IMPROVISAÇÃO 01

10h26

o cara do celular chega lento pega a chave sob o tapete, abre a porta e mais lento ainda a empurra encostando-a em seguida. olha apenas, sorri de leve, quase não faz som e revista todas as paredes. limpa uma delas. posiciona uma mão e da parede se aproxima. respira fundo. e chora. erguendo as duas mãos.

a garota do cambalear entra. lenta. e o vê. ele com os braços abertos bate as mãos contra a parede. ela parada no centro da sala. ela se aproxima lenta e ele se vira. eles se abraçam e ela o conforta.

cambalear – tá tudo bem. eh, pode chorar.

ele silencia, preso no abraço.

celular - é muito difícil pra mim, sabe? mas tá tudo bem.
cambalear – não, não tá tudo bem.
celular – tá. tá ótimo.
cambalear – não, não tá.
celular – tá. inferno astral. tá tudo bem. bati com o carro. inquilino no meu apartamento. essa tsunami no japão. como é que você tá?
cambalear – eu tô bem.

a garota do silêncio profundo se aproxima da porta e chora com a mão no rosto, sem conseguir entrar.

celular - eu cheguei três minutos antes de você, bati o olho nessa foto e me lembrei do meu passado. foi forte pra mim. eu usava chinelo. eu acho que eu chorei porque eu queria esquecer meio disso que eu fui.
cambalear - por quê?

ele se aproxima por trás dela, já recostada na parede. ele recua.

cambalear – nunca te faltou nada.
celular – sempre me faltou tudo.
cambalear – você não tá sozinho na foto.
celular – eu joguei fora.
cambalear – você jogou fora a nossa foto?

ele a contempla ainda. ela sobre o chão tentando se dar conta. levanta se vira e o vê.

profundo – oi.

o cara do café vai até ela e a abraça.

celular – você não se sente culpada, não? aquela fantasia de borboleta? ela se joga pela janela achando que tá voando.
cambalear – é uma fantasia de carnaval.
celular – mas eu pensei muito nisso. nada é por acaso.

café – é feio escutar pela porta.
profundo – não tava escutando.
café – e você?
profundo – tá tudo bem. fora o fato tá tudo bem.

cambalear – e você, vai ficar aqui?
celular – eu hoje tirei o dia pra ficar com a lilla. só se eu me jogar pela janela.
cambalear – como cresceu a empresa não?
celular – chega uma hora da vida que você tem que sair de casa. construir a sua casa.
cambalear – e o coração, como é que tá?
celular – deixa eu te perguntar uma coisa… você não retornou a ligação dela por falta de crédito?
cambalear – eu acho…
celular – ela se foi sem você se desculpar dela?

os meninos espiam pela porta enquanto

celular – a pessoa morreu brigada com você e você quer levar as coisas dela.
cambalear – mas deixa não ficar bem. você não pode falar como se me acusasse.
celular – mas você não vai brigar comigo porque você tá traumatizado com isso de brigar com amigo?

a garota do cambalear abre a porta e recebe os outros dois.

café – vamos entrar.
profundo – daqui a pouco.
café – a gente já vai entrar tá terminando um assunto.
celular – quer que feche a porta pra vcs terminarem?

eles se cumprimentam. o cara do café e o do celular.

cambalear – acho melhor pegar a mala no seu carro pra pegar as coisas.
celular – e se você escrevesse uma carta. muita gente faz isso. pede desculpas.

a garota do cambalear faz cócegas nele.

cambalear – isso é hora pra rir?
celular – eu vou brigar contigo igual a lilla brigou contigo.
cambalear – vocês não vão entrar?
profundo – tô esperando o vítor.
celular – a saveiro é pra levar só as suas coisas?
cambalear – não. pode ser de todo mundo.
celular – de quem é a saveiro?
cambalear – do caco.
celular – o caco nunca gostou da lilla, né?

café – confia em mim. olha pra mim que eu tô falando com você.
profundo – tá tudo bem. já falei a gente conversou foi só isso. tá? eu nem sinto culpa.

celular – foi preciso alguém morrer pra que a gente tivesse aqui.
cambalear - chega de criar sofrimento. todo mundo sofre.
celular – você sofre?
cambalear – claro.

[…]

cambalear – e ai, gente? tudo bem?
celular – o que vocês tão esperando?
profundo – a nina.
cambalear – ela vai atrasar, ela ligou, ela vai atrasar um pouco.
celular – até que enfim.
profundo – pára de ser implicante, fred.
celular – vem cá olha esse céu. será que a pessoa se arrepende do ato do suicídio. será que até ela chegar lá embaixo até morrer será que ela se arrepende durante a trajetória eu acho que na hora do suicídio a pessoa se arrepente. o que que você acha, jornalista? aobre o suicídio?
café – eu não acho nada. nada.

aproxima-se da porta.

café – o que você vai levar, fred?
cambalear – ele vai levar nosso retrato.
celular – dodô, esse negócio de ficar calada e introspectiva não vem com isso. pode parar com isso de ser passarinho, borboleta…

10h56.

IMPROVISAÇÃO 02

11h05

Ele beija o quadro. Ela lenta caminha em sua direção. Ele se vira. Abraçam-se.

cambalear – pode chorar.
celular – pode chorar você.
cambalear – você.
celular – chora você.
cambalear – pára, você tá me assustando.

Ela avança até a porta e chora. Ele chega por trás e a conforta.

café – tá tudo bem?
profunda – tá.

celular – tô aqui de guarda da janela. dodô fica muito introspectiva e ai minha mãe sempre fala nisso.

11h25

 

O lugar do conforto. Não existe. De acordo com Fred, precisa ser expressado.

LEITURA. Pensar sobre as didascálias.

Falamos sobre o TEMPO_FESTIVAL e sobre o ensaio anterior.

3 comentários:

Vitor disse...

Pra voce Nina.

No jogo do lenço algo novo surgiu qdo o Diogo afirmou que após a queda do pano os atores param pra se reconectar e assim recomeçar em alerta, lançando o objeto e dando continuidade ao seu fluxo. Repito: ao trocar de manipulador o lenço deve seguir o seu fluxo natural e nao ser interrompido. Isso foi otimo. Imagino q nossa melhor funçao nao seja jogar exatamente o lenço na mao do parceiro, ele deve seguir seu fluxo e os jogadores se empenham pra que ele nao caia.

Fizemos improvisaçoes. Duas.Ficou clara a importancia da expressao depois do impulso como algo que devemos trabalhar.

(Desculpa se a escrita nao esta da melhor maneira Nina. É que amanha nao poderei escrever e queria deixar registrado algo pra vc.)

*Vendetta* disse...

brigado vitinho

Diogo Liberano disse...

EXPRESSAR..................................>