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segunda-feira, 18 de abril de 2011

EU ACHAVA QUE

Nunca ia querer tanto assim guardar uma memória. Que as coisas, a vida, não pudessem parecer tão imediatas. Eu achava que só de longe as coisas pareciam imediatas, 100 anos depois, quando a arte te mostra a realidade atraves de uma janela desenhada. Mas as coisas sem contorno são ainda mais dramáticas.
Eu achava que pensar em outra coisa sempre resolveria.
Que eu não ia precisar dizer adeus a uma pessoa que faria parte da minha vida para sempre.
Eu achava que nunca ia conseguir dizer nem uma pessoa que faria parte da minha vida pra sempre antes do pra sempre.
Eu achava que saudade era algo imaterial, que não tinha cor nem cheiro nem forma.
Eu achava que eu estava a salvo da surpresa.
Que nós faríamos 30 anos na mesma comemoração, ignorando nossas reais datas de aniversário completamente distantes.
Eu achava que o All Star ia furar no pé dela e não no meu.
Que a base cara da Laccome ia acabar no rosto dela e não do da Rita.
Eu achava que não existiria susto como este. Que não haveria vazio como este.
Eu achava que o corpo ficaria ainda mais aberto depois de uma queda de 18 andares.  

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