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sábado, 13 de novembro de 2010

07/11/2010

Nosso primeiro encontro. Que difícil. Tudo. Sentir a responsabilidade de estar ali, sentir medo da exposição e do nível de intimidade que alcançaremos, difícil olhar pra cada um dos que ali estavam e perceber o quanto você se doará pra eles e o quanto eles se entregarão a você, difícil aceitar que duas pessoas que chamamos para estar junto não vieram, não apareceram, como isso dói, fica a pergunta: onde elas estão? Que lugar as seduziu mais do que o nosso? Difícil suportar a ausência, difícil assegurar a presença.
Que lindo. Tudo. As pessoas que ali estavam, o olhar atento de cada um, as palavras amigas de cada boca, os gestos vivos dos braços e mãos, o teatro nascendo junto com o homem no simples exercício de ali estar. Está feito. Aqui estamos.
Marília diz algo sobre como é bonito perceber que se está exatamente onde se gostaria de estar e perceber a realidade tão próxima do que se sonhou, é lindo. Marília e sua flor Branca, Marília e sua gata May flower. Fred e sua cor negra preocupado com o seu corpo, preocupado com o grau de blindagem que ele provocou no próprio corpo e pede ajuda e quer se permitir e quer ser atravessado e desestabilizado. Fred comenta uma conversa que teve com um amigo, o amigo fala: é noite de lua cheia, se a lua interfere nas marés como não interferir no meu corpo que é setenta por cento feito de água? e no mesmo momento lembro-me de do livro Apocalipse de D. H. Lawrence, uma parte que Lawrence fala da importância de nos reconectarmos ao cosmo e de percebermos como a lua interfere nos nossos nervos e o sol na nossa circulação. Dominique cabelos curtos loiros e cacheados, calma e atenta me impressionou quando falou da necessidade de olharmos as coisas como se fosse a primeira vez, a necessidade de se permitir não saber, não reconhecer pois é nessa renovação que a vida acontece. Na hora pensei: ela sente o mesmo que eu! Ela precisa ler o Juliano! Diogo com seu novíssimo tênis vermelho levanta da cadeira pra acender um cigarro enquanto conversa comigo, a chuva cai e o molha inteiro ele continua conversando comigo e volta a se sentar completamente encharcado. Fica a questão: quem é atravessado? A chuva por aquele corpo ou o corpo por aquela chuva? Ou aqueles que olhavam a chuva atingindo o corpo? O que atravessa e porque atravessa? Sigamos atentos e corajosos.

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