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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Uma virgem antropofágica passou por aqui

Da inquieta necessidade de profundeza,de repente:o encontro.Amor.
Busca de um "teatro das energias", "jamais feito para descrever o homem e o que ele faz,mas para nos constituir um ser de homem que possa nos permitir avançar no caminho, vivendo sem supurar e sem feder".Teatro que deve aproveitar o encontro ator/espectador para atacar aqueles mitos que são herdados.

"Medo de ser tragado pela impossibilidade de compreensão."

"O que aconteceu com o nosso diálogo com as coisas?Não há razão em nada que digo.Fui atravessada pelo Papai Noel."

"A vida como um caminhar por entre comodos com janelas."

"Eu me lembro que há algo dentro de mim que devo ter deixado nesse lugar, perdido.Como um pulmão ou coração.Faz tempo que não faço algo de que possa me orgulhar."

À noite uma formiga entrou no pote de mel

Mergulhou

e morreu envolta em dourado doce e viscoso

De manhã

Eu

Que nunca mergulhei

Numa morte dourada

Comi no café pão com mel e formiga


"Estou digerindo a minha própria desnutrição."


"Me tira de mim, por favor!"

"É preciso desendurecer os discursos."

"Desaprender 8 hrs por dia ensina os princípios."

"Talvez seja esse o nosso trabalho:revelar a confusão em que vivemos onde a arte mistura a vida e o teatro a própria existência."

"Vamos redimensionar a vida que em nós agoniza."

"Eles podem ir de mãos dadas e vão."Buscar fazer um pouco de "sobriedade lúdica".

Paro para lembrar que não conheço pessoalmente todos eles,mas já estamos realmente de mãos dadas e resolvemos parar para pensar.Pensar sobre atravessamentos.

Alguém disse que para atravessar é preciso cruzar a linha. E para isso é preciso vulnerabilidade, incerteza, indiscrição.

Mas o que é atravessamento?

"Gerúndio.Não é antes,nem depois...É corte exposto e ainda não todo coagulado."


Um atravessamento acontece para você quando:

- a poesia se impõe;
- o outro nos suscita terror e piedade;
- o querer rompe o íntimo e se converte em revelação;
- encontro extremo com a realidade, irrealidade, delicadeza, violência...
- figuras de formas humanas impregnadas de subjetividade;
-os planetas cruzam o céu estrelado;
-...

Mas como estava a vida logo antes do atravessamento? Estava viva?Preenchida de que?De mim? Do outro?De vazio?

Sou canceriana com ascendente em virgem.Sinto o universo caótico e procuro interagir com ele.Precisava organizar.Tento entender para conseguir me comunicar.Em que pé estamos?Tento manter os meus dois no chão,mas eles as vezes se desprendem sem que eu perceba.Penso sobre as propostas feitas, que personagens seriamos nós e histórias me vem a lembrança enquanto penso.

Lembrei do Artista da Fome,de Franz Kafka.Lembro-me que falava de um homem que tomado pelo mundo não conseguia mais ter apetite e num jejum sem fim foi minguando.Não sei se dei uma inventada,me lembro assim.Acho incrivel a idéia de chocar-se com o mundo.Não se saber mais do que se tem fome.Talvez estivesse já muito entupido de mundo.


Lembrei de Paixão Segundo GH.Foi um dos livros que mais me marcou na vida.Uma mulher tenta interegir com o ancestral,primitivo,animal e sujo do mundo indo até o quarto da empregada comer uma barata.

Penso que eu seria GH,o faquir de Kafka, a noiva cadáver,Scarlet O'Hara,Julieta,Dom Quixote,a mulher de flash dance,Tina Turner,Elba Ramalho,Porcina, Jeca Tatu, Doroti,Pateta,A Bela Adormecida...

6 comentários:

Marília Misailidis disse...

Vcs se lembram quem disse o que?Reconhecem as próprias palavras?Já são outros?

Diogo Liberano disse...

marília
mesmo sem saber, vc desvendou o mistério das personagens.. já já vocês saberão. obrigado por juntar tudo isso. estou escrevendo o projeto e entendi muito mais sobre tudo isso. que é sempre muito maior do que tudo o que pensamos.

tá ficando maneiro,,,,,, ah!

Diogo Liberano disse...

ah.. pensei aqui... as palavras são livres. para ser autor, precisamos estar mortos.

Diogo Liberano disse...

e já não estamos?

Marília Misailidis disse...

A epígrafe de Paixão Segundo GH, diz: "A complete life may be one ending in so full identification with the non-self that there is no self to die." Bernard Berenson

Vitor disse...

agora que li isso, mto tempo dps da postagem, mas tennho que dizer que adorei.