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sábado, 20 de novembro de 2010

Casca

Eu rompo a casca
Avanço no tempo
Do despedaçar.

Eu provo o sabor
Desconhecido sabor
Do não se habituar.

Rompendo limites
Trocando convites
Eu avanço
E o que vem adiante
Eu só posso dizer
Que não sei.

Por isso rompo
A casca,
Avançando rumo
Ao próprio seguir,

Este sou eu
Este é meu ir
Um eterno e inquieto
Sentir-se
Para rir e volver
Para ir e sofrer
Cada semente.

Eu rompo a casca
E o que encontro
São sementes.

O que haveria de ser?

Romper a casa
Para lá dentro
Encontrar você?

Não.

Rompo a casca
E as sementes
Brilham dentro
Envolvidas
No doce veneno
Destes frutos

Que eu como,
Na ânsia de me ser.

São frutos perdidos
Maduros duros
Frutos comprimidos.

São frutos cindidos
Rachados ao meio
Meio sem casca
Meio sem íntimo
Frutos decaídos
Que eu como
Feito fossem frutos
Meus inimigos.

Então eu rompo
A casca
E a vida se desfaz
Entornando-se sobre mim
Sem deixar a dor
Para trás.

Eu trago tudo
Feito fosse suco
Eu sugo
E a maça que mordi
É-me toda deglutição

Cada semente
Cada estigma
Cada preocupação.

Eu como o cabo
Degusto a própria indecisão
Eu estou digerindo
Neste momento
a minha própria desnutrição.

O que me falta
O que me faz faltar
O que me joga
O que me faz saltar
Eu me pergunto
A cada casca rompida

E mal chego às sementes
E novas cascas se anunciam
Destemidas.

Eu sigo porque adiante
Frutos de outros semblantes
Mostram as suas cascas
Confiantes.

Eu sigo
Pois esse é o destino do seguir.

Se não fosse esse o meu
Por que haveria eu de prosseguir?


\\
Diogo Liberano

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