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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Vamos ser nossos próprios personagens...

Para conseguirmos redimensionar a vida que em nós agoniza. Eu fico lendo essas primeiras coisas e tudo me parece exagerado. As coisas que escrevo, as coisas que falo. Sim, de fato, eu fui atravessado por alguma ideia nossa de querer criar algo capaz de tocar, capaz de fazer corte, nós estamos encantados pela possibilidade nossa de encantar o próximo. É verdade. E olha que curioso: não conseguimos fazer isso por meio de histórias. Não saberíamos fazer nada disso por meio de personagens. Não há ficção maior do que nossa própria vida (espaço onde os encontros que não se encontram acabam virando a sensação de ter encontrado um dia). Compreende?

Estou viajando, a cada segundo ainda mais longe. Estou especulando lugares para essa dramaturgia um. Aquela sobre a qual construiremos o resto. Sim, o que nos vale é o resto. Lembram-se? As migalhas do pão sobre a mesa, capazes de serem estrelas, justo por serem migalhas, por serem restos.

Eu estava dizendo (hoje eu falei o dia inteiro de atravessamentos, conversei com uma amiga tudo, contei tudo, tudo o que até agora eu ainda acho que sei). Contei segredos de liquidificador, aqueles bem miudinhos que só nós sabemos onde se encontram. O porquê do tapete dançante. Eu estou me permitindo ir se irritar. Estou me permitindo ser atravessado em meio ao dia pela agonia de se perceber afetado e em seguida, pelo medo repentino de se achar louco demais, sensível demais. Sem dúvida alguma hoje eu compreendo: o meu corpo é daqueles que deseja se blindar. Não vamos exigir dos corpos que estejam sempre despertos. Quem foi que disse que para estar vivo é preciso respirar? Vamos dançar imóveis. Vamos isso também experimentar: dizer sem palavras, fazer sem ações, amar sem beijos e abraçar sem aproximação.

Estava dizendo algo que julguei ser curioso, é o seguinte: acho curioso que o tema deste trabalho - desta ida nossa vertiginosa rumo a sabe-se lá o quê - enfim, dizia que eu acho curioso que o universo sobre o qual estamos começando isso aqui seja justamente aquele que diz respeito a nossa incapacidade de criação. Em primeiro plano, queremos conseguir construir essa obra, vamos expor (vamos?) os meandros da construção? Vamos falar disso, dessa tentativa?

Não. Quero dizer: nossa obra será fruto dessa nossa irritação com nosso ofício. Nasce a cada segundo, nasce a cada aplauso, nasce a cada representação. O mundo ao redor não sabe mas inteiro desova dentro de nós, ventres sedentos e propensos ao impossível. Nós estamos falando justamente da bifurcação a partir da qual selaremos aquela coisa individual do destino. Sabe?

Personagem. A vida foi teatralizada. E o teatro se perdeu da vida. Que estranha operação será preciso fazer para se conseguir de volta as potências hoje meio que perdidas, meio que confusas, meio que... Como se diz? 

Especulo. Onde estão todos? Não tenham medo de chegar. É preciso.

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Diogo Liberano

5 comentários:

Vitor disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vitor disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vitor disse...

fico tentando formular uma pergunta mas fica dificil pensando nessa operaçao de trazer de volta a essencia da vida pro teatro, do teatro pra vida. Bate e volta forte de novo a COMUNICAÇAO

Diogo Liberano disse...

ei, concordo sim... a questão creio talvez seja outra. talvez devemos nos perguntar com que língua nos comunicamos? ao invés do fato (do comunicar), devemos nos perguntar sobre o como??? como??? ai reside nossa liberdade,

Vitor disse...

sofisticando as relaçoes acho bem interessante algo no teatro que explore a possibilidade de como a comunicaçao pode se dar, causar mal entendidos, e por aí vai...